Nove Meses

30 27 — Lágrimas de sangue


03 de outubro de 2001

A gravidez, apesar de ser linda, implica também em pontos negativos que às vezes não podem ser ignorados. Naquele dia, por exemplo, havia acordado com um enjôo mais forte que o comum, mas já era esperado com a nona semana de gravidez se iniciando.

O cansaço havia aumentado gradativamente, mesmo que estivesse preparada para o que viria, ainda sim, a surpresa foi grande. O pior estava quando acordava pela manhã, as noites mal dormidas me causavam séria consequências.

As mudanças no meu corpo estavam mais visíveis, apesar de que, com um bom par de roupas largas elas poderiam ser disfarçadas. A essa altura, já não gostava do trabalho em que estava, talvez fossem apenas os receios de uma mãe de primeira viagem. Quando o mês terminasse, eu deixaria de trabalhar na casa dos Dragneels.

Mas nem os pontos negativos se sobressaiam ao fato de que, meu nenê a essa altura já começava a formar os órgãos genitais, seria necessário mais algumas semanas para descobrir o sexo, e eu mal podia suportar. Sabia que cada bebê se desenvolvia de uma forma diferente, cada um do seu jeito, e era esse o motivo que me fazia esperar. Apenas o fato de inconscientemente querer apressá-lo me perturbava às vezes.

— É difícil imaginar que esses pequenos pontinhos no céu, são, na verdade, grandes esferas luminosas. — Passou o braço sobre meus ombros quando percebeu que eu me encolhera com a onda de frio que nos rodeou.

— Estrelas não se resumem ao seu conceito científico, Natsu. Elas são mais que isso, são sonhos, desejos não realizados, verdades não ditas, esperança de muitos corações. Quem nunca olhou para as estrelas esperando pelas respostas que não conseguira encontrar sozinho? Em busca de explicações para o inexplicável? — Perguntei, olhando fixamente seus olhos que pareceram se perder por segundos.

— Ããh... Eu? — Ele riu quando fiz uma careta.

— Você não conta, Dragneel.

— Ninguém faz esse tipo de coisa atualmente, Lucy. Com exceção de uma, é claro. Você não se encaixa nos padrões da atualidade.

— Vou tentar considerar isso como um elogio, juro que vou. — Senti quando prendeu meu nariz entre os dedos, apertando-o levemente.

Uma semana e dois dias haviam se passado desde que todos nós descobrimos sobre o câncer de Yukino, posso dizer que muita coisa aconteceu depois disso. Ela havia iniciado a primeira sessão de quimioterapia, eu não sabia de muito. Sting dissera que ela não queria companhia no momento o que era compreensível dada a sua situação. Os efeitos colaterais a estavam deixando triste e aborrecida.

A quimioterapia estava sendo realizada de forma intravenosa, e num período de dois dias tomava algumas horas do seu tempo.

Sting tentava demonstrar que estava bem, mas ele não conseguia me enganar. Estava desesperado, era evidente no fundo de seus olhos. Há alguns dias ele veio me falar sobre as alianças que estavam guardadas em seu quarto.

— Preciso da sua opinião Lucy, o que acha delas?

Eu tentei, juro que tentei, mas a surpresa não foi tão grande como quando eu tinha visto pela primeira vez.

— Elas são maravilhosas. — Peguei a caixinha e trouxe-a próxima de mim.

Ele franziu a testa e rebateu:

— Você não está surpresa. — Apanhou o objeto de volta. — Já tinha visto, não é mesmo?

— Sim? Vi também o álbum de fotografias.

— E o que acha delas? Acredita que Yukino gostará?

— Sim, na verdade tenho certeza. — Estralei os dedos das mãos. Ele me encarou de sobrancelhas erguidas e formulei rapidamente uma resposta. — Intuição de mulher. Geralmente nunca falha.

Ele pareceu se contentar com essa resposta e guardou-as no bolso.

Eu não gostaria de mentir para Sting, porém, nem sobre ameaça contaria que Yukino já vira aquelas alianças, e ainda por cima, porque eu as mostrei.

— Lucy — Natsu espantou meus pensamentos — O que foi?

— Há alguns dias meu irmão veio me mostrar à aliança que daria a namorada.

— E o que tem?

— Eu já as tinha visto. Mas esse não é o problema, quando ela fez uma visita a nossa casa também mostrei a Yukino.

— Certo, ele provavelmente não esperava por isso. — Puxou-me para o seu peito e encarecidamente aceitei o convite. — O que disse?

— E se lhe dissesse Natsu, que não contei a ele? — O garoto atrás de mim se calou por alguns instantes, provavelmente absorvendo a informação e depois discorreu:

— Espero que ela saiba fingir muito bem.

— Mesmo que isso aconteça, Sting acabará descobrindo e virá como uma fera para cima de mim.

— Não temas, jovem donzela, seu cavaleiro de armadura irá te proteger. — Exclamou repousando um beijo carinhoso no alto da minha cabeça.

— Nem Thor meu querido, conseguirá me defender da Sting Eucliffe.

— Posso me transformar em Odin, se necessário. — Senti quando sua mão pousou em meu pescoço, acariciando delicadamente a região.

Natsu sabia mexer comigo, seus toques eram deixados em lugares que me faziam fraquejar. Não é estranho que não tenha conseguido resistir naquela noite.

— Ainda é muito fraco. — Sussurrei, contendo o sorriso.

— Por ameixas secas Lucy, está tentando me fazer ter medo de seu irmão? — Ele esticou o pescoço e consegui visualizar sua face séria me olhando.

Não parecia estar realmente temeroso, ainda sim, resolvi jogar um pouco mais desse jogo.

— Porque, você tem?

— Não, não tenho. Eu não fiz nada de errado, então não tem porque o temor.

— Está certo disso, Dragneel? — Ele me apertou um pouco mais contra o seu peito. A mão que estava até o momento no meu colo foi depositada sobre o meu braço e ali descansou apenas quando nossos dedos estavam perfeitamente encaixados. Sua outra mão que antes acariciava meus cabelos foi colocada sobre a minha que descansava sobre a coxa esquerda.

A simples menção do toque de seus dedos com a pele exposta da minha perna fez arrepios correrem por mim.

O garoto atrás de mim, assim que percebeu a indesejável reação do meu corpo engatou numa risadinha que me fez tremer.

— Natsu Dragneel... — Ralhei. Sei que isso poderia cansar às vezes, entretanto, não queria nenhum contato mais íntimo entre nós agora. Ainda não.

— Nós não estamos nos beijando Lucy, não estamos cometendo nenhum crime.

Eu gostaria de ter respondido, mas o pensamento do que poderia acontecer daqui a três dias me impedira.

Lisanna estaria de volta e Natsu finalmente encerraria a sua relação com ela. Sabia que ele gostava de mim, mas por algum motivo a sua volta ainda me causava receio. Aquela sensação ruim não me abandonava, mesmo que, durante tantas noites eu a tenha expulsado.

— O que te preocupa? Você está muito pensativa hoje. — Apertou nossos dedos.

— Sua noiva voltará em pouco tempo.

— Ex-noiva. — Corrigiu-me. Mas era ele quem estava errado. Para todos os casos Lisanna ainda era sua futura mulher — Entendo que esteja temerosa, mas não há motivos. Assim que tudo estiver esclarecido com Lisanna eu irei até a sua casa e falarei com os seus pais e também com o seu irmão.

— Todos vão ser contra... A sua família principalmente.

— Eu não me importo com nenhum deles. — Virei-me de frente para ele. Foi tão bom poder alcançar a confiança que transbordava em seus olhos.

Natsu estava tão diferente daquele que conheci. Aquele garoto que um dia chutara o balde qual eu utilizava para limpar as escadas. Vendo-o ali, tão perto de mim, querendo largar a garota que seria ideal para ser sua esposa para ficar comigo. Uma adolescente grávida, cheia de conflitos, e que precisa dar duro para conseguir subir na vida.

Meu coração boiou sobre um sentimento que não poderia jamais ser destruído. Acho que nada poderia ser tão forte como isso.

Tinha tanto medo de que aquilo acabasse, de que no próximo dia ele me visse passar pelos corredores de sua casa e nem me olhasse, que voltasse a me tratar de forma tão dolorosa. E se Lisanna conseguisse fazer sua cabeça?

As lágrimas desceram pelo meu rosto sem que tivesse consciência. Porque estava acontecendo aquilo? Eu não as queria naquele momento. Era como se minhas emoções tivessem tomado conta do meu corpo. Não conseguia me conter.

Virei o rosto de lado quando aquela ânsia vômito me atacou.

— O que esta acontecendo com você Lucy? Dos nossos últimos quatro encontros, em três deles estava passando mal. Amanhã mesmo levar-lhe-ei ao médico. Isso é muito estranho.

— Não é nada. Eu só preciso... Ir para casa.

— Claro, claro — Ele se levantou e me ajudou com o ato, colocou o braço envolta da minha cintura e me ajudou a chegar até o carro. De repente estava me sentindo fraca, tentei não pensar que aquele era consequência do esforço exagerado que estava fazendo diariamente tanto na faculdade quanto no trabalho na casa dos Dragneels. — Porque deixar pra depois o que se pode fazer imediatamente? Vamos hoje mesmo ao hospital.

Alarmei-me, se nós fossemos ao médico Natsu descobriria que estava grávida. Não podia deixar que isso acontecesse.

No entanto, se já não soubesse descobriria naquele momento que é quase impossível tirar uma idéia da cabeça de Natsu Dragneel. No caminho que fizemos até a sua casa, onde eu havia mais uma vez esquecido a minha bolsa, meu coração batia como se estivesse prestes a ser arrancado do peito.

Até quando achava que poderia continuar escondendo isso? Minha barriga, se acariciada, já era notável o relevo. Era milagroso que conseguisse esconder a gravidez de Sting e Natsu por tanto tempo, eu apenas não sabia, para qual dos dois seria mais difícil contar.

Sting quando descobrisse viria imediatamente quebrar a cara de Natsu, e quando digo quebrar, é literalmente. Meu irmão era extremamente possessivo, tanto que apenas palavras não poderiam demonstrar. Tudo dependeria do momento em que contasse. Preferia nem pensar no que ele faria comigo. E quanto a Natsu, sua reação era imprevisível, se ele gostaria ou não da notícia descobriria apenas na hora. Além do mais, como contaria a ele? “Natsu você vai ser papai” ou “ Eu sinto muito, mas me fingi passar por Lisanna na noite do seu aniversário e dormi com você, a consequência está aqui na minha barriga”? Nenhuma das duas alternativas soaria agradável.

Admirando seus olhos agora, suas atitudes, o carinho que veio demonstrando, isso tudo poderia mudar. Quanto mais eu demorasse, mas crítica a situação ficaria. Talvez agora fosse o momento. Se constasse imediatamente, ele ainda terminaria com Lisanna? O que sentia por mim já era forte o suficiente para se sobressair a esse erro que cometi?

— Fique aqui, Lucy. Pegarei sua bolsa na cozinha.

— Tu...Tudo bem.

Ele entrou em seguida. Respirei fundo. Tinha que pensar em alguma coisa a caminho do hospital, mas o que? Que desculpa faria ele me levar para casa?

— Boa noite Lucy. — Meu corpo todo entrou em um tremor desenfreado. Tudo que eu não precisava agora era de Yukiko para me causar mais problemas. Nesses dias que se passaram suas ameaças continuaram, e para minha infelicidade eu não conseguira descobrir nada sobre ela.

Quando encontrei seus olhos meu medo era maior que a minha força de vontade de respondê-la. Ela passou um olhar detalhado sobre todo o meu corpo, e imediatamente tudo em mim endureceu.

É engraçado como o medo às vezes coloca coisas em nossas cabeças. Eu por exemplo, naquele momento, me perguntava se ela já não sabia sobre o bebê. Pode não ter cabimento ou sentido, mas a forma como me olhava deixava claro que não era só pelo ocorrido com Natsu. Se não fosse pela criança, que outro motivo teria? Porque Yukiko me olhava com tanto ódio? Qual a razão de tamanha raiva?

— Boa noite. — Sussurrei. Sabia que aquele era o melhor sinal para demonstrar minha fraqueza. Deveria responder-lhe a altura. Não queria que me visse assim, mas meu corpo não seguia mais os meus comandos.

— Eu lhe dei muitos avisos, querida. Uma hora isso cansa.

— Yukiko. — Natsu despertou-lhe a atenção.

— É bom mesmo que esteja aqui meu filho, Lucy poderá contar melhor os fatos.

Meu coração gelou, parei de respirar por incontáveis segundos. A verdade não poderia vir à tona dessa forma, Natsu nunca me perdoaria. Se ela falasse eu teria que contar sobre o filho, não era justo que ocorresse dessa forma.

— Contar o que? — Ele parecia confuso, mas acima de tudo curioso. Conhecia-o suficiente para saber que não descansaria até descobrir.

Se abrisse minha boca naquele momento para a verdade ele se separaria de mim... Acharia que era uma qualquer... Iria me odiar. E seria eu capaz de suportar o ódio de Natsu?

Meu corpo se agitou, minha cabeça parecia estar sendo acertada por martelos, minhas vistas embaçaram. Tentei focar em Natsu, não poderia deixar que isso acontecesse, não...

Senti que o mundo girou, não enxergava mais as luzes da noite, meu corpo pesou e antes de ficar inconsciente ouvi o grito do meu amado.

— Lucy!!

*

Eu já estivera em hospitais o suficiente para reconhecer o cheiro entre um milhão de outros.

Abri os olhos e o rosto de Yukiko se formou diante de mim. Eu não consegui sorrir, não para ela. Parecia-me certo sorrir quando se acorda em um hospital, por qualquer que seja o motivo, pelo menos você foi socorrida. Não está morrendo sozinho em um beco qualquer.

Um pronto-socorro não precisa significar apenas doenças e mortes, ele é também a expectativa de muitas pessoas. Então, se não fosse por Yukiko, eu teria sorrido.

— Ora, Ora, Ora, vejamos só quem resolveu acordar. Soube muitas coisas interessantes enquanto você dormia. E pensar que Natsu está sentado lá fora, preocupado, pensando que a jovem heartfilia tem alguma doença.

Minha garganta secou. Ela se aproximou mais pousou a mão no alto do meu ventre.

— Você está esperando uma criaturinha, deveria tomar mais cuidado, imagina se algo que aconteça prejudique seu desenvolvimento. Que o senhor o proteja.

Foi como se, uma linha fina que me ligava à razão fosse rompida.

— Não se atreva! Fique longe de mim! Se fizer algo eu juro que sou capaz de tudo Yukiko! — Estourei. Minha garganta ardeu. Tudo que precisava era de um copo de água.

— Você sabe quem é o pai, Lucy? Ou já se deitou com tantos que está em dúvida? —Sorriu. Estava sentada na ponta da cama, minha vontade era de levantar o pé e acertá-lo em sua face.

— Não sou como você Yukiko que se casou pelo dinheiro!Eu tenho decência, não levantei minha saia para um homem por causa da sua conta bancária! — Gritei. Sabia que com o ritmo que estávamos indo logo alguma enfermeira viria averiguar.

— Não se atreva moleca! — Seu rosto se transformou. Ela parecia um animal ferido preste a atacar. — Você não pode dizer nada sobre mim. Uma putinha que não consegue fazer um homem dormir com você por livre e espontânea vontade.

— Eu tenho mais decência que você, isso posso afirmar. — Tentei me controlar. No momento de raiva disse a primeira coisa que me veio à cabeça: — Você é tão seca Yukiko, que não sei como seu marido continuou contigo por todos esses anos. Se é que isso aconteceu.

Minha resposta parecia ser tapas que lhe acertaram na cara. Ela veio para cima de mim, diretamente para minha barriga. Sua mão esquerda apertou o local, e o temor de que viesse a fazer mal ao meu bebê me acometeu. Tentei separá-la de mim, mas o nervosismo do momento parecia ter tomado todas as minhas forças. Sua mão direita se fixou ao redor do meu pescoço e ar começou a me faltar. Mexi-me sobre a cama, tentando afastá-la.

— Saia de cima de mim. — Vociferei.

— Acho que você deveria tomar mais cuidado com o seu filho — Meus olhos se encheram de água. Eu não deixaria que ninguém jamais fizesse mal a ele. Com a menção de um novo grito ela largou a minha barriga e tampou a minha boca. — Talvez hoje ele esteja seguro, mas não sabemos por quanto tempo isso continuará assim. Talvez seja eu quem lhe faça mal.

— Você não pode. — Falei baixo, por entre seus dedos. — Ele é o seu neto. — Repentinamente ela parou de se mexer e afastou alguns centímetros de mim.

Yukiko engoliu em seco, paralisada. Levantou-se atrapalhada, trocando os pés várias vezes.

— Isso não é possível. — Comentou, arrebatada.

Tossi, recuperando o ar.

— Nove Semanas. Faça as contas, verá que as datas coincidem.

— Não... Não... Não... De qualquer uma menos você. Isso deve ser mentira. Você está inventando isso não é mesmo? RESPONDA!

— Essa é a mais pura verdade. — Baixei os olhos. A burrada já estava feita. Não conseguia compreender ainda o tamanho do mal que tinha feito a mim mesma.

— Mentira! Mentira! Você não pode ser mãe de um filho de Natsu. Mãe de um neto... Meu.

— E por quê? — A raiva queimou em minhas veias. — Por quê? Porque tem tanta repulsa de mim? O que lhe fiz Yukiko?

Ela não respondeu.

— Não é apenas por causa da noite que passei com Natsu. Se você tinha tanta certeza que ele não ficaria comigo porque tanta raiva de mim? Por quê?! — Gritei, pela última vez.

— Não é com você, merda! É com sua mãe! — Rebateu de volta.

Se meus olhos não estivessem vendo, eu jamais acreditaria. Mas Yukiko estava mesmo chorando.

Notas finais
Finalmente! Depois de passar o domingo inteiro tentando postar este capítulo, enfim consegui. Minha internet ta perdendo pra uma tartaruga. A coisa ta séria. To me irritando muito com isso ultimamente. Mas, deixando isso de lado, espero que tenham gostado do capítulo. Estão curiosos por toda essa raiva que a Yukiko tem da Layla? Adoro saber o que estão achando. Bem, sem mais a dizer, Beijos, e até domingo. Próximo capítulo: Novos planos. Spoiler básico, para quem não gosta não leia. ... — Recorda-se bem da noite de aniversário de Natsu, sim? — Com o aceno da companheira, ela continuou: — Naquela noite aconteceram coisas que você ainda não ficou sabendo, e tudo está ligado a uma pessoa em especial: Lucy Heartfilia. ... — Diga-me, por favor, que não é o que estou pensando. — Você é inteligente o bastante para isso, estou certa que já descobriu do que estou falando. Lucy está esperando um filho de Natsu. O herdeiro dos Dragneels.”