Novos Rumos
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Por Darcy
Eu deixei Elisabeta nesta manhã com um aperto no peito, nós passamos uma noite maravilhosa juntos e tudo o que eu mais queria era ter ela ao meu lado em todos os momentos. Mas sabia que as coisas não eram tão simples assim. Então rumei para o Vale, queria resolver tudo o mais rápido que eu pudesse e retornar para perto do amor da minha vida o mais breve possível.
Quando cheguei ao Vale já estava anoitecendo, então decidi por ficar em casa. Quando encostei minha cabeça no travesseiro a imagem de Elisabeta me veio à mente, seu sorriso, seu corpo quente junto do meu, o gosto da sua boca.. eu estava completamente apaixonado pela minha própria namorada e não conseguia parar de pensar nela nem por um momento sequer.
No dia seguinte, logo cedo rumei para a ferrovia, precisava analisar alguns relatórios, fazer algumas anotações, acompanhar o andamento. Também tinha que reunir com Julieta.. enfim, havia muito trabalho a se fazer.
Alguns dias se passaram, e depois de já ter resolvido tudo o que vim fazer no Vale, decidi que era a hora de retornar a São Paulo e assim que cheguei não pensei duas vezes, fui direto para o cortiço encontrar o meu amor. Bati na porta do seu quarto várias vezes mas ninguém atendeu, estranhei e pensei que talvez ela pudesse estar com Jane, afinal, elas passavam horas conversando. Quando Jane abriu a porta com um olhar nada amigável um frio correu pela minha espinha, alguma coisa estava acontecendo.
— O que você está fazendo aqui? — Jane dizia com a cara fechada, de um jeito que nunca havia visto, ela era sempre tão doce, decidi ignorar o fato.
— Elisabeta está aí? — a respondi com outra pergunta, não me continha de tanta saudade, queria ver Elisa logo.
— Como você tem coragem de perguntar uma coisa dessas, Darcy? Depois de tudo o que você fez a minha irmã!! — Jane elevou sua voz e então Camilo apareceu no meu campo de visão, atônito, e então o mesmo olhar que estava em Jane pairou sobre meu amigo.
— Calma meu amor, deixa que eu resolvo isso. — Camilo disse se dirigindo à Jane e voltando-se para mim — E Darcy, não se faça de desentendido, que decepção meu amigo, eu não esperava aquilo vindo de você, e ainda me aparece aqui com essa cara mais lavada perguntando por Elisabeta. Por favor, vá embora. — ele disse com frieza.
— Camilo, o que está acontecendo? Porque estão me tratando assim? O que fiz? Onde está Elisabeta?
Camilo se direcionou até a mesa de cabeceira e retirou de uma das gavetas um papel, uma carta e me entregou.
— Quem tem que dar explicações aqui é você, Darcy! Fique com isso, não sinto o menor prazer de guardar essa carta baixa escrita por você! Agora vá embora, Jane está muito abalada.
Dizendo isso ele fechou a porta na minha cara. Eu me sentia perdido, não entendia o que estava acontecendo, porque Camilo e Jane me tratavam com tamanha frieza? Abri o papel que ele me dera e comecei a ler, congelei no meu lugar, meu coração batia desritmado, o que era aquilo? Uma carta com o meu nome, endereçada a Camilo, contando sobre a noite que passei com Elisabeta de maneira totalmente distorcida, e com a minha letra. Eu não escrevi isso. Jamais escreveria isso a respeito do meu amor. Quem poderia ter tido atitude tão vil a ponto de fazer aquilo, e a troco de que?
A cada minuto que passa fico mais aflito, onde Elisabeta estaria? Decidi mais uma vez ir ao seu quarto, bati na porta e mais uma vez não obtive sucesso. Então fui para casa.
Ao chegar Charlotte me recebeu com um enorme sorriso e um abraço, mas eu não conseguia me sentir feliz, eu me sentia perdido.
— Meu irmão que saudade! Que bom que está de volta. — Charlotte disse animada mas parece que percebeu o meu humor — Que carinha é essa, Darcy? O que houve?
— Eu não sei, Charlotte. Realmente não sei, estou me sentindo perdido. Fui até o cortiço atrás de Elisabeta mas não a encontrei, então fui até o quarto de Camilo talvez ela pudesse estar lá, mas fui recebido com um olhar de indiferença vindo do meu amigo e de Jane. Camilo me deu isto — entreguei a carta a Charlotte — eu não sei de onde isso saiu, eu nunca escrevi isso.
— É a sua letra Darcy — ela me olhava com desconfiança — e falando coisas horríveis a respeito de Elisa, você conhece a minha história com Uirapuru, sabe o quanto sofri, porque fez o mesmo com Elisa, Darcy?
— Charlotte, você precisa acreditar em mim, eu não escrevi isso, eu jamais falaria dessa forma. — meus olhos ardiam eu estava chorando sem nem perceber — Eu preciso encontrar com Elisabeta, esclarecer esse mal entendido, antes que seja tarde, mas não sei onde encontrá-la.
Charlotte fez uma careta como se estivesse se lembrando de algo.
— Espera Darcy acho que já sei. — Ela saiu correndo subindo as escadas e minutos depois retornou me entregando um envelope — Elisa esteve aqui há alguns dias e me pediu para te entregar essa carta quando você chegasse, ela estava estranha, talvez essa carta esclareça sobre seu paradeiro.
— Obrigada Charlotte! — disse simples, e ela veio até mim e me abraçou.
— Eu acredito em você, meu irmão. E logo você esclarecerá tudo com Elisa, aposto que ela também acreditará em você e voltarão às boas, e eu a ser a vela oficial enquanto vocês se beijam com paixão — disse animada, indo para o seu quarto.
E pela primeira vez desde cheguei, sorri. Subi as escadas e fui para o meu quarto, abri o envelope e comecei a ler. Não podia acreditar no que estava ali, Elisabeta não só tinha conhecimento da carta como também estava decepcionada, ela havia acreditado que aquilo fora escrito por mim. E o pior de tudo, ela havia me abandonado, ela foi embora.. eu não consigo mais segurar meu choro, estou soluçando alto, Elisa, minha Elisa estava magoada, o amor da minha vida havia ido embora.. não consigo acreditar, não pode ser verdade.
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