Por Elisabeta

Alguns dias se passaram e a saudade que eu sentia de Darcy só aumentava, não via a hora de tê-lo novamente ao meu lado. Às vezes parecia que eu sentia seu cheiro em alguns lugares, tudo o que fazia me lembrava ele.

Decidi ir conversar com Jane, falar com a minha irmã me fazia bem, ela sempre via o lado bom de todas as situações. Mas ao chegar lá vi que Jane estava chorando, a princípio pensei que era por preocupação com nossa irmã Cecília, mas com a falta de respostas percebi que havia algo a mais, notei que ela segurava uma folha de papel e claro que só poderia vir de lá o motivo. Peguei o papel das mãos da minha irmã e comecei a ler, já nas primeiras linhas congelei, a carta era de Darcy endereçada para Camilo, contando a ele detalhes da noite que passamos juntos. Eu me senti completamente humilhada com as palavras que Darcy proferia a meu respeito. Como uma pessoa que a dias atrás me fazia sentir a melhor pessoa do mundo poderia mudar dessa forma? Me rebaixar e me julgar dessa maneira, uma maneira baixa, suja e escondida. Estava decepcionada demais e me sentindo injustiçada, não queria ter que acreditar. Chorei tanto e Jane ficou ao meu lado me consolando, até que me veio uma ideia, e decidi tomar uma decisão.

— Calma Elisa, acredito que você deveria procurar Darcy, conversar com ele e esclarecer esse mal entendido. — disse Jane tentando mais uma vez encontrar uma justificativa.

— Não há mal entendido, Jane, não foi ninguém que me contou, eu vi com meus próprios olhos, toquei, eu mesma li, aliás, você também viu e leu. É a letra de Darcy em todas as linhas e com aquelas palavras horríveis a meu respeito.

— Eu sei, Elisa. Mas não consigo acreditar, vocês pareciam tão apaixonados, Darcy te olhava sempre com tanta admiração.

— Ele é um fingido, um mentiroso! Eu pensei que ele me amasse, Jane. Por isso me entreguei a ele, e olha o que ele fez comigo. Eu não vou conseguir olhar na cara dele nunca mais — disse chorando — eu só quero ir embora daqui, pra bem longe dele.

— Como assim, Elisa? Você vai desistir dos seus sonhos? Vai voltar pro Vale? Eu não estou entendendo minha irmã — disse Jane aflita.

— Não, desistir jamais, e não, não voltarei para o vale. Vou para outro lugar, mas não quero que ninguém saiba, vou refazer a minha vida longe. Mas não se preocupe sempre mandarei correspondência para você.

— Elisa, você não pode tomar uma decisão assim, sem pensar, no calor do momento.

— Eu nunca fui de pensar muito, eu apenas sigo os meus extintos e eles me dizem que nesse momento preciso me afastar, principalmente de Darcy, se eu ficar aqui não sei o que pode acontecer com todo esse amor que sinto por ele, mesmo sabendo que ele não merece, não quero ter odiá-lo, entende? Eu preciso me manter afastada, vou seguir em busca dos meus sonhos sem nada para me atrapalhar. Amanhã mesmo irei.

— Aí Elisa, não gosto nada dessa história, você sair, ir pra um lugar que nem sei qual é, sem saber como você está. Como vou viver aqui em São Paulo sem você? — Jane dizia querendo chorar.

— Tudo vai se acertar minha irmã, você tem Camilo e eu mandarei notícias sempre. Só me prometa não deixar Camilo saber, ele é amigo de Darcy não quero correr o risco dele me encontrar.

— Tudo bem, te amo Elisa!

— Também amo você, Jane! Obrigada por estar aqui comigo!

Abracei Jane com força, ela me ajudou a fazer as malas e depois de algum tempo nos despedimos. Eu iria para uma cidade próxima, mas com muitos habitantes, esperava que isso fosse o suficiente para que ninguém me encontrasse. Seria apenas por um tempo, precisava esquecer Darcy, e se continuasse ali e o visse sabia que seria difícil. Mas antes de me deitar resolvi escrever uma carta para Darcy, senti que era necessário.


Darcy,


Quando essa carta chegar às suas mãos eu já estarei longe de São Paulo, longe de você. Eu nem sei porque estou escrevendo essa carta, você não merece tal consideração.

Eu preferia ter que dizer todas essas palavras olhando nos seus olhos, mas não acho possível que nos vejamos mais, a nossa relação me mostrou que até o momento, eu nunca me conheci, eu não imaginava o quão tola eu poderia ser diante de uma índole tão perversa e hostil como a sua.

Você disse que me amava, mas agora vejo que tudo não passou de uma grande mentira para me enganar, com o propósito definido de me ganhar como um troféu e espalhar minha honra aos amigos. Mas quero que fique ciente de que tudo o que me acusou naquela maldita carta não é a verdade, não foi interesse o que me moveu a tomar a atitude de me entregar a você, foi o amor, o amor que infelizmente sinto por você e que acreditava que você também sentia por mim, esse mesmo amor que farei de tudo para esquecer.

Mas deixo aqui registrado o quão decepcionada estou, eu realmente não espera isso vindo de você, pensei que havia mudado, mas pelo que vejo você continua sendo o mesmo Darcy de nosso primeiro encontro, arrogante e presunçoso. E eu não posso tolerar ser tratada com tamanha falta de respeito, por isso, estou partindo.. indo em busca de paz. Uma paz que você disse que eu teria, mas não foi capaz de me dar.


Peço que nunca mais me procure, me deixe viver em paz.

Elisabeta Benedito.

Selei o envelope e me deitei com o intuito de dormir, mesmo sabendo que não conseguiria pregar os olhos nesta noite. Meus olhos ardiam motivados pelo meu choro constante, e foi assim que aos poucos fui acalmando e consegui finalmente adormecer. Amanhã o dia seria cheio e, bem cedo antes de partir deixaria o envelope com Charlotte e aproveitaria para me despedir dela, mesmo que ela não soubesse que seria uma despedida.

Notas finais
Muito obrigada a todos que estão acompanhando, é muito importante. O que estão achando da história?