Notas iniciais
Hey gente! Como estão? 32 reviews! Agora sim :D Fiz questão de responder cada um deles. E antes que falem... Minha resposta é sempre de acordo com o seu comentário, então você falou sobre a história ou perguntou alguma coisa? Pode ter certeza que eu respondi contando um pouquinho do que vai acontecer e tentando esclarecer as dúvidas. Para aqueles que disseram que gostaram, eu apenas agradeci, mas não achem que não gosto dos seus comentários, ao contrário, eu adoro eles ;D Enfim, acho que não demorei muito dessa vez, então... boa leitura!

Isabella’s POV

“Um piano de cauda preto se materializou a minha frente e sobre ele estavam espalhadas várias fotos, porém praticamente todas não passavam de borrões, com exceção de uma. Peguei a pequena fotografia nas mãos e olhei a imagem de quatro crianças, três deles eram familiares e lembravam a Alice, Emmett e Edward. Mas a quarta criança... era uma menina de cabelos cor de bronze, não sabia dizer a cor de seus olhos, porém podia afirmar que eram idênticos aos do rapaz parado ao meu lado.

― É ela? ― indaguei.

― É ― respondeu sem olhar a foto em minhas mãos e sem dizer mais nada ele caminhou até uma porta de vidro, que se abria para uma sacada.

Olhei a foto novamente e a deixei ali indo até Edward, vendo que a sacada não tinha vista para nada, era apenas uma imensidão escura e de repente o medo apareceu. Mas a postura firme de Edward me fez relaxar, sabendo que ele não deixaria que nada acontecesse.

― Tem que parar de se culpar. Você só tinha oito anos ― falei.

― Quem disse que eu me culpo? ― um sorriso triste apareceu em seus lábios.

― Sabe, não precisa esquecer o que aconteceu, precisa apenas superar e seguir em frente, guardando os bons momentos que passou com ela.

― Você foi a única pessoa que disse que eu não preciso esquecer.

― As pessoas falam que precisamos esquecer aquilo que nos atormenta, mas esquecer é pior. Porque, por mais que tentamos, nunca esqueceremos por completo e então, de uma hora para outra, você pode se lembrar e a dor será maior.

― Tem razão.

― Sempre tenho. ― brinquei e ouvi sua risada, antes de ser puxada para seus braços.

Abracei-o, encostando minha cabeça em seu peito, ouvindo seu coração batendo calmamente e fechei os olhos sentindo seus braços me segurando com força.”

Recordava o sonho que tive na noite passada, quando percebi que eu não me reconhecia mais. A cada segundo a memória da sensação que as pontas dos dedos de Edward causaram ao tocar meu rosto, enquanto estávamos na praia, simplesmente se esvaía e algo em mim clamava para que eu não permitisse que isso acontecesse, precisava relembrar aquele toque, precisava sentir novamente. Precisava daquela sensação de confiança que sentia, quando ele estava por perto. E foi apenas nisso que pensei quando me ofereci para ir com ele até a mercearia ali perto, mas agora, enquanto saímos da casa e começávamos a caminhar pela calçada, o arrependimento e o medo começaram a tomar lugar dentro de mim. Porém não deixei que isso continuasse, eu precisava saber o que aconteceu, precisava entender todos a minha volta. Houve um motivo, algo que me fez confiar neles e quero descobrir isso.

― Qual é a história? ― perguntei de uma vez só, quebrando o silencio e ele me olhou esperando que eu continuasse ― David disse que há uma história que justifica a reação de todos ontem. Acredito que talvez eu soubesse o que aconteceu, mas... não sei mais ― expliquei e seus olhos encontraram os meus.

― É, você sabia ― ele murmurou e o silêncio apareceu novamente, tomando conta da situação.

Ouvi Edward suspirar, vendo-o passar as mãos no rosto e em seu cabelo, fitando o asfalto sob seus pés. Notei que sua postura nunca mudava, apesar de parecer perturbado, a imponência e a autoconfiança estavam claros até em seu jeito de caminhar.

― Já é passado, então vamos deixar no passado ― suas palavras deixaram claro que ele não me contaria a história, então também não insisti.

Caminhamos em silêncio e segui aquele Edward pensativo, virando na rua a direita, então fitei novamente o anel em sua mão e acabei perguntando.

― Era do meu pai, tem a inicial do sobrenome Masen ― ele respondeu, calmo.

― Sei que você assumiu os negócios da empresa com dezoito anos, deve ter sido uma grande responsabilidade ― comentei e ele pareceu surpreso por eu saber aquilo.

― Foi um peso enorme nas minhas costas ― ele brincou e acabei rindo. ― Mas sinceramente, eu gosto dessa responsabilidade, apesar das consequências dela.

― Como aparentar mais idade do que realmente tem?

― É uma das consequências ― ele riu. ― Nossa, eu envelheci muito nesses anos ― falou passando as mãos no rosto e em seu cabelo, novamente. Ele parecia cansado.

― Não está tão ruim ― afirmei e seus olhos encontraram os meus. ― Parece ter uns... trinta e cinco, é uma idade boa ― ele me olhou indignado e ri.

― Isso é dez anos a mais do que eu deveria aparentar ― falou. ― Muito obrigado!

― Você está perfeito ― senti meu rosto corar, assim que percebi o que eu tinha dito e ele sorriu, aquele sorriso torto.

― Bom, enquanto eu envelheço, você parece mais nova a cada dia que passa.

― Cinco anos em coma, não há tratamento de beleza melhor que esse ― falei um pouco baixo, concentrando-me no asfalto, e ele riu.

― É ali ― falou, apontando para a pequena lojinha do outro lado da avenida e enquanto atravessávamos a rua percebi o quão fácil foi me distrair ao seu lado.

Já estava começando a falar dos anos que passei em coma com ele, algo que eu evitava com todas as minhas forças, e sorri notando o quão simples foi manter uma conversa com Edward, pois ele não me atacava com perguntas, não me colocava contra a parede esperando um comentário. Ele permitia que eu relaxasse e confiasse em sua condução, pois... de repente percebi que ele tinha controlado nossa conversa. Eu tinha iniciado o assunto, mas ele já esperava por isso, pelo simples motivo que Edward falaria aquilo que eu queria falar, aquilo que eu queria ouvir, ou melhor, aquilo que eu estava pronta para ouvir. Não sei como cheguei a essa conclusão, mas por alguma razão isso se tornou óbvio.

Compramos tudo que Alice usaria para decorar os cupcakes e Edward pagou, para então sairmos e ele não deixou que eu levasse nenhuma sacola, mesmo dizendo que não era nada pesado. Passei pela porta de vidro da mercearia, ouvindo os passos dele logo atrás e de repente meu coração disparou assim que senti a mão de Edward em minha cintura, quando parei esperando até que não viesse nenhum carro, para atravessar a rua e olhei-o, mas ele estava concentrado nos carros para notar meu olhar, enquanto admirava seu gesto cuidadoso, protetor.

― Sabe, eu me lembro da sua fama no colégio ― falei quando chegamos ao outro lado da avenida, sabendo que ele esperava por isso. Esperava que eu começasse algum assunto.

― Pois é, não me orgulho muito da minha adolescência ― afirmou.

― Então era tudo verdade?

― Talvez ― murmurou juntando as sobrancelhas, talvez em uma careta e então riu. ― Falando no colégio... Precisa voltar a patinar logo.

― É o que eu mais quero ― confessei e seus olhos analisaram meu rosto como se procurassem por alguma coisa. ― Já tentei, mas não deu muito certo.

― Por que? ― perguntou e nesse momento acabei tropeçando em meus próprios pés, caindo, sentindo o impacto em meus joelhos e Edward me segurou antes que minhas mãos se esfolassem no asfalto.

― Exatamente por isso ― falei, tentando calmar minha respiração e meu coração, que tinha disparado com o susto.

Tentei conter a risada, sentindo meu rosto esquentar, envergonhada pelo tombo e vi um sorriso surgir no canto da boca de Edward, enquanto ele segurava meus braços e empurrei-o.

― Não ria! ― exclamei e ele gargalhou alto. ― Por favor ― pedi e notei que Edward respirou fundo.

― Ok, parei ― afirmou, encarando-me com uma expressão séria.

― Não foi engraçado ― falei.

― Não, realmente não foi ― sua voz sou firme. ― Você se machucou? ― perguntou, ajudando-me a levantar.

― Não ― respondi, passando as mãos em meus joelhos agora doloridos e vi-o pegar as sacolas no chão, notando que ele comprimia os lábios.

Voltamos a caminhar e sentia meu rosto cada vez mais quente, então vi Edward olhar o céu azulado, parecendo disfarçar, até que seus olhos fitaram os meus e começamos a rir, sem conseguir parar.

― Edward! ― o repreendi, empurrando-o novamente sem conter a risada, pois realmente foi engraçado.

Entre gargalhadas e mais risadas, Edward passou o braço ao redor dos meus ombros, puxando-me para perto de si e depositando um beijo no topo da minha cabeça. Senti toda minha pele se arrepiar e afastei-me, olhando-o e percebendo que ele parecia surpreso com seu gesto, como se tivesse sido algo “instintivo?”

― Certeza que não se machucou? ― sua perguntou soou cheia de preocupação enquanto seu sorriso se desmanchava.

― Tenho certeza, mas provavelmente ficará roxo ― afirmei. ― Meu... meu equilíbrio foi todo comprometido, se não estiver concentrada acabo tropeçando no nada ― expliquei olhando em seus olhos verdes como esmeraldas.

― É eu percebi ― brincou e acabei rindo envergonhada.

Descemos a rua e em pouco tempo estávamos em frente a grande casa, e foi nesse momento que percebi que não queria aquilo. Não queria que já tivéssemos chegado.

― Está tudo bem Isabella? ― ele perguntou baixo quando nos aproximamos da porta, seus olhos me admirando com carinho.

― Não ― por algum motivo não consegui mentir e dizer que tudo estava bem.

A preocupação em seus olhos e a confusão em seu rosto se tornaram evidentes, então eu apenas sorri.

― Não está ― confessei quase sem voz. ― Mas acredito que finalmente tudo ficará bem ― afirmei antes de abrir a porta e entrar.

Caminhei até a cozinha, com Edward logo atrás de mim, e encontrei todos ali reunidos, conversando e rindo. Notei a risada contagiante de Alice e Esme que parecia estar ajudando com os cupcakes, enquanto David e Carmen tentava explicar algo para Emmett e Carlisle, que pareciam relutantes em aceitarem seus argumentos. E pela primeira vez senti como se, apesar de tudo, talvez eu pudesse me encaixar ali e conclui que provavelmente era aquilo que eu queria viver.

Notas finais
Quero reviews, recomendações, perguntas, MP's... fiquem a vontade ;D Apenas um "gostei ou não gostei" já basta. Beijoss