Nudez Mortal
12 Visitinha surpresa.
Notas iniciais
Ai vai mais um capítulo bem quentinho.
Boa leitura.
FINAL DO CAPÍTULO ANTERIOR
– Conheço as pessoas que Jéssica Stanley conhecia. – Ele viu quando a desconfiança começou a desaparecer. – Não é preciso ser um gênio da policia para saber que você precisa de uma conexão entre as duas garotas. Eu posso achar essa conexão.
– Preciso avisar para você que informações passadas por um suspeito do caso não são de muita serventia. Mas você pode entrar em contato comigo.
– Não consigo imaginar de onde vem essa minha vontade súbita de ter você em minha cama. – Ele sorriu e voltou para trás da sua mesa. – Eu entrarei em contato com você Tenente.
Quando ela saiu e fechou à porta ele apagou o sorriso do rosto e tocou o botão que estava em seu bolso. Ele estava pensativo e então ativou a linha privativa que só ele tinha acesso.
Ela era totalmente segura e não deixava nenhum registro gravado. Ele não queria que a ligação que ia fazer fosse sequer rastreada.
******
Bella estava parada em frente à casa de Damon Salvatore. Ela olhava para a tela usada para identificação e quando ia se identificar a porta se abriu. Ele estava vestido com uma roupa elegante que indicava que ele estava de saída. O paletó estava jogado em cima do ombro displicentemente e isso o deixava mais sexy do que nunca.
O sorriso que ele soltou o vê-la combinava perfeitamente com ele como aquela roupa.
— Tenente Swan. Que bom revê-la de novo. Mas é uma pena que eu esteja de saída. Estou atrasado por sinal.
— Não vou roubar muito o seu tempo. – Ela entrou no apartamento e ele entrou logo depois. – Vou fazer apenas algumas perguntas. Algo bem informal aqui entre nós, mas se você quiser pode ser uma conversa mais formal lá na Central e com a presença dos seus representantes legais.
— Eu entendi Tenente. – Ele falou. Eu realmente achei que eu já estivesse livre dessas suspeitas, mas vamos lá, pode perguntar.
— Na noite de anteontem onde você esteve entre os horários de nove às onze horas?
Ele pegou a pequena agenda que estava em seu bolso e verificou os registros antigos.
— Na noite de anteontem. Aqui está. Fui buscar uma cliente na casa dela por volta de oito e meia. De lá fomos para uma seção de cinema exclusiva. Assistimos a um filme muito bom por sinal. O filme acabou por volta de dez horas e eu a trouxe para cá. Pedimos um jatar que chegou por volta de onze e eu fiquei aqui com ela até mais ou menos duas horas da madrugada. – Ele sorriu e com uma carinha de anjo que ela achava que só ele conseguia fazer ele perguntou:
— Esse álibi me livra de algo?
— Depende. Se a sua cliente me confirmar isso tudo você está livre.
— Tenente Swan, assim você me derruba. – Ele falou com um olhar de tristeza.
— Tem alguém lá fora matando pessoas que tem a mesma profissão que você. – Ela falou enquanto estendia a mão esperando receber os dados que ela queria. – Nome e número de contato, Salvatore. – Você conheceu Lua Star?
— Lua Star. Não. Esse nome não me soa nada familiar. – Ele olhou a agenda na parte de endereços e confirmou. – Não. Não conhecia ninguém com esse nome. Por que você está me perguntando sobre essa mulher?
— Você saberá o motivo quando olhar os noticiários logo mais.
Ela abriu a porta para ir embora, mas antes de sair ela sentiu que tinha que preveni-lo.
— Damon, até agora foram apenas mulheres, mas se eu fosse você eu tomaria bastante cuidado quando fosse escolher meus próximos clientes.
Com uma baita dor de cabeça e uma imensa dor no corpo ela seguiu em direção ao elevador, mas não se conteve e olhou para a porta do apartamento de Jéssica Stanley.
O lacre colocado pela policia ainda estava por lá, com a luz vermelha que indicava que era proibida a entrada de qualquer civil ou qualquer outra pessoa que estivesse fora do caso.
— Você precisa dormir! Você precisa dormir por pelo menos duas horas! – Ela ficava repetindo para si mesma. Mas quem olhasse para ela ia ver a policial que cuidava do caso abrindo o lacre da casa de uma mulher assassinada.
Ela entrou no apartamento e ficou parada por alguns minutos na sala.
— Nada Bella. – Ela falou para si mesma. Ela achava que ao entrar no apartamento tivesse alguma intuição, que viesse um estalo em sua cabeça para algo que ela deixou passar quando esteve aqui antes. A única coisa que continuava sentindo era a dor de cabeça que aumentava ainda mais.
Ela seguiu em direção ao quarto, onde tudo havia acontecido.
As janelas estavam cobertas por spray selante escuro, para que ninguém da impressa ou qualquer outro abelhudo ficasse fuçando ou fazendo imagens do quarto. Pediu que as luzes se acendessem e no mesmo instante o quarto ficou iluminado e ela pode enfim visualizar a cama.
Os lençóis haviam sido levados pela perícia para serem avaliados, mas ela ainda via uma enorme mancha de sangue na cama que havia transpassado o lençol e chegado até ao colchão. Toda a área da cabeceira da cama estava cheia de respingos de sangue e Bella imaginava que ninguém ia ter coragem de limpar aquelas marcas.
Ela olhou em direção à mesa e sabia que Charlie havia levado o computador e o notebook da vítima para verificar os discos e toda a memoria interna na busca por alguma pista. Tudo no quarto tinha sido virado e revirado. Não havia mais nada a fazer por ali.
Mesmo assim a Tenente seguiu em direção ao closet da vítima e começou a revirar todas as gavetas de uma por uma.
— Nossa quanta roupa. Por que será que a mãe dela ainda não tinha entrado com um pedido para levar as coisas da filha embora?
Continuou remexendo nos vestidos, nas capas, jaquetas, sempre prestando atenção nos bolsos, para ver se a perícia ou até mesmo ela não tinha deixado escapar nada.
Viu os sapatos todos organizados por cores e não conseguiu raciocinar por que uma pessoa que tinha apenas dois pés precisava ter tantos pares de sapato. Ela enfiava a mão dentro deles, tocava os forros com cuidado à procura de algo que nem mesmo ela sabia.
Ela lembrava que a outra vítima não tinha tantos sapatos assim. Apenas um tênis, uns dois sapatos de salto e uma pequena sandália. Como as duas eram diferentes nesse ponto, enquanto Lua tinha seus sapatos todos desorganizados dentro do closet, Jéssica tinha vários sapatos organizados em fileiras de...
Tinha algo errado ali. Bella sentiu sua cabeça girar com a velocidade dos pensamentos que começava a ter. O closet de Jéssica Stanley era quase do tamanho do seu quarto no seu pequeno apartamento e ela lembrava que todo o espaço do closet era usado.
Mas agora ela estava vendo que ali havia um espaço de quase quarenta centímetros na prateleira dos sapatos. E os sapatos estavam em cinco pilhas e em sete fileiras.
Não era assim que eles estavam quando ela olhou na primeira vez. Não era assim que ela havia deixado depois de ter feito a primeira busca por pistas. Eles continuavam organizados por cor, mas agora estavam em seis pilhas e nove fileiras.
Ela sorriu.
Um pequeno erro, mas ela pensou que um homem que cometia um erro, mesmo que pequeno, estava predisposto a cometer outro erro e quem sabe agora um maior.
******
— É isso mesmo que eu estou dizendo Comandante. Ele colocou os sapatos de forma errada. Ele se enganou.
Bella tentava se fazer ouvir pelo Comandante, mas estava quase impossível. Ela enfrentava o tráfego que estava um caos. Ela tremia de frio por que mais uma vez tinha se esquecido de pedir para ajeitar o aquecedor do carro.
Um enorme dirigível cheio de turistas passava em baixa altura com o guia berrando para que eles gastassem seus dinheiros nas lojas que ficavam nas calçadas lá em baixo.
Ela berrava para que o comandante pudesse ouvi-la.
— Verifique os discos das cenas gravadas por lá. Eu me lembro de como estava o closet dela Comandante. Eu me lembro de como me surpreendi de uma pessoa conseguir organizar tão bem um closet com tanta coisa. Ele esteve lá de novo Comandante.
— O assassino voltou para a cena do crime? – Carlisle perguntou com a voz dura.
— Ela guardava suas bijuterias em gavetas separadas. Colares organizados de um lado, brincos do outro e dessa vez quando eu olhei os colares estavam embolados.
Ela colocou o carro no piloto automático para poder esquentar as mãos sentando por cima delas.
— Tenente Swan, muitas pessoas estiveram vasculhando aquele local...
— Senhor eu olhei todo aquele local depois que houve a limpeza, tenho absoluta certeza de que ele voltou lá. Ele conseguiu passar pelo lacre deixado pela policia. Eu ainda não sei como, mas ele entrou lá para procurar algo que ele esqueceu, algo que o incriminava e que infelizmente a gente deixou passar.
— Então você está solicitando uma nova vistoria no local?
— Exatamente. E quero também que o Charlie vasculhe novamente os arquivos dela. Tem algo lá Comandante, algo que o fez se arriscar a voltar.
— Tudo bem. Eu vou assinar uma autorização para que haja uma nova vasculha por lá, mas quem não vai gostar nada disso é o Secretário de Segurança. – Ele olhou para o telelink que estava em suas mãos e lembrou que a ligação que estava fazendo era segura. – Ora que droga. Ao inferno o secretário. Ótimo trabalho Bella. – Ele sorriu e desligou.
Enquanto seguia em direção a sua casa ela pensou mais uma vez em como ia fazer para evitar que mais uma pessoa fosse morta. Ele não ia parar agora, mas quem será a próxima vítima? Onde será e quando será?
Ela estremeceu de frio e quando entrou na garagem do seu prédio prometeu a si mesma que ia entrar em contato com o mecânico da polícia para que desse uma olhada no seu carro. Pena que quando isso acontecia ela ficava quase duas semanas sem ele, mas ela não ia ter saco para preencher papelada para ter que solicitar outro carro. Ainda mais que estava acostumada com todas as rabugices do seu carro atual.
Ela entrou no elevador e ficou pedindo forças do além para ter que enfrentar o transporte público quando estivesse sem o seu carrinho. Ela tinha que se lembrar de solicitar pessoalmente para que Charlie novamente olhasse os arquivos de Jéssica Stanley, ela tinha que se agarrar a esse fio de esperança.
Quando abriu a porta do seu apartamento ela já estava com a arma em mãos. Ela não gostou de todo aquele silêncio que havia lá dentro. Ela conseguia sentir que não estava só, que havia alguém dentro do apartamento dela. Bella apontava a arma em todas as direções e sentiu seus pelos arrepiarem-se. O silêncio e as sombras continuavam do mesmo jeito, mas um leve movimento nas sombras fez com que ela levasse o dedo até o gatilho e se preparasse para o ataque.
— Deve ser por isso que você é considerada uma das melhores. Você tem ótimos reflexos Tenente. – Edward falou para ela.
Ele ligou as luzes e levantou da poltrona onde esteve sentando enquanto a observava se movimentar e se preparar para um ataque.
— Você não vai atirar em mim não é? — Sorrindo ele perguntou com uma voz calma.
— Mas que merda você está fazendo aqui no meu apartamento?
— Ora Tenente. Estou esperando por você. – Ele continuava com os olhos grudados nela. – Se quiser verificar, vai constatar que eu estou totalmente desarmado.
Ela enfim colocou a arma de atordoamento no coldre.
— Eu realmente espero que você tenha ótimos advogados que possam tirar você da prisão Edward. E eu espero que eles sejam muito rápidos, por que antes que eles consigam piscar os olhos eu vou fichar você por invasão de domicílio e por roubo. – Ela falou quase soltando fogo pelas narinas. – Agora eu vou dar um segundo para você me oferecer um bom motivo para não coloca-lo para dormir em uma cela tudo pago pelo dinheiro da população.
Edward com os olhos em fenda começou a pensar se ele era louco por gostar tanto da forma rude e cruel com que ela o tratava.
— Eu não tenho bons argumentos, mas isso seria uma perca do seu tempo e do meu. Por que você não senta agora Bella, você está com um ar cansado.
— Pois então eu não devo perder meu tempo perguntado a você como conseguiu entrar aqui não é. – Ela tremia de raiva e estava doida para ver como ele ficava com umas pulseiras de algemas no braço. – Você é o dono dessa porcaria de prédio.
— Essa é uma das muitas coisas que eu gosto em você. Você não discute o óbvio.
— Mas eu tenho o direito de perguntar. Por quê?
— Você merece sim uma explicação. Bem, eu me peguei pensando em você desde o momento em que você saiu do meu escritório. Tanto em nível pessoal como em nível profissional. – Ele sorriu. – Bella você já comeu hoje?
— Ainda não entendi.
Ele foi em direção a ela e chegou bem próximo.
— No que diz respeito ao nível profissional, eu andei dando alguns telefonemas que talvez você ache interessante. Em relação ao nível pessoal... – Ele tocou levemente no rosto dela e fez um carinho com as pontas dos dedos. – Eu acho que gosto de ver você comendo.
— Que espécie de telefonemas e para quem?
Como uma criança mimada ela afastou o rosto da mão dele e deu um passo para trás.
— Com licença. – Ele tirou o telelink do bolso e teclou o último numero discado. – Pode mandar subir a comida que eu pedi. Obrigado. – Eu sei que você gosta muito de carnes, mas e quanto à massa, você tem algum problema?
— Não tenho problema com massa, mas tenho problema com quem acha que pode me manipular.
— Sabe que isso é outra coisa que eu gosto muito em você?
Ele voltou para a cadeira em que estava e sentou novamente.
— Você precisa relaxar mais Bella. – Ele falou enquanto tirava o cigarro do bolso.
— Você não me conhece, portanto não sabe do que preciso. Eu não disse que você podia fumar aqui dentro do meu apartamento. Você pode ser o dono do prédio, mas aqui dentro quem manda sou eu.
— Bella, Bella. Se você não colocou as algemas em mim por que eu invadi o seu apartamento, não vai ser por que eu estou fumando que você vai fazer não é. Eu trouxe um vinho que talvez você goste. Está em cima da mesa, você aceita uma taça?
— Ora seu... – Mas antes que ela concluísse a frase ela olhou em direção ao seu computador. E com raiva foi em direção a ele e acessou.
Ele ficou com raiva da atitude dela e não disfarçou nem um pouco.
— Não foi esperto de a sua parte achar que eu ainda estaria aqui esperando por você se eu realmente tivesse vindo aqui para mexer nas suas coisas.
— Não se faça de ofendido. Isso é bem a sua cara seu arrogante. – Ela verificou e viu que todos os seus dados estavam intactos desde a última vez que os acessou.
Ela olhou o pequeno pacote que estava em cima da mesa ao lado do computador.
— O que diabos é isso? – Ela perguntou apontando para o pacote.
— Não sei. – Ele soltou uma nuvem de fumaça. – Estava no chão quando eu entrei perto da porta e eu o coloquei em cima da mesa.
Mas a mente dela já sabia bem o que era aquilo. Tinha todas as características do primeiro embrulho. Ela sabia que se fosse assistir aquilo ela veria como Lua Star tinha sido morta.
Ele notou a expressão do rosto dela e isso o fez levantar e ir em direção a ela.
— O que é isso Bella? – Ele perguntou preocupado.
— Assunto da policia. Desculpe. — Ela foi em direção ao seu quarto e trancou-se lá dentro.
Ele franziu os olhos e resolveu servir as taças de vinho. Ela vivia com simplicidade, pensou ele enquanto olhava os objetos que tinham na cozinha.
Enquanto estava só no apartamento pensou em olhar o quarto dela, mas achou melhor não fazê-lo, não por respeito à privacidade dela, mas por que queria descobrir mais sobre ela através dela e não através dos seus objetos pessoais.
Mas pelo pouco que observou no apartamento ele descobriu que ela não ficava muito por ali. Ela devia passar muito tempo em seu trabalho.
Ele levou as taças até a sala e tomou um pouco da sua aprovando o sabor do vinho. Ele ia adorar decifrar Bella Swan.
Quando ela voltou para a sala ela viu que um homem arrumava a mesa com a comida, ela sentiu o aroma da mesma, mas isso não serviu para abrir seu apetite. Estava com dor de cabeça e não tinha mais remédio em sua casa para tomar.
Edward dispensou o homem e só quando se viu a sós com ela é que falou.
- Sinto muito pelo o que está mexendo tanto com você.
Ele via a palidez no rosto dela e viu o quanto sentia falta daquele olhar com raiva. Ela estava com um misto de tristeza e desespero nos olhos.
Ele foi em direção a ela, mas ela negou com a cabeça evitando com que ele se aproximasse mais. Mas ele não obedeceu.
- Preciso ficar sozinha Edward. Vá embora, por favor.
- É muito bom para você mandar-me embora. Eu não vou. – Ele passou os braços ao redor da cintura dela e a puxou contra seu corpo. Ele sentiu a negativa dela, mas manteve-a naquele abraço. – Fique quieta por um minuto apenas. – Ele falou com uma voz suave. – Você pode me contar?
- Não. – Ela suspirou e dessa vez ele sentiu todo o cansaço que vinha dela, ele sentiu que ela estava perdendo as forças para lutar, então ele estreitou mais ainda o abraço.
Ele sabia que ela não ia se abrir com ele e isso não devia ter importância para ele, mas tinha. Assim como agora ela era importante para ele.
- Você pode contar para mais alguém?
- Não existe mais alguém. – Ela falou cansada. Então percebeu que aquela frase poderia ser levada para outro sentido por ele.
- Não quis dizer que não há mais alguém...
- Eu sei Bella. Eu sei o que você quis dizer. Mas deixo bem claro pra você que por enquanto não existira mais ninguém para a gente.
Notas finais
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