Nudez Mortal
13 Novo amigo.
Notas iniciais
Espero que gostem e até depois.
FINAL DO CAPÍTULO ANTERIOR
Ele sabia que ela não ia se abrir com ele e isso não devia ter importância para ele, mas tinha. Assim como agora ela era importante para ele.
- Você pode contar para mais alguém?
- Não existe mais alguém. – Ela falou cansada. Então percebeu que aquela frase poderia ser levada para outro sentido por ele.
- Não quis dizer que não há mais alguém...
- Eu sei Bella. Eu sei o que você quis dizer. Mas deixo bem claro pra você que por enquanto não existira mais ninguém para a gente.
******
Bella ouviu o que ele disse e sabia que tinha que se afastar dele antes que fosse tarde demais.
Ela saiu do abraço dele e se distanciou.
- Você não acha que está contando com muita coisa como certa Edward?
- Não. Eu sei que nada nesse mundo é garantido. Você é o seu trabalho e isso pesa um pouco. Vamos jantar, a comida está esfriando.
Ela não tinha mais forças para argumentar, então se sentou e pegou o talher.
- Edward, você esteve no apartamento de Jéssica Stanley nessa semana?
- Não. Por qual motivo eu iria lá?
- Por qual motivo alguém iria lá? – Ela perguntou e o avaliou enquanto ele pensava.
- Para tentar refazer os passos do crime. Para ver se não havia esquecido nada incriminador.
- E você como dono daquele prédio também, não teria nenhuma espécie de problema para entrar lá da mesma forma que entrou aqui.
Ela viu novamente a irritação surgir nele. Ele devia está cansado de sempre ter que responder as mesmas perguntas. Cansado de negar algo que não fez. Era um bom começo para que sua inocência começasse a ser pensada.
- Isso mesmo. Não teria nenhum tipo de problema para entrar lá. Eu tenho uma chave mestra que me colocaria lá dentro sem nenhuma dificuldade.
A sua chave mestra não passaria pelo lacre de segurança colocado pela policia, pensou ela. A pessoa que entrou lá dentro tinha uma autoridade desconhecida por ela ou era muito esperto no que diz respeito a códigos de segurança.
- Você suspeita que alguém de fora da sua equipe esteve por lá.
- Sim. Quem elabora o sistema de segurança usado naquele prédio?
- Utilizo os serviços da Security, tanto lá como em minha própria casa. – Ele tomou mais um pouco do vinho. – Você deve saber que eu só utilizo produtos e serviços das Indústrias Cullen e a Security não é diferente.
- Isso está mais do que claro. Devo supor também que você seja um conhecedor dessa área de segurança, não?
- Digamos que eu gosto de me manter informado sobre esse assunto.
Ele pegou com seu garfo uma porção de massa e levou em direção à boca dela. Viu que ela não recusou a oferta de comida, mas notou como ela comia sem gosto. – Tenente, eu juro que estou quase confessando tudo só para ver você comer como da ultima vez. Mas creio que os crimes que eu cometi na minha vida, e não são poucos, não tem nada a ver com assassinato.
Ela começou a comer com mais vontade. Não era nem um pouco confortável ver como ele conseguia notar tudo o que sentia.
- O que você queria dizer quando afirmou que eu era o meu trabalho?
- Quis dizer que você pensa muito antes de agir, antes de tomar qualquer atitude. Você não gosta de agir por impulso, embora eu ache que você tenha alguns pontos fracos que podem ser usados para seduzi-la.
- É isso o que você quer fazer? Você quer tentar me seduzir Edward?
- Eu não vou tentar. Eu vou seduzir você. Não agora, não esta noite. Quero primeiro conhece-la melhor. Quero primeiro ajudar você no que você quer e você quer um assassino.
Ele a encarou profundamente e ela sentiu a pressão naquele olhar.
- Você se culpa pelo que está acontecendo Bella e isso não é correto, além do que é um ato que me irrita.
- Eu não me culpo por nada. – Rebateu ela com raiva.
- Você devia se olhar mais no espelho. – Ele devolveu para ela.
- Eu não poderia ter feito nada. – Ela gritou não conseguindo mais conter as emoções que estavam dentro de si. – Eu não tinha como fazer nada para impedir tudo o que aconteceu.
- E você acha que vai ser capaz de fazê-lo para agora?
- É isso que esperam de mim, que eu o faça parar.
- E de que maneira pretende fazer isso?
- Sendo astuta. – Ela empurrou a cadeira para levantar. – Fazendo o meu trabalho.
- E não é isso que você está fazendo desde que tudo isso começou?
Bella circulava pela sala enquanto as imagens passavam por sua cabeça. Todo aquele sangue. As duas garotas sendo mortas.
- Mais que droga. Agora as duas estão mortas e eu não tive como fazer nada para impedir.
- Bella, fazer com que um assassinato não acontecesse é impossível. Só se você conseguisse entrar na mente do assassino. Ninguém consegue viver com esse peso.
- Engano seu. Eu consigo.
E era verdade. Bella só não conseguia conviver com o sentimento de fracasso que estava tendo agora.
- Servir e proteger é o lema que me rege. Se eu não consigo fazer isso eu não consigo fazer nada. E eu não consegui protege-las. Eu só sirvo quando elas já estão mortas. Que inferno! Aquela garota era uma criança e ele a fez em pedaços. Eu não cheguei a tempo, não consegui. E eu deveria ter conseguido.
Ela foi tomada pelo choro. Não conseguiu segurar a barreira que represava toda tristeza e incapacidade que sentia. Deixou-se cair no sofá sem forças.
Ele foi até onde ela estava e a puxou pela mão. Não a abraçou por que sabia que isso a enfraqueceria mais. Ele a queria forte novamente.
- Se você não quiser falar comigo sobre isso eu entendo, mas vai ter que fazer isso com alguém. Eu não estou brincando Bella.
- Eu posso aguentar. Sei que posso... – Ele viu o resto das palavras se perderem dentro dela quando ele a sacudiu com força.
- E o que isso irá causar a você? – Gritou ele. – Qual o problema de deixar de lado por alguns minutos as regras?
- Eu não sei. Eu não sei.
Ela levantou e andou pela sala.
- Eu consigo vê-la. Sempre que fecho meu olhos ou não estou focada em meu trabalho.
- Me conte Bella. Confia em mim.
Ela foi até a mesa e pegou o cálice dela e o dele. Tomou um gole do seu e respirou fundo antes de viajar nas lembranças.
- Eu recebi a chamada quando estava a poucos metros de distancia do local. Tinha acabado de sair de outro caso. A Central comunicou todas as unidades que estavam na região e como eu estava quase em cima do local eu fui. Tratava-se de violência doméstica. Muitas pessoas gritavam do lado de fora quando eu cheguei.
A cena que ela procurou guardar no mais intimo de si, surgiu com mais força do que nunca. Como se estivesse vivenciando tudo ali, agora.
- Uma mulher que sagrava muito gritava desesperadamente. Havia vários vizinhos tentando acalmá-la, mas não estavam conseguindo. Eu solicitei a presença de uma ambulância para tratar os ferimentos que ela apresentava. Ela só sabia gritar que “ele a tinha levado”. Que “ele havia lavado a garotinha dela”.
Ela viu que não havia mais vinho na taça dela e pegou a dele e bebeu mais um gole.
- Ela foi para cima de mim, me sujando toda de sangue. Ela pedia que eu o impedisse que eu salvasse a garotinha dela. Eu tinha que pedir reforço nesse momento, mas não podia perder tempo. Então eu comecei a subir correndo as escadas. Eu já podia ouvir os gritos dele antes de chegar ao quarto andar onde ele tinha entrando em um apartamento. Ele estava gritando muitas coisas que eu não conseguia entender e eu acho que tinha conseguido ouvir a voz da garota, mas não tenho certeza se ouvi mesmo.
Bella fechou os olhos com as lembranças e pediu a Deus que a criança já estivesse morta. Pediu que a garotinha estivesse em outro plano livre de toda a dor. Ela não podia viver com aquela morte.
- Quando eu me aproximei da porta, utilizei o procedimento que é padrão na policia. Eu já sabia o nome dele e o da garotinha, então eu chamei por ele primeiro e depois chamei por ela. Identifiquei-me e falei que iria entrar. Mas ele continuava gritando, só que eu não ouvi mais a menina. No fundo eu já sabia. Antes de arrombar a porta eu já sabia que ela estava morta. Ele havia cortado a garotinha em várias partes. Ela estava retalhada.
Ela tremia enquanto contava para ele.
- Nunca vi tanto sangue sair de uma pessoa tão pequena. Havia sangue por toda parte. Conseguia ver o sangue pingando da faca. Ela estava no canto com o rostinho virando para mim. Ela era linda, Edward.
Ela ficou por alguns momentos em silêncio. Tentando reencontrar sua calma.
- Ele estava sob efeito de drogas pesadas. Não duvidaria que estivesse cheio de Zeus. A arma de choque não conseguiu fazê-lo parar. Ele continuava vindo para cima de mim. Então eu olhei bem dentro dos olhos dele e o matei.
- E logo depois você mergulha fundo em outra investigação de um crime. – Ele falou depois que ela contou tudo.
- Eu teria que fazer testes antes de voltar para a ativa, mas eles foram adiados, dentro de alguns dias eu irei fazê-los. – Ela falou como se não se importasse com os testes. – Creio que os psiquiatras vão achar que eu fui afetada emocionalmente e psicologicamente por ter matado aquele homem. Mas eu não estou abalada. Eu já aceitei o fato de que eu tinha que mata-lo. Era ele ou eu ali naquele lugar.
Ela olhava agora para o seu ouvinte e sabia que podia confiar para ele algo que não tinha sido capaz de confiar a si mesma.
- Eu queria mata-lo Edward. Eu precisava mata-lo. Eu fiquei feliz por matar e saber que ele não ia fazer aquilo com mais ninguém.
- E você acha que se sentir feliz por isso é errado? – Ele perguntou.
- É totalmente errado. Quando um policial fica feliz por matar alguém ele já está fora de qualquer limite ético.
Ele si inclinou na direção dela de forma que os rostos ficassem muito próximos um do outro.
- Qual era o nome da garotinha? – Ele perguntou para ela.
- Carol. – Ela deixou escapar uma lágrima de seus olhos. – Tinha só quatro anos.
Ele limpou a lágrima que o machucou mais do podia imaginar.
- Você acha que se sentiria bem com a morte dele se o tivesse feito antes dele a matar?
- Talvez eu nunca saiba essa resposta.
- Sim. Você sabe essa resposta. Ela está dentro de você.
Ele entrelaçou as mãos na dela e viu quando ela franziu a testa ao olhar para as mãos unidas.
Ela ficou surpresa com aquele gesto dele.
- Sabe Bella, eu passei a minha vida toda alimentando certa antipatia pela policia, por razões diversas. Não é incrível que agora eu tenha conhecido uma policial que me faz sentir respeito e uma atração enorme, tudo ao mesmo tempo?
Ela ergueu os olhos para ele, mas não conseguiu soltar as mãos dele. Na verdade ela não queria soltar.
- Vou tomar isso como um elogio. Um elogio bem diferente.
- Nós temos uma relação diferente Bella.
Ele se levantou do sofá e como as mãos ainda estavam unidas ele a puxou para coloca-la de pé também.
- Agora você está precisando dormir. Você esquenta mais tarde a comida e come melhor. Você não conseguiu comer nada.
- Obrigada Edward. Da próxima vez, vê se espera eu chegar em casa para entrar ok.
- Que evolução. – Ele falou indo em direção à porta. – Então quer dizer que haverá uma próxima vez. – ele sorriu e levou a mão dela até os lábios e depositou em cada dedo um beijo cálido.
Ele saiu e quando ela fechou a porta ela passou os dedos na roupa para ver se conseguia fazer parar o formigamento que ele causou.
Ela foi para o quarto tirando a roupa pelo meio do caminho. Jogou-se na cama e tentou dormir.
Mas antes de cair no sono, lembrou que ele não falou para quem havia ligado e se ele havia descoberto algo.
Notas finais
Gente o que vcs acham de me fazerem a primeira recomendação.
Tô precisando de uma para trabalhar melhor.
Bjinhos e comentem.
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