Nove Meses

28 25 — Amargura


Notas iniciais
Aviso: Provavelmente esse capítulo terá alguns erros, mesmo que eu tenha tentado revisá-lo eu dei uma olhada muito ligeira. Então, por favor, me avisem sobre os erros grotescos, tudo bem? Leiam as notas finais.

Assim que fechei a porta à alegria não poderia ser contida dentro de mim, nem mesmo a ameaça de Yukiko era forte o suficiente para ultrapassar a felicidade que sentia por saber que logo eu e Natsu finalmente estaríamos juntos. Queria contar para alguém, e sabendo que seria impossível Levy vir até aqui a essa hora da noite, procurei rapidamente por mamãe. Ela teria sido minha primeira opção se soubesse que não me julgaria pelo que fiz: Compactuar com uma traição.

Eu acho que não poderia dormir a noite com isso.

Meus olhos vasculharam a sala e me arrependi imediatamente pelo meu ato. Ela estava ali, sentada cabisbaixa no sofá. O ar ao seu redor parecia transmitir tanta tristeza que fiquei com medo do que poderia ser. Torcia para que não fosse nada, que meus olhos estivessem enganados e que tudo não passasse de uma ilusão.

Exatamente agora, quando tudo parecia seguir por um bom caminho, uma bomba estava prestes a sacudir minha cabeça. Mamãe não estaria assim se não fosse algo realmente sério.

— Mãe... — Chamei por ela, baixinho. Quando me viu levantou-se apressada e veio até mim.

— Que bom lhe ter de volta, querida. — Tentou sorrir, mas fracassou terrivelmente. Pensamentos que não eram nada agradáveis me atingiram como uma avalanche, meu lado pessimista, que na maioria das vezes se sobressaia, estava marcando gols sem parar.

— O que aconteceu aqui? Porque está assim?

— Olhe. — Ela me apontou alguns papeis que estavam sobre o sofá. Fui até eles, mas não consegui compreender o que estava escrito, tudo que sabia que aquele era um hemograma. O nervosismo mal me deixava pegá-los direito. — Esses são alguns exames, querida. Exames que eu desejava nunca existirem...

— Você está doente? — Ela negou, mas continuou sem me esclarecer nada. — É com papai? Sting? Diga-me alguma coisa mãe! — Clamei para ela, todavia, tudo o que fez foi me dizer:

— Vá até o seu irmão.

Não esperei por nem mais um segundo. Corri para o quarto de Sting como se a minha vida estivesse dependendo disto, mesmo assim, nunca demorei tanto para chegar até lá. O que teria acontecido? Alguma coisa com ele? Não suportaria que alguma coisa ruim acontecesse com meu consanguíneo. E a falta de notícias tornava tudo pior, porque as únicas coisas que me vinham à mente eram pensamentos negativos. Sabia que isso era errado, tentava pensar que tudo não passaria de frescuragem de homem,que o hemograma não queria dizer nada, mas quando abri a porta de seu quarto soube que algo realmente atinado ocorreu.

— O que aconteceu? — Gritei rumando em sua direção.

Ele, que estava deitado na cama, com os braços cobrindo-lhe os olhos, nem ao menos se mexeu.

— Sting, me diga alguma coisa. Mamãe me mostrou um exame e me pediu para vir lhe ver. Eles são seus? Há algo de errado contigo?

— Não Lucy, eles não são meus. — Ele finalmente resolveu mostrar os seus olhos e vi que havia um vermelho fraco abaixo da linha d’água. — São de Yukino.

— Yukino?

Um alívio soprou em meu coração. Quase sorri tamanha era à emoção de saber que não havia nada de mal acontecendo a nenhum deles. Mas quando lembrei o nome que ele citara voltei a me alarmar.

Sting me ignorou completamente e continuou falando, como se tivesse ensaiado aquela frase um milhão de vezes.

— Aqueles malditos papéis apontam um câncer no sangue. É isso mesmo Lucy, você não ouviu errado, ela está com leucemia. — Ele me disse como se já esperasse que pedisse para repetir o que dissera, e eu realmente teria lhe solicitado se não tivesse tomado essa decisão por si só.

O mundo pareceu mudar de cor por alguns segundos. Minha boca se abriu e fechou diversas vezes, por não saber o que dizer. Queria confortá-lo, entretanto não sabia como fazer isso comigo mesma. Yukino não era uma má pessoa, e além de tudo era o amor do meu irmão, eu ficava mal pelos dois lados.

— Eu sinto muito Sting, não sei nem mesmo o que dizer. — Fui até ele, deitando ao seu lado o mais próximo possível. Queria abraçá-lo, niná-lo até que adormecesse. Nunca o vi tão frágil como naquele momento. — Mas não está tudo perdido. Nosso mundo tecnológico tem nos proporcionado muitos avanços e a também o tratamento. Com a nossa força ela sairá dessa. — Acariciei seus cabelos tentando passar-lhe algum conforto. — Falou com ela?

— Fiquei sabendo por mamãe, Lucy. Yukino esteve aqui, porém eu não estava no momento. Deixou os exames com a mãe e contou tudo a ela. Pediu-lhe para que me dissesse e se foi. Desde então não consigo ter notícias dela, já liguei um milhão de vezes, fui até sua casa, na dos amigos, parentes, e eles também não sabem nada sobre ela. Se isso permanecer assim por muito tempo eu irei enlouquecer, não suporto ficar sem notícias.

— Então é por isso que ela se mostrou tão abatida quando veio até a porta de nossa casa. Não poderia imaginar que seria por causa disso. — passei as mãos agora nos meus cabelos, contrariada. Tudo parecia seguir por um caminho tão bom, Natsu e eu em breve finalmente teríamos nos resolvido, e quando chego em casa, disposta a usufruir dessa felicidade, um desastre como esse caí sobre nossas cabeças.

— Não sei se ela já iniciou o tratamento ou quão avançada a doença está. Se Yukino ao menos me deixasse encontrá-la, mas é como se tivesse desaparecido de Tóquio. Custava deixar uma mensagem? — Ele disse irado. Eu não o culpava, era evidente que ainda gostava dela, alguns dias não são capazes de fazer você esquecer a pessoa que ama. Não imaginava como estava sendo terrível aquele momento para o meu irmão. Pois eu, em seu lugar, não conseguiria tolerar.

— Sting... — Parou de conter-se e deitou com a cabeça apoiada em meu ombro.

Senti que algo úmido fizera contato com a minha pele e descobri segundos depois que ele estava chorando. Ainda não estava acostumada a ver meu irmão lacrimejando, parecia tão... Incomum. Não era boa em consolar as pessoas, vivia me lembrando disso por me deparar tantas vezes com situações que exigiam isso de mim, na maioria das vezes não sabia o que deveria dizer, mas naquele momento, soube que tudo que ele esperava de mim era o meu apoio. E o teria sempre que precisasse.

Acariciei seus cabelos, desejando que a vida fosse menos cruel e parasse de nos dar tantas rasteiras. Quando não comigo com as pessoas ao meu redor. Não era possível ser feliz assim, nem que eu tivesse para mim meus maiores desejos.

*

24 de setembro de 2001

Na manhã seguinte pareceu estranho ter que voltar ao meu cotidiano trivial, depois de um fim de semana de tantas descobertas positivas e negativas, e ainda com a notícia que recebera na noite anterior, ir para a faculdade na segunda de manhã era a última coisa que desejava fazer.

Queria ajudar Sting, encontrar Yukino, ver Natsu, apedrejar Yukiko e conversar com mamãe. Parecia ser tão impossível realizar todos esses meus desejos que eu os despachei antes que me perturbassem ao ponto de não conseguir prosseguir com o meu dia e dei privilegio aqueles que eram mais importantes.

Já estava pronta e ainda faltava um bom tanto de minutos para que desse à hora de seguir para a faculdade. Rumei a cozinha a fim de satisfazer as necessidades do meu estômago e alimentar o monstro gigantesco que construíra um castelo ali dentro.

Para minha surpresa papai chegou pouco tempo depois que eu, arrumado e disposto para o dia que vinha a seguir. Seu semblante sugeria o mesmo de sempre, um tom sério, como se estivesse irritado com algo. Ele nunca fora aquele tipo de homem de muitas palavras naquele horário do dia, no entanto, as situações o obrigavam a ir contra as suas vontades e seguir com a sua rotina.

— E seu irmão, como está?

— Como é de se esperar. Nada bem.

— Tentei falar com ele ontem, mas Sting não estava disposto a me ouvir e nem mesmo a sua mãe. Fico pensando quando foi que me afastei tanto de vocês.

— Você não se afastou de nós pai, e, por favor, não leve Sting a mal, ele está muito transtornado. O senhor conhece o jeito dele, sabe que não gosta de se mostrar frágil na frente de vocês dois.

— Até os grandes homens têm seus momentos de fraqueza, minha filha. E porque nós, alguns entre os milhões de habitantes de Tóquio, não poderíamos ter? Seu irmão não deveria estar tão preocupado com isto neste momento.

— Ele está angustiado demais por causa de Yukino para pensar em muita coisa, espere esse mau momento passar e acho que seria uma boa oportunidade para vocês terem uma conversa de homem pra homem. Tenho certeza que ele tem muito para aprender com o senhor. — Sorri para Papai.

Os momentos com ele eram sempre tão raros, a nossa rotina não nos permitia que nos víssemos sempre, e quando surgiam essas escassas oportunidades deveriam ser agarradas com todo vigor.

— Se a situação não mudar nas próximas horas, creio que seja certo ligarmos para a polícia. Oremos para que isso não aconteça. — Ele estava indo embora, mas provavelmente algo cruzou seus pensamentos e se voltou por um momento. — O bebê... Como está?

— Não há nada de errado. — Sorri. Era tão bom saber que não estava mais tão chateado pela minha gravidez, que já era capaz de conviver com isso. Era melhor ainda ficar a par de sua preocupação com o neto. Ele me deixou um beijo na testa pronto para sair para um novo dia de trabalho.

— Oremos para que tudo se resolva. — Disse, voltando o assunto para o meu irmão.

Enquanto o observava ir, fiquei com meus botões, concordando completamente com papai. Sim, deveríamos orar muito. Mas não apenas por Yukino que estava perdida e que esperançosamente desejava que estivesse bem. Deveríamos também incluir em nossos pedidos pelo meu irmão, eu me vejo no lugar dele, e como reagiria caso fosse Natsu que sofresse dessa doença. O quão devastador seria.

Levy apareceu usando sua bolsa de lado, um sorriso radiante cobria-lhe a face. Provavelmente ela esperava que eu respondesse a uma avalanche de perguntas. Sentia muito por ter que decepcioná-la.

— Não era esse o semblante que esperava encontrar.

— E não encontraria este se não fosse pelos acontecimentos de ontem. — Ela veio para mais perto, atenta as minhas palavras. — Descobrimos que Yukino está com leucemia. Parece tão estranho quando estou falando, pois sei que existe, é difícil, e não esperava que acontecesse com uma pessoa tão próxima da família. — Suspirei pesarosa. — Quero ajudar, mas não sei como, arrependo-me tanto pelo que já disse a ela. Isso fica remoendo dentro de mim.

— Hey, esse não é o fim de tudo. Você sabe que tem tratamento, não é mesmo? — Ela pegara em minhas mãos.

— Estava dizendo isso para Sting outrora. Mas eu penso que, o câncer é uma maldita praga, quantas pessoas voltam a sofrer da mesma doença depois de ter se curado uma vez? Espero do fundo do meu coração que ela já tenha começado o tratamento. — Levy me olhou com pesar, não imagino o que faria ao ver a face de Sting. Ele estava deplorável.

Peguei meus pertences e me dirigi à porta, sabendo que Gajeel provavelmente deveria estar impaciente esperando no carro.

— Ele falou com ela? — Perguntou-me e sabia que se referia ao meu irmão.

— Ela está desaparecida. — Encarei-a por um momento e seu espanto aumentou ainda mais. — Compreende agora toda a extensão da situação?

*

Horas mais tarde, quando cheguei à casa dos patrões, minha cabeça ainda não estava completamente no lugar. Sempre voltava a minha mente a questão sobre Yukino e como meu irmão estaria. Imaginava ele em um escritório, pensando nela e tendo que ignorar seus próprios pensamentos para se concentrar em uma papelada.

Se deixássemos Yukiko de lado, tudo parecia estar indo tão bem. Porque isso tinha que acontecer?

Caminhava ligeiramente olhando para as pontas da minha sapatilha, aquela notícia havia me abalado mais do que esperava.

— Estou a cinco minutos batendo na porta, acho que ninguém ouviu. Por favor, abra-a para mim. Preciso falar com seu irmão.

— Ele não está em casa.

Como fui capaz de ser tão rude com ela? Assim como eu, ela só queria ficar perto da pessoa que amava.

— Não minta para mim, eu sei que ele está aí com você. Ouvi o som do celular dele tocando.

— Sinto lhe dizer que deve buscar ajuda psiquiatra. Sting não se encontra no momento nesta casa.

Porque não pensava antes de dizer? Porque não soube da situação antes? Eu seria a primeira a lutar para que o romance deles desse certo.

Meu corpo se chocou contra outro, e eu desejei que não fosse Yukiko. Não estava em condições de suportar ela agora. Ainda não havia pensado em uma maneira de lidar com suas ameaças.

— Desculpe-me. — Pedi sem nem mesmo ver de quem se tratava.

— Não há o que desculpar. — A voz dele chegou até mim e pela primeira vez naquele dia eu não me senti tão mal.

Uma fagulha de alegria acendeu dentro de mim por lembrar que as coisas entre nós estavam melhores. Olhei para seu corpo forte, o sorriso estampado em sua face, os cabelos revoltos brilhosos e soube que nem tudo estava perdido.

Queria ser capaz de exibir um sorriso tão bonito quanto o dele, mas naquele momento não ousei nem mesmo tentar. Nada de gracioso surgiria.

— O que você tem? — Suspirei em descrença. Estava assim tão mal que era perceptível pelos olhos de fora?

Pensei se deveria lhe contar a verdade, dividir com ele esse problema. Por um segundo considerei lhe dizer, no entanto, no instante subsequente ponderei se era realmente isso que deveria fazer. Natsu não tinha nada haver com isto, não era certo perturbá-lo com coisas que não lhe diziam respeito.

— Não é nada. — Torci para que soasse confiante.

— Lucy, você já me disse que está disposta a ter um relacionamento comigo. Mas se antes de termos algo oficial já existir entre nós um amontoado de mentiras não acredito que vá dar certo. Sei que nunca fui uma pessoa muito agradável com você, mas estou tentando mudar.

Ele estava certo, deveria lhe contar. Só não sabia como. Era antiético trazer problemas pessoais para o trabalho. Temi que não entendesse.

— É a namorada do meu irmão — Não tinha certeza se deveria chamá-la assim, mas no momento a última coisa que tinha em meu pensamento era coerência. — Ela está com câncer.

Ele franziu o cenho, sem saber o que fazer com a situação.

— Sinto muito...

— Mas isso ainda não é o pior, Yukino está desaparecida há algumas horas. Aparentemente ninguém sabe dela.

— E vocês comunicaram a polícia? — Perguntou-me. Senti seus dedos em meu braço e apenas aquele simples contato conseguiu me acalmar.

— Há esta hora certamente que alguém já foi até lá. — Tentei dispersar esses pensamentos. Carecia me lembrar que havia muito trabalho a ser feito, e que a minha vida não poderia parar por causa disso. Eu ainda precisava do dinheiro que aquele emprego me fornecia. Todavia, nem mesmo por esses motivos deixava de ser difícil, realmente difícil. — Devo ir, preciso trabalhar.

— Você tem certeza disso? — Voltou a questionar-me. Era difícil acreditar que aquele olhar preocupado se dirigia a mim. As coisas se modificaram tanto depois daquele final de semana.

Seus dedos tocaram a minha bochecha e sorri minimamente.

— Sim. A vida não pode parar, não é mesmo? — Apertei-lhe o ombro e segui com o meu caminho. Natsu me olhava como se não tivesse certeza de minhas palavras.

Não vi Virgo quando entrei na cozinha, deixei minha bolsa no lugar de sempre e procurei pelos utensílios que me ajudariam a fazer a limpeza da sala. Apanhei a vassoura e comecei por um canto qualquer, com a cabeça imersa em raciocínios.

— Olhe, aqui dentro tem duas alianças, e uma delas estaria em seu dedo num futuro extremamente próximo.

Fui tão cruel com ela naquele momento, havia dito tudo aquilo com a intenção de machucar-lhe. Embora tentasse dizer a mim mesma que não era minha real intenção aquele fato não poderia ser negado.

Merda Lucy!

E se Yukino fosse mesmo inocente nessa história toda? Sting quando me contara dissera que ela estava muito próxima de Rogue, mas será que realmente aconteceu alguma coisa entre eles? E se fosse apenas o ciúme exagerado do meu irmão que não o deixara perceber a verdade? E tinha ainda mais uma questão, se eu, que não tinha muito contato com Yukino estou tão arrependida e culpada pelo que aconteceu, o que estaria se passando na cabeça de Sting?

A dor de cabeça que começou a me assolar não estava ajudando em nada. Parecia que haviam me acertado com um martelo. Isso não era nada bom, pois eu não tinha o remédio adequado comigo.

Apoiei na parede as minhas costas e fechei os olhos por alguns segundos, torcendo que por milagre a dor se esvaísse. Para minha tristeza isso não aconteceu.

— Você não está bem, não é mesmo? — Natsu me levou até o sofá, e deixei-me ser guiada.

— É apenas uma dor de cabeça idiota. — Tentei sorrir para ele. — Já vai passar.

— Tenho alguns comprimidos, posso ir buscar agora mesmo. — Levantou-se, contudo, segurei a barra de sua camisa. Neguei prontamente e ele bufou. Quis rir por um momento, se alguém me dissesse a duas semanas que faria isso por mim, eu diria que estava enlouquecendo. — Vejo que você é muito teimosa.

— Isso foi tudo pelo que aconteceu, não é nada, até já passou.

Não estava muito melhor, mas preferi manter apenas comigo mesma. Havia outros truques para acabar com aquele incômodo sem que fosse necessário o uso de remédios. Foi outra recomendação da Dra. Mieko, muitos dos medicamentos contra a cefaléia (dor de cabeça), como a aspirina e ibuprofeno não eram recomendados. E mesmo o paracetamol que é considerado seguro para grávidas deveria ser tomado com moderação. Preferia me manter longe de qualquer um deles.

— Você deve ir para casa.

— Não posso fazer isso, Natsu. Tenho muito trabalho para fazer ainda.

— Não estou pedido a sua opinião, estou? — Ele puxou-me para fora do sofá. Conduziu-nos para fora do cômodo pouco se importando com a bagunça que havíamos deixado para trás.

— Você nunca vai deixar de ser mandão, certo?

— Sabe como é, pau que nasce torno morre torto.

Tentei pará-lo, no entanto, Natsu era dez vezes mais forte que eu. Parecia que os meus puxões não era nada, ele nem ao menos se virava para ralhar comigo.

— Eu preciso pegar a minha bolsa. — Lembrei-lhe e foi quando mudamos o curso do caminho. Falei para ele onde a havia deixado e seguimos para lá. — Eu prefiro ficar aqui onde terei algo com que ocupar a cabeça. Não adianta ir para casa se continuarei com os mesmos temores.

— Isto ainda é sobre a namorada de seu irmão? — Peguei a bolsa e assenti para ele. — Está preocupada com ela?

— Sim. Na situação em que está, deveria tomar mais cuidado. Penso o que pode estar acontecendo agora.

— Tudo bem, vamos procurar por ela então. — Quase engasguei com a minha própria saliva. Olhei-o incrédula, duvidando dos meus ouvidos e de suas palavras. Pensei em questionar-lhe sobre sua atitude repentina, porém me calei quando seus dedos apertaram os meus. É obvio que seria mais fácil tendo ele ao meu lado.

— E por onde acha que devemos começar a procurar? — Perguntei. Quais seriam as chances de tudo não estar passando de um sonho? Quais eram as probabilidades de Natsu estar realmente disposto a me ajudar?

— Esperava que você pudesse me dizer. Podemos procurar por seus familiares...

— Sting está mais adiantado e já fez isso por nós.

— Podemos falar com eles novamente, talvez tenha algo que seu irmão deixara passar. — Concluiu. Poderia ser, talvez o estado de Sting não o tenha permitido alcançar os detalhes. Algo que seria importante, e nos ajudaria a descobrir seu paradeiro.

— Agora que você disse... Creio que seria uma boa ideia irmos à casa de sua avó, é a pessoa mais próxima de Yukino que eu saiba.

Ele sorriu em concordância. Rumamos ao jardim e depois a garagem a procura de Max, não o encontramos em lugar algum. Natsu discou seu número e se afastou alguns passos para conversar a sós. Vi ele franzir o cenho e voltar até mim com cara de poucos amigos.

— Depois que ele levou seu irmão em casa, está às ordens de minha mãe. Está preso com ela em algum lugar que não consegui compreender o nome, acho que tem algo a ver com uma loja de roupas, o que não faz muito sentido porque meu pai cancelou os seus cartões de créditos.

Nada fazia muito sentido desde que acordei as 05:30 para viajar naquela manhã de sábado. Mas o que mais me perturbou foi o fato de Max ter levado meu irmão em casa. Senhor Igneel o dispensara? O que acontecera com sua moto? Algo grave havia sucedido?

— Porque meu irmão foi embora?

— Depois que meu pai descobriu sobre a namorada do mesmo ele o liberou e fez questão de contatar a polícia. — Surpreendi-me. Até onde iria à solidariedade daquele homem?

— E o que faremos então? — Questionei.

Sem Max nós não poderíamos seguir com o planejado. Natsu poderia dirigir, mas eu sabia o quanto aquilo continuava a ser difícil para ele, seria necessário tempo para que se acostumasse novamente a estar no controle de um carro. Não era por ter feito algumas poucas vezes que voltaria a dirigir como se pudesse esquecer tudo que acontecera antes. Nós não tínhamos mágica para que isso acontecesse.

— Tudo bem, acho que não me custa nada treinar mais um pouco. Não é mesmo? — Ele segurou em minha mão, encaixando nossos dedos de forma carinhosa. Lembrei-me de um dia ter imaginado que aquilo acontecesse.

— O que você pretende fazer?

*

Natsu dirigiu até o endereço que eu me lembrava vagamente de memória. Foi preciso uma ligação ao meu irmão para que minhas dúvidas fossem deixadas de lado.

Não podia esquecer também o que o garoto ao meu lado estava fazendo, não saberia dizer se era por mim, mas nada deixava de lado o fato dele estar sendo incrível. Poderia simplesmente ter esquecido sobre o assunto, mas ali estava ele, ao meu lado, dirigindo a um lugar desconhecido, enfrentando seus fantasmas, ajudando-me.

Encarei-o por alguns instantes. Os detalhes de seu rosto, seus cabelos arrumados seus olhos concentrados. Descendo a vista para o seu pescoço notei um detalhe que eu já vira de relance uma outra vez, mas que com o tempo, acabei me esquecendo. Se tratava de uma cicatriz que cobria uma pequena parte de seu pescoço. Passei delicadamente meus dedos pelo local, acariciando.

— Esta é a única marca física que obtive do acidente.

Ele me olhou rapidamente. Sorri quando vi que havia se arrepiado.

— As coisas mudaram tão rapidamente, principalmente em relação a você.

— Decidi que devo fazer o que tenho vontade, o que acho correto. Chega de ter Yukiko dando palpites desnecessários em minha vida, ela não será infeliz por mim.

— E o que tem vontade de fazer agora Natsu? — Subi meu carinho para sua nuca. Brinquei com seus cabelos quando meus dedos se enroscaram entre eles.

— Ficar com você. — Respondeu de forma curta e encantadora. Meus olhos brilharam com as lágrimas que ameaçaram descer por eles. O que era isso agora? Se aquele era um motivo de felicidade porque queria chorar? Senti que o carro perdeu repentinamente a velocidade e olhei ao redor procurando pela casa da avó de Yukino.

— Nós ainda não chegamos. — Ele esclareceu.

— Então porque paramos? — Questionei-lhe. Desci minha mão para seu rosto onde afaguei de forma singela.

— Primeiro porque não acho seguro continuar dirigindo com esses seus movimentos. E segundo, tenho algo para lhe contar. — Sua mão pousou sobre a minha e ele levou meus dedos até os seus lábios. — Conversei com Lisanna ontem... — Olhou em meus olhos, atento a minha ração.

— Você não contou para ela por...

— Não, Lucy. Não disse nada por telefone. Acho isso antiquado. Mas a preparei para o que está por vir, falei-lhe que teríamos uma conversa séria quando chegasse. Pelo seu tom, provavelmente já espera que não saia algo de muito bom desse nosso diálogo.

— Vai ser difícil, não é mesmo?

— Muito, mas me mantenho firme com minha decisão... — Ele aproximou o rosto do meu, e eu inconscientemente fiz o mesmo. Quando dei por mim, apenas alguns centímetros separavam os nossos lábios. — Sei que estou fazendo o certo.

— Natsu, nós não devemos fazer isto.

— Apenas um beijo Lucy, é tudo que estou lhe pedindo. — Nossas bocas se tocaram, tentei reunir forças de dentro de mim e me afastar. Mas isso era impossível, tudo que consegui foi direcionar o rosto para outra posição.

— Quando você se resolver com Lisanna terá quantos quiser. — Ele riu. Pensei que se afastaria com isso, mas como fui tola, pois estava completamente enganada. Ele deu a entender, realmente, quando seu rosto se separou. No entanto, ele voltou a se aproximar novamente pegando-me desprevenida e tomando de mim todas as minhas armas.

Nossas almas voltaram a se unir quando nossas línguas entraram em contato. Nunca, nunca em minha vida me cansaria daquilo. Seus dedos em meu cabelo bagunçando-os de forma tão acalentada, seu beijo que estava tão calmo e doce. Diferente de outros que já tivemos. Ele me deixou um selinho demorado quando foi necessário que nos afastássemos.

— Não podemos fazer isso. — Lembrei-lhe. Ele sacudiu a cabeça e reforcei minha fala; — Natsu, estou falando sério. — Disse a mim mesma que algo entre nós não voltaria se repetir enquanto ele tivesse algo com Lissana. Aquele seria nosso último beijo até a sua volta. Era o certo a se fazer e o que interiormente prometi a mim mesma. E eu não costumava quebrar promessas.

Apesar de tudo sorri por dentro, certa que estávamos firme nisso. Em breve, quando estivéssemos em uma relação concreta, Natsu saberia sobre o filho.

Ele beijou o canto dos meus lábios e voltou a dirigir, um sorriso contagiante cobria-lhe a face.

Notas finais
Olá queridos, aqui estou eu, no último dia do ano, trazendo mais um capítulo pra vocês. Temos aqui algumas coisinhas para ressaltar: 1° A doença da Yukino. Mesmo antes de começar a escrever Nove Meses, eu já sabia que ia escrever sobre leucemia. Inicialmente, isso aconteceria com a Lucy, mas a gravidez por si só já é um assunto muito delicado, e eu não acho que estou apta para escrever sobre gravidez e leucemia juntas em uma mesma personagem num mesmo período. A doença da Yukino, o progresso, o tratamento nós vamos acompanhar através das descobertas da Lucy, e de um especial que pretendo escrever. Eu não vou desviar o foco da fanfic, a gravidez, e escrever somente sobre a doença, fiquem tranquilos. É clichê? Sim é, mas nem por isso deixa de matar e ser terrível. Eu gosto de escrever sobre esses assuntos diversos, porque eu aprendo muito com as pesquisas que tenho que fazer. 2° Quero agradecer imensamente a todos os leitores que, apesar da demora na postagem da fanfic, ainda sim, não desistiram de Nove Meses. Muito obrigada pelas recomendações, cada comentário que cada um deixou e até mesmo aqueles leitores fantasmas que nunca apareceram. Vou ficar na torcida para que no Ano de 2015 vocês resolvam dar as caras. Rsrsrs 3° Antes que eu me esqueça, agora acabou a vida boa, eu não tenho mais nenhum capítulo pronto *chora*. Espero não demorar muito para terminar o próximo que tem mais ou menos umas 800 palavras. Então sim, ainda falta muito. :( Um abraço de urso para cada um de vocês, muitos e muitos beijos, e que esse ano de 2015 seja cheio de realizações pra todos nós. Até qualquer dia. Feliz ano novo! Ps. Perdoem-me pelos erros grotescos que encontrarem.