Nudez Mortal

14 Uma nova luz para o caso!


Notas iniciais
Oi meninas, falei que talvez não postasse esse final de semana, mas fiquei tão feliz com as duas recomendações que recebi que decidi postar.
Muito obrigada pelas lindas recomendações, Marieycullen e
amabea-chan, esse capítulo é pra vocês.

FINAL DO CAPÍTULO ANTERIOR

- Obrigada Edward. Da próxima vez, vê se espera eu chegar em casa para entrar ok.

- Que evolução. – Ele falou indo em direção à porta. – Então quer dizer que haverá uma próxima vez. – ele sorriu e levou a mão dela até os lábios e depositou em cada dedo um beijo cálido.

Ele saiu e quando ela fechou a porta ela passou os dedos na roupa para ver se conseguia fazer parar o formigamento que ele causou.

Ela foi para o quarto tirando a roupa pelo meio do caminho. Jogou-se na cama e tentou dormir.

Mas antes de cair no sono, lembrou que ele não falou para quem havia ligado e se ele havia descoberto algo.

******

Bella reviu o disco da morte de Lua Star junto com Charlie na sua sala de trabalho. Não se abalou com o leve estouro dado pela arma equipada com um silenciador. Seu sistema estava forte e não mais se remexeu ao ver a destruição que a arma fez na carne da vítima.

A tela ficou escura e novamente se acendeu, mas agora com a inscrição: DUAS DE SEIS. Depois a tela de apagou de vez.

Então sem comentar nada a Tenente colocou o disco da morte de Jéssica Stanley para rodar mais uma vez.

— E ai Charlie, o que você acha? – Perguntou quando a gravação acabou.

— Bom. As duas gravações foram feitas com a MicroCam Look, aquele modelo que custa aproximadamente oito mil dólares. Foi colocada no mercado a menos de três meses e como percebeu, ela é muito cara. Mais de doze mil delas foram vendidas aqui na cidade e ainda leva-se em conta as que entram na cidade por conta do mercado negro. Não é um número exorbitante se levarmos em conta as câmeras mais baratas, mas mesmo assim ainda é uma grande quantidade para rastrearmos. – Ele olhou para a amiga e parceira de trabalho. – Te dou um doce se você adivinhar quem é o dono da Fábrica que produz as Câmeras Look.

— As Indústrias Cullen.

— Compro o seu doce depois. E eu aposto que o poderoso chefão possui uma dessas para registrar seus momentos felizes.

— Certamente ele não teria problemas para ter uma dessas.

Bella pensou na sensação boa que sentiu quando Edward beijou seus dedos, mas procurou guardar isso lá dentro de si e pensar na investigação. Ele ainda era o suspeito principal.

— Então o assassino tem em seu poder um equipamento caríssimo, que poucas pessoas podem ter e que ainda é responsável por fabricar. Isso é uma espécie de burrice aguda ou uma arrogância extrema? – Bella questionou.

— Acho que a burrice não cai bem nele. – Charlie falou.

— Não. Não mesmo. E sobre as armas?

— Bem, localizamos mil armas como essas nas coleções particulares. – Charlie circulava pela sala enquanto repassava os dados. – Temos no total de duas mil e quinhentas armas aqui na cidade, isso só as que são registradas. – Ele sorriu com a informação. – O silenciador vai ser impossível rastrear por que ele não precisa de registro já que um silenciador não mata ninguém sem uma arma. – Ele se aproximou da mesa e sentou em cima dela. – Quanto ao primeiro disco que você recebeu de presente, eu andei assistindo. Descobri nele pequenas sombras e acho que ele gravou mais do que o assassinato. Só que eu não consegui recuperar nenhuma imagem ainda. O cara que editou o disco deve ser um gênio nesse tipo de recurso ou então é dono de um equipamento top em edição.

— E sobre as informações do laboratório?

— O Comandante Carlisle pediu que eles voltassem lá no apartamento e fizessem uma nova verificação por lá. – Ele olhou para ela e sorriu abertamente. – Graças a um ótimo trabalho seu Swan. Aliás, eles devem estar por lá agora. – Olhou no relógio. – Eu peguei os discos mais recentes de segurança do prédio e o disco de entrada do edifício e do apartamento e também os dos elevadores. Eles contem um buraco de meia hora. Todos por volta de duas da madrugada de anteontem.

— O safado voltou lá na maior calma. – Ela esbravejou. – A vizinhança de lá é horrível, mas o prédio é de classe. E ninguém reparou nele quando ele foi lá nas duas vezes. Ele deve ser um cara comum, que não chama atenção de ninguém.

— Ou então deve ser alguém acostumado a ser visto por lá. – Charlie falou pensando na hipótese.

— É, pode ser um cliente habitual dela. Mas o que eu quero entender é por que um homem que tem Jéssica Stanley, uma prostituta cara, bonita e experiente, foi atrás de uma prostitua jovem, inexperiente e sem classe como Lua Star?

— Vai ver ele gosta de variar de vez em quando.

— Não Charlie. Vai ver ele gostou tanto da primeira vez que matou que decidiu não escolher mais as melhores. Ele ainda tem mais quatro vítimas Charlie. Ele é um assassino em serie e falou isso logo de cara para nos mostrar que Jéssica não tinha a menor importância para ele assim com Lua Star. Mas se a vítima número um não tinha importância, por que ele teve que voltar lá?

— Talvez tenhamos alguma novidade quando a equipe terminar por lá.

— É Charlie, talvez. – Ela o empurrou de cima da mesa e foi em direção à porta. – Vou dar mais uma olhada na lista de clientes delas duas, preciso achar alguma coisa.

— Detesto ter que cortar o seu barato Swan. – Ele pegou um amendoim doce de um pacotinho que nunca faltava em seu bolso. – O Senador está exigindo novas informações sobre o caso.

— Não tenho nada a acrescentar para ele.

— Você não tem que dizer isso para mim, mas sim para ele. Hoje à tarde você vai fazer isso, lá em Washington.

— Você tá me zoando. – Ela parou com a porta aberta.

— Infelizmente não. O Comandante pediu que eu informasse isso para você hoje pela manhã. O ônibus aéreo que vai te levar sai às treze horas. – Ele pensou como detestava fazer essas viagens aéreas. – Sabe Swan. Eu odeio politica.

******

Bella ainda estava com raiva de Carlisle por ter enfiando ela nesse encontro. Ela entrou na zona de segurança do Senador Stanley que ficava do lado de fora da sala dele em Washington.

Depois de apresentarem as identificações para serem checadas, tanto Bella quanto Charlie foram revistados eletronicamente por um androide, e , segundo a nova Lei Federal de 2028, foram obrigados a deixar as armas do lado de fora da sala do Senador.

— Como se agente viesse aqui especialmente para eliminar uma força política em seu local de trabalho. – Charlie falou baixo com sua parceira enquanto iam sendo encaminhados por um tapete vermelho.

— Quer saber, eu ia me divertir muito se pudesse dar um susto neles aqui. – Ela falou enquanto parava em frente à porta do Senador e esperava ser liberada a entrar pela câmera interna.

— Acho que todos aqui em Washington ficaram desconfiados de todos que os cercam. Depois que vários políticos foram mortos naqueles atentados terroristas. – Charlie olhava com cara de paisagem para a câmera.

A porta foi aberta e lá dentro eles viram a dupla inseparável. Michael Steve, o assessor e o Senador Stanley.

— Capitão Charlie, Tenente Swan fiquem a vontade. Quero agradecer por vocês se colocarem a disposição para nos atender.

— Sebe Sr. Steve eu não sabia que o Senador era assim tão chegado ao meu chefe e nem que eles estavam assim com tanta vontade de gastar o dinheiro dos contribuintes com uma viagem tão... Sem sentido. – Bella falou ao entrar na sala.

— Talvez eles vejam o que você não vê. A justiça cobra um preço incalculável. – Michael indicou a mesa de madeira de lei onde Stanley estava os aguardando.

Bella observou que o Senador estava bastante feliz pela ultima modificação feita na Lei do Mandato duplo. O que indicava a Legislação atual era que um político podia manter seu cargo até sua morte. Tudo o que tinha que fazer era conseguir votos suficientes de seus eleitores durante as eleições.

Ele se achava um rei. Sua mesa estava na parte alta da sala e as cadeiras dos visitantes ficavam na parte baixa, de frente para a mesa, de forma subserviente.

— Sentem-se, por favor. – Ele ordenou e passou a vista pelos dois visitantes. – As informações que estão chegando para mim são as mesmas de sempre. Que vocês não avançaram um centímetro sequer na direção do assassino monstruosos que fez isso com a minha neta. – Ele cruzou as mãos em cima da mesa. – Isso me impressiona bastante, levando em consideração todos os recursos que a Policia de Nova York tem em mãos.

— Senador Stanley... — Bella tentava lembrar-se das palavras ditas pelo Comandante Carlisle: Respeito, ter tato e não contar nada que ele já não soubesse. – Nos estamos fazendo o possível para conseguir provas concretas. Embora não tenhamos conseguido chegar a uma pessoa especifica estamos dando o melhor de nós para conseguir levar esse assassino para as mãos da Justiça. Eu estou dando o melhor de mim.

O Senador esperou que ela terminasse o pequeno discurso e se inclinou em direção a ela.

— Tenente, eu estou nessa vida enrolando as pessoas há muito mais tempo que você tem de idade, então não me venha com esse papo. Vocês não estão perto de chegar nem perto do cheiro do assassino.

Bella bufou. Que se exploda o tato.

— Estamos no meio de uma investigação extremamente complicada não somente pela forma que o crime ocorreu, mas também pela família da qual a vítima faz parte. O meu Comandante confia em mim inteiramente para realizar esse trabalho.

Respirando firme para se controlar ela continuou.

— Eu imagino o que você deve está sentindo e sei que você é capaz de compreender que a investigação precisa de todo o meu tempo e essa viagem foi uma perca dele. – Ela levantou e acrescentou entes de ir em direção à porta. – Com licença, mas eu não tenho nada de novo para acrescentar para o Senhor.

Charlie levantou também para segui-la e com um olhar de quem estiva com medo de levar bronca se dirigiu ao Senador.

— Tenho certeza Senador que o Senhor compreende que a investigação corre lenta para que não seja perdido nenhum detalhe. Detalhes que são de estrema importância para colocarmos o assassino atrás das grades. É difícil pedir que o senhor se contente com tão pouco, mas eu e a Tenente Swan estamos sendo os mais objetivos possíveis.

Antes que Bella saísse da sala, o Senador fez sinal para que ela voltasse e sentasse novamente. Charlie também sentou.

— É claro que minhas emoções vão falar mais alto em alguns momentos dentro dessa conversa. Jéssica fazia parte da minha vida e por mais que ela tenha escolhido desapontar a família seguindo essa vida medíocre, ela era sangue do meu sangue. – Passou a mão nos olhos na tentativa de afastar o cansaço deles. – Não posso só ouvir de vocês as partes de um todo.

— Mas não tem nada de novo na investigação. – Bella repetiu mais uma vez.

— Vocês não me falaram nada sobre a outra mulher morta. Ela era uma acompanhante também.

— Lua Star. – Acrescentou Michael.

— Vejo que a fonte que informou para vocês esses dados sabe tanto quanto nós. – A tenente se dirigiu diretamente ao assessor. – nós somos levados a acreditar que os dois crimes tem uma ligação.

— Minha neta perdeu o rumo na vida sim, mas não significa que ela mantinha laços entre esse tipo de pessoa.

Ora, ora, Bella pensou, existia segmentos de classe dentro do mundo das prostitutas. Que novidade.

— Ainda não confirmamos que elas se conheciam ou mantinham contato. O que sabemos é que elas conheciam um mesmo cliente que as matou. Ele usou um mesmo padrão nas duas mortes e estamos estudando esse padrão. Estamos esperando que ele faça um novo ataque.

— Vocês tem certeza de que ele agira novamente. – Michael confirmou.

— Sim. Tudo leva a crer que sim.

— A arma usada no segundo assassinato – perguntou Stanley – era igual à outra?

— É o mesmo padrão. – Bella não estava disposta a revelar mais nada. – Existem ações iguais nos dois crimes e isso nos leva a crer que foi o mesmo homem que cometeu os dois. – Ela levantou da cadeira em sinal de que havia encerrado. – Senador, eu não conhecia sua neta, mas me sinto ofendida com a morte dela. Vou atrás desse homem até colocar minhas mãos nele. Eu prometo.

O Senador a encarou e viu muito mais nela do que havia visto na ultima vez.

— Obrigado por terem aceitado virem até aqui.

Antes de passarem pela porta a Tenente viu pelo espelho o Senador fazer um gesto para Michael e viu quando este confirmou com a cabeça.

— Nos vamos ter companhia daqui pra frente. – Bella murmurou.

— O que?

— Vamos ser seguidos. O Senador pediu que o seu cão de guarda nos vigiasse.

— Mas por quê?

— Por que ele quer saber para onde vamos, o que vamos fazer. Ora Charlie por que colocam alguém para vigiar as pessoas? Vamos fazer um joguinho com eles. – Ela acenou para um táxi que estava passando. – Vamos ver se ele vai seguir você até Nova York.

— Me seguir? E você vai para onde Swan?

— Vou seguir meus instintos.

Não foi difícil. A parte sul do terminal de embarque da Transport S.A estava sempre cheia de gente e ficava muito pior quando era a hora de final de expediente dos trabalhadores. Tanto o transporte público quanto asaeronaves e veículos terra e ar pertencentes a particulares iam formar um grandeengarrafamento.

Bella se misturou no meio da multidão e pegou um transporte que a levaria até Virginia.

Pegou seu teleguia no bolso e pediu o endereço de Elisa Forbes e perguntou como fazia para chegar lá. Seu faro não a enganava e se estivesse com sorte hoje talvez voltasse para casa antes da hora do jantar.

Mexendo com os controles da tela que estava a sua frente no vagão, ela passava pelas manchetes das notícias até que uma delas chamou sua atenção.

Edward Cullen, sempre surgindo de varias formas em sua vida, ela ligou o áudio e colocou os fones no ouvido para ouvir o que dizia a notícia.

“... Neste projeto as empresas Cullen, Mitsui e Euroamerica vão se unir em um trabalho multibilionário. Já haviam se passado mais de quatro anos, mas enfim o tão aguardado Apollo Resort vai finalmente sair do papel.”

Bella buscou em seus arquivos mentais para saber se já havia escutado algo sobre esse empreendimento. Sim. Ela já havia ouvido algo sobre o grande centro de entretenimento para os poderosos e ricos do mundo. Uma estação espacial completa para servir, oferecer entretenimento e lazer para quem pagasse bem.

Era bem a cara dele gastar dinheiro com algo assim, ela pensou.

“Sr Cullen, uma pergunta, por favor.” Um reporte jovem falou.

Bella viu que ele olhou para o repórter e apenas levantou uma sobrancelha. Ela reconhecia aquele sinal, sinal de impaciência.

“Pode nos informar por que você gastou tanto esforço, seu tempo e uma boa quantidade do seu capital para realizar um projeto que muitos acreditam que não vai dar certo?”

“Tenho certeza absoluta que vai dar certo e é um dos meus passatempos favoritos gastar meu tempo, esforço e principalmente meu dinheiro em algo que vai proporcionar diversão.”

Bella sorriu com a forma que ele respondeu e quando olhou para cima da poltrona viu que quase tinha perdido sua parada. Correu em direção à porta do vagão empurrando as pessoas que estavam na sua frente e xingou mentalmente o computador do trem que a advertiu por estar correndo dentro dele.

Quando saiu da estação viu que havia começado a nevar e sentiu quando os flocos caiam por seus cabelos. Chamou o táxi e enquanto seguia em direção ao seu destino admirava as paisagens.

Ela ainda viu muita paisagem rural pelos caminhos que seguia. E sabia que só quem tinha muito dinheiro podia se dar ao luxo de morar em um lugar assim. E Thomas Stanley e Elisa Forbes podiam se dar a esse luxo.

A residência onde os pais de Jéssica Stanley moravam tinha dois andares e era revestida por tijolos vermelhos e cercada por árvores naturais.

O portão era de ferro decorado e por mais que parecesse simples a Tenente tinha certeza que era mais seguro do que o cofre de um banco. Bella colocou a cabeça para fora do táxi e colocou o distintivo na frente do scanner da câmera para ser identificado.

— Tenente Swan. Comando de policia de Nova York.

— Lamento informar que o seu nome não consta na lista de pessoas aguardadas para hoje, Tenente Swan.

— Sou a detetive responsável pelo caso Stanley e preciso fazer algumas perguntas para a senhora Forbes ou para o senhor Thomas Stanley.

Houve alguns minutos de silencio e Bella rezou para que fosse logo recebida antes de morrer de frio.

— Por favor, Tenente Swan, desça do carro e chegue mais próxima ao scanner para que possamos identifica-la melhor.

Ela desceu e ficou de frente para o scanner.

— Confirmação feita. Libere o táxi e aguarde enquanto vamos buscar a senhora.

Ela pegou umas fichas de crédito para pagar o táxi e o dispensou.

— Estou com o número do seu carro e ligarei quando precisar que você venha me buscar. – Ela falou para o taxista.

Bella sentia que suas orelhas começavam a congelar quando viu um pequeno carro elétrico se aproximar e viu quando o protão começava a se abrir.

— Entre no carro. A Senhora Forbes vai recebê-la.

Ela entrou no carro e foi dirigida até a porta da casa. Antes mesmo de chegar perto ela se abriu e ela viu muitos empregados de preto. Ou a família gostava de vesti-los assim ou ainda estava de luto.

Bella viu o quão enorme era a casa por dentro. Ostentava uma riqueza antiga e certo ar de solidão. O Arquiteto que projetou a casa deve ter notado a vontade de estar só dos moradores.

— Tenente Swan. – Elisa se dirigiu à Bella com uma tristeza que tentava esconder atrás da maquiagem bem feita. Mas a Tenente sabia reconhecer quando uma pessoa estava abalada emocionalmente.

— Obrigada por me receber. – Bella falou suavemente.

— Meu marido está lá dentro em uma reunião de trabalho. Se for necessário eu posso pedir que ele venha também para essa conversa.

— Não será necessário.

— A senhora veio até aqui por causa da minha filha Jéssica?

— Sim. Exatamente por isso.

— Por favor, fique a vontade. – Elisa Forbes indicou uma poltrona de madeira revestida com estofado escuro. – Aceita algo para beber?

— Não, obrigada. Espero não tomar muito do seu tempo senhora, mas eu não sei o quanto você leu dos meus relatórios, então...

— Li tudo. Queria me manter informada de tudo. – Elisa interrompeu. – Eu sou uma advogada e notei que o seu relatório estava bastante completo. Tenho certeza de que quando colocar as mãos em quem fez isso vai conseguir segura-lo por muito tempo na prisão.

— Pretendo fazer isso. – Bella notava o quanto ela estava nervosa. Ela não parava de retorcer as mãos. – Sei que o momento é difícil para a senhora.

— Ela era minha única filha. – Ela falou isso com os olhos marejados.

A Tenente percebia o esforço que ela fazia para não se tornar fraca.

— Eu e meu marido somos adeptos da política de natalidade, somos dois pais...

— Com apenas um herdeiro. – Bella completou.

Lisa soltou um pequeno sorriso triste.

— Você tem algo novo para me informar Tenente?

— Não. Preciso apenas fazer algumas perguntas. A profissão escolhida por sua filha causava alguma espécie de desentendimento na família?

— Essa não era exatamente a profissão que eu pensei para ela, mas ela que escolheu e eu só tive que aceitar.

— O seu sogro, como um político, deve ter se colocado contra isso.

— As ideias do Senador sobre as Leis que regem os assuntos sexuais são conhecido por todos. Ele como um político conservador está trabalhando para muda-las.

— A senhora aceita as ideias dele?

— Não. Mas eu não vejo o que isso influencia na questão.

Bella percebeu todo o atrito que existia naquela família e se perguntava se a advogada séria e despojada aceitava as ideias do sogro prepotente.

— Sua filha pode ter sido morta por algum cliente, ou algum amigo intimo dela. Como a senhora não aprovava a vida que ela escolheu para seguir, talvez fosse difícil ela conversar com você sobre possíveis problemas que ela estivesse tendo.

Elisa não conseguiu conter a lágrima que escorreu.

— É verdade Tenente. Jéssica me contava poucas coisas e quando o fazia era para me chocar. Ela estava longe de mim e do pai dela, na verdade da família toda.

— Então a senhora não poderia me dizer se ela estava se envolvendo com alguém? Alguém que fosse muito ciumento?

— Não. Na verdade acho isso meio impossível. Jéssica tinha um total desprezo pelos homens. Ela sabia como atraí-los e usa-los. Eles eram descartáveis para ela. – Ela respirou fundo para se acalmar com tantas lembranças da filha. – Desde muito nova ela era assim.

— Esse desprezo que a senhora afirma que ela tinha é um bom motivo para que a licença que ela tinha fosse cancelada. Durante as avaliações que ela fazia todo mês, como ela conseguia esconder esse sentimento?

— Ela era uma mulher esperta. Não havia nada na vida dela que ela desejasse e não conseguisse. Com exceção da felicidade. Minha filha não era feliz. Ela tentava esconder mais eu como mãe sentia. Eu a mimei muito e queria passar para ela todo o amor que eu sentia dentro de mim. – Elisa falava, mas um bolo em sua garganta ameaçava fazer suas emoções transbordarem a qualquer momento. – O Senador falava que eu a mimava e que isso ia estraga-la e era verdade.

— Você tinha todo o direito do mundo de desempenhar o seu papel de mãe e o Senador não tinha nada a ver com isso.

Elisa sorriu com essas palavras e isso aliviou muito mais a Tenente. Bella não sabia como lidar com as emoções das pessoas.

— Eu cometi muitos erros com ela e o Thomas também embora tivesse um amor tão grande quanto o meu. Quando ela informou pra gente que ia morar em Nova York ele brigou com ela e eu a ameacei. Isso a afastou mais ainda de mim. Ela falava que eu não a entendia e que talvez nunca fosse entendê-la. Ela dizia que eu só conseguia ver aquilo que fosse útil para mim e que isso só acontecia quando eu estava em um tribunal.

— O que ela queria dizer com isso? – Bella perguntou.

— Que eu era melhor como advogada do que como mãe. Quando ela se foi eu me afastei, fiquei magoada com ela. Achei que com isso ela se arrependesse e me procurasse, mas ela não o fez.

Parou um instante para se recuperar. Depois continuou.

— Thomas foi vê-la em Nova York umas três vezes, mas ele só ficou mais irritado com a situação. Acabamos por desistir e deixamos Jéssica viver como queria. Depois, mas recentemente eu fiz outra tentativa.

— E por que só agora, recentemente?

— Por que eu achei que com o passar do tempo ela fosse se cansar dessa vida. Achei que ela sentiria falta da família. Fui lá há mais ou menos uns oito meses atrás, mas ela me destratou. O pai dela tentou ir lá de novo, mas ela não quis recebe-lo. Até a tia dela tentou. Nichole foi lá há algumas semanas atrás. – Elisa massageava as têmporas para ver se conseguia aplacar a dor de cabeça que estava sentindo.

— A Deputada Stanley foi até Nova York para ver a sobrinha.

— Não especificamente. Ela foi para tratar de assuntos de política e eu pedi que ela fosse lá para tentar trazer minha filha para mim de novo. Tinha uma leve esperança que Nichole conseguisse alguma coisa por ser da família.

— Senhora Forbes...

— Tenente eu sei que deixei minha filha se afastar de mim, massa eu nunca fui uma mãe que ficasse olhando escondido o diário da filha.

— Diário? – Bella sentiu a esperança surgir – Jéssica tinha um diário?

— Sim. Sempre teve. Vivia mudando a senha dele para caso alguém o descobrisse.

— E adulta, sua filha ainda mantinha esse hábito?

— Sim. Ela soltava algumas coisas sobre ele. Dizia que as pessoas que estavam nele ficariam com medo das coisas que ela escrevia sobre eles.

Bella repassava a informação pela mente em uma velocidade inacreditável. Não havia nenhum registro sobre diário nos arquivos feitos sobre as coisas dela. Um diário podia ser tão pequeno quando um estojo de maquiagem e se a policia não havia encontrado na primeira vez, onde ele esatva?

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo..
Onde está esse diário??????????