Novos Horizontes
3 Discovering my powers
Notas iniciais
Acordara ainda no chão da sala, a Clara pegou os meus ombros e me chacoalhava o máximo que podia.
— Acorda, acorda! Você não vai voltar p... – Ela deu um sorriso triunfante. – Viu! Chacolhar sempre funciona!
— Então por que não funcionou três meses atrás?
— Falha técnica. – Ela me ajudou a sentar no sofá. – Agora pode nos explicar calmamente QUE PORRA FOI AQUELA?
— O que ela quer dizer e que pode nos explicar como você pode brilhar sem explicação. – Ela disse como se algum dia ela já tivesse visto algo parecido. Lembrei quando fui sequestrado, de como os bandidos se tratavam como soldados, e uma lembrança que eu tinha certeza que não era minha.
FlashBack On
Estava correndo, tinha uma garota de cabelos negros e olhos azuis, nunca vira algo como os olhos dela, senti que devia protegê-la a qualquer custo. Vi uma aranha caminhando tranquilamente pela parede, aquilo devia de servir. Peguei-a, minha mão brilhara e senti o meu corpo formigar levemente. Depois de correr mais um pouco, quase fomos atingidos por um cara no lustre, ele tinha uma arma de dardos tranquilizantes, devia ter uns dez corpos naquela sala. Um dos dardos atingira a morena, me levando ao chão junto dela, ele não podia tê-la acertado, aquilo não sairia barato. Levantei, precisava chegar até uma parede próxima. Ela segurou a minha mão, não queria que me arriscasse, mas me desvencilhei dela e corri até uma das paredes, subindo-a, mesmo sem qualquer apoio, como se aquilo fosse natural. Aproximei o máximo que pude dele, ele notara a minha presença e atirou em mim, não antes de cuspir no seu rosto. Geralmente os venenos das aranhas tem agentes paralisantes, aquele em especial era apenas isso. Ele atirou, o tiro acertou o meu ombro e eu caí, não antes de vê-lo cair, completamente paralisado. Ela se aproximara de mim, sentia meu corpo doer em diversos pontos, os últimos segundos focara naqueles olhos azuis.
FlashBack Off
— Então, toscamente falando, você é o garoto aranha, tipo o Peter Parker?
— Não exatamente. – Olhei para a minha mão. Era esse o meu poder? Não, no fundo eu sabia que era muito mais. Minha mente estava focada em apenas uma coisa: quem era aquela garota? Ela de alguma forma parecia importante pra mim, só não sabia como. “Esquece, isso deve ser apenas uma ilusão da sua cabeça oca.”
— ... Podíamos ir lá fora testar os seus poderes. Paulo!
— É, a gente pode testar lá fora.
— Tá tudo bem?
— Tá sim. – Levantei-me e caminhei até a parte de trás da casa, lá tinha uma enorme varanda, com algumas redes, uma bela piscina e área pra churrasco, além de um pomar. A casa dava pros fundos de uma reserva ambiental, pelo que eu soube faz parte do que restou da mata Atlântica. Ela era linda, desde quando meu pai comprara este lugar, entrar dentro daquela floresta se tornou o meu passatempo favorito. Fiquei a alguns metros da piscina, por algum móvito estranho queria ficar o mais distante dela possível. A Clara sentou em um dos puffs da varanda com o seu notebook no colo e a câmera em mãos.
— O que você já sabe fazer? – Ela ligou a câmera. – Tem algum problema se eu gravar? – Eu fiz que não com a cabeça. – Então ótimo! E... gravando.
— Meu nome é Paulo. Pra quem não me conhece, acredite, eu sou uma pessoa comum. Ou ao menos eu era. Mas, ocorreu um acidente, não sei o que aconteceu depois disso, mas fiquei seis meses em coma. Quando acordei, descobri que o meu tio me roubara. Mas algumas coisas boas aconteceram. As minhas irmãs agora moram comigo e... bom, podem até não acreditar mas agora eu tenho poderes. Eu estou mais rápido e ágil; — Disse correndo e fazendo uma sequência de acrobacias que o meu antigo eu não conseguiria fazer. – Posso subir pelas paredes; — Dito isso, sem parar de fazer acrobacias, me aproximei da casa e escalei uma parte da parede até o teto, subi na laje e fiquei de ponta cabeça sem sentir a tontura habitual. Soltei do teto e caí com uma das mãos no chão, jogando o meu corpo pra frente e ficando de pé. “Isso é bem legal. Será que pode ser permanente?”.
— O que mais você pode fazer? – A Carla gritara de uma das redes, a mais afastada possível de mim. Ela odiava mesmo aranhas.
— Deixa eu me lembrar. – Na luta contra aquele cara, mesmo que seja só fruto da minha imaginação, eu consigo fazer tudo, eu consigo sentir tudo. Pode ser que aquilo seja mesmo uma lembrança. Então... – Acho que eu posso produzir veneno.
— Bom, seus músculos se fortaleceram, indicando que é mais rápido, ágil, e provavelmente forte também. Deve ter algum tipo de resina, ou alguma micro vilosidade nas mãos para poder se sustentar em superfícies verticais. No mínimo uma das suas glândulas salivares pode produzir veneno, o que indica que o seu sangue já carrega o antídoto de forma natural. – Ela digitou algo no seu notebook, esperou por alguns segundos, depois colocou a câmera no suporte e virou o notebook na minha direção. – Vê esse site aqui? – Eu olhei, falava especificamente sobre as aranhas. – Pode fazer algo do que está escrito aqui?
— Deixa eu ver. – Olhei para os fundos da casa, via o que qualquer um poderia ver. Lá dizia que as aranhas não eram detentoras de uma visão privilegiada, mas podiam muito bem ver coisas e cores que nós não podíamos. Me concentrei, a minha visão começou a desfocar, mas as cores ficaram mais vibrantes, algumas delas não poderia nem nomear, era como se visse tudo ao meu redor como uma pintura impressionista, só que muito mais lindo. Reparei que via também pequenos tons violeta no ar, assim como outras cores, o que aquilo poderia ser eu descobriria depois. Abri um pequeno sorriso, mas sinceramente aquilo não era algo que pudesse usar em batalha.
— Acho que a visão funcionou, os seus olhos, ficaram completamente negros. Legal. – Disse a Clara se aproximando.
— Legal? Parecia uma cria do demônio, isso sim! Poderiam fazer isso outra hora?
— O que mais dá pra fazer?
— Meu tato, acho que ele está mais... sensível. Sinto tudo ao meu redor, o vento, sei quando e como você se move, qualquer coisa, qualquer simples movimento faz com que meu corpo reaja, é estranho. Acho que... – Senti uma pontada de dor nas pernas, mas passou rapidamente. Depois apareceu outra, no braço direito, outra no pescoço. Acabou que em poucos instantes meu corpo inteiro doía, a dor ficava cada vez mais alucinante, tentara até aquele momento não gritar, mas agora não tinha como segurar. As garotas tentaram se aproximar, mas me afastara e corri até a piscina, precisava desesperadamente ir até a mata, despistá-las e ficar sozinho. Minha mão brilhou enquanto fazia o meu caminho entre as árvores, acho que meu corpo queria expulsar o DNA da aranha, algo me dizia que aquilo ocorria com frequência.
Escorei em uma das árvores, ainda gritava muito devido a dor. Sentei e coloquei as pontas dos meus dedos no chão, e concentrei toda a minha energia ali, ela brilhou mais intensamente até que o brilho cessou e a aranha estava novamente lá, ela correu o mais rápido que podia. A dor passou instantaneamente, me dando um alívio temporário, respirava rapidamente enquanto escutava os chamados das minhas irmãs.
— AQUI! – Gritei o mais alto que eu pude. “Então eu tenho um limite, acho que a dor não era do meu corpo rejeitando o DNA, era, de alguma forma, a aranha lutando por sua vida. Se eu conseguisse suportar a dor, a aranha morreria. Será que se ela morresse eu ficaria com os poderes de forma permanente? Ou duraria apenas algum tempo? Depois de absorvidos, perderia a minha habilidade?”. As perguntas não paravam de surgir na minha mente, quanto mais tentava afastá-las, mais delas apareciam.
— Você está bem? – A Carla chegou primeiro, ela se sentou ao meu lado, mas não me tocou.
— Não se preocupe, ela já foi.
— Sério? – Concordei com um leve aceno. Ela me abraçou com força, a respiração dela também estava rápida, mas logo nos acalmamos. Andamos até a nossa casa, eu me acostumara com aquele lugar e nunca me perdia, não desde os meus dezessete anos.
Encontrei a Clara nos limites da mata, ela apenas perguntou o que aconteceu, fiz um breve resumo e entramos. Depois de um jantar rápido, graças à velocidade do entregador de pizza, fui para o meu quarto e dormi rapidamente.
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