November Rain

3 Nunca se sabe quando está apaixonado.


O diretor após dar seu recado saiu. Alguns segundos depois todos os alunos começaram a guardar seus materiais e colocaram as carteiras e cadeiras nos seus devidos lugares, o barulho delas arrastando no chão incomodava muito, mas não podia fazer nada a respeito. Coloquei minha carteira no lugar e ajeitei meu material rapidamente enquanto observava algumas pessoas saindo da sala conforme guardavam seus materiais.

– Até amanhã Takano-san – Ele acenou com a mão e logo saiu.

Como sempre, eu esperei até todos saírem e então sai da sala, confesso que sair com aquele monte de gente no corredor esbarrando em você não é nada legal.

Ainda não havia começado a chover, o que era uma coisa boa e ruim ao mesmo tempo, não me importaria de ir embora me molhando com a chuva, mas pegaria um resfriado por isso, então acabei indo assim mesmo para a casa. Hoje Yokozawa não me esperou, não tenho a mínima idéia do porque, mas como ele anda ocupado, não me importei, mas ele era uma boa companhia. Não demorei muito e cheguei em casa, já tirando o sapato e jogando a bolsa no sofá menor, retirei a gravata, desabotoei a blusa e retirei o cinto, assim deixando meu uniforme mais folgado e confortável. Logo fui à cozinha pegar algo para comer, optei por um pacote de salgadinho, voltei para a sala, liguei a TV e me espreguicei no sofá.

Na TV, quase todos os canais falavam da tempestade que estava vindo e com ela, neve. Ótimo. Eu adorava frio, era simplesmente muito agradável, não ficar todo encharcado de suor, poder ver TV embaixo das cobertas, tomar banho quente e o melhor de todos: às aulas seriam canceladas. Ou talvez não fossem, dependendo da intensidade da neve e do frio. Não que eu não gostasse da escola, mas às vezes irritava ter que ir todo dia. Sem nada de interessante na TV, desliguei-a.

Fiquei deitado no sofá pensando em algumas coisas, meu trabalho, a escola, a divisão do apartamento, o que era o mais importante, mas não conseguia pensar em uma pessoa, quando ele me veio à cabeça. Ele? Não. Definitivamente não, nem conheço o cara direito, isso estava fora de cogitação. Certamente acharia uma pessoa logo, era o que eu esperava...

– Talvez eu deva fazer novas amizades – Digo murmurando para mim mesmo, me virando de lado no sofá e com esse pensamento, acabei adormecendo.

Acordei assustado em um pulo olhando no relógio, era quase 2 horas, estava atrasado pro trabalho, não tanto, mas chegaria alguns minutos depois do meu horário e com certeza levaria uma bronca. Levantei-me, coloquei uma camiseta, uma calça, peguei meu casaco, calcei meus sapatos rapidamente, arrumei meu cabelo na frente do espelho e então sai de casa, estava chovendo, não muito forte, mas certamente eu precisaria de um guarda chuva se não quisesse me molhar. Eu poderia até gostar desse tempo, mas quando se está atrasado, não é a melhor coisa do mundo. Logo quando eu cheguei ao trabalho, o Sr. Yoshida estava me esperando.

– Desculpe-me, eu acabei dormindo – Disse-lhe me curvando em um gesto de desculpas – Estou disposto a repor o tempo que perdi se for necessário – Sem dúvidas isso era constrangedor, nunca havia chegado atrasado e quando chego, digo que havia dormido, você poderia ter inventado uma desculpa Masamune, seu idiota.

– Eu poderia te dar uma bronca, mas não vou, não estamos com muitos clientes hoje pelo fato da chuva, então está tudo bem. Mas que fique claro, não quero que isso se repita – Disse ele sério – Mas se acontecer, invente uma desculpa melhor – Disse o velho rindo, logo ele saiu de vista.

Eu ri em voz baixa do comentário do Sr. Yoshida, era de se esperar isso dele, mas também esperava uma bronca junto. Vesti meu avental e comecei a arrumar alguns livros nas prateleiras, separado por gêneros, terror, romance, aventura, quando a sineta tocou sinalizando que alguém havia entrado na loja, não me importei, qualquer coisa a pessoa poderia me perguntar, continuei arrumando os livros, mas logo uma voz reconhecível me chamou.

– Takano-san? — Eu me virei para a voz – É você mesmo!

– Onodera? O que faz aqui? – Digo olhando para ele, estava todo molhado pela chuva.

– Começou a chover forte do nada, e esse era o local mais próximo para parar... – Disse ele tirando seu casaco molhado – Você trabalha aqui?

– Trabalho – O que diabos ele perguntou? Eu estou de avental, claro que trabalho aqui.

– Que legal! Essa é a única livraria aqui por perto, tem muita variedade de livro... – Disse ele olhando para as estantes.

– Por favor, não bagunce os livros se for vê-los — Legal. Isso seria muito legal. Uma pessoa pra me irritar, porque eu tenho tanta má sorte?