Nove Meses

6 6 — Escapando de uma enrascada


Notas iniciais
Olá leitores, como vocês estão? Trouxe mais um capítulo de Nove Meses, espero que gostem:) Boa leitura!

— Nunca vi estas sacolas. — Sting declarou em sua defesa. Ainda me encarando puxou a cadeira para que mamãe pudesse se sentar e fez o mesmo no instante seguinte. Ela lhe respondeu com um singelo agradecimento. Descansou no colo um saco preto que só agora vim notar, estava cheio, e ela o segurava pela boca”, como forma de mantê-lo fechado.

A tensão pairou sobre mim. Senti meu corpo trêmulo e suado.

— Estas coisas... Essas sacolas não são suas, não é mesmo Lucy? — Ela depositou toda sua esperança nesta frase.

O que eu poderia dizer? Que era para uma colega? Mas que colega? Oh merda! Por que não conseguia pensar? Seria essa à hora de contar a verdade?

— Claro que não! Isso não é meu! — Meu irmão suspirou em alívio, e com mamãe aconteceu o mesmo.

— Mas se não são suas, de quem são?

Eis aí a questão. Se não minhas, de quem então?

— Bem... — Meu cérebro começou a procurar imediatamente por uma resposta. E para a minha decepção e desespero nada me foi respondido. Só podia ser brincadeira! — De... De uma amiga. — Esperei que não quisesse saber de quem se tratava.

— Ainda bem! — Pousou a mão sobre o peito. — Por um segundo pensei que pertenciam a ti. Pode parecer um absurdo o que direi agora, mas passou pela minha cabeça que você estaria grávida. Essas roupinhas poderiam ser para um bebê seu. — Mamãe riu muito descontraída. Tirando o peso extra do colo, depositou-o sobre a mesa. — Imagina só, passa cada loucura pela minha cabeça. — Ela riu novamente levando a mão à testa.

— Isso não pode ser. — Sting interrompeu-a muito controlado. — Lucy é pura, e assim vai continuar até os vinte e um. Se antes algum marmanjo ousar tocá-la, arrebento-o as fuças.

— Você não seria capaz. — Assustei-me. Contar sobre a gravidez vai ser mil vezes mais complicado do que acreditava.

— Sim, eu seria. Se alguém te engravidasse agora Lucy, tenho certeza que não conseguiria me segurar. Juro que posso passar o resto da minha vida na cadeia, mas eu elimino-o desse mundo.

Aterrorizei-me de verdade. Ele não está brincando. OH... Pai, o que será de mim?

— Meu filho em que ano você vive? Estamos no século vinte e um, isso não acontecia nem mesmo na época da sua avó. — Senti um alívio ao ouvir a voz feminina interferir. Eu não conseguiria sair dessa situação sozinha.

— É claro mamãe, mas veja só o rostinho da Lucy. — Ele levantou de seu lugar e apertou minhas bochechas. Entendi que estava tentando amenizar um pouco minha cara apavorada. — Tão inocente, pode cair nas mãos de algum imbecil sem coração.

— Sting, eu não sou idiota! — Sim, eu sou!

— Lucy confie em mim, eu sou homem e sei muito bem o que digo. Por enquanto é bom que mantenha sua inocência intacta. E mais, nem pensar em arrumar um namorado, contudo, se arranjar fale primeiro comigo, eu verei se ele é um bom partido para você. — Ele deu dois tapinhas leves no meu rosto com as pontas dos dedos e segurou o sorriso descarado.

Olhei para ele explodindo em ódio. Vi o rumo das coisas mudarem, eles pareceram acreditar na minha resposta tola. O que era uma grande surpresa. Será que confiavam em mim a esse ponto? Estaria eu quebrando essa confiança ao mentir e não contar a verdade?

— Mas vejam só, até que são bonitinhas, você não tem um bom gosto assim. Tem que ter dedo da Levy nisso também. — O loiro meu irmão estava novamente ao lado de mamãe, observando as roupinhas. — Duas?

— Ela ainda não sabe o sexo da criança, então pensei em comprar esses. É uma surpresa. — Suspirei menos tensa. Acalmei-me ao notar que desta vez consegui me safar.

— São lindos! Ela certamente irá gostar. — A dona da casa puxou da mão de Sting o macacão. ­— Ela tem uma preferência?

— Não! — Respondi depressa. Eu realmente ficaria muito feliz apenas por nascer saudável.

Damos ali a conversa por encerrada, peguei a sacola das mãos de Sting e andei rumo ao meu quarto.

Quando finalmente encostei a porta e deixei que minhas costas encostassem-se a essa, senti uma onda de alívio por cada fio de cabelo da minha cabeça. Meu coração estava batendo mais rápido que o normal. Um cansaço horrendo se apoderou de mim, minha garganta secou, e nunca precisei tanto de uma cama.

No entanto, apenas me abaixei sentando no piso, encostando a testa na parede. Minhas mãos rodearam minha barriga ainda lisa de forma protetora. Pensei apenas na minha criança.

Eu queria adormecer, nessa mesma posição, e me livrar de tudo que sei estar por vir. Sting não imaginava, nem mamãe e pouco menos papai. Pedi em meu consciente perdão a eles, por estar escondendo algo tão importante assim.

*

Dois bifes, quatro colheres de arroz, duas de feijão, muita salada e uma boa porção de macarrão. Meu prato estava tão recheado, como nunca antes. E ainda estou pensando em comer mais depois deste, tudo vai depender da minha fome depois disto, se eu ainda tiver alguma.

Sempre fui muito comilona, mais que quase todo mundo aqui de casa. Menos apenas que papai, ele ninguém supera, nem mesmo eu.

Sentei-me na mesa de seis lugares da cozinha, ao lado do meu irmão e de mamãe. Eles me encararam espantados.

— É sério, você vai virar uma porca. — Estava claramente me provocando, mas eu o ignorei.

— Deixe sua irmã comer em paz, Sting. — Defendeu-me e agradeci por isto. Estou faminta para iniciar uma discussão agora. Além do mais não havia problema algum em comer, não é mesmo? E eu precisava que manter o meu bebê sadio, mesmo sendo ele ainda tão pequenino.

— Estou falando a verdade, e para isso não falta muito. Olha só o tamanho dos peitos dela? Estão pulando para fora da blusa.

Engasguei-me com a salada e o ar me faltou. Segurei a beirada da mesa e procurei desesperadamente o copo de suco. Ouvi mamãe gritar para rapidamente entregá-lo em minha mão. Sting ria descontroladamente. Fiquei com vontade de lhe dar um soco.

— Mas se bem que tem a quem puxar. — Desta vez ele se dirigiu a uma loira mais velha extremamente preocupada, olhando diretamente rumo aos seios dela.

Descarado!

Ela se virou na cadeira e lhe meteu um tapa na cabeça, em seguida outro e mais outro. Ele reclamou massageando o lugar dolorido.

— Sting, não pense que porque cresceu não está sujeito a umas boas cintadas. — Eu ri quando recuperei o ar. Apesar de saber que isso jamais aconteceria, à imagem de meu irmão aos vinte anos apanhando era digna de Oscar. Seria hilário.

Pena que mamãe não teria coragem, ela nunca nos bateu, a não ser alguns tapas e colheradas, principalmente na hora do almoço, quando ficávamos a espreita esperando por uma brecha para catarmos a carne antes da hora. Mas acabava que ela via, e isso nos rendia umas boas broncas e algumas escumadeiras nas costas. Ardia horrores.

— Cuidado mãe, isso doe. — Reclamou largando o prato, dando atenção apenas a sua cabeça.

— E vai piorar se não apreender a respeitar.

— Era só uma brincadeira. — Ele arquejou franzindo cenho.

Ela voltou para seu prato verde e perguntou-me se estava bem. Respondi que sim e voltamos para o nosso almoço. Sting ainda resmungou por mais algum tempo, mas pouco me importei.

Dando à hora, aprontei-me para ir ao serviço. Desta vez dispensei o taxi e peguei uma carona com o loiro. Apesar de estar meio incerta com fato de andar em sua traseira.

Ele para provocar acelerou e eu agarrei em sua cintura, apertando até que não me restasse mais forças. A moto voava por entre as ruas. O vento no meu rosto era forte e meu sorriso estonteante. Era incrível essa sensação.

Paramos em frente ao meu local de trabalho, eu podia ver o loiro tremer. Ele tinha as mãos apertadas firmes.

— Estou indo agora falar com Yukino, passarei antes numa floricultura e em um supermercado. Deseje-me sorte.

— Quem precisa de sorte quando se têm esses seus olhos azuis? — Ele riu sem emoção. — Tudo vai ficar bem. — Respondi para acalmá-lo.

— Espero que esteja certa.

Ele se apressou e saiu muito rápido. Parada em frente aos portões sussurrei para mim mesma.

— Boa sorte...

*

Como era habitual, vi que tinha muitos afazeres. Hoje pela primeira vez em tempos cheguei e não encontrei Virgo na cozinha. Ela deveria estar provavelmente em algum canto da casa.

Para falar a verdade estava um verdadeiro silêncio. O senhor Igneel há essas horas possivelmente trabalhava, mas onde estava os outros? Talvez ainda estivessem dormindo, apesar de ser tão tarde.

Deixando isto de lado, resolvi começar ao trabalho pela biblioteca. Lá o ambiente era agradável e cheirava a livros. Em todos esses anos essa foi à parte da casa com qual mais me identifiquei. Sempre amei ler. É simplesmente magnífico o mundo que ingresso quando tenho um bom volume em mãos. Como dizia mamãe: “para imaginação não existe limites.”

Preparei outra vez meu colega balde acompanhado de alguns produtos. Carreguei-o com as duas mãos, para suportar o peso.

Não me preocupei em bater na porta para entrar, quase sempre esse cômodo estava vazio. Mas eis que é uma surpresa encontrar os dois corpos colados ali dentro, e junto a ela uma pontada no meu coração.

Meus olhos se deslocaram de um para o outro, e se não estivesse enganada podia ouvir soluços. Lissana chorava desesperadamente nos braços de Natsu, e ele a abraçava confortavelmente.

Ela estava virada para a janela e de costas para mim, já ele podia me ver muito bem. O rosado me encarou e acenou em negativa com a cabeça, não fazendo em nenhum momento movimentos bruscos. Vi em seu olhar a compaixão que nunca enxerguei, o carinho que sempre desejei. Pela primeira vez assisti um Natsu que consola e se preocupa. Um que ama.

Por cima de seus ombros podia ver dedos brancos apertarem a camisa dele fortemente.

Voltei novamente meu olhar para Natsu que pediu silenciosamente que eu me retirasse. Era apenas um movimento de lábios. Imediatamente eu fiz, mesmo que estivesse me retorcendo de vontade para saber o que a deixara nesse estado.

Nunca gostei de Lissana e jamais iria gostar. Algo me dizia que ela não era confiável. Porém agora vi como estava frágil, precisando de apoio. Eu não tinha um coração de pedra, e realmente queria saber o que acontecera.

Abaixei a cabeça e inalei profundamente enchendo ao máximo meus pulmões de ar. O que poderia ter acontecido?

Notas finais
Bem, não foi dessa vez que eles descobriram sobre a gravidez da Lucy, mas eu já pensei em como vai ser, e acho que vocês vão gostar =] Ahh tenho uma pergunta: vocês gostariam de capítulos maiores? Eu não vejo problemas em escrever mais. Me digam, ok? O próximo será um especial de Natal, e adivinhem? Teremos momento NALU Para os leitores que também leem a minha outra fic Darkness, eu postarei no ano novo. Minna cadê os 41 leitores nos comentários? Eu gostaria de saber a opinião de todos vocês:) Até o próximo,e não deixem de comentar. Bye, bye!