Estava animado para resolver esse mistério que nos tem tomado tempo nesses últimos dias. Mas a verdade é que não estávamos em condições de continuar nesse momento e ainda por cima a noite já caíra com a lua tomando conta do céu, brilhando intensamente. Parecia que queria chamar atenção de todos para si mesma. Maldita narcisista...

Andromon cuidou dos nossos ferimentos, ascendeu uma fogueira e ainda nos deu comida. Precisávamos estar 100% para o que está por vir. Então, depois de uma conversa após a refeição, ficou decidido que partiríamos ao amanhecer.

– É melhor vocês irem descansar, tomarei conta do local junto com os outros Digimons. Vocês são a única esperança que temos. – Andromon nos fala em seu tom singular de seriedade robotizada.

– Isso me parece mais uma taxa de serviços. Vocês nos dão comida e cuidam dos nossos ferimentos, em troca vamos em direção a morte certa. – Eu comento.

– Tai! – Sora me dá um tapa nas costas enquanto chama minha atenção.

Eu sorrio, olho para Andromon e digo:

– Obrigado por tudo Andromon!

– Vou deixar vocês descansarem agora, estejam prontos para o amanhã. E Tai... – Olho para seu rosto enquanto ele faz uma breve pausa. – Se demorar a acordar, te baterei pra valer.

Agumon, Pyomon, Sora e eu, como se estivéssemos em total sincronia, caímos para trás. Andromon se afasta e Agumon e Pyomon se ajeitam para dormir. Sora também se ajeita para dormir, perto de mim, enquanto eu fico sentado olhando para claraboia improvisada que BioDarkdramon havia feito no teto da caverna, encarando aquela lua narcisista. Foi então que Sora me chamou.

– Tai...

– Algum problema Sora? Está com dor na perna? – Pergunto enquanto a olhava.

– Não, está tudo bem... – Ela responde enquanto se vira para o lado oposto de onde eu estava. – Você ainda lembra que eu queria falar contigo no dia do futebol?

– Mas é claro que lembro. O que você queria me dizer?

– É que... tenho me sentido diferente ultimamente...

Fico um pouco confuso com o rumo da conversa mas mesmo assim dou continuidade a mesma.

– Diferente como..?

– É que... Acredito que as coisas tenham mudado um pouco, principalmente entre a gente. Sempre estivemos juntos já faz um tempo, e... Você entende o que quero dizer?

– Acho que entendo sim. – E volto a encarar o céu.

Nesse momento, Sora se vira e começa a olhar para mim enquanto faz mais uma pergunta.

– Você sente isso também?

– Acho que sim... É um pouco confuso pra mim, sabe... Mas eu sei que seja lá o que sinto por você, não é algo ruim. – Olho para Sora e sorrio.

Ela parece meio que corar o rosto, mas não ficou muito nítido pois ela desviou o olhar. Contudo, ela ainda me fez mais uma pergunta:

– Tai... Se não se importar... Poderia me abraçar enquanto durmo..?

Fiquei chocado com aquilo tão de repente. Minha cara deveria parecer como a de alguém em estado vegetativo tamanha a falta de reação da minha parte. Mas quando me liguei que ainda deveria continuar respirando, e ainda tinha que respondê-la, gaguejei alguma coisa:

– P-pode si-sim...

Ela sorriu para mim e me abraçou, encostando sua cabeça no meu ombro. Meu coração não parava de palpitar. E minha preocupação aumentava ao lembrar que não havia hospital no Digimundo. Nem quero pensar o que será de mim se enfartar ali mesmo por causa de... uma linda garota ruiva que me abraçava inexplicavelmente. Ela ainda me fez prometer uma coisa antes de dormirmos.

– Tai... Me prometa que sempre estaremos juntos, não importa o que aconteça?

A resposta veio com tanta velocidade que até fiquei assustado.

– Claro que prometo. Sempre estarei com você não importa o que aconteça. – E sorrio.

Após isso, com muita dificuldade, acabamos dormindo nos braços um do outro.

...

Já estávamos acordados quando o Sol já dava as caras. Meu rosto ainda ardia depois que Andromon me acertara para acordar. Todos já estávamos prontos e descansados, então partimos direto para as Ruínas. Estávamos confiantes que conseguiríamos a chave e frustraríamos os planos da Sombra tagarela. Espere por nós, Sombra!