Nunca Te Esquecerei - Fanfic (concluída)
72 Arrependimentos - Parte Final
I'm a mess right now
Inside out
Searching for a sweet surrender
But this is not the end
― Ed Sheeran (I'm a Mess)
Emmett’s POV
Parei o carro em frente à mansão e sai, tentando realmente me controlar, eu estava ali para entender o que aconteceu, então respirei fundo, mas os socos que dei na porta mostraram que eu estava muito longe de conseguir isso. Toquei a campainha e voltei a bater na porta, sem conseguir uma resposta, porém continuei, ele ainda devia estar ali, para onde mais poderia ter ido?
― Edward!! ― gritei, batendo novamente na porta ― Edward!
― Já vai... mas que droga.. ― ouvi ele reclamando em voz alta junto com o barulho da chave girando, enquanto ouvia-o resmungar, no entanto era difícil entender suas palavras e quando a porta abriu percebi o porquê disso.
Vi a garrafa de uísque vazia em sua mão, a roupa amassada e a expressão de quem já parecia estar de ressaca.
― O que você quer? ― ele parecia até ter dificuldades para se manter em pé.
― O que eu quero?! ― repeti indignado e a raiva me subiu, então sem pensar puxei meu punho para trás e acertei seu rosto, jogando-o longe.
O som da garrafa se espatifando no chão ecoou pela sala, seguido pelo som abafado do corpo de Edward caindo. Ele parecia confuso, enquanto tentava se levantar, mas o máximo que conseguiu foi ficar ajoelhado, enquanto levava a mão até sua boca, para então encarar o sangue em seus dedos.
― Você enlouqueceu?!! ― gritou.
― Se eu enlouqueci? ― eu ri alto ― Você não viu nada ― avisei, pegando-o pelo colarinho de sua camisa e arrastando-o escada acima, apenas ignorava seus socos e ameaças.
Liguei o chuveiro na água fria e joguei-o dentro do box do banheiro, segurando sua cabeça sob a ducha durante algum tempo.
― Pronto, ― falei, soltando-o e desligando a água ― agora troque de roupa ― avisei antes de sair.
Caminhei até a cozinha, pegando um pano e procurando por gelo no freezer, enrolei os cubos de gelo, formando uma pequena bolsa, que serviria como uma compressa improvisada. Então coloquei sobre minha mão e segui para as escadas, porém eu parei ao passar em frente a sala que guardava o piano, dei uns passos para trás olhando o lugar que um dia também foi uma pequena biblioteca, vendo alguns livros jogados e vidro quebrado espalhado pelo chão...
Balancei a cabeça tentando entender o que tinha acontecido e afastando o pensamento de que Edward poderia ter maltratado Isabella de alguma forma, duvido muito que ele seria capaz de fazer algum mal a ela fisicamente.
Voltei para o quarto e encontrei Edward lutando para conseguir vestir uma camisa, acho que machuquei ainda mais seu braço quando o puxei escada acima e suspirei antes de largar a compressa sobre a mesa.
― Deixa eu te ajudar ― falei, pegando a manga da camisa.
― Me deixa ― avisou, empurrando-me.
― Ok ― concordei e afastei-me, vendo-o se sentar na cama, vestindo a camisa apenas em um braço e desistindo de continuar tentando. ― Aqui, coloca ai.. ― falei, passando para ele o gelo embrulhado no pano e apontei para seu queixo.
Edward pegou a compressa e colocou sobre seu rosto, mas não ousou olhar para mim, apenas continuou em silêncio.
― Tudo bem, então como vai ser? Vai me contar ou não o que aconteceu?
― O que aconteceu não é da sua conta ― ele respondeu sem me olhar e meus dedos estralaram quando os apertei, tentando conter a vontade de dar outro soco nele.
― É sim, é da minha conta, e se você não queria isso não devia ter machucado minha irmã ― falei e então ele me olhou. ― Pois é, ela chegou em casa com olhos vermelhos e não quer falar com ninguém, então você vai me contar o que aconteceu.
Edward esfregou o rosto e finalmente vi algum sentimento em sua feição. Ele estava preocupado.
― A Tanya apareceu aqui ― contou. ― E Isabella abriu a porta... Eu não sabia que ela viria.
― Alice disse que Bella não está bem, que ela realmente não está nada bem. Posso estar enganado, mas apenas ver a Tanya não faria isso com ela ― falei e ele suspirou. ― Não é só isso, é?
― Tanya está grávida ― revelou e dei um passo para trás, finalmente tudo fazendo sentido.
― Você só pode estar brincando... ― puxei a poltrona ali perto, precisando me sentar depois de ouvir aquilo ― Como deixou isso acontecer?
― Não deixei ― ele respondeu a contragosto. ― Eu não sou o pai ― eu ri de suas palavras
― Se quer que acreditem nisso, precisa repetir mais vezes em frente ao espelho, se é que você consegue se olhar no espelho.
― Não há a mínima possibilidade de ser meu filho ― afirmou convicto e vi Edward encarar algo a sua frente, mas não sei exatamente o que ele estava vendo.
― Como tem tanta certeza?
― Tenho certeza porque depois que conheci Isabella não tive outra mulher, mesmo depois de me separar dela, eu não consegui ― confessou. ― Não quer dizer que não tentei, eu tentei com a Tanya e com outras, mas... não aconteceu nada.
― Eu não acredito nisso.
― Você pediu a verdade, agora se vai acreditar ou não... não é problema meu ― falou, ainda mantendo a compressa gelada no rosto.
― Mas então porque vai se casar com a Tanya, por que tudo isso?
― Isso eu não posso contar ― Edward se levantou e caminhou até o closet.
― Por que não? ― perguntei, mas ele não respondeu ― O que está fazendo? ― indaguei e também entrei no closet, vendo-o jogar as roupas dentro da mala.
― Isabella me mandou embora e é isso que eu vou fazer.
― É talvez isso seja a melhor coisa que você pode fazer agora, fugir e ignorar tudo ― deixei claro o tom de ironia em minha voz e ele apenas balançou a cabeça, continuando a arrumar sua mala, foi quando algo me veio a mente e tive medo de ter entendido tudo. ― Por que tudo isso Edward? Pra quê fazê-la sofrer assim? ― ele não me respondeu ― Será que pode me explicar, pois a única coisa que consigo pensar é vingança e não acredito que teria coragem de fazer isso com Isabella.
Ele parou por um momento, então falou com a voz calma, sem me olhar:
― Nunca desejei e nunca irei desejar algum mal para Isabella, nunca quis que ela sofresse, muito menos por minha causa, não era para ela ter descoberto desse jeito... Mas aconteceu e agora já não posso fazer mais nada Emmett.
Suas palavras e seu tom conseguiam me deixar mais nervoso, como assim ele não podia fazer nada? Ele podia fazer tudo! Mas sabia que nenhuma palavra que eu dissesse o faria mudar de ideia, pelo menos não nesse momento.
― Já que é para ser assim... ― falei, vendo-o me ignorar ― Então siga a sua vida e deixe Isabella seguir a dela, não interfira mais.
― Eu nunca quis isso, você sabe que foi Alice que começou com...
― Não, por favor não. Alice fez as armações dela como sempre, mas você podia ter escolhido se manter longe, podia ter escolhido não se envolver quando descobriu que Isabella estava se lembrando, não devia ter dado esperanças ― apontei para ele, enquanto seus olhos finalmente me encaravam, porém sem expressão alguma. ― Você permitiu isso Edward, mesmo sabendo que essa situação era inevitável.
Ele apenas abaixou a cabeça e permaneceu em silencio.
― Tenha uma boa viagem ― falei antes de sair, caminhando pelo corredor daquela casa vazia.
Peguei meu celular no bolso e disquei o numero de Alice enquanto descia as escadas.
― Oi ― ela atendeu e fechei a porta da casa, caminhando até meu carro.
― Descobri o que aconteceu ― informei e contei-lhe, ouvindo sua respiração nervosa do outro lado da linha. ― Não acho que devemos nos intrometer mais nisso Alice ― falei por fim, já dirigindo pela cidade.
Edward’s POV
As portas do elevador se abriram e entrei no corredor, caminhando com calma, mal podia respirar, todo meu tórax doía e praticamente não conseguia mover meu braço direito, no entanto isso não era um real incomodo, na verdade eu só conseguia pensar no que estava fazendo. E então parei em frente a terceira porta ali e indaguei-me se realmente era ali que eu deveria estar, mas... Apenas balancei a cabeça e bati na porta, que se abriu logo depois, revelando a mulher loira que me encarou assustada.
― Nossa! ― exclamou analisando meu rosto ― Lembrete mental: nunca entrar em uma briga com Isabella ― falou baixo, com os olhos arregalados.
― Isso foi um presente do Emmett ― falei e ela pareceu mais surpresa ainda, antes de permitir que eu entrasse.
― Tudo bem, vamos tentar resolver isso ― Tanya falou e sentei no sofá da pequena sala no quarto, enquanto a observava pegar o telefone e pedir um balde de gelo. ― Por que não me conta o que aconteceu? ― pediu assim que desligou a ligação e caminhou até mim, apoiando a mão na base das suas costas para poder se sentar no lugar ao meu lado.
― Por que não me conta como vocês estão? ― falei tentando sorrir e levei minha mão até sua barriga redonda, sentindo o tecido macio do robe que Tanya vestia.
― Estamos bem.
― Não devia ter feito uma viagem longa dessa ― avisei e seus dedos repousaram sobre os meus.
― Você sumiu, tem noção do quanto fiquei preocupada?! ― ela exclamou.
― Eu sei, e sinto muito...
― Edward... ― ela foi interrompida com alguém batendo na porta.
Tanya levantou e recebeu o funcionário do hotel que trazia um pequeno balde de gelo. Ela voltou a fechar a porta e pegou uma toalha pequena, enchendo-a com gelo, entregando-me em seguida e pela segunda vez hoje eu coloquei a compressa gelada em meu rosto.
A mulher loira voltou a se sentar ao meu lado e encarou-me com seus olhos claros, talvez um pouco nervosa, e indagou baixo:
― Por que não me contou, Edward? ― e ela voltou a falar quando não respondi ― Eu nunca teria aparecido aqui, sabe disso.
― Não era para ter acontecido tudo que aconteceu, não achei que Isabella... ― suspirei tentando organizar meus pensamentos ― Enfim, isso não muda nada.
― Isso muda tudo ― falou e sorriu. ― Pelo jeito ela se lembra de você e quando te vi descer as escadas, hoje mais cedo, você parecia o homem mais feliz do mundo, até me ver lá na porta ― ela riu. ― Então eu posso concluir que você dois passaram uma ótima noite juntos e vem me dizer que isso não muda nada.
― Não pode mudar, Isabella foi apenas uma parte da minha vida, que eu sempre vou lembrar...
― Para com isso! ― interrompeu-me ― Sei que é culpa minha, fiz você repetir várias vezes que ela tinha ficado no passado, porque achei que vocês não teriam outra chance e eu precisava fazer alguma coisa para que você conseguisse seguir em frente, mas olhe só... Está tendo outra chance e vai desperdiçar isso por ser orgulhoso demais.
― É complicado, Tanya ― falei deixando a toalha com gelo na mesinha ali ao lado e passei as mãos no cabelo, respirando fundo.
― Então eu vou descomplicar para você ― informou pegando minha mão e colocando o anel de noivado no centro da minha palma, fechando meus dedos em seguida ― Eu não vou permitir que desista da sua felicidade para manter a memória do seu pai, muito menos para corrigir o erro que eu cometi.
Seus olhos claros me encararam e segurei suas mãos, enquanto balançava a cabeça, eu não podia concordar.
― Edward ― ela me chamou e olhei no fundo de seus olhos.
― Não é só isso. Eu poderia sair daqui e ir atrás dela, mas o que eu diria? Não há nada que eu possa dizer que a fará entender... Não sei o que dizer a ela.
― Nossa, Edward Cullen sem palavras ― Tanya riu ― Eu realmente quero um dia poder sentar e conversar com Isabella, ela deve ser fascinante.
― O melhor que eu tenho a fazer é pegar o primeiro avião, ir embora e não voltar mais ― afirmei e dessa vez foi ela quem discordou.
― Não, o melhor que tem a fazer agora é ir atrás dela ― disse e então pensou por um momento, respirando fundo antes de continuar. ― Diga tudo aquilo que precisa dizer... Eu sei que você tem muito a dizer a ela e Isabella precisa ouvir tudo isso. No entanto, também sei que você só vai conseguir colocar em palavras tudo o que sente, quando deixar, não só, o orgulho de lado, mas também a mágoa.
― Não guardo mágoa de Isabella.
― Não mesmo? ― indagou ― Edward, ela não tinha ideia do que estava fazendo quando mandou que você fosse embora e isso está se repetindo de novo, ou realmente acha que ela quer que você vá? ― eu não respondi, pois ainda não conseguia assumir aquilo ― Não cometa o mesmo erro, porque dessa vez pode não aguentar o peso da culpa.
Encarei o pequeno anel de diamante em minha mão e no que ele realmente significava.
― E se ela não me ouvir?
― Então estarei te esperando, em Londres, para pensarmos em um outro jeito de resolver nossos problemas... que não são poucos ― Tanya falou, erguendo os ombros, rindo e acabei sorrindo também.
― Eu vou pensar sobre tudo isso... ― informei, segurando o anel com as pontas dos meus dedos e voltando a segurar sua mão esquerda ― Mas, independente do que acontecer, esse anel é seu, eu o escolhi para você ― falei, deslizando-o em seu dedo.
― Ah! Que bom, pois meu coração já estava doendo por ter que devolvê-lo ― sorriu, admirando o anel em sua mão e acabei rindo.
― Ainda iremos nos ver antes de você voltar ― levantei-me e ajudei quando Tanya teve dificuldades de se levantar por causa de sua barriga.
― Acho que não, já estou com minha passagem e meu voo sai logo de manhã ― contou enquanto caminhávamos até a porta.
― Então...
― Então, realmente espero que tudo fique bem, mas se der errado.... Sabe que pode contar comigo ― ela sorriu e girou a maçaneta, abrindo a porta para mim.
Apenas retribui seu sorriso e aproximei-me, depositando um beijo em seu rosto antes de sair.
Isabella’s POV
Passei a escova pela vigésima vez em meus cabelos, tentando, sem resultado, desmanchar as ondas nas longas mechas. Encarei mais uma vez meu reflexo no espelho a minha frente, então puxei todo meu cabelo por cima de meu ombro esquerdo, dividindo-o em três partes e em menos de um minuto uma trança perfeita estava pronta, terminei amarrando a ponta que passava da altura de minha cintura. Respirei fundo e levantei-me, saindo de meu quarto e caminhando pelo corredor, chegando a sala e seguindo até a cozinha, sorrindo ao ver o rapaz de cabelos do mesmo tom que os meus, preparando panquecas.
― Bom dia, Bella adormecida ― disse divertido e sorriu, seu sorriso era encantador.
― Bom dia, David ― respondi também sorrindo, pois sabia que ele não me perguntaria nada, não exigiria saber o motivo do meu estado deprimente de ontem..., ao contrário, ele apenas por alguns minutos me faria esquecer de tudo.
― Espero que esteja com fome ― avisou. ― Preparei café, ovos mexidos e estou terminando as panquecas.
― Acho que você pressentiu, pois estou morrendo de fome.
― É coisa de irmão, a gente tem esse poder de sentir ― afirmou e ri, ajudando-o a levar tudo até a mesa.
Sentei-me e peguei um pouco dos ovos mexidos, provando logo depois e descobrindo que realmente estava morrendo de fome.
― Isso está muito bom.
― Eu sei ― David se gabou e sorri. ― E então, Columbia fica aqui do lado... ― ele mudou de assunto: ― Sabe, é bom passar de fez em quando na universidade... só estou comentando.
― É verão!
― Sim, e o verão está acabando, não vi a senhorita arrumando um estágio.
― Faço estágio como assistente da Alice ― respondi, fazendo-o rir alto.
― É o tipo de estágio que com um mês você já merece ganhar o diploma ― dessa vez fui eu que ri. ― É brincadeira, por favor hein...
― Vai ter um preço para eu não contar isso a ela ― avisei e ele fingiu uma dor no peito.
― Bom, ― David olhou o relógio em seu pulso ― daqui a pouco tenho que ir fazer compras para o restaurante, você vem comigo certo? ― perguntou e houve um momento de silencio, pois não sabia como dizer que eu não queria sair de casa ― Tudo bem já entendi ― ele informou.
― Obrigada ― murmurei. ― Pode ir, eu ficarei bem.
― Tem certeza?
― Sim, eu tenho.
― Ok, Alice só foi buscar algumas coisas na loja e logo estará de volta ― seu sorriso era reconfortante.
Terminamos de tomar café com conversas superficiais e sabia que David tomava cuidado com cada frase que usava, hoje ele tinha como objetivo me distrair e eu tinha total consciência de que, provavelmente, ele já sabia de tudo.
― Já vou indo.
― Tudo bem, a gente se vê mais tarde?
― É claro ― respondeu antes de se levantar e se aproximar para depositar um beijo no alto da minha cabeça ― Eu te amo ― falou e sorri, vendo-o caminhar para a saída.
Respirei fundo quando ouvi a porta se fechar e fechei os olhos, deixando que o garfo caísse de minha mão, fazendo um som agudo ao bater no prato, enquanto sentia o peso em meu peito. Encarei minhas mãos sobre a mesa, então as levei até as laterais de meu pescoço, massageando meus ombros, respirando com calma, minha mente voltando a aquele exato momento em que me entreguei completamente a Edward, enquanto ele apenas...
Como pude me enganar? Ele nunca se importou.
― Você consegue ― murmurei para mim mesma e senti um leve sobressalto quando alguém bateu na porta.
Ri de mim mesma, com meu susto, enquanto me levantava e caminhava para a porta, com certeza David deveria ter esquecido algo, mas quando me aproximei ouvi mais batidas e as chaves do meu irmão não estavam sobre a pequena mesa que ficava na entrada do apartamento... ele não as tinha esquecido, então porquê bateria?
Houve mais três batidas urgentes na porta de madeira e uma sensação gelada percorreu meu corpo antes de dar mais dois passos em direção à porta e espiar pelo olho mágico. Meu corpo congelou ao ver o homem de cabelos cor de bronze e afastei-me rapidamente, quando seus olhos verdes pareceram me encarar, batendo minhas costas contra a parede do hall de entrada.
― Isabella? ― chamou, provavelmente me ouviu ali e quando não respondi ele teve a certeza de que era eu ― Isabella, por favor... ― suplicou e encarei minhas mãos trêmulas ― Tudo bem, eu entendo que não queira me ver, não precisa abrir a porta para mim, só peço que me ouça, por favor fique aqui e ouça-me ― pediu.
E sem realmente pensar, apenas dei três passos, permitindo que Edward visse a sombra de meus pés na fresta fina entre o chão e a porta, e toquei a madeira fria com as pontas de meus dedos, encostando-me ali, ouvindo quando ele respirou fundo antes de começar a falar.
― Passei a noite inteira pensando no que eu deveria dizer, em como explicaria tudo isso, mas então hoje de manhã percebi que não se trata do que eu devo dizer, nem de explicações ― sua voz era baixa, mas ali encostada a porta podia ouvir perfeitamente ― Eu poderia te contar tudo dos últimos anos, poderia falar sobre a Tanya, sobre a gravidez... mas nós dois sabemos, que isso de nada importa ― sua voz, fazia meu coração doer e uma sensação gélida percorrer minha pele. ― Sei que acreditou quando disse que o bebê que ela espera não é meu filho, vi em seus olhos que acreditou em mim, mas também sei que naquele momento, Tanya aparecer grávida foi apenas a última gota necessária para fazer tudo transbordar ― a primeira lágrima traidora rolou pela minha bochecha e a limpei rapidamente, sentindo meu coração acelerar quando ele voltou a falar... sua voz era pura, calma, sincera. ― Eu errei... eu errei tanto com você, minha menina. E poderia simplesmente pedir desculpas por tudo, mas não adiantaria, não é mesmo? Não, porque de certa forma você já me desculpou por quase todos esses erros, com exceção de um... Era isso que você estava esperando para ouvir, era isso que seus olhos clamavam para mim, e eu não queria enxergar, pois não queria acreditar que um dia fui capaz de fazer o que fiz... com você.
Eu me afastei um pouco, não querendo mais ouvir, sentindo meu peito doer, sentindo como se meus pulmões não funcionassem mais, e ele sabia disso, pois esperou. Edward esperou que eu voltasse para perto da porta antes de falar o que eu tanto quis ouvir.
― Desculpe-me, pela dor, pelo meu erro de te deixar quando você mais precisou de mim, me perdoe... ― sua voz falhou e soube que ele compartilhava da minha angústia. ― Perdoe-me por não voltar ― todas as lágrimas que um dia eu contive caíram sem que pudesse fazer nada. ― Perdoe-me por te abandonar, eu não... eu... ― perdeu as palavras e meu corpo estremeceu quando ele socou duas vezes seguidas o batente de madeira, o som foi abafado e a porta balançou, mas continuei ali ― Droga.. ― ele murmurou e então um silêncio, eu ouvia apenas sua respiração.
Cobri meu rosto com as mãos, tentando impedir as lágrimas, pois cada uma delas parecia me machucar, mas não adiantava, eu não conseguia.
― Eu devia ter voltado ― sua voz grave, soou baixa, envergonhada. ― Eu sei que devia ter voltado, meu anjo, mas não voltei e mesmo que em algum dia possa me perdoar, eu não vou. Nunca vou me perdoar por ter te virado as costas e ter te deixado sozinha. Não houve um minuto sequer que eu não me condenei por essa escolha...
― Ah ― arfei baixo, quando o ar não entrou em meus pulmões e cai, meus joelhos batendo contra o chão.
― Isabella? ― sua voz estava desesperada e respirei fundo ― Isabella, não me faça cometer esse erro de novo, por favor, eu não posso... ― pediu e percebi que sua voz soava mais perto da soleira da porta, Edward também estava abaixado, ajoelhado talvez, assim como eu... Ele estava tão perto. ― Bella... ― falou baixo e apertei minha mão contra a madeira, sentindo. Sabia que sua mão também estava ali do outro lado.
― Edward ― sussurrei baixo o bastante para ele não me ouvir... eu só precisava pronunciar seu nome mais uma vez.
― Eu sinto tanto, minha pequena...
Tudo aquilo me levou para dentro de uma das minhas inúmeras lembranças:
“Meus olhos encontraram os seus assim que terminei de assinar os papeis, mas Edward desviou o olhar, pegando a caneta para também assinar e logo depois ouvi a voz de Emmett:
― Então é isso pessoal, eu vos declaro ex-marido e ex-esposa ― e um silêncio estranho se formou ali. ― Ok ― murmurou também constrangido com aquela situação.
Em um impulso, tomei coragem e peguei o anel em meu bolso, colocando-o sobre a mesa.
― Acho que isso é seu ― empurrei a aliança na direção de Edward.
― Não Isabella, o anel é seu. Pode fazer o que quiser com ele, pode vendê-lo ― sua voz soou firme enquanto ele já se levantava.
― Não, eu quero que fique com você ― insisti, pegando a pequena joia e estendendo a ele, que então pegou a aliança em minha mão. ― E, por favor, me chame de Bella ― minha voz quase não saiu e tentei sorrir.
― Tchau Isabella. Depois falamos sobre a casa Carlisle ― Edward foi seco e então se virou, saindo da sala.
Então meus olhos encontraram o olhar paterno de meu tio, que parecia preocupado, enquanto ouvia Emmett também sair pela porta de madeira escura.
― Eu estou bem ― murmurei, sentindo todo aquele lugar ficar frio, gelado.
― Esperava algo diferente, não é mesmo?
― Eu não sei... Não sei nem o que esperar de mim mesma ― comentei rindo sem humor.
― Dê tempo ao tempo, e tudo irá se ajeitar ― Carlisle falou, mas não acreditei naquilo. ― Vamos para casa ― propôs e acho que consegui sorrir.
Levantei e meu tio abriu a porta para mim, a tempo de ver Emmett, Esme e Edward entrando no elevador, e meus olhos se encontraram com os seus, mas dessa vez ele não se esquivou. Edward estava tão magro, seus olhos tão escuros junto as olheiras... porém por um segundo senti vontade de chamá-lo, de pedir sua ajuda, e no segundo seguinte percebi que ele notara isso, ele viu meu pedido silencioso de socorro, mas as portas do elevador simplesmente se fecharam e minutos depois quando elas voltaram a abrir... foi apenas para revelar um elevador vazio.”
Limpei meu rosto, perguntando-me quando tempo fiquei ali presa naquela memoria, então me levantei e encostei minhas costas na porta, tentando acalmar minha respiração acelerada. E por um impulso, eu me virei e girei a chave, abrindo a porta num rompante, esperando encontra-lo, mas encarei o vazio antes de olhar para baixo e ver o enorme buquê de rosas brancas, cuidadosamente deixado ali. Mais uma vez passei as mãos no rosto e abaixei-me, pegando o arranjo de flores e levando-o para dentro, colocando-o sobre a bancada na cozinha, sentindo o perfume delicado das rosas, encontrando no canto, entre as folhas, um pequeno bilhete. Peguei o papel rapidamente e desdobrei, encarando a linda caligrafia:
Bella,
Não entenda isso como um ultimato,
mas sabemos que um de nós tem que ser forte o bastante
para dar o primeiro passo, sendo assim aqui está o meu:
Vou te amar, até que a última rosa murche..., então seguirei em frente.
Edward
Uma gota molhou o papel fino e provavelmente caro, então mais uma vez sequei meus olhos e segurei fortemente o bilhete, enquanto permitia que meus dedos deslizassem pelas pétalas brancas, macias, perguntando-me quanto tempo eu o teria. A mágoa ainda estava ali, em algum lugar no meu peito, e não poderia esquecer tudo... Acho que mesmo se eu esquecesse ainda sentiria a dor.
De repente, senti uma textura diferente no buquê. Engoli em seco, tentando manter toda a bagunça em minha mente para depois, apenas me concentrando em encontrar novamente aquela textura e em segundos achei, uma rosa que para um despercebido seria igual as outras, mas ela não era. Segurei a tal rosa e puxei-a, segurando em minhas mãos o caule artesanal, então toquei as perfeitas pétalas feitas de cetim e não contive o sorriso... Essa rosa nunca murcharia.
― Que belo primeiro passo ― murmurei, entendendo a ironia naquele bilhete, sentindo uma onda de proteção e segurança, que pareceu aquecer meu corpo, quando percebi que estava errada... Ele se importa.
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