Novos Horizontes

10 Capítulo Nove - 1ª Missão - Pegue o Vampiro!


Descemos as escadas e encontramos uma porta de ferro, parecia bem sólida. Ela tocou na parede a esquerda, surgiu um scanner de retina, que ela prontamente usou. Assim que acabou, a porta deu um rangido e abriu. Entramos, e eu sinceramente fiquei impressionado.

Apesar de ser simples, o nosso porão era grande o bastante para que a Clara transformasse em uma mini base. Nas paredes laterais, revestidas de madeira, estava com prateleiras cheias de máquinas, algumas quebradas, e peças, muitas peças. Na parede a frente via uma série de monitores, alguns antigos, ligados em canais de TVs por todo o Brasil e a internet, que mudavam de tempos em tempos. O maior deles, uma de 40”, estava conectada a um computador, mas na mesa estava apenas o mouse e o teclado. No meio tinha uma mesa redonda, com algumas cadeiras dispostas, tudo em madeira escura, tinha um tom rustico tanto nos móveis quanto no lugar. Me sentei em uma das cadeiras, olhei ara trás e vi que em uma parte da sala tinha uma espécie de acrílico, vedando a nossa sala de uma outra.

— Bom, criei um programa que filtra as noticias de todos os estados brasileiros, além de sites e redes sociais, e sem contar que consegui invadir as frequências policiais, procurando por quaisquer indícios de EVO’s, mesmo que seja apenas rumores ou denuncias furadas; depois eu mesmo analiso e identifico as verdadeiras. – Ela sentou em uma das cadeiras próximas. – Aquela sala é um laboratório, onde eu analiso e armazeno as amostras que eu coleto. Aquilo sim deu trabalho de construir, afinal o local tem que ser rigorosamente limpo, para não ter contaminação.

— Maninha isso é incrível. Eu estou realmente orgulhoso. – Ela corou quando eu disse isso. Os outros se sentaram em volta da mesa. Ela pigarreou e disse:

— Bom, como eu disse, a indícios de EVOs pela cidades a nossa volta. Mas pra mim, assim como para vocês, vai ser difícil diferenciar os vampiros dos humanos, já que com base no que a Carla falou, os vampiros tem a pele mais fria e clara e só saem a noite, não dá pra sair tocando todos. Então preciso que conseguiam amostras pra mim de vampiros, assim vou poder testar e descobrir uma forma eficiente de rastreá-los.

— Quanto a isso eu tenho um plano. – Eu disse calmamente como seria o meu plano. É claro que teve objeções, mas no final e eu convenci todo mundo e deleguei as funções.

— Mas não é muito arriscado? – Disse a Carla.

— Não muito. Não pra mim.

— Como assim?

— Vou levar um inseto comigo, acho que uma formiga rivaliza com a força deles, ou um besouro, por causa do exoesqueleto resistente. Deixo-o preso na luva, qualquer coisa fica fácil absorver.

— Entendi, mas mesmo assim...

— Isso não vai dar certo. – O Kaique disse. Ainda era visível a raiva dele por mim, mas parece que com os vampiros era ainda pior. Ele suspirou e disse. – Então, vamos?

— Esperem. – A Clara pegou umas esferas pretas do bolso. – Isso é um rastreador, prenda-os na roupa que eu vou achar vocês. Apesar de ter um mapa e câmeras, é complicado vigiar vocês sempre. Aqui tem uns extras – ela pegou um par de discos pequenos, da mesma cor. – esses podem prender em alguém ou em um carro.

— Beleza. –Eu peguei um e o Kaique outro. – Vamos?

Eu entrei no carro, coloquei o arco no porta-malas e prendi um punhal na parte interna da coxa. Vestia uma camisa preta com uma calça jeans escura, simples, uma blusa de fria azul da Ecko e um par de luvas pretas. O Kaique entrou logo em seguida, com uma das minhas calças jeans clara, a única, uma blusa azul simples e a jaqueta preta dele. Ele retirou a pistola e conferiu o pente, depois recolocou e guardou nas costas.

— Hey, aquilo que você disse era sério? – Eu parei de viajar e olhei para ele. – Sobre o meu irmão ter dado os poderes?

— É sim.

— Aquilo que a Diana disse também? – Ele parecia confuso.

— Aham.

— Estranho… — Ele olhou para a frente, eu voltei a encarar a janela e viajar um pouco. Ele se mexeu duas vezes, resmungando baixinho. – Sério mesmo?

— Se eu tivesse o poder da Diana te mostraria.

— O que tem eu? – A Diana entrou no carro, vestia uma saia branca que ia até a metade da coxa e uma blusa verde claro social, meia transparente, que mostrava o top preto dela. O Kaique babou quando viu, eu apenas disfarcei e respondi.

— Absorver o seu poder e mostrar as minhas memórias para o Kaique.

— Eu acho que não. Não mesmo. E Kaique, não babe, ok? – Eu comecei a rir até ela sentar e cruzar as pernas. “Assim você mata o papai.” Eu diminui o tom.

— Mas por que não?

— Como vou saber que não perco os meus poderes?

— Eu absorvi um vampiro e não estou com a sede de sangue dele, nem os poderes.

— Mesmo assim não. – A Carla entrou dentro do carro, com uma roupa de academia totalmente preta e as luvas de MMA vermelhas.

— Vamos? – Perguntei. Eles concordaram e saímos em direção aos vampiros.

Estávamos próximos do local, toda aquela tensão no ar devido aos vampiros. A Carla olhava pra fora, já tinha escurecido e ela parecia mais feliz agora. Mas parecia um pouco cansada.

— Carla? – Ela olhou pra mim, com os seus olhos escarlartes. – Tem certeza que está bem?

— Sim. Só estou procurando vampiros, já estamos perto, não? – Apesar de ter certeza que era mentira, não insisti. Os outros mostravam sinais de ansiedade, principalmente o Kaique.

— Kaique relaxa. – A Diana disse de repente. Apesar de parecer calma, ela também estava muito ansiosa.

— Não dá. E se eu não controlar direito as chamas? E se forem muitos pra queimar?

— Kaique, é uma simples missão de captura. Pegamos um, dopamos e caímos fora. Se vierem mais de um, a gente da conta deles. Se dermos sorte, descobrimos o covil deles.

— Ok, mas não me acalma nada.

— Chegamos, todos se lembram das suas funções? – Eles concordaram. – Então vamos.

Parei o carro nas imediações do bairro, pegamos as nossas coisas do porta-malas e nos dividimos ali. Passei para a Carla o rastreador em disco e peguei o dela. Fui até o passeio lateral, em um lote vago, e procurei por qualquer indício de insetos. Achei uma formiga, que prontamente a prendi na luva esquerda, e por sorte um escorpião pequeno. Segurei com cuidado e coloquei em um pote pequeno, que logo coloquei em um bolso. Depois segui bairro adentro, atento a qualquer coisa suspeita. Depois de algumas horas andando, um grupo de 4 homens me abordou.

— Hey, que que cê tá fazendo aqui? – O que parecia ser o líder perguntou. Os outros gritaram afirmações e coisas idiotas.

— Eu procuro um cara que se chama Vladimir, ou Vlad. – Eles retiraram o sorriso no rosto e se entreolharam. – Fala pra ele que é o Kaio.

Ele pegou um telefone, os outros sacaram as armas e ficaram com elas a postos. Ele ligou e esperou alguns instantes. Ele discutiu rapidamente com o cara do outro lado da linha, ele colocou o telefone no peito e perguntou sobre o meu poder. Retirei a minha luva direita e incendiei a mão. Ele voltou a falar no telefone. Apaguei as chamas e recoloquei a luva.

— Ele vai te ver no armazém. – Eles me escoltaram até lá dentro de um chevete velho, que um dia eu acho que foi bege. Depois de alguns minutos, chegamos ao armazém, um galpão enorme lotado de madeira prensada. Entramos, ele me guiou por uma série de corredores até o escritório. No caminho, parei para amarrar os sapatos, quando levantei consegui deixar uma das duas esferas em uma pilha de madeiras. Assim que chegamos no escritório, ele me parou e pediu para revistar, retirou do meu bolso o escorpião e a minha faca na coxa.

— Pra que você tem um escorpião no bolso?

— Tá falando do Júnior? – Ele me olhou estranho. – É de estimação, não saio nem ele. – Ele me entregou e recoloquei no bolso. Deu duas batidas na porta e me anunciou. Depois abriu a porta.

Assim que entrei, eles fecharam a porta. Escritório era rústico e bastante bagunçado, feito inteiramente de madeira de lei, ao contrário do resto do Armazem. Tinha umas estacas na mesa, e na cadeira estava sentado o Vlad, estava assinando alguns papéis.

— Hey Kaio, já enc… — Assim que levantou os olhos ele percebeu quem eu era. Minha mão estava no bolso, já tinha destampado o pote e apenas esperava.

— Hey Vlad, como você tá? – Disse ironicamente. – Se cercando de madeira, esperto, mas sinceramente adianta?

— Como você fez o truque com o fogo? Roubou de alguém? – Ele começou a ficar nervoso. Os olhos dele ganharam um brilho avermelhado muito assustador. Eu mantive a compostura e disse:

— Como você disse, foi apenas um truque. Sabe que o meu poder é outro. – Ele se levantou e pegou uma arma.

— O que você quer? – disse destravando a arma e apontando para mim.

— Saber o por que dos vampiros.

— Eu disse cara, vou dominar geral, e fazer eles todos eles terem medo. Amo quando eles sentem medo. E quanto a você, agora que já tem a sua resposta, vai fazer o que?

— Mais um pergunta. Não desiste? – Ele negou com a cabeça. – Ótimo. Então eu vou embora. – Absorvi o escorpião e me concentrei ao máximo, assim só ganharia o exoesqueleto. Senti a pele mais grossa, principalmente nas costas, onde saiu pequenas placas de quitina. Dei as costas e coloquei a mão para abrir a porta.

— Só isso?

— É. – Virei e olhei curioso.

— Tipo, sem luta? Estranho... se bem que você só corre. – Ele abaixou a arma. Escutei ele sussurrando consigo mesmo. – Bom tanto faz, só não entra no meu caminho. – Abri a porta e saí de lá, logo depois de mim o cara que me conduziu até lá entrou, deu pra ouvir os gritos dele. Comecei a assoviar e fui até a entrada, mas três vampiros barraram a minha saída.

— Por sua causa o Duca morreu! – Eles transformaram. – E agora levamos você. – Eu parei de me concentrar, liberando a cauda, ela era um pouco fina, mas longa, quase dois metros e com um ferrão pontiagudo. Eles se afastaram um pouco, mas decidiram seguir em frente. O da esquerda me atacou com uma faca, eu apenas defendi e contra-ataquei com o ferrão, acertei o seu ombro. Recuei a cauda e ataquei rapidamente, desta vez a estocada foi direto no coração e o cara caiu morto. Eles gargalhavam enquanto o peito do cara se regenerava, vi de relance que o coração dele estava do outro lado.

— Eles sempre caem nessa. – Disse um dos caras entre os risos. O Vlad desceu e perguntou o que aconteceu a eles. Assim que pararam de falar, o Vlad os chamou de burros e me dispensou, mas todos os vampiros me cercaram.

— Vlad foi mal. Mas acho que precisa encontrar novos vampiros.

— Tanto faz. – Saiu andando até as escadas. Assim que terminou de subir, deu um aceno e saiu. Eu fechei os olhos e liberei o escorpião, aquilo foi doloroso, mas precisava pra liberar o outro poder.

— Hey garoto, acha que dá conta de nos enfrentar na mão? – Ele puxou uma arma. Eu abri a mão e fiz uma pequena chama, antes que ele conseguisse destravar, eu estiquei o braço e o queimei vivo. “Agora ele não se regenera.”. A maioria, quando viu o meu poder, saíram correndo, mas ficaram dois para me enfrentar. Eu respirei fundo e antes de me atacarem, criei uma parede de fogo e fugi. Assim que estava um pouco longe, a parede diminuiu até sumir.

...

Voltei a base, todos eles estavam lá, junto com um outro vampiro. Ele estava sobre uma onda leve de raio UV, debilitando o suficiente pra ser amarrado na cadeira.

— Então conseguiram... – Eu sentei em uma cadeira.

— É, mas foi complicado, ele é... forte, pra dizer o mínimo, e fazia apenas meia hora que ele havia se alimentado. – Disse a Diana. – E você?

— Encontrei com o Vlad.

— E você o matou? – Perguntou o Kaique com um brilho nos olhos.

— Não. – Ele saiu gritando alguns palavrões. A Carla se ajeitou na cadeira, meio incomodada.

— Porque?

— Bom, primeiro, era vampiro pra caralho, e você sabem que o Vlad é imune ao fogo e tem regeneração muito alta. Segundo, eu pensei bastante no caminho até a fábrica e usei o papel que ele conhecia. O meu antigo eu. – A Diana apenas abriu um pequeno sorriso. O Kaique chegou perto de mim e parou pra escutar. – Ele planeja mesmo criar um lugar onde é ele que manda. E fez bem a escolha, a vida de bandidagem combina com ele. Mas acho que, bom, vai dar merda.

— É a gente sabe... – A Clara disse. Ela retirou um pouco do sangue do vampiro e olhou pelo tubo. Ele era preto e espesso, mas não parecia estar coagulado. – Ótimo. Paulo, só uma dúvida, como você saiu de lá? – Contei a ela o que se sucedeu a minha entrada do escritório do Vlad até a saída de lá. Eles ficaram surpresos pela morte do cara.

— Ainda não entendi o porque você não MATOU aquele Vlad. – Disse uma Carla indignada. Eu respirei fundo e expliquei calmamente os motivos. Assim que ficou tudo certo, subi para tomar um banho e dormir. Assim que sentei na cama, ouvi uma batida na porta.

— Pode entrar. – A Diana entrou. Ela ainda estava com a mesma roupa, mas com uma expressão cansada.

— Teria como dormir aqui?

— Claro, pede a uma das duas meninas uma muda de roupa e escolhe um dos quartos, fala o mesmo pro Kaique. – Me virei e deitei. Ela murmurou algo inaudível e saiu.

...

Acordei com o barulho da chuva, era uma tempestade até comum por aqui, que quase sempre ficava pior nessa área de floresta fechada. Olhei para a minha cama e em envolta, havia três colchonetes mais afastados na janela, um com o Kaique e outro com a Diana. Na minha cama estava a Clara, dormia, mas a cada raio, ela tremia um pouco. Perto da janela estava a Carla, Ela estava coberta com uma edredom e um copo com café quente. Fui até ela e ela sorriu um pouco.

— Desculpa a bagunça. A Clara tem medo dessas tempestades desde pequena, se lembra? – Eu peguei um copo e me servi de café também. Provei e fiz que sim com a cabeça. – Quanto aos outros nem me pergunte. Acho que eles se sentem mais protegidos juntos, mas isso – disse apontando pra eles – é bem estranho.

— É, mas acho que entendo eles, devem se sentir bastante sozinhos...

— É... – Bebericamos o café e olhamos pra janela, deixando um silêncio estranho entre nós. A chuva castigava a floresta, vi vez ou outra um raio atingir uma árvore, sem contar o vento forte que balançava as árvores violentamente de um lado para o outro. Vi um esquilo correr e se abrigar na varanda.

— Tem outros lá embaixo. Parece que a nossa varanda é uma boa proteção contra a chuva. Relaxa, antes de começar eu e a Clara colocamos tudo pra dentro.

— Desculpa. – Disse olhando pra fora.

— Pelo que? – Ela levou o copo a boca e me olhava curiosa.

— Você sabe, ter virado vampira, o que aconteceu a Clara, e por... por ter abandonado vocês.

— Não foi sua culpa.

— Foi sim. Eu podia ter fugido. Eu devia ter. Mas quando ouvi o seu nome na lista deles, eu...

— Como assim na lista deles? – Ela se posicionou de lado. – Na moral, quer saber? Nem me importo com isso, afinal você voltou e bom, eu não sou presa à sede de sangue por causa de você. Eu que devia de agradecer. – Ela colocou o copo no parapeito e me abraçou. Eu fiquei vermelho, mas abri um pequeno sorriso enquanto devolvia o abraço.

— Ah que lindinho... – Disse a Diana. – Pra quando é mesmo?

— Mesmo o que? – A Carla perguntou.

— O Casamento ué...

— Mas a gente é irmão!

— E daí? – Ela falou fazendo a pose tipo, “não é obvio?”

— Só ignora. – Ela se soltou do abraço e voltou pro colchonete, a Diana gargalhou e deitou, voltando a dormir, me deixando ali, ao lado da janela, sozinho com os meus pensamentos.

Notas finais
Hey Sei que faz anos que eu não escrevo nada, mas estava esses dias limpando o meu computador e olhei esse capítulo inacabado. Enquanto lia, pensava o por que de não ter acabado, o por que realmente parei e não encontrei realmente um motivo válido, então me concentrei e comecei a escrever novamente. Não sei se voltarei a escrever com alguma regularidade, mas ao menos pretendo finalizar as histórias postadas aqui e um projeto pessoal, afinal ninguém suporta histórias sem um final (like a Sense8). Okay, acho que é isso então. Até o próximo capítulo!!!!