Novos Horizontes

4 Fight and Fire


Notas iniciais
Boa leitura a todos!

Fight and Fire

Passou um mês desde o dia em que voltei do coma. Eu e a Carla conseguimos emprego, eu em uma loja que vende produtos elétricos, ela em uma mercearia como balconista. Os salários não eram grande coisa, mas já pagava todas as nossas contas e alguns “Luxos”, como a academia da Carla, os itens para os projetos da Clara, e uma ou outra coisa pra mim. Nesse meio tempo, durante os meus sonhos, outras lembranças/ilusões ocorriam, sobre o meu treinamento na base, então sempre acordava mais cedo e treinava sozinho, tentando forçar a minha mente a voltar tudo, se aquilo for mesmo lembranças, fazendo com que assim eu descubra o que aconteceu comigo.

Durante esse um mês, a Clara conseguiu alguns equipamentos, assim conseguimos na última semana monitorar tudo, mas não aconteceu nada de especial. Saiu apenas um anúncio de um torneio de artes marciais, ocorria sempre de ano em ano. O torneio era mais pra juntar treinadores e lutadores, mas servia pra alguns iniciantes a começarem no ramo. Decidi fazer uma visita esse ano. Não ia fazia uns dois anos, já que sempre que eu ia eu apanhava de alguém.

— Tem certeza que é uma boa ideia? – A Clara perguntou.

— Acho que pode dar em alguma coisa. Talvez eu tenha que enfrentar outra pessoa e eu não posso contar sempre com os meus poderes.

— Mesmo assim, acho bom tomar um pouco de cuidado. – A Carla disse. – Alguns brutamontes da academia vão estar lá também.

Desci de carro até a entrada do pequeno estádio de futebol. Ele tem capacidade para apenas seis mil pessoas, mas o campo sempre era convertido em pequenos ringues nessa época do ano. Andei entre os ringues acompanhando algumas lutas, ver se filiava a uma academia, mas nenhuma fazia o meu estilo, bom na verdade nenhuma quis que eu entrasse nela. Parei em um dos últimos ringues, lá estava um cara, ele tinha por volta dos quarenta anos, barba negra espessa, mas bem tratada, cabelos grandes da mesma cor. Era branco, olhos castanhos e robusto, estava com uma roupa simples e observava dois garotos lutarem. O de short azul era praticante de boxe, ele usava uma máscara que lembra um demônio e dava uma surra no de quimono vermelho, ele não conseguia se defender.

Quando a luta foi finalizada, vitória mais que óbvia do cara de azul, o lutador de vermelho retirou o seu kimono e jogou na cara do treinador, o cara que apenas observava.

— Você me enganou! A única coisa que aprendi com você foi como a perder de dez maneiras diferentes! Você é o pior treinador que eu já tive!

— Não, você que é inútil. – O lutador tentou partir pra cima dele, mas o cara apenas se esquivou, fazendo o cara cair no chão. – Você aprendeu a perder sozinho.

— E vamos a próxima luta!! – O Juiz pegou um microfone, pra chamar a atenção de todos ao redor. – Quem quer ser o próximo a lutar contra o Demônio Azul!

— Eu. – Respondi de forma involuntária. Na verdade eu queria alguém que me treinasse, se eu ao menos durasse um round com ele, eu teria chance.

— Qual o estilo de luta e nome filho? – Ele sussurrou pra mim quando me posicionava do outro lado do ringue.

— Não tenho um estilo de luta definido. – Pensei um pouco enquanto amarrava uma fita vermelha na cintura. – Pode me chamar de O Copiador.

— A propósito, vai lutar assim mesmo, sem nenhuma roupa de treino ou quimono? – Apenas concordei. Vestia basicamente preto, então mais diferença que essa impossível. — A próxima luta é entre o Copiador e o Demônio Azullll!!!!!

Estava certo que ele era bom, mas aguentaria. Estava muito errado. Apanhei durante um round inteiro, o máximo que fazia era esquivar, o que ainda conseguia fazer. Quando o primeiro round acabou, estava com hematomas na cabeça e no peito, além de alguns nos braços, quanto tentei me defender. Observei bem o cara, a maior parte dos socos que me dera era com a direita, quase sempre seguindo de um de esquerda, alternando duas vezes e finalizando com um gancho de direita, no qual escapei de todos.

Assim que soou o gongo, ele partiu pra cima e tentou usar a mesma sequência, esquivei dos dois primeiro e deixei ele acertar as duas sequências, quanto tento finalizar com o gancho, esquivei pra trás, enquanto dei um soco no rosto dele com o esquerdo, onde a guarda estava baixa. Ele cambaleou pra trás, me dando chance de acertar outros dois socos, ambos no rosto, e um chute nas costelas, fazendo-o cair na lona. “Como pensei, abusa da força e velocidade, mas não tem muita resistência.” Esse geralmente é o momento de finalizar a luta, eu não tinha ideia de que golpe usar, até que lembrei de uma luta no exército. Um cara tentou me socar no rosto, derrubei-o e finalizei com uma chave de braço. Ele se levantou e tentou me socar, mas com sorte estava meio tonto por causa dos socos, derrubei-o e finalizei com uma chave de braço.

Saí de lá vitorioso, mas mesmo assim todos as academias procuraram o Demônio Azul. Andei até o carro, ter ido lá foi uma perda de tempo. Escorado no carro estava o cara barbudo, assim que me viu se aproximou de mim e disse:

— Vi como você lutou. Apesar de ser um bom saco de pancada, você leu o estilo de luta do adversário e descobriu o ponto fraco antes de perder. Talvez você aguente ser meu aprendiz. Então o que me diz? Só um detalhe, eles são muito puxados e vão exigir o máximo de você, e quando esgotar, vai exigir ainda mais. Como vocês dizem hoje em dia, lembrei. Você topa? – Apenas concordei. Foi quando me ocorreu uma dúvida.

— Qual é mesmo o seu estilo de luta?

— Você se importa muito com isso. – Neguei, naquele momento, qualquer um é melhor que nada. – Então ótimo. Você começa amanhã. Encontre-me na orla sul da reserva. — Peguei o carro e voltei pra casa, precisava descansar um pouco para o treino de amanhã.

POV Projeto 28 — Kaique

Estava caminhando a mais ou duas horas, estava chegando as imediações de outra cidade, rezava pra que essa fosse diferente. Estava a mais ou menos três dias caminhando por aí, a espera de que alguma coisa acontecesse, mas não sentia nada. “Onde será que os outros estão? Não vejo ninguém por meses, desde que fugimos, a maioria deve ter escolhido uma cidade pra se esconder e tomar, principalmente aqueles dois.” Um carro passou fiz sinal e ele parou.

— Tem como me dar carona até a cidade? – O vidro se abri e um casal de idosos surgiu, dois negros, o senhor dirigia o carro. – É que que queria chegar até a cidade, tem como me dar uma carona?

— Claro filho, entra. – A senhora saiu do carro e eu entrei, me sentei no banco atrás do motorista, ela voltou e ele deu partida. – Estamos perto de uma o nome dela é Boa Esperança. “Boa Esperança, um bom lugar pra se esconder.”. Esconder. Agora teria que viver assim pro governo não me encontrar. Encostei no banco do carro, retirei uma mochila das costas e coloquei sobre o colo, o antigo dono não se importou muito de me ceder.

— Obrigado pela carona, não sabia que ainda existia pessoas caridosas.

— Não é nada, não é o nosso dever na Terra ajudar aqueles que precisam?

— Se todos pensassem assim. – Como se alguém ainda pensasse assim. – Demora mais ou menos quanto tempo pra chegar nessa cidade?

— Mais ou menos duas horas.

— Não se importariam se dormisse um pouco, viajei durante um dia inteiro.

— Sem problemas, assim que chegarmos eu o acordo. – Deitei sobre a mochila e fechei os olhos. Por mais que tentasse não dormia, a única coisa que conseguia ver era a nossa fuga da base, os guardas abatidos, os que eu abati...

Mantive os olhos fechados até que senti o senhor me balançar.

— Pode acordar, chegamos. – Estávamos parados no centro da cidade, não era como as grandes cidades, mas era bem aconchegante.

Agradeci o casal pela carona e segui a pé, sem rumo, mais reconhecendo o lugar, além de procurar sinais de outro como eu, mas não havia nada. Andei até por volta das dez da noite, depois desse horário não havia alma viva na rua, achei muito estranho, afinal esse horário é comum ver alguns jovens por aí. Segui até uma casa com aspecto abandonado, entrei e bloqueei a porta com uma estante velha. Verifiquei tudo, portas, janelas, depois de selar toda a casa que era bem pequena, fui para o quarto. Coloquei a mochila em um canto e deitei no colchão velho e adormeci.

Acordei no dia seguinte disposto, peguei minha mochila, tinha uma garrafa de água, outra de café, dois pães com salame e uma maçã. Peguei a garrafa de café e um copo de ferro, enchi o copo e o segurei firme. Saia uma fumaça dele, o cheiro de café requentado invadiu o ambiente. Comi um dos pães, guardei tudo e saí, a rua ainda estava vazia. Peguei um jornal da rua, lá mostrava a seguinte quatro de fevereiro de 2016, ou seja ontem. Joguei o jornal na lixeira, andei até os limites da cidade vi um cara com celular, ele ficava nas sombras, falando em um Smartphone. Segui até ele, precisava dar uma olhada na floresta.

— Ei chegado, aonde pensa que vai? Ao menos me passa tudo, aí eu te deixo ir.

— Quem você pensa que é pra tentar pegar as minhas coisas?

— Quem eu sou? – Ele gargalhou, depois me empurrou, acabei parando a uns três metros dele. Ele deixou o celular no chão antes dos olhos ficarem vermelhos. “Vampiro, droga. O Vlad já começou.” Ele veio me morder, segurei o seu rosto, senti a minha mão esquentar, o rosto dele começou a queimar, ele gritou antes de jogá-lo no sol. Nem me importei, andei até o celular, vi a última mensagem no whatsapp “Pronto chefe, mercadoria defumada, no ponto onde escolheu. Vou ficar com o cell como compensação”, “Ok, mas se livra do chip.”. Vi ali perto algumas cinzas. Os braços do vampiro envolveram o meu pescoço, tentando me asfixiar. Soltei o celular e coloquei ambas as mãos no braço, queimando-o. Ele soltou e antes que pudesse atacar, o derrubei. Apontei a minha mão pra ele e lancei uma torrente de chamas, ele gritou durante alguns segundos, depois não sobrou nada além de cinzas e ossos.

Peguei o celular e mandei uma mensagem: “Vlad, sei que você está aqui, se tentar qualquer coisa, saiba que eu queimo você!”, apertei o celular, ele começou a queimar , lancei nas cinzas do cara. Invadi uma das casas, peguei uma pá e voltei ao local onde queimei o vampiro, mas a polícia já cercou o local. Vi o projeto 62 espreitando o local. “Então ele também está aqui. Isso não é bom.” Andei pelas ruas até encontrar uma casa bem afastada, as janelas estavam fechadas e escuras. Pulei muro, chutei com força a porta, logo no primeiro chute ela cedeu.

Entrei e encontrei cinco vampiros deitados, eles se levantaram rapidamente, onde se deitavam estava uma poça de sangue, perto da porta estava um facão. O segurei firme, o primeiro veio, eu cortei a coxa, ele segurou a minha perna e tentou morder a coxa, girei o fação e finquei-o na cabeça. Retirei rapidamente, o cabo de madeira começou a queimar a lâmina estava aquecendo, ganhando um brilho avermelhado, logo o cabo se desfez em cinzas, tornando bem difícil de segurar. Me controlei, tentando manter a mesma temperatura, e investi contra os outros. Golpeei o braço do segundo, girei e acertei estocada no peito do terceiro, enquanto retirava a lâmina, lancei um jato de chamas no quarto e quinto, retirei a lâmina e decapitei o segundo, finalizando os dois restantes. Vasculhei os corpos e achei uma pistola com silenciador, guardei-a comigo.

Apaguei as chamas rapidamente, levei os corpos para os fundos e cavei uma cova funda, decapitei todos e queimei o coração, para ter certeza que não levantariam de novo. Assim que coloquei o último corpo, vi um senhor na cerca, ele vira o último corpo. Antes que pudesse correr, saquei a arma atirei, acertando entre os olhos. Peguei o corpo e o decapitei, apesar de humano, e enterrei lá. Saí e comprei um saco de cal com o dinheiro do velho, assim que cheguei cobri os corpos deles, pra que não desse mal cheiro e cobri com terra. Subi e deitei na cama. “Aconteça o que acontecer Vlad, eu mato você”.

Notas finais
Bom primeiro o Paulo ainda etá em fase de treino, começando, arrumou um tutor e ainda tem a questão dos seus poderes. Quanto ao Kaique, ele já sabe como controlar o seu dom e está atrás do "Vlad" pra uma pequena luta. Até o proximo capítulo!!!