Nunca Fui Beijada
4 O tal do herói
Notas iniciais
R O S E G R A N G E R — W E A S L E Y
Depois da consulta rápida que tive com Malfoy – ocasião em que ele pediu para que eu abrisse minha blusa para que ele pudesse verificar meu coração, levando como recompensa um tapa na mão –, fomos diretamente em busca de algo para comer.
Havíamos aparatado num beco próximo e caminhamos até a entrada de um restaurante. O lugar era até charmoso. Pude reparar que estávamos na Londres trouxa, o que me surpreendeu bastante.
— Cá estamos nós. – anunciou Scorpius – Gosta de pizza?
— Pizza? – perguntei zombeteira – Pensei que a família Malfoy só frequentasse os melhores restaurantes bruxos, não cantinas italianas trouxas.
— Vivendo e aprendendo. – respondeu no mesmo tom – Vamos entrar, estou morrendo de fome.
Adentramos o recinto e à medida que nos afastávamos da porta, o cheiro de massas e molhos tomava conta de mim. Não havia percebido que estava com tanta fome até então. Também pudera, não comi nada depois do almoço. O local estava relativamente vazio, afinal era segunda-feira. Fui na frente, os saltos dos sapatos batendo contra o piso de madeira. Atrás de mim Malfoy ia guiando, até que parou numa mesa com dois lugares, localizada em frente a uma janela, dando vista para os jardins do estabelecimento.
Como o bom cavalheiro que estava fingindo ser, o loiro puxou uma cadeira para mim. Aceitei de bom grado e sentei-me. Em seguida, o mesmo abancou-se em minha frente. Logo, um garçom muito simpático entregou-nos o cardápio.
— Alguma preferência, Rose? – indagou o loiro.
— Prefiro que me chame de Weasley, Malfoy. – vi o esboço de um sorriso brotando de seus lábios e antes mesmo que pudesse dizer algo, o interrompi – Se fizer a piadinha idiota que sei que está pensando em fazer, saiba que me levanto da mesa agora mesmo e não volto mais.
— Está bem, não vou fazer nenhum tipo de brincadeira com você, Weasley. – enfatizou bem meu sobrenome.
Acabamos optando por uma pizza à moda da casa. Malfoy pediu a carta de vinhos e escolheu um dos mais caros da lista. Chamou de volta o garçom e pediu a pizza de escolhida juntamente do vinho. O garçom prontamente trouxe-nos a bebida e serviu-nos. Depois saiu, garantindo que nosso pedido não tardaria a chegar.
— Não tenho como pagar por isso. – fui logo avisando – O combinado era apenas o jantar.
— O que? – inquiriu confuso – Não quero que você pague nada.
— Mas você disse que o seu pagamento seria o jantar então eu deduzi que...
— O jantar não era o meu preço. A sua companhia era. – esclareceu – Ou esqueceu-se que temos negócios a tratar?
— Não temos negócios a tratar. – fingi-me de desentendida embora soubesse exatamente do que o homem à minha frente falava.
— Não se faça de tonta porque sei que não é, Rose Weasley. – disse calmamente – Lembra do que lhe falei sobre seu irmão? – assenti – Pois eu ainda preciso de ajuda com isso. Quero me redimir com ele.
— Por que esse desejo súbito de se entender com Hugo? – quis saber – Não pode simplesmente deixar para lá e procurar se afastar dele?
— E a minha dignidade, meu decoro, o que faço com eles? – interpelou indignado – Não menti quando contei que foi a garota que me seduziu, eu sou homem, caramba. – revirei os olhos com a afirmação. Ele falava como se ser homem o isentasse de qualquer responsabilidade. Patético. Parece ter percebido minha indignação, pois emendou: – Sei que fui estúpido em correr atrás de um rabo de saia como um adolescente com hormônios à flor da pele, mas foi o que fiz e não há como reverter isso.
Suspirei ante à sua declaração. Aquele loiro aguado sabia bem como convencer alguém.
— Por incrível que pareça, confio em você. – confessei, encarando seus olhos – Sei bem como a Samantha é, não foi a primeira vez que ela foi infiel. Hugo e eu até brigamos por isso uma vez.
— Viu só? – se empolgou – Me ajude e nós dois sairemos ganhando. Seu irmão vai confiar em você desta vez, tenho certeza.
Pensei bem em sua proposta. Era tentadora, talvez desta forma eu pudesse mostrar a Hugo a verdadeira face de Samantha Young. Ainda assim era perigoso, ele poderia se revoltar contra mim e não voltar a falar comigo nunca mais. Ajudar o Malfoy não valia o risco. O loiro encarava-me apreensivo, esperando por minha reposta.
— Tenho que pensar sobre isso.
— Achei que o tempo desde o nosso último encontro tenha sido o suficiente. – retrucou.
— Achou errado. Aconteceram algumas coisas e a minha cabeça se ocupou com fatos mais importantes do que você e sua ideia de se isentar da fúria do meu irmão mais novo. – era só que faltava, Malfoy pensando que minha mente girava em torno dele – Não sei mais o que você espera, talvez que virem amiguinhos, só sei que ele ama a vaca da ex-namorada e não vai ser nada fácil para você conseguir o que tanto deseja. Hugo consegue ser mais cabeça-dura do que meu pai.
— Duvido que consiga ser mais do que você. – resmungou baixinho.
— Se continuar agindo de modo tão infantil, ao invés de te ajudar, vou é colocar mais pilha para que o meu irmão te mate. – terminei com um sorriso cínico.
— Você é, com toda certeza, a verdadeira psicopata da família. – comentou.
Nossos pratos chegaram antes que nossa conversa se estendesse a um duelo de varinhas. Para uma cantina italiana, até que o restaurante era bem sofisticado. Durante o tempo que comíamos, tentávamos ao máximo ser agradáveis um com o outro, como mamãe sempre diz: a hora da refeição é sagrada. Mesmo assim, prefiro o que o meu pai diz: boca que fala demais come menos. Visto que a pizza estava divina, não havia motivo para conversa. O vinho também ajudava, era realmente magnifico.
Não retornamos a falar da relação entre Scorpius e Hugo. Assim sendo, o papo foi ficando cada vez mais leve, e a minha cabeça também, só não sabia se por conta dos assuntos ou das taças de vinho. Malfoy e eu começamos a relembrar nossos anos em Hogwarts, os professores, as peças pregadas que nós presenciamos nos anos em que estudamos lá. Era o legado que tio Fred e tio Jorge haviam deixado na escola. Não havia um ano em que um armário não explodia ou uma sala não fosse inundada pela água do Lago Negro.
Papo vai, papo vem, parei um instante para verificar meu relógio de pulso. Já era quase meia-noite. Não sou a Cinderela, ainda assim, tenho que chegar logo em casa para tentar descansar. Com o Ministro hospitalizado teria trabalho dobrado na terça-feira. Desde que consegui este cargo, há dois anos, não vi necessidade de férias, agora vejo que preciso urgentemente de um tempo de descanso. Férias, férias, férias. Será que praia é uma boa ideia? Não, ruivas não dão certo com muito sol. Será que existe alguma poção que faz com que as bruxas ruivas tomem sol sem risco de queimar a pele ou se lotar mais ainda de sardas? Alguém definitivamente deveria criar uma poção assim.
— Preciso ir. – anunciei assim que esvaziei mais uma taça de vinho. Não sou de beber muito, por isso senti-me levemente tonta ao me levantar da cadeira – Estava tudo maravilhoso, mas a ruiva aqui precisa descansar. – ri por ter me referido a mim mesma na terceira pessoa.
Scorpius me encarava de forma divertida. O que há de tão engraçado em mim? Não vejo nada demais. Será que derrubei molho na blusa? Olhei para baixo para conferir, estava tudo limpo.
— Eu te levo para casa. – ofereceu o loiro.
— Não precisa, sério mesmo, estou bem, olha. – dei um giro e quando voltei à posição inicial senti-me ainda mais tonta – Ok, talvez eu não esteja tão bem assim, mas ainda consigo andar.
— Andar sim, aparatar não. – respondeu deixando dinheiro trouxa sobre a mesa, onde a conta estava depositada. – Vamos. – disse segurando minha cintura me apoiando para que não caísse.
Saímos da cantina e só aí percebi que estava frio do lado de fora. Estremeci com o vento batendo contra meu corpo. Com a correria que foi depois do desmaio de Shacklebolt, acabei esquecendo do meu casaco no trabalho. Malfoy pareceu perceber meu incômodo e me ofereceu seu próprio casaco para que eu me aquecesse. Nem sei o motivo, mas aceitei.
— Tão quentinho. – comentei me enrolando à peça de roupa – Tão cheiroso.
O loiro apenas ria. Ao chegarmos ao beco ele resolveu falar.
— Tudo bem Rose, vamos aparatar até a sua casa. Sei onde é seu prédio, mas não onde é o apartamento, será que pode me dizer?
— Meu apartamento? Acho que é o 207. Dois, zero, sete. – fiquei repetindo os números com a voz embolada.
— Certo, segure-se em mim, está bem? – ordenou o loiro.
Agarrei seus ombros com os braços e enterrei a cabeça em na curvatura de seu pescoço.
— Você é bom de abraçar. – cochichei antes de sentir tudo girar à minha volta. Havíamos desaparatado.
Olhei à minha volta, demorando a reconhecer o local onde estava. Era a minha casa, mais especificamente a sala de estar da minha casa. Soltei-me do Malfoy e cambaleei até chegar ao sofá. Tirei meus sapatos e estiquei os pés sobre o tapete felpudo.
— Que tapete fofinho. – exclamei – Meu tapete fofinho.
Reparei que Scorpius ainda estava lá parado, me olhando como se eu fosse uma palhaça de circo. Ele ficava tão bonito me olhando como se eu fosse uma palhaça de circo. Não demorou para que ele se aproximasse de mim novamente, segurando-me para que eu levantasse.
— Me mostre onde é seu quarto. – pediu – Você precisa dormir.
Olhei para ele espantada.
— Você não pode invadir as acomodações de uma donzela.
— Sou seu guarda, donzela. – explicou rindo – Eu tenho permissão.
Bom, já que ele tinha permissão, guiei-o até meus aposentos.
— Acho melhor tomar um banho. – sugeriu.
— Estou bem. – disse jogando-me na cama – Só quero nanar.
— Certo. Acho melhor preparar uma poção para curar a ressaca que você sentirá amanhã.
Não respondi nada de volta, apenas me deixei levar para o mundo dos sonhos, onde Scorpius Malfoy aparecia de vez em quando.
〰✍
Acordei com uma dor de cabeça horrível e ainda vestida com as roupas da noite passada. Olhei para meu relógio sobre o criado ao lado da cama. Cinco e quarenta e três da manhã. Com toda certeza estava adiantada. Aproveitei meu tempo para tomar um banho a fim de aliviar esta dor agonizante que sentia, infelizmente, a água gelada sobre meu corpo não surtiu efeito algum. Talvez se comesse algo tudo se resolveria, por isso fui à cozinha preparar meu café da manhã. Espantei-me quando avistei sobre a mesa de mármore um pequeno frasco contendo um líquido âmbar em seu interior. Ao lado da garrafinha havia um bilhete com as palavras “beba tudo” escritas numa delicada caligrafia. Era uma poção, mais especificamente uma poção para ressaca elaborada por Scorpius Malfoy. Fiz o que estava escrito e aos poucos reparei que a poção fazia efeito, talvez o auxílio do leite quente e da torrada que comi assim que a ingeri, agilizasse o processo.
Retornei ao quarto em busca de uma roupa confortável o suficiente para encarar o dia difícil que teria pela frente. Optei por um conjunto simples, porém ainda profissional, de calça e blusa e sapatos de salto médio. Antes de sair, achei melhor dar uma arrumada em meu quarto, que estava todo revirado. Roupas espalhadas pela cama, sapatos jogados no chão, não que eu fosse desorganizada, mas é difícil manter uma casa inteira em ordem quando se tem que sair pela manhã e voltar só à noite. Em meio às peças espalhadas em minha penteadeira, encontrei uma que não reconheci de cara, uma peça masculina. A princípio, pensei que o casaco fosse de Hugo, mas sentindo seu aroma, recordações da noite anterior vieram à minha mente. O perfume incrustado na roupa pertencia, sem sombra de dúvidas, a Scorpius Malfoy.
Decidi deixar o loiro de lado por um momento, apenas enfiei seu casaco em minha bolsa e desaparatei rumo ao Ministério. Lá chegando, percebi que a situação estava exatamente como eu imaginava: repórteres por todo lado, curiosos em busca de notícias ou somente os funcionários preocupados com a situação médica do maior representante do mundo bruxo. Larah se virava como podia, respondendo às perguntas e despachando todos da forma mais delicada possível. Não podíamos culpá-los, era o Ministro da Magia ali, não um cidadão qualquer. Meu primeiro instinto era ajudar Larah, contudo, não era essa a minha obrigação momentânea. Já que a primeira secretária estava visivelmente impossibilitada de exercer suas funções, era meu dever tomar responsabilidade por seu trabalho. E assim, passamos a manhã inteira. Larah dava entrevistas e eu analisava papéis, propostas, documentos, contratos, projetos de leis, processos. Acho que foi o meu dia de ser Ministro da Magia. Na hora do almoço finalmente tivemos sossego com a chegada da equipe de aurores que fez o favor de tirar toda aquela gente de lá. A esta altura, minha cabeça já estava prestes a explodir.
— Olá florzinha. – saudou meu pai – Como passou a noite?
Como contar ao seu pai que você passou a noite bebendo com o medibruxo cujo ele mesmo deu recomendações para que não encostasse sequer um dedo em você? Fácil, não conte.
— Bem, acordei um pouco indisposta, entretanto a noite em si foi agradável. – declarei – E se puder não me chamar de florzinha no trabalho eu agradeceria, sabe como é.
— Claro. Aqui você é a Subsecretária Sênior Rose Granger-Weasley, não é? – brincou.
— É, e eu sou a durona daqui. – disse fazendo cara de brava.
Ele riu com gosto.
— Sabe que ainda tem que responder algumas perguntas a nós, não sabe? – inquiriu agora sério.
— Sim, eu sei. Mas não posso deixar a Larah aqui sozinha. Olha a quantidade de pessoas que vocês tiraram daqui, pai. Ela não pode dar conta de tudo.
— Meu bem, ela já foi embora. Não há mais trabalho a fazer aqui. – confortou-me – Passamos em todos os setores. O Ministério está fechado por hoje, só os aurores trabalham. Sabemos que com Shacklebolt hospitalizado o trabalho de vocês é o que mais aumenta. Vá até minha sala, vamos almoçar juntos. Depois juro demorar o menor tempo possível com você no interrogatório, você vai para casa e tudo fica bem. Sua mãe também já foi embora, se quiser ficar por lá, sabe que será muito bem vinda florzinha.
— Eu sei, pai. – garanti – Vamos então, Sr. Auror. Quero acabar logo com isso.
Ficamos por mais ou menos duas horas trancados no escritório do meu pai. Quando finalmente fui liberada, corri direto para casa, estava mais do que cansada, sentia que iria desabar no chão a qualquer momento. Lamentavelmente, recordei-me de um pequeno detalhe, na verdade, de um objeto guardado em minha bolsa. Por mais que não me importasse com o Malfoy, ele poderia estar precisando do casaco, e tudo bem se ele tem dinheiro suficiente para comprar mais uns vinte desse, o fato é que, por alguma razão, o casaco pode ter um significado sentimental muito grande para ele e imagine como é ficar sem seu casaco preferido? Eu enlouqueceria com certeza. Portanto, por que não fazer uma visita a ele no hospital para entregar o bendito casaco? E eu também poderia aproveitar para visitar meu chefe.
Pensando assim, aparatei no meio da recepção do St. Mungus. As recepcionistas me olharam feio, e só então eu reparei na placa enorme atrás delas, avisando, em letras garrafais que era proibido aparatação naquele local. Qual é? Eu não sabia, ontem ninguém falou nada. Resolvi que era melhor nem perguntar nada a elas. Fui andando em direção ao consultório do Malfoy, lugar que acabei conhecendo no dia anterior. Não havia ninguém na entrada, e quando bati na porta, ninguém atendeu. Tomei, então, a atitude mais sensata a se fazer em momentos assim. Entrei e o esperei lá dentro.
No primeiro instante, fiquei de pé esperando, no entanto, com o passar do tempo, minhas pernas começaram a doer e puxei a cadeira em que os pacientes geralmente se sentam, de frente para o médico na mesa. Mas aquela cadeira era muito desconfortável e ao ver a cadeira do Malfoy, toda acolchoada em couro preto (esperançosa de que fosse sintético), não resisti. Sim, me joguei naquele assento confortabilíssimo. Tenho que me lembrar de perguntar a ele onde comprou esta cadeira, ela é simplesmente maravilhosa, e ainda por cima, giratória. Nem vi o tempo passar, só sei que fiquei um bom tempo girando naquela maravilha enquanto brincava de passar entre os dedos um lápis que encontrei sobre sua mesa.
— Se divertindo, Rose? – perguntou Scorpius.
Estava tão distraída que nem ouvi ele chegando. Fui girando lentamente a cadeira, que até então estava virada para o lado da janela, e dei de cara com ele, que me olhava curioso.
— Como sabia que era eu? – foi a única coisa que consegui dizer.
— Não é difícil identificar o seu cabelo. – esclareceu – E também tem o seu perfume. – acrescentou – É inconfundível.
Reparei que ele olhava diretamente para a minha boca, só então percebi que mordia levemente a ponta do lápis devido ao nervosismo. Droga, ele deve estar bravo, eu estou mordendo o lápis dele. Aposto que não vai ficar feliz em escrever com um lápis contendo saliva de Rose Weasley. Calmamente, depositei o lápis de volta em sua mesa.
— Bem, eu vim aqui por causa de uma coisa. – me embolei um pouco para falar já que ele ainda olhava para a minha boca. Caramba, ele não viu que eu já larguei o lápis?
— Claro que veio. – debochou.
— É sério. – falei agora com mais convicção – Ontem à noite, acho que você acabou se esquecendo do seu casaco na minha casa.
— Não, tenho certeza que não me esqueci.
— Não? – questionei confusa – É que hoje pela manhã eu achei um casaco lá em casa e eu tenho certeza que é seu.
— Exato. Eu não me esqueci. Ele estava no seu corpo e digo com convicção que você não me deixaria tirá-lo de lá. Não é como se eu não me recordasse que meu casaco estava com você.
— Certo. – levantei-me procurando minha bolsa. Ela estava numa mesinha ao lado da porta. Passei por Malfoy para pegá-la – O trouxe de volta.
— Não precisava. – declarou cordialmente – Você o achou tão quentinho e cheiroso que seria maldade tirá-lo de você.
— Eu o que? – perguntei sem entender nada, mas no meio do caminho percebi que deixar que ele desembaraçasse isso me deixaria em maus lençóis – Tudo bem, não importa. Aqui está. – disse estendendo a peça para ele.
Scorpius aceitou e pendurou-o num cabideiro a seu lado.
— Meu casaco preferido. – comentou sorrindo.
— Sério? – perguntei a mesmo modo. Eu sabia que era o preferido dele, minha intuição nunca falha.
— Bem, agora é. – respondeu – Que tal tomarmos um café?
— Agora?
— Não, amanhã de manhã na minha casa. – olhei inquisidora, o loiro apenas revirou os olhos – É claro que é agora. Tenho novidades do seu chefe para você, talvez até deixe você visitá-lo mais tarde.
— Jura? – perguntei incrédula e esperançosa ao mesmo tempo.
— Juro. Sabe Rose, eu não sou o monstro que você imagina.
— Você pode não acreditar, Scorpius, mas eu nunca te imaginei como um monstro. Na verdade, na minha cabeça, você está mais para herói.
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