Novos Horizontes
11 Capítulo dez - Nublado
Notas iniciais
Eu estada deitado no telhado da casa, usei o DNA de uma aranha que estava por perto para facilitar a subida. A chuva parara há algum tempo, mas o céu ainda estava nublado, e de certa forma eu gostava dele assim, cinza. Depois de analisar tudo, percebi que, talvez, fosse minha responsabilidade tudo o que aconteceu até ali, com a minha família e com os outros. Ou não. Mas mesmo assim continuaria tentando ajudar quem pudesse. O que me levava ao Vlad. O que ele quer fazer na cidade... sabia que no mínimo, vai afetar a nossa região e chamar atenção indesejada para nós, o que em hipótese nenhuma era bom. Suspirei, sem ideia nenhuma do que fazer.
Mexi o meu ombro, sentia estranhamente falta de voar. Talvez pelo fato de ser algo impossível às pessoas comuns, ou por ser muito libertador. Acho que no fim era a segunda opção. “Acho que preciso treinar, não posso absorver qualquer animal e esperar que o efeito seja aquilo que eu preciso. Sem contar...”. Tentei fazer as chamas desde que voltei da fábrica, mas sem sucesso. Apenas balancei a cabeça, espantando qualquer outro pensamento que me inquietava e foquei no que eu precisava fazer hoje. Montei uma lista mentalmente e procurei a aranha de novo, mas ela já havia desaparecido. “Que ótimo.”. Olhei em volta procurando algum apoio, segurei no cano da calha e olhei onde ficava a janela. Preparei um salto e pulei, por pouco não errava e caia em cima das telhas de barro da varanda. Forcei os meus braços pra cima e entrei, peguei uma calça e blusa confortável e segui para o treino com o meu sensei. Finalmente passou alguns golpes e técnicas de desarme de lâminas, mas como sempre, mais apanhava do que aprendia, mas já era uma mudança.
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Voltei do treino, hoje não teria trabalho pois o pai do patrão havia morrido e eles estavam de luto. Segui direto para o banheiro, vesti uma roupa mais leve e fui até a cozinha preparar o café.
— Também saiu cedo?
— Eu treino esse horário todos os dias. – Disse colocando a vasilha com água no fogo. – E você Diana?
— Fui olhar alguns dos animais da floresta. Tinham um ou outro ferimento, mas a maioria estava bem. – Ela me olhou preparando uma garrafa pra coar o café, depois ligando mais uma boca do fogão. – Ajuda?
— Não. Eu faço isso todos os dias. – Continuei com a rotina normal. Ela não aguentou ficar parada e perguntou onde ficava os itens para arrumar a mesa. Assim que ela terminou de ajeitar tudo, eu finalizei a minha parte e coloquei as bebidas no centro e a comida em volta. Sentei e sem pensar duas vezes, peguei o pão a minha frente e o café e comecei a comer. Logo os outros chegaram e também começaram a comer. Assim que todos terminaram e limpei tudo, deixei o almoço pré-pronto e arrumei uma bolsa com uma muda de roupas extras.
— Aonde você vai? – A Clara perguntou, ela estava sentada na sala com o seu notebook na mão.
— Pra floresta, quero meditar um pouco. Meu sensei disse que se eu me sentisse inquieto ou perdido isso poderia me acalmar.
— Então pega isso. – Ela me jogou um daqueles aparelhos celulares antigos. Tinha até uma antena na ponta. – Eu modifiquei esse aparelho, caso precise de ajuda é só discar 101 que eu recebo a chamada no meu note. Se cuida. – Respondi de volta e caminhei floresta a dentro.
Assim que achei um bom ponto pra meditar sentei e cruzei as pernas como ele falou, tentando ficar o mais confortável possível. Fechei os olhos e tentei esvaziar a minha mente e relaxar um pouco. Os sons da floresta foram ficando mais fracos até parecem sussurros pra mim. Cada pensamento que vinha e fazia o máximo para ignorar, mas alguns simplesmente não iam embora, principalmente os que diziam respeito ao futuro das minhas irmãs. Suspirei e tentei me concentrar de novo.
...
POV Diana
— Hey você viu onde o Paulo tá? – Perguntei ao Kaique.
— As meninas disseram algo sobre ele meditar na floresta, estranho não? – Ele respondeu enquanto tentava criar fogo dentro de uma garrafa aberta, mas parecia sem sucesso.
— Vou deixar você em paz. – Saí pra varanda da casa, sentei em uma das cadeiras e respirei fundo. O ar daqui era mais limpo ao contrário da cidade e tinha vários animais, e isso me deixava feliz. Vi uma formiga passando por mim, tentei controla-la pra ver o que fazia, ela estava seguido o rastro de uma outra formiga. Sorri e fui pulando de animal pra animal até sentir uma mente meio conturbada. “Provavelmente é ele.”, suspirei e mudei o foco para outra parte da floresta.
POV Kaique
Já era a 23ª tentativa sem sucesso. Estava em frente a essa garrafa há uma hora, mas até agora não consegui criar nem uma faísca dentro dela. “Que saco, pelo jeito e só do meu corpo pra fora.” Olhei em volta, com o Paulo e a Diana meditando, a Carla na academia e a Clara com as peças, acho que todos nós pensávamos a mesma coisa, precisamos ficar mais fortes, por que claramente ia dar merda. “Mas antes tenho que tentar ao menos criar fogo assim.”
— Talvez se eu perguntar a gênio ali... – Sussurrei olhando para o céu ele estava nublado desde a manhã, ou seja, de novo iria chover. Eu odiava chuva antes e continuo odiando agora, me sinto... sozinho e impotente nela. Suspirei outra fez, aquilo era realmente um saco.
Levantei e fui até a Clara, ela digitava rapidamente em uma tela preto e branco. Parecia algo sério, então me sentei ao lado dela e esperei. Depois de alguns minutos, ela teclou pela última fez enter e ficou observando os caracteres surgindo, assim que parou ela sorriu e fechou o notebook.
— Pode falar agora. – Ela colocou ele de lado e sentou com as pernas cruzadas. Respirei fundo, resistindo a tentação e perguntei:
— Tem alguma maneira de produzir fogo? Digo sem ser saindo da minha pele? – Ela levou uma mão a cabeça, coçando de leve.
— Talvez, mas primeiro preciso entender o seu poder. Como você cria as chamas?
— Basicamente, eu simplesmente penso na chama e aponto pro alvo.
— Acho que você não entendeu. COMO você cria as chamas? – Parei pra pensar, mas não tinha entendido a pergunta. Ela percebeu e me orientou. – Faz o seguinte, você consegue fazer uma chama pequena, não, é? – Concordei. Estendi a mão e fiz a chama rapidamente. – Ótimo, agora faz de novo, lentamente, pensando em cada processo, em tudo que acontece até a chama surgir.
Olhei para a palma da minha mão, senti o ar aquecer lentamente até a chama surgir, começava na superfície da pele e ia até o ponto que eu definisse.
— A minha mão vai aquecendo, eu acho, o ar em volta dela também, até a chama surgir, daí é só expandir. – Ela concordou.
— Acho que ao contrário do seu irmão, que cria e controla o fogo, você só cria, não tem controle alto. – “É o que eu estou tentando agora...” pensei entediado. Ela olhou para a minha mão e observou. – Você me diz que o fogo precisa estar ligado a sua pele, não? – Eu concordei. Ela foi até a cozinha e pegou um isqueiro. – Você consegue aumentar o tamanho dessa chama? – Ela acendeu o isqueiro, mas por mais que me concentrasse a chama não se movia. – Acho que entendi. Você só fornece energia e precisa de uma “ponte” pra levá-la. Nesse caso não tem muito o que fazer.
— Como assim?
— Seu irmão pode manipular diretamente as chamas, fazendo-a ter formas ou surgirem de outros pontos; Você por outro lado, é mais como um botijão de gás, você fornece “combustível” para chama, podendo no máximo definir uma direção. Entendeu?
— Mais ou menos. Então nada de criar chama em outro lugar? – Ela negou com a cabeça.
— Seria melhor se focasse em outra coisa, tipo, produzir só calor ou só luz. – Concordei e fui para fora da casa. Agora sim es estava realmente triste. “Só um botijão, não?”, pensei esticando a minha mão, fazendo um jato de chamas mais fino. “Bom, pelo menos eu tenho mais energia que ele.”, olhei para o céu, continuava nublado. Suspirei mais uma vez, já me falaram aquilo outras vezes. Dei um tapa na coxa e me mantive focado. Se realmente não dava pra criar chamas em outro lugar, “Criar calor ou luz?... Por que não?”
POV Clara
Depois de ser questionada pelo Kaique, desci para o porão, terminei o meu programa, agora era só testar. Peguei o sensor, ele era quadrado com um laser na parte superior e uma tela de led. Assim que liguei, a tela ficou com um círculo verde, indicando que não havia vampiros por ali. Apontei para mim, depois para outros pontos, mas a tela não mudou. Apontei o sensor para um tubo com sangue daquele vampiro, o círculo mudou de verde para amarelo. Por ultimo fui até o vampiro preso. Ele ainda estava na cadeira, preso assim que me viu tentou se soltar, mas em vão. Apontei o sensor para ele, a tela ficou vermelho e surgiu o número 1, além de começar a vibrar. “Ótimo.”. Coloquei o sensor no bolso e peguei uma pistola, ela tinha um design futurista, nas cores preto e branca. Assim que destravei, uma luz iluminou diversas linhas da arma. Calmamente coloquei uma máscara preta simples, com uma proteção extra nos olhos, assim como luvas. Apontei a arma para o vampiro, ele riu da minha arma. Mirei entre os olhos, respirei fundo e puxei o gatilho. A arma fez um leve clique, um brilho surgiu na ponta do cano e desapareceu em seguida. Entre os olhos do vampiro estava um buraco de 6 mm ele gritou, mas o poder de cura era ineficaz. Depois de alguns segundos ele parou de gritar e morreu definitivamente.
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