Nove Meses

4 4 — Minha querida irmã


Notas iniciais
Olá minna,como estão? Espero que bem. Vejam só, nem demorei dessa vez:) Parece que Nove Meses não agradou muito no capitulo passado :( de 22 leitores apenas duas comentaram, espero que esse agrade mais. Boa leitura!

— Eu... Aceito.

*

Deitada no sofá, — com uma bolsa de gelo na bochecha — refletia sobre os muitos problemas que me cercavam. Eram tantos, e eu não sabia como resolvê-los. Sting estava para faculdade, mamãe na casa da vizinha colocando as fofocas em dia, e papai ainda não havia retornado do trabalho, o que era um alívio. Eu apenas fiquei em casa pensando no que fazer.

Podia soar estranho, mas me sentia melhor sozinha, talvez porque estivesse tentando evitar o momento crucial. Estava chegando a hora, a maldita hora. Temia não ter coragem para conseguir contar a verdade, ou enfrentá-los. Todos eles.

Passei a mão sobre ventre, sabendo que em alguns meses ele estaria gigante, uma bola para ser mais exata. Que meu corpo passaria por mudanças, algumas não muito agradáveis, outras maravilhosas. Um sentimento impossível de abalizar em palavras, me tomou inteiramente. Por mais que fosse uma gravidez inesperada, difícil, estava feliz, pois uma vida estava crescendo dentro de mim. Uma pequena criança, sangue do meu sangue. É incompreensível esse amor que já sentia por ela.

Uma alegria confortante.

Isso é tão confuso, não sei o que fazer, ou com quem falar. Levy estava muito preocupada com o terrível acontecimento nos Estados Unidos, que poderia ter envolvido Cana. Embora eu duvidasse muito. Isso me fez lembrar que eu ainda não tinha feito nada para ajudá-la, e quiçá não viesse a fazer, quando eu também precisava de auxílio.

Foi-se quase toda há terceira semana e mesmo não sendo especializada no assunto, sabia que, minha primeira providencia ao descobrir a gravidez deveria ser procurar o obstetra. Estava ai o grande problema. Nunca conheci ninguém deste ramo, a única que poderia me ajudar seria mamãe, contudo, agora ela surtaria.

Não podia negar o quanto estava preocupada, eu não sabia se ocorria tudo bem com o meu bebê, se estava crescendo certinho.

Oh céus, eu estava delirando, ficando maluca. Ele ainda não tinha olhinhos, boquinha, ou um narizinho, que eu iria adorar encher de beijos futuramente.

Precisava urgentemente de ajuda, mas quem?

Tirando-me da minha idealidade, a vibração no bolso de trás da calça me assustou. Ergui o corpo levemente, apenas para desgrudá-lo do sofá. Enfiei a mão pelas costas alcançando o celular brandindo, descansei novamente, trouxe-o para frente dos olhos, onde vi o nome de Levy piscar em cor azul.

Atendi sem pensar, talvez tivesse algo bom a dizer.

— Lucy! — Gritou — Tenho boas notícias. — Disse-me afobada, contente. Mesmo não podendo vê-la sabia que um sorriso brincava em seu rosto.

Aquilo me deixou radiante por alguns segundos.

— Estou bem, Levy. Obrigada por perguntar. Espero que esteja bem também. — Ironizei, e ela calou-se. Voltou rapidamente a formular uma frase.

— Ai, desculpa. Como tá a minha sobrinha?

— Sobrinha? Pode ser um menininho. — Ela bufou do outro lado da linha. — E um dia ele pode ficar irritado em saber que você o chamou de menina. — Revirei os olhos, e logo depois sentei no sofá cruzando as pernas.

— Eu tenho certeza que será uma garotinha Lucy, pode esperar. Acredite, eu tenho razão. A prova real é a fofinha da Hanako.

— Se você diz, não vamos discutir sobre isso. — Escorei a cabeça no encosto atrás de mim, muito cansada pelo dia de hoje. Puxei a respiração a fundo, sentindo o corpo tenso.

— Não estamos discutindo Lucy, estou apenas lhe dizendo o sexo do seu bebê. — Ela fez uma pausa — Ah espera, quase ia esquecendo-me de contar, está vendo o que faz? — Brigou. Em seguida não resistiu e riu.

— O que? Não fiz nada. — Me juntei a ela nos risos abafados.

— Fez sim, e você concorda comigo, eu nunca estou errada. — Essa baixinha não tinha medo ficar sem boa parte dos fios azulados?! — Adivinha que acabou de ligar?

— Ainda não ganhei uma bola de cristal Levy, caso não saiba.

— Pare de ser mal humorada. — Podia imaginar ela fazendo careta para o telefone — A Cana ligou! — Gritou risonha. — Ela está bem, não sofreu nada, estavam em casa quando tudo aconteceu.

Meu coração suspirou aliviado.

— Fico muito feliz. Viu? Como eu disse. Desesperou-se a toa.

— Oh Lucy, deixe-me curtir o momento de alívio. — Fez um falso ar de magoada.

— Claro, eu jamais estragaria se não fosse importante. — E de repente tudo mudou. Comecei novamente a me sentir mal, lembrando de tudo, inclusive do bebê.

Há... Não! Esse não é o momento, Lucy Heartfilia.

— O que aconteceu? — Levy pareceu preocupada, não havia como dizer ao certo.

— Não sei se posso lhe contar por telefone, pode vir? — Pedi segurando finas lágrimas. O que aconteceu? A poucos eu estava tão feliz. Porque essa mudança?

— É pra já amiga, não entre em prantos. Estou chegando.

Quando Levy desligou, eu já segurava o choro no canto dos olhos. Que mudança de humor, talvez isso fosse normal entre grávidas. Vai entender.

Mamãe entrou em casa, acompanhada de dona Megumi, uma velha com seus cinquenta e cinco anos, que adorava ter as jovens grávidas como assunto em destaque. Meu medo, porque, em pouco tempo eu seria o contexto principal. Elas falavam e falavam, chegavam até a gritar.

— Lucy, tem pasteis no forno, frite para você. — Dona Layla Heartfilia falou. Corri até a cozinha com uma fome de gigante. Um buraco negro na barriga. Observei elas se afastarem para o quarto.

Destampei a panela de manteiga posta sobre o fogão, apenas liguei a chama e deixei que esquentasse. Dentro do forno os pasteis pequenos faziam um pequeno amontoado no prato branco de porcelana, a relíquia da mamãe. Esse pequeno objeto redondo pertenceu a sua tataravó italiana, passando pela mão de seus descendentes até finalmente chegar às mãos de mamãe. Espantei-me com o fato dele estar ali.

Primeiro um de carne e depois o de frango, ambos foram jogados dentro da manteiga quente. Esperei que estivessem prontos antes de devorá-los.

*

Quando Levy bateu na porta do quarto, anunciando sua chegada, me encontrou debruçada sobre o vaso, jogando para fora os pasteis e qualquer outra mínima refeição que fiz no dia.

Gritei para que entrasse, enquanto lavava as mãos e a boca na pia. Agradeci por estar aqui, eu podia imaginar o que não passou com dona Hana — mãe dela — para vir às nove e quarenta da noite. Conhecendo ela há tantos anos, sei que foi muito difícil para Levy convencê-la, e mesmo assim ela o fez. Essa guria era mesmo muito especial.

— Sua mãe me deixou passar. Disse-me que estava mal. — Explicou. Do pequeno banheiro eu podia observá-la fechar a porta.

Seguiu reto até que estivéssemos bem próximas, encostou-se na parede do lado de dentro e veio me ajudar, pegando o elixir bucal.

— Lucy, sabe das suas condições e ainda come essas porcarias. — Me advertiu, superficialmente zangada.

— Não são porcarias, é os pasteis da mamãe. — Retruquei ressentida.

— Qualquer coisa se torna porcaria no seu estado. — Segurou-me pela cintura e me ajudou a chegar até a cama. Em passos pequenos e vagarosos fazíamos nosso caminho.

— Não imaginei que fossem fazer mal. — Resmunguei. Levy sentou-se ao meu lado, segurando minha mão.

— Está tão pálida, pode ser perigoso.

— Eu sei. — Ela franziu o cenho, notando algo de diferente.

— O que aconteceu com a sua bochecha? Está inchada. — Passou delicadamente os dedos na região mais alta e rocha. Ela tinha medo de me machucar.

— Caí no trabalho. — Falei, sentindo-me culpada.

— Você vai ser mãe Lucy, precisa criar responsabilidades, tem que pensar no seu bebezinho. — Me olhou confortavelmente. — Eu quero que minha sobrinha seja muito forte, e bonita.

Sorriu-me de orelha a orelha, exibindo pela primeira vez na noite seu sorriso mais precioso, o que dava livre arbítrio as covinhas fundas e redondinhas no canto da bochecha.

— Outra vez com essa história. — Emburrei e ela sorriu.

— Estou certa do que lhe disse. Mas conte-me, o que quer falar?

Apertei sua mão agarrada a minha, sentindo a confortável compreensão de uma amiga. Era tão seguro, como se já soubesse que nada ia me acontecer. E não vai. Porque sabia, que Levy brigaria com unhas e dentes em minha defesa, e eu faria o mesmo se ela chegasse há precisar algum dia.

— Eu não sei o que fazer. Como posso contar para minha família que estou grávida?

Recebi um abraço alentado, repleto de sentimentos que me faltavam agora. Dentre eles os fundamentais para me ajudarem a seguir em frente, carinho e amor.

— Eles vão ficar ao teu lado, tenho certeza. Claro que o Sting vai xingar e bater um pouquinho no início, mas ele também vai te dar muito apoio.

— Será mesmo Levy? — Escondi meu rosto em seu pescoço, e descansei os olhos. A azulada me apertou ainda mais.

— Sem sombras de dúvidas, e quando nossa menina nascer vai ser muito mimada por todos. Pode acreditar.

— Eu acredito.

— Será a princesinha mais idolatrada do mundo. E essa tia babona vai fazer questão de enchê-la de presentes, laços rosa e presilhas rochas. Já imaginou os sapatinhos, que gracinha? — Comecei a rir e me afastei. Limpei as lágrimas com o polegar e segurei no rosto um sorrisinho mínimo.

— Você sabe que é uma irmã, não é mesmo?

— E você sabe que sempre poderá contar comigo, certo?

— Nunca duvidaria. — Minhas palavras comoveram Levy, que também deixou lágrimas caírem. Nos duas chorávamos ao mesmo tempo em que riamos.

— Me diga o que mais atormenta essa sua cabecinha? — Me perguntou, e respirei fundo. Muita coisa.

— Eu preciso ir a um obstetra, mas não conheço ninguém. Pode me ajudar com isso? — Perguntei timidamente.

— Claro. Posso te indicar o mesmo que acompanhava Cana. Tenho certeza que a doutora não vai negar, é uma velha amiga da família. O que acha?

Pulei em seu colo e lhe enchi de beijos, nos duas caímos deitadas na cama espaçosa.

Deitei de peito para cima, respirando pesado.

— É perfeito. — Gritei, balançando as pernas no ar, movendo o corpo de acordo com o movimento das pernas. Uma dançinha inventada de última hora. Que sinceramente era ridícula.

Gargalhamos outra vez.

Tudo estaria perfeito se aquele maldito enjoo não voltasse a me assombrar.

Lá fomos nós outra vez para o banheiro. E apesar de tudo, eu estava bem, porque sabia que tinha ao meu lado minha melhor amiga, não, era algo ainda maior. Levy era a minha querida irmã.