Numb

8 sétimo capítulo ::


Notas iniciais
weee, mais um capítulo na área. Pra lembrar: itálicos podem ser pensamentos ou flasbacks, de acordo com o momento vão entender. Espero que gostem *-*'

[...] — Samy, eu prometo.

Estava quase pronto para beijá-la quando ouviram passos atrás dele, não deu tempo nem de se separarem quando a voz irrompeu o silêncio do corredor.

— Bella? — Edward a chamou.

Ele se aproximou um pouco dos dois, não entendia o que estava acontecendo, mas a proximidade entre os dois fez com que sentisse uma sensação estranha do estômago, queria entender e saber por que aquele homem segurando o rosto de sua Bella.

Ela encarando Demetri sentiu o coração falhar e então acelerar depois do susto de escutar repentinamente a voz do Edward, estava de costas para ele e viu Demetri olhando para Edward por cima do seu ombro. Engoliu seco.

— Merda, — disse entre dentes franzindo um cenho e pensando em como sairia dessa situação sem estragar tudo. — Mil vezes merda!

Desvencilhou-se de Demetri e se virou rapidamente para encarar Edward, que olhava desconfiando para a cena.

— Oi Edward. — foi tudo que conseguiu dizer com um sorriso nervoso.

— Eu estranhei a sua demora, você disse que ia vir aqui no banheiro rapidinho e já está aqui há algum tempo, fiquei preocupado... Está tudo bem, Bella? — ele encarou Demetri por alguns segundos e voltou a encarar ela.

— Er... Sim, claro que sim, por que não estaria? — falou nervosa tentando manter a voz normal e calma.

— Claro. E então não vai me apresentar o seu... Amigo?

— Não, quer dizer, ele não é meu amigo...

— Então...

— Eu sou primo dela! — Demetri falou firme por fim.

Bella se virou no mesmo segundo para encará-lo e viu uma expressão divertida em seu rosto. Ele começou a andar para frente com a mão erguida.

— Prazer, sou primo da Bella, meu nome é...

— Demetri. — Bella falou sem hesitar. Não era muito inteligente falar o nome verdadeiro em um golpe, mas concluiu que se falasse o nome verdadeiro dele talvez fizesse o se afastar.

— Yeah, sou Demetri Swan, prazer!

— Edward Cullen! — ele apertou a mão de Demetri ainda desconfiando.

— É eu sei que pode parecer estranho, é que estava aqui no clube e por acaso acabei vendo a Bella, uma coincidência incrivel. — sorriu divertido.

— Bella você não me disse que não tinha outros familiares? Ou pelo menos vivo?

— É... — ela não conseguia ou sabia o que dizer Edward não era idiota e ela não conseguia formular uma resposta coerente para lhe dar, estava tudo muito confuso e a proximidade de Demetri com Edward não lhe agradava nenhum pouco.

— Ela disse isso? Sério? — deu uma leve risada. — É que tínhamos brigado quando paramos de nos falar, foi uma briga infantil e fez com que nós dois, os únicos Swan vivos, perdessem totalmente o contato, não é Bella?

— Er... Claro. — sorriu. Desgraçado, maldito, bastardo.

— Retomamos contato alguns dias, só uns telefonemas e troca de noticias, mas acabamos nos encontrando aqui, se eu acreditasse nesse tipo de coisa poderia afirmar que é o nosso destino. — sorriu amigável para Edward.

— Ah... Se é assim então eu fico feliz realmente em conhecer algum parente da Bella e que vocês tenham voltado a conversar. Então Demetri por que não se junta a nós? Estamos todos na piscina, acho que seria legal.

— Não! — Bella sobressaltou-se ao ver o sorriso no rosto do Demetri e perceber que ele estava cogitando aceitar o pedido.

Edward e Demetri se viraram para encará-la sem entender, ela engoliu seco e teve que continuar:

— É quero dizer... Edward, eu acho que o Demetri estava de saída e talvez não possa...

— Que isso Bella, claro que eu posso ficar não tenho nada pra fazer hoje, seria um prazer me juntar a vocês. — sorriu animado.

A contragosto, pelo menos para Bella, os três voltaram para a piscina juntos. Edward apresentou Demetri a todos – Alice, Rosalie e Emmett –, como Demetri Swan, um primo de Bella. Simpático e com sorriso para todos ele logo conseguiu se enturmar e fazer amizade com todos ou quase todos.

— E então Demetri, o que você está fazendo na cidade mesmo? — Rosalie perguntou sorrindo e desconfiada.

— Ah... Estou a trabalho. Sou engenheiro da construção civil, estou aqui porque a empresa onde trabalho está querendo abrir uma filial por aqui. Tenho que ver os prédios, terrenos, essas coisas. — respondeu sorrindo firme e convincentemente.

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— Vamos almoçar gente? Eu estou realmente com fome! — Alice pediu depois de quase meia hora que Demetri se juntou ao grupo e todos concordaram.

Apesar dos lanchinhos e bebidas todos concordaram em almoçar no restaurante do clube. Rosalie e Emmett foram abraçados na frente, Alice discutindo com Edward o que almoçariam uma discussão saudável, Bella e Demetri disfarçando logo atrás dos dois, Bella o segurou pelo braço para que parasse com uma expressão nenhum pouco agradável.

— O que você está fazendo? — perguntou baixo.

— O que você queria que eu fizesse? Era isso ou adeus plano, entra no personagem e colabora comigo ok?

Não pode responder com os xingamentos e ameaças que queria, fora interrompida pela irmã mais nova de Edward:

— Vamos Bella, Demetri? — Alice os chamou já parada na frente do restaurante.

Entraram no enorme restaurante e logo se sentaram à mesa reservada para os Cullens. A mesa farta e um almoço agradável decorreram com tranqüilidade. Bella teve que fazer força para disfarçar o desconforto da proximidade do grupo com o cúmplice, além do desconforto de passar o almoço inteiro sendo encarada por Rosalie, era como se qualquer movimento errado que fizesse colocaria tudo a perder. Comeu pouco se comparado aos outros e depois voltaram para beira da piscina para relaxarem juntos.

Rosalie sentada em uma cadeira de praia com Emmett passando hidratante em suas costas, Edward e Bella sentados cada um em uma cadeira se olhando.

— Alice realmente gostou do seu primeiro, Bells. — Edward comentou olhando para a irmã e Demetri conversando bem próximos no quiosque tomando drinks.

— Percebi.

— O que foi? Você não parece muito animada com isso, ainda brava com seu primo pela briga que tiverem?

— Que briga... Ah, a briga que fez com que nos parássemos de falar? Não, isso já faz muito tempo e foi por uma besteira. É que eu conheço meu primo, ele não é um cavalheiro, se é que você me entende.

— Não se preocupe amor, a Alice não é tão boba quanto parece.

— Eu realmente, espero que você esteja certo. — falou sinceramente e olhou de relance para Demetri, voltou a fitar Edward com um meigo com beicinho: — Me beija?

— Que?

— Estou carente, me beija logo. — ela passou o braço pelo ombro dele e o puxou para um beijo, seus lábios se tocaram e depois suas línguas se encontraram se entrelaçando em sincronia e aquele espetáculo de sensações começou.

Alice conversava com Demetri completamente encantada com sua beleza, seu sorriso e olhos claros, aqueles cabelos castanhos claros bagunçados estilosamente, era algo que a deslumbrava. Ela mal conseguia parar de sorrir, era inevitável.

— Então vai ficar muito tempo na cidade? — ela perguntou depois de tirar o canudinho da batida de morango que tomava da boca.

— Acho que sim... Agora que voltei a conversar com a Bella acho que vou ficar na casa dela, então vai ser mais fácil ficar. — sorriu faceiro.

— Que bom! — sorriu animada, mas logo deu uma leve tossida e tentou disfarçar o entusiasmo: — Quer dizer, que bom que vocês dois voltaram a conversar.

— É definitivamente sim. Desculpe perguntar Alice, mas quantos anos você tem?

— Hum... 17, por quê?

— Nada, você parece ser madura, física e mentalmente, não aparenta ter 17 anos, isso é bem legal. Pretende fazer faculdade?

— Claro, já até decidi de que. Vou fazer design! — sorriu animada. — Quero fazer algo referente à moda, queria ser modelo, mas a minha altura não me ajuda muito, mas quero algo com moda, é o que eu sei e gosto de fazer!

— Sua altura não seria problema algum você podia ser modelo fotográfica. Você é tão linda, eu te chamaria para todos os editorias! — falou galanteador e tocou o queixo dela.

— Obrigada! — riu constrangida, mas gostando do elogio. — E você quantos anos?

— Er... 23! — mentiu. — Não sou tão velho quanto eu aparento.

— Claro que não.

— Alice? — Rosalie a chamou de perto da piscina, Alice se virou para olhar o que a irmã queria: — Estou indo embora com o Emmett, quer carona?

— Ah, quero sim Rosalie, só um minuto! — pediu.

Rosalie e Emmett assentiram, enquanto se despediam de Bella e Edward, Alice se despedia de Demetri.

— Foi um prazer lhe conhecer, Demetri.

— Definitivamente o prazer foi todo meu, certeza. Seria abusar muito ou poderia me passar seu telefone?

— Claro, é... Onde eu anoto?

Ele passou o celular que carregava no bolso para ela, que salvou o próprio número de celular na agenda “Alice Cullen” e devolveu sorrindo. Demetri beijou rapidamente a bochecha dela, que demorou vários segundos e então ela se virou para ir embora. Antes se despediu de Bella e seguiu com Rosalie e Emmett para o carro dele.

Emmett ia dirigindo em silêncio, não queria irritar Rosalie que por algum motivo desconhecido para ele estava mal humorada, mas ele não conseguia evitar zoar Alice que estava sentada no banco traseiro com um enorme sorriso nos lábios.

— E então Alice, quando vai parar de sorrir? — perguntou com humor.

— O que? Eu estou sorrindo? Nem percebi.

— Você gostou mesmo daquele Demetri?

— Ele é super simpático e muito bonito, passei meu telefone pra ele. Será que ele vai ligar? — perguntou hesitante para o cunhado.

— Claro né fadinha, ele também gostou de você, estava na cara dele, mas e o Jasper?

— O Jasper é meu amigo, que cisma vocês tem com isso. — revirou os olhos, irritada.

— Allie você não vai mesmo se envolver com aquele... Primo da Bella, né?

— Rosalie e sua antipatia pela Bella, agora é pelo Demetri também? É algo contra os Swan?

— Ah, então esse seu mau humor é por isso? — Emmett perguntou por fim entendendo. Rosalie sempre tivera um gênio difícil, mas talvez fosse essa uma das coisas que mais lhe encantava nela, tão cheia de contradições, mas perfeita para ele. Emmett riu com a descoberta.

— Qual é? Será que só eu percebo as coisas? A Bella não gostou de o primo ficar com a gente, ela estava tensa o almoço, na verdade o dia todo.

— Talvez porque você não parou de encará-la, Rosalie, até eu percebi que você não parava de encarar a Bella.

— Eu não fiquei encarando a Bella. — mentiu e virou o rosto para janela disfarçando.

— Ficou sim ursinha, até eu percebi... Acho que todos perceberam. — Emmett falou hesitante.

Rosalie bufou e virou o rosto para encará-lo, por fim admitiu:

— Tá bom, eu não gosto dela, estão satisfeitos? Ela não é totalmente sincera, não é ela mesma. É como se agisse como um robô, tudo bem planejado e agora o Demetri entrou na... Jogada, não consigo encontrar outra palavra. Será que ele é mesmo primo dela? Ele estava todo sorriso para a Alice, procurava fugir dos olhares da Bella e ela não parecia nenhum pouco satisfeita com ele ali.

— Sua namorada ficou louca, Emmett. Ela pirou de vez!

— Eu não sei por que insisto em falar disso com vocês, nunca acreditam em mim e eu acabo sendo a louca paranóica. Mas de verdade? Dane-se. Eu espero estar errada e que ela seja tudo que vocês acham, mas se eu estiver certa, vocês vão ter que pedir desculpas e me escutar dizer “eu avisei”.

— Louca! — Alice disse baixinho e o resto da viagem foi em silêncio evitando brigas com a irmã.

-

O volvo prata do Edward estacionou em frente à casa da Bella silenciosamente. O sol estava terminando de se pôr, o dia quase escurecendo e dando lugar a uma noite fresca. Edward desceu do carro e abriu a porta para ela descer, ambos sorrindo e de mãos dadas.

— Eu adorei o dia de hoje... Obrigada! — Bella disse sorrindo.

— Eu que te agradeço, está sendo tão sensacional ficar com você nesses últimos dias, acho que nunca me senti assim na vida... Menos trabalho e mais amor, eu estou gostando tanto disso.

— Sabe que também estou sentindo isso? Menos trabalho e mais amor. — falou sinceramente, completou mentalmente “Mais mentiras, enganações, sofrimento.” Engoliu seco controlando a vontade súbita que lhe tomou de chorar. “Droga!”

— Eu gosto muito de você Bella, muito mesmo.

— Estranhamente e pra sua sorte Cullen, claro, eu também gosto de você. — confessou sorrindo e acariciou o rosto dele.

— Sorte?

— Claro, não é todos que tem a honra de ser amados por... Isabella Swan! — falou hesitante, por pouco não trocou o nome Isabella por Samantha, mordeu o lábio inferior e o abraçou pela cintura, apertando-o contra seu corpo.

— Bella...

— Shhh, não diz nada, só me abraça porfavor... Só... — ela ficou em silêncio repentinamente quando sentiu ele a apertando em um abraço terno. Ela se aconchegou naqueles braços, naquele corpo, naquele momento.

Ficaram vários segundos daquele jeito – seus corpos colados, uma troca de energia, sensações diferentes, silêncio... Apenas isso. Apenas se abraçando em silêncio. Ela precisava daquilo. Há quanto tempo não recebia um abraço sincero e amoroso? Ficou apenas com o rosto enterrado no peitoral dele tendo a cabeça acariciada por ele. Edward beijou seus cabelos e ela se afastou.

— Tá na sua hora de ir, se cuida tá? Vai com cuidado e qualquer coisa, qualquer problema porfavor me liga. — ela falou amorosamente.

— Adoro ver você assim preocupada comigo, com os meus problemas! — sorriu.

“Problemas que você não teria se não estivesse comigo, Edward.” Ponderou mentalmente, mas apenas sorriu para ele.

— Claro, como não ficar? Então... Nos vemos amanhã?

— Com certeza, vou ficar esperando. — sorriu. — Tchau amor!

— Tchau Edward!

Ele tomou seu rosto entre as mãos e colou seus lábios aos dela. Um beijo rápido, sem nenhum apelo sexual, mas que foi realmente bom para os dois. Um leve toque entre as línguas, mas logo separaram os lábios com dois sorrisos.

— Boa noite! — Edward beijou o alto da cabeça dela e entrou no carro.

“Por que ele tinha que ser tão lindo? Por que tem que sorrir tão sinceramente e ser tão carinhoso? Por que tem o poder de fazer com que eu me sinta tão amada e tão suja? Droga Edward, droga!”

Parada ali na calçada ela respirou fundo e mexeu nos cabelos, ergueu o rosto para o céu.

“Chega Samantha, isso é tudo um personagem e é esse seu personagem que ele ama. Ele ama Isabella Swan, não você. Quando ele descobrir quem você é de verdade tudo que vai sentir é nojo e repulsa, ódio. Você está fazendo isso pelo dinheiro, por todo dinheiro que será seu quando tudo isso acabar e ele vai ser apenas uma lembrança de um passado distante.”

Finalmente voltou a realidade e viu o carro de Demetri estacionar em frente à casa. Ele desceu sorridente e vitorioso, acenou cínico para ela. Uma onda de ódio percorreu seu corpo e lembrou-se de tudo que aconteceu no clube. Entrou na casa carregando a bolsa consigo e um ódio transbordando.

Laurent ainda amarrado no sofá, mas os sangramentos tinham parado se tornando apenas feridas com sangue pisado. Demetri logo atrás sorrindo cumprimentou todos. Samantha jogou a bolsa no sofá e pegou dentro dela o canivete, se aproximou de Laurent com ele aberto, se surpreendeu em ver a faca que tinha o ferido mais cedo encima da mesinha de centro e a pegou também.

— O que... O que você vai fazer? — ele perguntou nervoso e ninguém entendeu absolutamente nada.

— Cala a boca!

Abaixou-se na frente dele e cortou a corda que estava amarrada nos pés, depois cortou a das mãos deixando-o totalmente livre. Jogou a faca encima da mesinha novamente e encostou o canivete na bochecha dele.

— Quando sai daqui corre direto para junto do seu amiguinho James pra ele ver que você está vivo e diz pra ele que ele está realmente fodido, diz pra ele não se esquecer com quem está se envolvendo, muitas pessoas me desafiaram, mas você não encontra nenhuma viva para lhe contar como foi. — Samantha disse lhe olhando nos olhos e firme.

— O que?

Ela pressionou o canivete e fez um corte na bochecha dele, cinco centímetros bem superficial. Ele sentiu o canivete rasgando sua pele, ficou tenso, mas percebeu que ela não queria realmente machucá-lo, porque se quisesse teria o feito.

— Eu posso fazer muito pior e você sabe muito bem disso, estou realmente muito a fim de cortar um dos seus dedos, mas vou não vou fazê-lo. Vai embora e não apareça na minha frente se quiser continuar vivo!

Laurent se levantou com dificuldade e saiu dali mancando, não estava entendendo nada, mas não podia questionar. Saiu da casa em alguns segundos e correu manco o mais rápido que pode para se afastar dali. Estava a vários metros dali quando parou em uma cabine de telefone público, precisava ligar para James e pedir ajuda.

Na casa, os três – Demetri, Riley e Victória –, encaravam Samantha sem entender nada. Ela apenas se levantou e colocou o canivete ao lado da faca.

— Por que você o soltou? — Victória perguntou confusa.

— Era soltar ou seriamos dedurados, talvez eu morta? Ou você achou que eu o soltei pela minha grande bondade? — respondeu irônica e com a voz alterada.

— O que aconteceu, por que você está nervosa, Sam? — Riley perguntou.

— Porque a porra do seu irmão fuma as drogas dele e sai por ai fazendo merda! — respondeu nervosa e se virou para Demetri: — Que porra foi aquela?!

— Nossa, que boca mais suja Bella! — Victória comentou cínica sentada no sofá.

Samantha soltou o ar com violência, pegou rapidamente a arma de Riley encima da mesinha de centro ao lado de várias garrafas de cerveja e andou até Victória, segurou seu queixo na mão e colocou a arma na boca dela.

— Cala a boca! — gritou e controlou a voz: — Você me entendeu ou quer que eu desenhe? Talvez faça mímica? Abre sua boca novamente pra fazer gracinhas e eu esqueço qualquer promessa que eu tenha feito e te mato! Estou falando sério!

Victória a empurrou tirando a arma de sua boca engoliu seco e permaneceu calada, percebeu que ela estava muito nervosa e estressada, sabia que nessas condições ela era como uma bomba relógio instável e pronta para explodir. Samantha colocou novamente a arma na mesa e se virou para Demetri.

— Pensa Bella, é mais um Cullen em nossas mãos, vai ser mais fácil ainda! — ele se defendeu sorrindo vitorioso como se fosse o plano perfeito.

— Edward é quem manda, Edward e Rosalie têm ações em mãos e poder na empresa por serem maiores de idade, a Alice tem no máximo um cartão de crédito sem limites. Ela não tem nada a ver com o dinheiro que queremos, ela é uma criança, porra!

— Ela tem 17 anos, isso não é uma criança! — Demetri disse sério.

— E você tem 32, viu a diferença? Caralho Demetri ela é uma criança e esse não era o plano! Desde o começo deixamos muito claro que íamos seguir o plano! — Samantha gritou.

— Por que está defendendo ela, Samantha? — ele segurou o braço dela com força e violência: — Primeiro o Edward, agora a Alice, quem vai ser o próximo? Rosalie, Esme e Carlisle? Daqui a pouco vai querer cancelar todo o plano pelo bem dos Cullen. Eu realmente não estou te reconhecendo, qual é a sua, Samantha?

Ela engoliu seco e puxou o braço com força encarando Demetri com a mesma expressão nervosa do começo, apontou o dedo em seu rosto:

— Eu não admito que você pense em fazer qualquer coisa com a Alice, e não é por ela ser uma Cullen, que se foda todos os Cullen, eu não vou admitir por ela ser uma criança; por mais que você não a considere uma, ela é inocente e pra mim ela é uma criança. Você pode matar quantos adultos quiser, pode até matar velhinhas tricotando em suas cadeiras de balanços que eu não vou ligar nenhum pouco, mas no momento em que fizer mal a uma criança a coisa fica pessoal e isso eu não admito, eu te mato com as minhas próprias mãos. Entendeu? — ela disse firme e repetindo uma frase que tinha escutado há muito tempo. Frase que tinha salvado a sua vida.

— Samantha... — Riley ia interferir vendo o clima de tensão entre os dois.

— Eu vou pro meu quarto tomar um banho. O aviso foi dado: deixe a Alice fora disso! — falou serena.

Ela pegou a bolsa encima do sofá e se virou, subiu as escadas para o quarto rapidamente sem nem olhar para trás. Apenas entrou no quarto batendo a porta, jogou a bolsa na cama e foi para o chuveiro.

— Ah rapaz, acho que a nossa querida Samantha está assumindo o personagem mais do que deveria. — Victória zombou cheia de ironia e veneno.

— Cala a boca Victória. — Riley disse dando um chute leve em sua perna, sem tirar os olhos do irmão. Que se foi rápido para a cozinha borbulhando de raiva, escutaram apenas o barulho da geladeira abrir e Demetri pegando uma garrafa de cerveja.

— Relaxa Riley, a verdade dói, mas passa. — Victória disse sorrindo, se levantou e subiu rebolando para o próprio quarto.

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Samantha terminou o banho mais rápido do que pretendia, queria cair logo na cama e dormir. Enrolou a toalha no corpo e andou até a pia de mármore do banheiro, se inclinou para frente e limpou o vapor do espelho com a mão. Então conseguiu se ver no reflexo, não tinha nada diferente em seu rosto. Olhos verdes, cabelos castanhos cumpridos e molhados, boca e nariz em perfeita harmonia com o resto do rosto. Ela parecia tão normal, mas seu passado dizia exatamente o contrário. Fechou os olhos com força, só conseguia escutar a voz de Charlie ecoar em sua cabeça.

Sangue por todos os lados daquele cômodo de poucos metros quadrados. As paredes antes cinzas agora cheia de manchas vermelhas, o sangue escorrendo e uma grande quantidade no chão, na televisão, no pequeno e único sofá, na mesa de centro agora jogada em e quebrada no outro lado, tudo revirado. Encostado na parede o tronco de um homem, os braços, pernas e cabeças tinham sido arrancados violentamente e a arma do crime – uma serra elétrica cheia de sangue – estava jogada ao lado do troco e os pedaços do corpo jogados pelo chão do quarto. Em frente onde uma criança estava sentada via o corpo de uma mulher, de olhos fechados e feições serena, nua e machucada; morta. Charlie pegou a criança no colo com todo o cuidado e delicadeza que podia e a manteve segurando com apenas um dos braços. A menina de cabelos castanhos e olhos verde estava apenas com um vestido rosa com vários rasgos e muito sujo de sangue, assim como a própria dona, ela tinha vários machucados e marcas de mordida pelo corpo, chorava descontroladamente e o pânico dominava seu delicado rosto. Dois homens a mando de Charlie terminaram de matar dois indivíduos que tinham acabado de fazer aquela bagunça, apenas um dos três estava vivo – o líder do trio – e na frente de Charlie, com o rosto completamente machucado dos socos recebidos na briga com Charlie e com medo, realmente muito medo porque sabia qual seria o seu fim, sabia que Charlie nunca perdoaria quem fizesse mal a uma criança. Nunca.

— Charlie... Charlie isso não tem nada a ver com você, não precisa se envolver... Você sabe que ele virá atrás de você, eu só estava seguindo ordens. — falou com a voz trêmula e com muito medo, quase chorando.

— Você está na minha área, matou a Renée e maltratou uma criança, o que ela tinha a ver com a história? Que ele venha atrás de mim, estarei pronto para matá-lo assim como farei com você. Você sabe a minha regra, todos sabem: você pode matar quantos adultos quiser, pode até matar velhinhas tricotando em suas cadeiras de balanços que eu não vou ligar nenhum pouco, mas no momento em que fizer mal a uma criança a coisa fica pessoal e isso eu não admito, eu te mato com as minhas próprias mãos. — Charlie levantou a arma e apontou na cabeça do homem, apertou o gatilho e o homem morreu na hora, a criança em colo gritou com o sustou. — Calma criança, vai ficar tudo bem e eu vou te proteger!

Ele jogou a arma para um dos capangas e então segurou a criança direito no colo com os dois braços cobrindo com a própria jaqueta o corpo dela.

— Vai ficar tudo bem, eu te prometo. — falou sinceramente e andou para fora da casa com a menina no colo. Entraram no enorme carro em frente à casa, ele no banco de trás ninando a menina que chorava em seu colo e então partiram.

— O que está acontecendo Samantha? — ela perguntou a si mesma se olhando no espelho, estava chorando.

Aquelas lembranças, todas as lembranças, a deixavam mal, mas ela conseguia controlar as lágrimas e agora chorava pela segunda vez pelo passado. Se olhando no espelho via as lágrimas brotarem naqueles olhos verdes sempre tão frios agora brilhando umedecidos pela aquela água salgada, era um indicio de humanidade nela, provava que em algum lugar oculto por toda a dor e sofrimento existia um ser humano com sentimentos e sofrendo.

— Merda!

Ela se inclinou na pia, abriu a torneira e jogou uma grande quantidade de água gelada no rosto várias vezes. Apagando o rastro das lágrimas, tentando esconder os sentimentos. Respirou fundo e voltou para o quarto fechando a porta do banheiro. Trocou-se rapidamente colocando uma roupa confortável e se jogou na cama. “Esse golpe logo vai acabar e tudo vai voltar ao normal, tudo vai voltar ao normal. Você só está abalada por estar vivendo algo novo, mas quando acabar e o dinheiro ser seu tudo vai voltar ao normal” – tentou se convencer.

Notas finais
É isso. Estou postando o mais rápido que consigo, espero que estejam gostando. Mais um pedaço do passado da Samantha/Bella, vão encaixando os pedaços e tentando entender, não é difícil. Enfim.. E sobre o capítulo, gostaram? Comentem, opinião de vocês é importante e incentiva muito.. Obrigada a todos acompanhando, até o próximo. bjsbjs s22