Numb

9 oitavo capítulo ::


Notas iniciais
olá pessoinhas que fazem parte dos meus dia, como estão? Eu espero que bem, enfim.. Aqui está capítulo novo e espero que gostem, aproveitem *-*'

Samantha escovava os dentes apoiada na pia de mármore do banheiro, ainda usando a roupa que dormira – uma cueca feminina e uma blusa branca larga. Escovava lentamente tentando não pensar em nada, ou ninguém. Nem reparou a presença de Riley no banheiro, só se deu conta quando ele a abraçou por trás alisando seu quadril, roçando seu corpo ao dela e beijando seu pescoço lentamente.

— Hum... — ela gemeu tentando afastá-lo para que conseguisse escovar os dentes em paz, mas ele continuava.

— Estou com saudades de você Samy, faz tanto tempo que não ficamos juntos... Apenas nos dois. — ele acariciou as coxas dela e beijou sua nuca.

— Son onze horas... Eu to covando o dente... Riley. — Samantha disse sem tirar a escova da boca o que deixou a frase abafada e palavras erradas.

Ele continuou acariciando ele por trás. Samantha acabou de escovar os dentes, ligou a torneira e enxaguou a boca, cuspiu a água na pia, colocou a escova no lugar e finalmente se virou para encarar Riley.

— Para! — mandou e se desvencilhou de seus braços andando para fora do banheiro, ele a seguiu.

— O que aconteceu, Samy? Você está tão diferente dos últimos dias pra cá.

— Hã? Não aconteceu nada, deixa de ser paranóico Riley. — disse zombeteira.

— Vai ver a Victória estava certa e você está assumindo o personagem mais do que deveria, Samantha! — ele falou sério e desconfiado.

Samantha teve que repensar a atitude com Riley, sabia que entre os três cúmplices ele era o único que com certeza a apoiaria em qualquer decisão. Ela então sorriu e se aproximou dele, segurou o rosto entre as mãos e deu um rápido selinho.

— Eu nunca iria querer ser a sonsa Isabella Swan, gosto de ser Samantha. Viver no perigo, viver loucamente e ter você do meu lado. Eu só não quis porque estou realmente com fome, queria primeiro tomar café, repor minhas energias e gastá-las todas com você Riley.

— Tem certeza? Vai ver você já se apaixonou pelo Cullen. — disse cético.

— Apaixonada pelo Cullen? — ela riu amargurada. — Você está falando de mim Riley, Samantha, lembra? Eu não estou apaixonada por ninguém.

— Quem me garante que você não está mentindo, Samantha?

— Eu, minha palavra e isso. — ela por fim o beijou de verdade e furiosamente.

Entrelaçou com força os dedos nos cabelos dele puxando ainda mais para perto, suas bocas, línguas e cabeças dançavam em uma sincronia selvagem. As mãos dele acariciavam-na fervorosamente descendo pelas suas costas até sua bunda; ela juntou seu corpo o máximo que pode ao dele e subiu a perna na altura da cintura. Por fim separaram os lábios para respirar, ambos ofegante e ele surpreso. Ela então sorriu ainda segurando o rosto dele entre as mãos.

— O Edward é um moleque e eu gosto de homem de verdade, só estou fazendo isso pelo nosso plano e por tudo que queremos Riley, você mais do que ninguém precisa acreditar em mim. Eu não estou assumindo o personagem, eu só não quero que as coisas dêem errado. Acredita em mim.

— Eu acredito, desculpa. — ele a beijou rapidamente e sorriu: — Samy, eu te amo, por isso fico tão desconfiado, não quero te perder pro Cullen.

O choque a dominou por alguns segundos e ela teve dificuldade para absorver as palavras dele “Samy, eu te amo”. Devagar ela soltou o rosto dele e se afastou um pouco.

— Calma Riley, eu acho que você está confundindo um pouco as coisas... Amor é uma palavra muito... Forte, acho que você já está exagerando.

— Não Samy, eu tenho toda a certeza do mundo, eu te amo. Eu vou fazer qualquer coisa para ficar contigo, vou te proteger e defender sempre, eu te amo Samy! — ele ia andando para se aproximar e ela recuava lentamente.

— Oh, isso realmente me surpreendeu, me pegou realmente de surpresa.

— E então...

— E então vamos terminar essa conversa depois ok? Estou realmente com fome e não consigo pensar, raciocinar ou tomar qualquer tipo de decisão com fome, preciso do meu café da manhã. — ela disse sorrindo e saiu rapidamente do quarto antes que ele respondesse alguma coisa.

“Riley me ama... Ou pensa que ama e está bem convicto disso. Oh. Meu. deus. Essa merda está cada vez pior, o que mais falta acontecer? Eu estou... Não, melhor nem cogitar essa opção, mas o Riley está apaixonado por mim e isso é muito louco... Santo deus!”

Após o café da manhã, nada muito elegante apenas café preto e pão com manteiga de sempre, o que fez Victória reclamar e muito da pobreza, Samantha subiu para o quarto sozinha tentando fugir a todo custo de Riley e do seu tal “amor”. Pegou uma roupa no guarda-roupa pra tirar aquele pijama, uma calça jeans e uma camiseta dos Beatles. Começou a pensar o que faria, até escutar o celular tocar, sorriu ao ver no visor o nome do Edward, se jogou na cama e atendeu.

— Alô? — disse controlando a animação.

— Bella? Bom dia meu amor! — ele disse animado e deu uma leve risada. — Deve estar me achando um idiota por estar te ligando agora né?

— Claro que não, deixa de ser idiota, adorei que tenha ligado. Mas me ligou apenas pra me desejar bom dia?

— Na verdade sim... E não. Quer dizer, queria te convidar para jantar, mais uma vez. Liguei agora para você já reservar meu horário na sua agenda lotada.

— Que? — ela riu alto. — Acredite, minha agenda está completamente vazia a um bom tempo. Aonde nós vamos?

— Jantar, mas o lugar é surpresa para você. Posso te buscar por volta das oito?

— É claro... Que roupa eu devo usar já que é surpresa?

— Hum... Nada formal, o lugar é super informal e você vai gostar. Vai como achar melhor, não vai ter nenhum rico ou nada do tipo, vá como você mesma. Eu vou passar o dia trabalho, então nos encontramos as oito? Eu passo ai pra te buscar, pode ser?

— Eu vou adorar! — falou sorrindo e sinceramente.

“Edward? Tem como você desligar esse celular e voltar pra cá?” ela escutou uma voz mais longe perto do Edward.

— Calma, Carlisle, eu já estou indo! — Edward respondeu tirando o telefone da boca e voltou a falar: — Desculpa por isso, meu pai está estressado e estressando a todos.

— Algum problema?

— Uma negociação com um sheik árabe não está dando muito certo e meu pai está surtando com isso. Minha mãe veio na reunião e está tentando acalmar Carlisle, o dia aqui está difícil e não são nem 1 hora da tarde.

— Oh, eu sinto muito!

— Sem problemas, só de saber que vou te encontrar a noite já tenho mais animo para encarar tudo isso. Eu tenho que desligar antes que ele volte a me chamar gritando. Tchau amor, até.

— Tchau Edward... Até! — ela desligou o celular e então fechou os olhos imaginando o rosto dele. Droga!

Do lado de fora do quarto, Victória escutou todo o telefonema dela, percebeu como a voz dela tinha ficado mansa ao conversar com ele. “Samantha, Samantha, minha doce Samy... Eu sei que você não está normal e que está aprontando alguma, eu só preciso descobrir e ter certeza... Espero realmente que você não esteja apaixonada pelo Cullen ou você vai dançar lindamente.” Foi para o próprio quarto pensando nas reações de Samantha nos últimos dias, tinha que alertar Demetri sozinho, claro que Riley não poderia ouvir já que estava de quatro por ela... Ela precisava conversar com Demetri.

***

Quinze minutos depois do previsto para Edward ir buscá-la – oito horas –, Samantha ainda o esperava na sala e vendo televisão. Usava uma roupa bem informal como tinha falando; calça jeans, blusa de alcinhas preta, um cardigan cinza por cima pela noite fria que estava e uma ugg boot caramelo nos pés.

— Pegue Samantha, você não vai desarmada. — Demetri disse segurando um revólver e estendendo para ela.

— Por quê?

— James, Laurent ou qualquer outro, não vamos nos dar ao luxo de arriscar. Leva com ela com você. Riley? Pega um silenciador da calibre 38 pra Sam.

Todos se organizaram, por fim ela guardou a arma já com o silenciador dentro da bolsa de ombro que iria levar – uma cinza no tom mais escuro que seu cardigan e grande suficiente para carregar tudo sem problemas – colocou embaixo de todas as outras coisas para não correr o risco de ser descoberta, carregava sempre consigo o canivete de bolso, colocou o celular no bolso pequeno lateral e estava pronta.

Edward chegou com 30 minutos de atraso e buzinou com o volvo, Samantha se despediu de todos e saiu sorrindo de casa, agora tinha que entrar em cena Bella. Pela primeira vez Edward a esperava dentro do carro e ela estranhou, ele estava de cabeça baixa mexendo no pé. Ela andou até a porta do carro e bateu no vidro.

— Tudo bem? — perguntou faceira.

— Tudo ótimo. — ele levantou a cabeça rapidamente e abriu a porta do passageiro para que ela pudesse entrar e sentar depois voltou a mexer nos pés.

— O que você está fazendo?

— Ai... Arrumando... Esse tênis... Calma... Pronto! — ele levantou de vez e mexeu no cabelo, sorrindo para Bella. — Sai há pouco tempo do hotel, então eu tive tirar o terno no banheiro do hotel, quando vi a hora sai correndo e coloquei o tênis durante o caminho.

— Seu bobo, eu não acharia ruim esperar mais alguns minutos.

— Mas eu acharia, precisava te ver logo. Senti falta de ver seu rosto, de você. — ele acariciou suas bochechas levemente coradas e a beijou carinhosamente.

— E então, como você está? As coisas no hotel melhoraram?

— Não, só piorou. Todos os membros da diretoria, advogados, tradutores, acionistas ou representes deles, todos envolvidos na compra desses hotéis e resorts em Dubai foram convocados. Estão todos juntos no hotel novo na sala de reuniões tentando resolver a situação e impasse; todos muito tensos, meu pai surtando e minha mãe tentado acalmá-lo para que não tenha um ataque cardíaco.

— Mas seu pai não reclamou que você tenha saído de lá?

— Ele não percebeu quando eu saí, mas minha mãe me deu cobertura... Se eu ficasse lá mais algum minuto acabaria surtando.

— Que bom então que estamos juntos. Esquece todo trabalho e vamos aproveitar a noite juntos. — Bella propôs, o beijou rapidamente e então partiram.

-

Edward manteve o segredo de onde jantariam até o último minuto. Dirigia por uma rua movimentada, pelo espelho retrovisor Bella viu um homem de moto seguindo o carro, poderia parecer normal já que era um lugar cheio de carros e motos, mas ela já tinha reparado naquele motoqueiro desde alguns metros de sua casa, era muita coincidência, mas resolveu ignorar. Descobriu onde jantariam quando pararam em frente a uma pizzaria enorme e bem iluminada com um grande letreiro em neon “King of Pizza” e ao lado um homem gordo com uma coroa e segurando uma pizza. Ela nem acreditou quando percebeu que comeriam pizza.

— É sério?

— Sim, vamos comer pizza e de mussarela... Do jeito que você gosta. — ele sorriu.

Teve que procurar uma vaga e estacionar o carro sozinho, ele estacionou e desceu traçando o carro. Ela pegou a bolsa, colocou sobre o ombro e desceu também, bateu a porta e escutou o bipe do alarme quando o Edward o ativou. Entraram de mãos dadas na pizzaria e se sentaram em uma mesa junto à parede, receberam dois cardápios de um garçom para escolherem.

— Boa noite, o casal já sabe o que vão pedir?

— Hum... E então amor, vai ser criativa com o sabor da pizza também ou é só com o café? — Edward perguntou com humor deixando o cardápio sobre a mesa.

— Er... Não. — ela colocou o cardápio na mesa e se virou para o garçom. — Sem criatividade para pizza, pode trazer uma grande de mussarela?

— Claro. E o senhor?

— Acho que podemos dividir uma né Edward? Não vou conseguir comer uma de mussarela grande sozinha... Por mais que seja muito boa! — ela propôs e sorriu.

— Eu também não. Traga só uma pizza grande de mussarela e bebida...

— Eu quero coca-cola, não gosto de pizza com vinho. — falou antes que ele pudesse decidir.

— Duas latas de coca-cola para acompanhar.

— Só um instante, já trago o pedido de vocês! — sorriu e se afastou.

Ficaram apenas alguns minutos conversando quando o garçom voltou com o pedido e desejou bom apetite. Começaram a comê-las conversando entre risadas e sorrisos, uma noite muito agradável para ambos. Bella comia a pizza sempre olhando disfarçadamente para os lados.

— Você já teve a sensação de estar sendo vigiado? — perguntou baixinho para ele após engolir um pedaço da pizza.

— Hã? Acho que não... Paranóica?

— É talvez um pouco. — riu e continuou comendo.

Ela tinha a certeza, ou pelo menos pensava ter, que não era apenas paranóia. Alguém estava olhando ela, só precisava saber onde. Então conseguiu ver sobre o ombro do Edward no segundo andar encarando diretamente para a mesa dos dois e ao mesmo tempo tentando se esconder.

— Edward eu já volto ok? Eu preciso ir ao toilet... Eu e essa minha mania de ficar com vontade nas horas erradas, eu já volto. — levantou-se levando a bolsa e logo estava fora da visão dele.

Do alto do segundo andar um rapaz procurava um rosto entre todos os clientes comendo na pizzaria. Ela não estava na mesa. Sentia certo medo dessa constatação, conseguia escutar a voz de seu tio lembrando-lhe “Cuidado. Ela não é boba, burra ou inocente, ela é perceptiva e tem ótimos instintos, cuide-se”. Nervoso, levou a mão ao espesso e cacheado cabelo loiro, manter-se calmo era uma regra, ele tentava encontrá-la e não conseguiu.

— Eu odeio ser seguida e ou vigiada então muito bom você ter um ótimo motivo para isso. Quem é você? — escutou a voz feminina atrás dele.

Virou-se lentamente e encarou a mulher que segurava um revólver em mãos, era a mulher que ele estava encarregado de vigiar. Isabella, ou melhor, Samantha.

— Eu...

— Vem até aqui em silêncio e sem movimentos bruscos, não vou hesitar em atirar e pode ter certeza que não vou errar. — ela disse sorrindo.

O menino andou até ela sem fazer barulho andando para o corredor ficando escondidos dos clientes do primeiro andar. Ela o guiou para uma sala, pegou a pequena faca dobrável que ele carregava e entraram juntos, fechou a porta. O menino nervoso e soando percorreu os olhos pela sala, que na verdade era um depósito, vária caixas e algumas comidas. Sentou-se em uma cadeira que estava ali com a mulher em sua frente e lhe apontando a arma.

— Quem é você? — perguntou séria.

— Você poderia abaixar a arma? Isso não ajuda...

— Eu perguntei quem é você? — ela destravou a arma com um pequeno ruído.

— Tá calma. O que eu fiz pra você?

— Está me seguindo desde que sai da minha casa e agora estava me vigiando, você não é um poço de descrição, querido. Quem mandou você fazer isso?

— Eu...

— Você quer morrer, querido? — ele negou com a cabeça. — Ótimo, porque eu também não quero lhe matar então me diga: quem?

— James e Laurent! — respondeu baixo e com medo.

— Tinha que ser como não pensei antes? — perguntou a si mesma irônica. — O que ele te mandou fazer?

— Te seguir e depois ligar dizendo o que você fez o dia todo.

— O que você é dele? E quantos anos você tem?

— Sobrinho. 22 anos.

— Seu celular. — ela esticou a mão esquerda, segurando a arma com a outra. Ele não era criança, podia fazer o que quisesse com ele.

— O que?

— Eu quero seu celular, agora!

O menino pensou em questionar, mas era melhor fazer o que ela mandava. Pegou o celular no bolso, um modelo da nova geração e entregou a ela.

— Bom menino. Escuta aqui oh James Junior — disse zombeteira e então aproximou o rosto do dele colocando o cano do revólver em baixo do seu queixo — Eu estou lutando contra os meus instintos de te matar então não abusa da sorte e da minha boa vontade. Você vai embora sem abrir a boca ou fazer barulho, vai embora e sumir da minha frente pra sempre, entendeu? Se eu te encontrar de novo que deus lhe ajude porque eu te mato sem dó nem piedade.

— Sim senhora! — falou rápido e extremamente nervoso.

— Ótimo. — ela ia indo embora quando se virou para ele novamente como se tivesse esquecido algo. — Aqui, já ia esquecendo!

Ela abriu a faca dobrável para devolvê-la e cravou a faca na mão dele que estava encima de vários caixotes empilhados, ele urrou de dor. Travou a arma novamente, pegou a bolsa que estava jogada no canto e guardou o revólver e o celular do menino. Colocou a bolsa sobre o ombro, arrumou o cabelo e voltou para a mesa sorrindo.

-

-

— Vamos Edward? — Bella pediu após terminar seu último pedaço de pizza.

— Querer ir embora agora?

— Na verdade não, podemos ficar juntos mais um pouquinho? Mas não aqui.

— Tudo bem! — sorriu para ela.

Foram de mãos dadas até o caixa com a notinha, pagaram as pizzas e refrigerantes depois voltaram para o estacionamento. Foram no volvo até o Central Park, quando ela pediu para descerem um pouco. Estacionou o carro e andaram lentamente lado a lado para a parte gramada do parque, Bella pela primeira vez se deu ao luxo de deixar a bolsa com celular e arma no carro, queria ser apenas ela e ele... Mesmo que por alguns segundos. Sentaram-se no gramado juntos, ela diretamente olhou para o céu totalmente estrelado e com uma enorme e cintilante lua cheia.

— Eu tenho um presente pra você! — Edward disse sorrindo.

— Hã? Que presente?

— É algo simples, eu só queria de alguma maneira... Representar-me com você. — ele colocou a mão do bolso da calça jeans e com cuidado tirou o pequeno saquinho de veludo vermelho.

— Edward, você não sabe que não precisa.

— Eu sei, mas quando eu vi me lembrei de você e comprei. Espero que goste!

Abriu o saquinho e tirou de dentro uma linda correntinha de ouro branco com um pequeno pingente de flor de pétalas abertas, Bella sorriu vendo aquele pequeno mimo em suas mãos.

— Ela é... Linda.

— Combina com você, obviamente!

— Está bem, coloca em mim! — ela disse animada se virando para ele, ergueu o cabelo facilitando que ele colocasse a corretinha. Sentiu a correntinha tocar seu pescoço, assim como as mãos dele.

— Essa flor é uma flor de lótus. Eu achei muito linda e a vendedora me contou a história: ela é flor do oriente que vive na lama e se desenvolve sem que se suje, ela que vem do lodo do fundo dos lagos e se torna uma das mais belas flores. É muitas vezes citada como uma alusão a um modo de vida em que se pode viver neste mundo cão mantendo-se digno.

— Uau... — ela permanecia olhando aquele pequeno pingente que significava tanto; teve dificuldade para engolir e se sentiu estranhamente desconfortável.

— Pronto, coloquei. — beijou o pescoço dela quando terminou e ela se virou para encará-lo.

— Obrigada!

— É pequeno, mas é de coração, é para que você possa se lembrar quando vê-la mesmo que por alguns segundos e tenha certeza que eu estarei pensando em você.

— Eu... — não sabia o que dizer, apenas sentiu os lábios tremerem e os olhos ficarem aquecidos, meio embaçados... Marejados pelas lágrimas.

— Oh amor! — falou sorrindo ao ver as lágrimas se formarem, levou a mão ao seu rosto e acariciou por uma fração de segundos até a beijar de maneira simplória, seus lábios macios tocaram os dela de maneira gentil assim como suas mãos que acariciavam seu rosto. Seus lábios se separaram.

Música: http://www.youtube.com/watch?v=IiHhTdg8qrc

(Rascal Flatts — I'm moving on)

Ela respirou fundo controlando as lágrimas e ficaram em silêncio, seu rosto se virou para o céu... Aquele momento trazia tantas lembranças, noite e estrelas... Conseguia escutar a voz doce cantar perto de seu ouvido. Edward a encarava e via seu rosto quase sem expressão, ela apenas encarava o céu com um olhar vazio.

— Bella? Bella? — a chamou.

— Oi? Desculpa.

— Você estava realmente absorta em seus pensamentos, em que estava pensando?

— É... Na minha mãe! — falou sinceramente e se virou para Edward sorrindo. — Estranho né?

— Algo que possa compartilhar?

— Ela adorava a liberdade da noite para poder ver o céu, as estralas, a lua... Isso realmente está me lembrando ela.

— Eu sinto muito... Não pensei que ficarmos aqui te traria lembranças e te deixaria triste, sinto muito!

— Não é ruim, pelo contrário, são boas... Eu gosto de me lembrar da minha mãe. Uma noite nós duas ficamos deitadas juntas no gramado junto a uma árvore em frente a nossa casa vendo apenas as estrelas à noite toda até eu adormecer... Ela acariciava meus cabelos e cantarolando a música favorita dela e a minha música de ninar favorita. — falou encarando o vazio e então riu baixinho.

— Por que está rindo?

— A música de ninar em questão era Hey Jude dos Beatles, ela cantava de uma maneira tão doce e calma... Acariciava meu cabelo e dizia que tudo iria acabar bem de uma forma ou de outra. Ela sempre cantava essa música para eu dormir, quando eu estava triste ou com medo... Hey, Jude, don't make it bad, take a sad song and make it better. Remember, to let her into your heart, then you can start, to make it better — cantarolou lentamente e de maneira doce, então sorriu. — Ela cantava melhor que eu, claro.

— Sente muito falta dela?

— Muito. Você não sabe o quanto, às vezes tudo que eu queria era voltar no tempo e sair correndo pros braços dela, chorar e chorar recebendo um cafuné de mãe... Se ela ainda estivesse aqui nada seria assim, seria tudo tão diferente. — abaixou a cabeça, as lágrimas não se contiverem em seus olhos verdes e transbordaram rolando lentamente pelo seu rosto.

— O que não seria assim?

“Cala a boca Samantha, não acha que está falando demais? Conserta isso e rápido, pensa em algo... Droga”

— Essa saudade! — tentou consertar e ser convincente. — Ela estaria do meu lado e não teria essa saudade toda.

Edward sorriu a puxou lentamente para os seus braços e a aconchegou em seu peito, ela deixou a cabeça sobre o corpo dele e sentiu apenas ele acariciando seu braço.

— Ela era tão doce e eu pequena, ela me defendia de tudo... Principalmente do meu pai, ele era alcoólatra. Até eu completar um ano de idade ele era um cara normal, só que ai ele perdeu o emprego e começou a se embriagar. Chegava em casa cheirando a álcool e minha mãe tentava acalmá-lo, isso quando ele não descontava as frustrações nela né? A minha mãe já sabia que quando ele demorava muito pra chegar era porque estava em algum bar enchendo a cara, então tirava qualquer coisa que ele pudesse usar para nos machucar ou se machucar da frente. Depois me escondia em algum lugar que ele não me encontrasse até porque eu era pequena, me escondia no banheiro, armário, em baixo da pia e agüentava toda a gritaria, ás vezes surras dele. — ela falou sinceramente.

Não sabia por que estava dizendo aquilo, mas precisava desabafar e ser sincera, mesmo que por alguns minutos com ele, ela precisava ser o mínimo sincera que fosse com ele. Sentiu os abraços dele se estreitarem a sua volta enquanto ela falava.

— Eu me lembro de uma vez que ela não tinha como me esconder dentro da casa, ela era muito pequena e ele olhava em todos os lugares possíveis, eu tinha seis anos de idade e ela percebeu que eu era grande suficiente para entender a situação, então preparou um saquinho com três cookies grandes com gotas de chocolate, preparou uma mamadeira com leite e achocolatado quente, me deixou bem agasalhada e então me disse que eu tinha que ficar escondida na árvore até ela me buscar, ela disse que me amava e se sentisse medo olhasse para estrelas cantando Hey Jude e o medo passava. Quando ele chegou gritando ela me pulou pela janela da cozinha e eu corri sozinha, apenas com uma bolsinha com a mamadeira e os biscoitos, minha chupeta e um cobertor para a árvore em frente a nossa casa... Estava tão escuro e eu estava com medo, mas fiquei ali... Ela começou a gritar chorando... Ele começou a gritar com raiva... Eu tampei o ouvido e comecei a cantar a música... Estava com tanto medo... E a noite escura, escutava tudo... Ela não vinha me buscar... Eu cantei até dormir... — ela não percebeu e já estava chorando aos soluços.

— Calma... Já passou meu amor, calma Bella. — ele pediu a apertando em seus braços, fazendo movimentos parecidos com um leve ninar. Beijou seus cabelos.

— No dia seguinte ela me buscou lá de manhã, estava toda machucada... Eu era pequena, mas percebi quão machucada ela estava. Ela me pegou no colo com muita dificuldade e gemendo de dor, mas sabe o que ela fez?

— O que?

— Apenas olhou nos olhos sorrindo e disse “Vai ficar tudo bem, de uma forma ou de outra a mamãe vai estar sempre com você... Vai ficar tudo bem meu amor, de uma forma ou de outra”. Ela sorria. Tinha todos os motivos para chorar, mas sorria. Se na época eu tivesse sido forte, eu queria ter defendido ela.

— Você era uma criança, amor, ela nunca te cobraria nada. Ela te defendeu porque te amava e tenho certeza que ficou feliz que em momento algum você se machucou... Fisicamente, pelo menos. — Edward disse tentando tranqüilizá-la. — Mas se seu pai era assim como eles morreram juntos?

— Hã? — ela não entendeu o que ele estava falando, demorou alguns segundos para finalmente entender. A mentira, o plano, tudo. Levantou-se rapidamente dos braços dele e ficou apenas o encarando. — Ah sim, morreram em um acidente de carro.

“Parabéns Samantha, você não quer estragar mais alguma coisa com esse seu bocão e sentimentalismo de merda? Maldita. Não quer aproveitar e dizer: oi Edward, meu nome na verdade é Samantha, eu sou uma vadia bandida e assassina, estou na verdade aplicando um golpe na sua família então em alguns dias todo seu dinheiro vai estar na minha conta bancária, mas enquanto não acontece estou brincando de ser normal, vamos transar?” ralhou consigo mesma.

— O Charlie mudou... Começou a se tratar, acabou se limpando da bebida e mudou completamente, quase outra pessoa. — mentiu para seguir com o plano.

Sentia-se até mal em comparar seu pai de sangue Phill – aquele que odiaria pelo resto da vida, graças a ele sua mãe estava morta e ela nessa situação – com Charlie – um homem que mesmo fora das leias convencionais a salvou e lhe deu uma nova chance, além de ser quem considerava ser seu verdadeiro pai.

— Então Charlie virou minha referência para tudo. Minha base, minha vida inteira e com ele aprendi muita coisa... — foi sincera e emendou com uma mentira: — Quando morreram naquele acidente de carro foi horrível.

— Eu sinto muito. — ele acariciou o rosto dela ainda úmido.

— Eu também, mas do que adianta? Podemos sentir o quanto quisermos que isso não vai trazer a minha mãe e o Charlie de volta, então tenho que parar de chorar pelo passado. — ela passou a mão no rosto enxugando as lágrimas e sorriu: — Desculpa ter te feito escutar tudo isso, pareço uma idiota né?

— Nunca... Você é uma mulher incrivel, corajosa e forte, eu te admiro muito... Tenho muito orgulho de você e eu adoro te conhecer melhor a cada dia

— Tá, quer saber mais uma coisa de mim? Eu adoro o Central Park. Ele é lindo e faz com que eu lembre a minha mãe, o Charlie, você. — sorriu. — Acho que se um dia precisasse de um esconderijo seria aqui, definitivamente.

Ele sorriu e ela não hesitou em beijá-lo, aqueles lábios tão perfeitos e convidativos, gentis. O beijo durou mais do que o esperado e ficou um pouco mais atrevido, até que ela o encerrou e decidiu que era hora de irem embora. Voltaram abraçados para o carro e então ele a levou em casa, a deixou na porta e se despediram com um rápido beijo e promessas de se falarem no dia seguinte. Ela acenou e entrou em casa respirando lentamente, tinha que colocar os pensamentos no eixo, não podia deixar a situação fugir do seu controle.

Demetri e Victória se agarravam na sala, ela sentiu-se enjoada com a cena e fez com que se separassem, jogou a bolsa no sofá e pegou de dentro dela um celular.

— O que aconteceu? De quem é esse celular? — Demetri perguntou vendo que não era o Blackberry de sempre dela.

— James e Laurent colocaram o sobrinho do James para me seguir, mas acabei percebendo e peguei o celular do menino... Vou ligar pra ele, já está passando dos limites aceitáveis.

Abriu a agenda do celular e rapidamente viu o número de James, discou e levou o celular a orelha esperando chamar... Até alguém atender.

— Alô? — reconheceu na hora a voz de James.

— Que coisa feia para um tio mandar um sobrinho fazer coisa errada e ainda correndo risco de vida. Tsc, tsc! — ela disse sarcástica.

— Samantha? Mas que po... Cadê o Connor? — ele perguntou realmente surpreso.

— Ah, esse é o nome do menino? — riu e então voltou a ficar séria: — Nunca mande um principiante fazer o trabalho sujo, ainda mais se tratando de uma profissional como eu. O que você pretende?

— O que você fez com o meu sobrinho?

— Nada, apenas peguei o celular, ele está vivo. Que porra foi aquela?

— Bom que tenha ligado, assim podemos negociar, Samy!

— Diga logo, maldito!

— Quantas palavras carinhosas, desse jeito eu vou me acabar apaixonando. — falou doce e depois soltou uma risada sarcástica. — Dinheiro.

— Quanto?

— 1 milhão de dólares... Para começar!

— O que?! — quase gritou com a surpresa: — Você bebeu né? Está drogado? Como vou arranjar tudo isso? Você perdeu toda a noção da realidade?

— Você está saindo com um Cullen, está pronta para dar um golpe bilionário... Use sua criatividade, querida Samy!

— Eu ainda não peguei o dinheiro, você é louco?

— Eu quero o dinheiro e ainda pedi pouco, um milhão de dólares em notas não numeradas! O silêncio é algo caro e nesse caso é algo muito precioso! — fez uma pausa e continuou: — Você sabe o meu número, ligue-me para confirmar o meu dinheiro. Tchau Isabella!

Ele desligou rindo e ela controlou o impulso de atacar o celular longe. Apenas o colocou na mesinha de centro e começou a murmurar palavrões.

— O que aconteceu? O que quer? — Demetri perguntou preocupado.

— Pagamos o dinheiro dele ou ele vai abrir a maldita boca pra contar tudo que estamos planejando.

— E quanto ele quer?

— Isso é o mais divertido, ele quer... Um milhão de dólares! — falou sorrindo.

— O que?! Ele é louco? Como vamos arranjar esse dinheiro?

— Não vamos, é impossível e só tem um jeito de consertar isso tudo.

— O que você pretende fazer? — Victória, pela primeira vez, perguntou.

— Ele vai se arrepender de estar se envolvendo comigo, da primeira vez há algum tempo atrás ele tentou me matar e eu o deixei vivo, foi um erro meu então vou consertar tudo agora.

Ela se virou, pegou a bolsa e começou a andar em direção da escada, sentiu apenas quando a mão firme de Demetri a segurou pelo braço a fazendo parar.

— O que você vai fazer?

— Eu vou matar dois esses desgraçados com as minhas próprias mãos, pode ter certeza!

Notas finais
E então, o que acharam do capítulo? Samantha "barra" Bella está tendo uma grande luta interna hein? O passado dela cada vez sendo mais desvendado. O que acham que ela vai fazer com a dupla James e Laurent? Próximo capítulo vai ter ação, que pessoalmente eu adoro. Enfim, é isso. Deixem suas opiniões e comentários via reviews, obrigada por estarem acompanhando. bjsbjs s22

PS: agradecimento especial desse capítulo vai para a carlapriscila. Amor, muito obrigada pela recomendações, realmente amei, muito obrigada *---*'
Claro agradeço também a quem lê e comenta, obrigada também, vocês são demais *-*' +1