Nove Meses

14 14 — Ajuda de um cupido


Notas iniciais
Hey, Tem um hiperlink no capítulo, escutem ok?

— Eu queria poder lhe ajudar Yukino, mas entre você e Sting eu o prefiro — Apertei-a em meus braços, retribuindo o abraço. Se aquele simples ato de afeto a faria se sentir melhor, eu não o negaria. Ainda existia uma antipatia por ela, pelo que fez ao meu irmão. Vivia em uma confusão, era tão complicado acreditar que tivesse ficado com Rogue apenas algumas horas depois de ter deixado Sting.

— As coisas nem sempre são como parecem, Lucy. — Ela rescindiu o abranjo e pegou a caixinha que estava em minhas mãos. Não a abriu, e eu também negaria caso viesse tentar. Estive violando a intimidade de meu irmão desde o momento em que vi as alianças. Que direitos eu tinha de mostrá-las a Yukino? Não fazia nem ideia do que Sting faria comigo caso descobrisse. — Eu tenho uma irmã também, e para mim sua felicidade é ainda mais importante que a minha. Acho que sente assim também em relação ao seu.

— Sim, é exatamente assim. Sting é meu porto seguro... — Estendeu-me a caixinha e eu segurei-a firme nas mãos. — A pessoa que me oferece maior proteção. Eu faria qualquer coisa para vê-lo feliz. — Abaixei-me para guardá-la dentro da gaveta. Coloquei-a no lugar ajeitando-a da maneira que eu me lembrava que ele havia deixado. — E se a felicidade dele estiver com você, eu darei total apoio. Eu não sei o que aconteceu e não acho que isso seja o mais importante no momento pois deve esclarecer a ele. Eu preciso apenas de um motivo para ficar ao seu lado, apenas um que tenha o poder de me fazer repensar. Porque tudo o que sei até agora é que, desculpe à maneira como irei dizer, agiu como uma vadia. Mal havia terminado com meu irmão e já estava com outro. E é por isso que eu tenho tanto receio, essa não era para ser uma atitude da garota pela qual ele está apaixonado.

Yukino encarou-me de olhos esbugalhados, talvez não esperasse ouvir umas verdades. Eu estava sendo sincera como sempre fui. Não sabia agir de outra maneira que não fosse essa.

— Dê-me uma razão para ajudá-la reconquistar Sting.

Abaixou o olhar, sem ter o que dizer. Vi lágrimas pingando no chão, e quase vacilei. Mas jamais poderei me deixar levar por um choro, mesmo que parecesse tão sofrido. Esse era meu problema, ser tão frágil ao sofrimento.

— Eu o amo. Ele sabe disso. — Levantou os olhos para me encarar. A água cristalina que descia de seus orbes combinava perfeitamente com a vermelhidão do globo ocular. — Eu te amo Sting... — Pronunciou essas palavras como se estivesse dizendo a ele. Talvez esperasse que ele ouvisse no lugar em que estivesse.

— Infelizmente eu te amo virou bom dia. — Comentei e ela fez um aceno com a cabeça concordando comigo. — As pessoas hoje o dizem para o primeiro que vêem pela frente. Elas pronunciam algo que é tão especial sem nem ao menos saber o significado dessas três palavras. Não sentem esse sentimento que preenche o peito, que te deixa sem ar ao mesmo tempo em que aquece o coração. Eu não posso acreditar em você. Sinto muito.

— Você fala sobre o amor com tanta naturalidade. Está amando alguém Lucy? — Perguntou, enxugando as lágrimas. Passava a manga da blusa de frio que usava sobre os olhos.

— Infelizmente ou felizmente sim. As pessoas dizem que amor é algo arrebatador, entretanto elas deviam saber que nem tudo é um oceano de sorrisos. Junto com o amor vêm sim alegrias, sentimento, torpor. Mas vem também o sofrimento, vulnerabilidade. Talvez o pior seja nos tornarmos tão vulneráveis. Por mais que sejamos fortes, somos fracos em relação ao parceiro ou parceira. Diga-me Yukino, se ama realmente Sting como acabou de dizer, não lhe doe saber que ele está sofrendo por você?

— Quando penso nisso meu coração sangra. Talvez por ser mais velha eu me sinta responsável. Meu maior desejo é que seja feliz.

— Você terminou o relacionamento. — Lembrei-a.

— Lucy, eu quero apenas que ele amadureça. Sting estava andando de skate em uma pista molhada. Puxa vida! Ele não se dava conta do perigo? Poderia cair, se machucar... — Começou a falar. Ela deixava extravasar seus pensamentos, medos. Parecia se preocupar verdadeiramente com ele. Eu sabia o que sentia, eu compartilhava dos mesmos receios tanto em relação à Natsu e com o próprio Sting também.

— Você é apenas dois anos mais velha que ele. Já parou para pensar que não é preciso que se sinta tão responsável? Ele quer uma companheira, não uma segunda mãe.

— Está me dizendo que estou errada em me preocupar? Querer que ele fique bem, e não se exponha ao perigo?

— Não, apenas acho que não era necessário terminar com ele. — Bufei, me entupindo de raiva. — Se vocês acabaram por algo assim, o que seria de uma vida juntos? Problemas sempre vão aparecer, deveriam se unir e tentarem resolver.

— Eu sei que agi de forma errada. Mas não pensei na hora, ok? Simplesmente me deu nos nervos o ver sendo tão imaturo arriscando a própria vida. E eu não estou sendo exagerada, porque um acidente ali provocaria algo grave. Quando se trata dele esse sentimento de proteção toma posse de tudo, eu não consigo evitar.

Ouvir suas palavras apenas dificultava ainda mais o raciocínio. A maneira como se expressava demonstrava realmente amá-lo. Mas, apesar disso, existia a desconfiança. Era ruim suspeitar tanto de uma pessoa, eu realmente gostaria de dar credibilidade a suas palavras.

Ela fungou limpando com os dedos a última lágrima que descia por seu rosto.

— É melhor ir agora. Por favor, diga a Sting que estive aqui.

— Eu não posso te dar certeza de nada, Yukino. Tudo vai depender dele. Se a sua presença ainda o perturbar talvez seja melhor ele não saber que esteve a sua procura.

— Eu não vou desistir, Lucy. — Afirmou-me com convicção. — Não deixarei ir para longe o meu amor.

Ela estava decidida. Tão decidida quanto eu. Nós duas lutaríamos pelos sentimentos de quem gostávamos. Havia apenas uma diferença: A garota de exóticos cabelos azuis-claros era correspondida.

— Eu te entendo. — Ela sorriu e saiu pela porta. Fiquei observando a madeira depois de sua partida. Algo me dizia que a história deles não acabaria daquela maneira. Como algo no fundo do meu íntimo também proferia que o destino daria uma chance a mim e Natsu. Nossas vidas estavam entrelaçadas, por um pequeno e desconhecido ser.

*

Meu coração bateu mais forte no peito. Yukino havia partido e papai e mamãe não terminaram a sua conversa. Pensamentos me vinham sobre o que poderiam estar falando. Ela já deveria ter contado toda verdade, e sua raiva por Natsu agora não era tão grande.

Era entediante e ao mesmo tempo angustiante ficar sentada naquele sofá. Não existia programa de televisão que pudesse me distrair no momento. O canal de notícias — Que não era meu preferido — mas que gostava de assistir para me manter informada, exibia tragédias e mais tragédias. Alguma que haviam acontecido aqui mesmo em Tóquio, outras que foram extraídas do exterior. Não havia nenhuma notícia boa, algo que alegrasse o meu dia.

Porque eles não poderiam exibir nada de bom que a humanidade fosse capaz de fazer? Passavam apenas o lado negro da sociedade. Desta maneira era difícil ter, nem que fosse a mínima fé, que poderíamos depositar na humanidade.

“Estão transmitindo a realidade.” — A frase ecoou na minha mente. Sim, lamentavelmente era esta a maior parte do planeta em que vivemos.

Deitei no sofá e virei à cabeça para a estante a dois metros na minha frente. Um borrão azul cruzou minhas vistas. Levantei o rosto assustada olhando novamente o local em que enganosamente eu achei ter visto algo. Nada tinha ali.

Deduzi que aquilo era fruto do stress. Mamãe estava certa, eu não podia me estressar.

— Isso pode fazer mal a você, não é lindinho? Ou será lindinha? Mamãe esta curiosa para saber qual o seu sexo. — Conversei com minha barriga. Levantei a blusa e fique encarando o pequenino volume. — Você irá ser uma criança muito querida, certo? Irei te amar muito. Vai ter uma vovó meio maluquinha, e uma tia ainda pior. Aquela lá você não pode se aproximar por muito tempo e eu me assegurarei que isso não aconteça. Embora eu ache que vai uma das tarefas mais difíceis imposta a mim, pois ela gruda. É pior que grude feito com polvilho e água.

Sorri, era bom conversar com meu neném.

— O seu tio vai ser um babão, pode ter certeza. Se você for um menino vai sair muito com ele. E se por ventura gostar de pescar posso até prever a bagunça que os dois farão. Bem, se você for uma menininha, vai ter problemas quando decidir se casar. Ele vai querer até mesmo o número do CPF do seu marido. Um histórico completo.

Eu ri, eu era mesmo maluca. Meu bebê nem havia nascido e eu já estava pensando em seu casamento. Digamos que eu era um pouquinho antecipada.

— Com seu avô o problema vai ser ainda maior. Ele é meio desajeitado, mas vai te adorar. E vou lhe avisar que o velho tem um ciúme imenso, digo isso por experiência própria. — Contei essa parte baixinho. Sorri no momento que se seguiu. — O seu pai ainda é um enigma para mim, mas, mesmo que ele tenha nenhum sentimento pela mamãe vai ter por você. Ainda que ele não esteja presente agora, na sua formação, eu vou me certificar de que um dia você possa chamá-lo de papai...

— Se você não fizer isto, eu mesmo farei — Apareceu atrás do sofá como Sting fazia para me assustar. Ao seu lado estava mamãe que exibia o que um dia fora um sorriso. Andou até que estivesse ao meu lado, sentado de pernas cruzadas. Não como nós mulheres costumamos fazer. Ele amparava o pé direito no joelho esquerdo. — Uma criança precisa de uma família, um pai e uma mãe. E Natsu querendo ou não vai estar ao seu lado.

— Pai, o senhor não vai fazer nada, não é mesmo?

— Por enquanto. Prometi a sua mãe, e não sou um homem que descumpre o que fala. — Murmurou sem muita agitação. Seus olhos estavam cansados, e eu soube que ambos os adultos estiveram em uma nova discussão. Pelo semblante de dos dois, desta vez a conversa fora muito séria. — Eu não consigo acreditar que esteja mesmo acontecendo. Vou dizer algo bem clichê, mas isto aqui realmente parece mesmo um pesadelo. Eu só não consegui despertar. E ao que tudo indica também não vou.

— Você acha tão ruim assim? Ter um neto? — Apertei os dedos, encarando o esmalte vermelho. Desde que Levy fizera minhas unhas eu não as havia pintado novamente, dando atenção a ela agora via que precisavam urgentemente novamente ser feitas.

— O problema não é o neto. — Suspirou brusco, sem paciência para explicar. — É a situação. Agora que você iniciou o curso de farmácia, está entrando no auge da vida. Não tem uma história conjugal com o pai do seu filho, vocês mal se vêem. — Riu, sem nenhuma graça. Talvez fizesse aquele gesto por falta de um melhor. — Ainda por cima vai ser mãe solteira. — Magoei-me com o seu pensamento machista. É obvio que eu gostaria de ter o pai do meu bebê ao meu lado, mas caso depois de tudo que estava disposta a fazer ainda não fosse possível que Natsu estivesse comigo, eu conseguiria sim criar minha criança. Não lhe faltaria nada desde sentimentos — muitos sentimentos — a bens materiais. De amor a um berço confortável onde pudesse descansar. Se fosse preciso trabalharia árduo — mas do que trabalho — para que tudo dê certo na vida deste curumim. — Ele deve saber, tem tanta responsabilidade quanto você na criação dessa criança.

— Eu não quero mais ouvir. — Disse me levantando. Eu não ficaria parada escutando suas palavras. Precisava respirar ar puro, o que não encontrava estando presa dentro daquelas paredes. Onde a atmosfera estava corrompida.

Andei para a porta, e mamãe me seguiu.

— Espere minha filha, vocês precisam conversar.

— Pra mim já deu por hoje.

Abri a porta deparando-me com um corpo grande e esguio. Fiquei estática encarando aquele ser que não tinha outra reação que não fosse fazer o mesmo.

O coração acelerou, o rosto empalideceu, os dedos tremeram. E a boca, a minha boca, finalmente abriu-se para pronunciar algo.

— O que está fazendo aqui? — Perguntei olhando para trás vendo papai inquieto no sofá. Ele não tinha visto o garoto na nossa porta, e como reconheço a bondade de Deus. Mamãe o encarava de olhos miúdos, boca aberta e como nós sem expressar reação que não fosse aqueles brandos movimentos.

— Vou tirar seu pai daqui. — Disse-me em meu ouvido. Desaparecendo. Fechei a porta atrás de mim encostando-me a ela.

— Vim procurar meu gato. — Respondeu-me a pergunta que eu nem mais lembrava que havia feito.

— E porque está aqui? Happy provavelmente está perdido em algum lugar em sua casa. Procure em um ambiente que tenha muita comida, ele certamente está lá. — Falei ainda baixo temendo que papai fosse capaz de ouvir. Um encontro com Natsu agora provocaria o que eu chamaria de uma terceira guerra mundial.

— Você não está entendendo. Eu tenho certeza que Happy está por aqui. Max o viu.

— Como? — Eu não tinha ciência do que ele estava falando. Porque motivos o gatinho dele haveria de estar em minha casa?

— Quando vocês vinham, Happy estava no banco traseiro. Max afirmou tê-lo visto. Só não disse nada porque pensou que o animal procedia com a minha permissão. — Explicou e comecei a entender aquele borrão azul que vi enquanto estava deitada no sofá.

—Bem... Faz sentido. Eu vou tentar encontrá-lo e trago para você. — Abri dois centímetros da madeira, deixando claro que entraria. Eu estava sendo mal educada, quando o certo seria convidá-lo a ingressar, mas Natsu um dia ainda me agradeceria por estar agindo de maneira grossa com ele nesse momento. Estou salvando-o de levar uns socos no rosto. Por mais que papai não estivesse tão aborrecido como antes, principalmente por saber a verdade, nada muda os fatos. Natsu é o pai da minha criança.

— Talvez se eu puder ajudá-la o encontraremos mais rápido. — Sugeriu de olhos atentos.

Pense depressa Lucy! Pense! Pense!

— Ele pode se assustar e acabar fugindo. Caso ela venha aqui para fora você pode pegá-lo.

— Tem algo na sua casa que você tem tanto receio que eu veja? — Perguntou. Uma de suas sobrancelhas fazia uma elevação charmosa. Aquilo deixava seus olhos escuros ainda mais atraentes.

— Olha é que esse é um momento chato... — Mordi o lábio inferior. — Meus pais estão concentrados em uma daquela conversas chatas em família. — Emborquei o rosto, uma atitude desajeitada. Era o instinto.

Natsu piscou os olhos, e notei seu constrangimento com a situação. Até mesmo ele tinha seus momentos acanhados. Era claro que ele não chegara em um bom momento.

— Tudo bem, eu irei esperar aqui fora.

— Não. — Se papai inventasse de sair seria perigoso. Eu tinha que levar Natsu para um lugar longe o suficiente das vistas do loiro de meia idade. — Max está com você? — Afirmou. — Peça para ele te levar a praça a duas ruas abaixo daqui, puxarei Happy para ti. — “Se encontrá-lo” completei em pensamentos.

— Se prefere assim. — Ele virou as cosas e andou em passos graciosos até o carro. Reparei em sua calça mais apertada que o de costume e em como elas davam mais destaques a suas cochas não tão finas. Natsu era mesmo um belo homem.

Entrei e fechei a porta. Papai não estava na sala, mamãe tinha conseguido. Vasculhei cada pedacinho do âmbito. Levantei o sofá, melhor dizendo que tentei fazer algo parecido. Olhei atrás da estante e dentro da caixa que tinha os dois álbuns que ficavam na sala.

Happy não conhecia a casa, então ele poderia estar em qualquer lugar. Um mínimo estalido o assustaria. Eu não conseguia acreditar que ele havia me seguido, porque para ele vir aqui para casa, ele só poderia estar atrás de mim.

De alguma maneira eu deveria ficar feliz, pois isso mostrava o quanto nosso vínculo era maior do que eu esperava.

O próximo local em que olhei foi a cozinha, Happy adorava desse ambiente o motivo era mais que obvio. Nem um sinal dele e comecei a suspirar pesado.

Decidi ir também ao meu quarto, seria pouca as chances do gatinho estar lá. Mas não restavam muitas outras opções. Eu também orava para papai e mamãe não encontrá-lo zanzando por aí.

Foi um tiro certeiro. O bendito dormia enroladinho sobre a minha cama encostado a minha coberta felpuda que a Sra. Layla havia dobrado.

— Como você descobriu que aqui era o meu quarto Happy? — Aproximei-me dele remexendo os pelos de sua cabecinha. Ele despertou, seus olhos permaneciam semi-abertos e tudo indicaria que voltaria a adormecer logo. Peguei-o entre meus braços. — Você não pode mais dormir, amiguinho. Tem alguém que quer muito te ver.

Sai do quarto conferido de não tinha ninguém a vista. Antes de deixar a casa gritei alto: — “Tô saindo”. — Isso bastaria.

Eu poderia contar os passos daqui até a praça, era o de mais animador que havia para eu fazer. O azulado adormecia em meus braços e não estava para brincadeira. Uma bronca também não resolveria o problema, já que ele não me daria à ínfima atenção. Eu nem mesmo tinha certeza se ele poderia me compreender, talvez fosse loucura conversar com um gato.

Há uns cinquenta passos do parque eu podia avistar Natsu, meus olhos estavam fixados no seu corpo levemente emborcado. Não podia visualizá-lo com precisão por causa das árvores que estavam no caminho.

Cada passo que dava parecia ser uma contagem regressiva. Era tão curioso, mas eu começava a sentir aquela costumeira desordem no estomago. As coisas lá dentro com certeza não iam bem, eu apenas não sabia se era uma dos sintomas da gravidez ou do amor.

Aproximei-me vendo-o com exatidão. Apaixonei-me pela cena ao ver o que ele fazia. Natsu estava lendo. Com certeza não era um romance como eu amava, mas ainda sim ele lia. Estupidamente enchia-me o coração de orgulho.

— Aqui está o foragido. — Sorri e levantou os olhos para mim. Deixou o livro de lado, e balançou a cabeça em negativa, dando uma repreenda em Happy. Sentei ao seu lado, cerca de duas palmas nos separava.

— Eu não consigo compreender o tamanho do apego que ele tem por ti. — Afirmou. — Gosta mais de você, do que de mim que sou seu dono.

— Somos amigos de longa data. — Levantei-o no ar, brincando. Balancei-o e o felino não gostou. Tirou as garras para fora e as cravou em minha mão, mas não me machucou. — Viu? Eu também cometo algumas gafes. Devemos fazer uma lista dos desejos dele.

— Não posso comparar o amor que ele tem por você com o que tem com a minha pessoa. — Mexeu os dedos em frente à carinha pequena do gato. Happy levou as duas patinhas a sua mão tentando agarrar.

Natsu segurou na barriga de Happy, por cima de minhas mãos. Senti com sua temperatura era elevada. Ele era quente, no entanto isso não me incomodava. Só o fato de estar perto dele já me deixava flutuando.

Era como se estivesse deitada despreocupadamente em nuvens. Éramos agarrados pelo vento que abraçava-nos carinhosamente.

Meus olhos se encontraram com o seu. Eu poderia aproximar-me um pouco mais e nossos lábios estariam colados.

Virgo há alguns dias havia tomado uma atitude e conseguira bem mais que eu. Talvez essa fosse a minha vez. Natsu estava bem próximo, tanto que eu conseguia sentir sua respiração. Nós dois não nos mexíamos, mas era porque não conseguiríamos nos mover mesmo que tentássemos. Havia uma linha imaginaria que estava me conectando a ele. Era uma cena de filme, mas eu não me importaria se agora acontecesse o que era previsto que ocorreria. Era nesse momento que os personagens se beijariam.

A mocinha e o mocinho estavam finalmente engomados no primeiro beijo.

Cheguei um tantinho mais perto, e ele permaneceu petrificado. Para minha felicidade não se afastou. Não havia se aproximado como eu, mas também não estava negando.

Prendi a respiração quando nossos narizes se tocaram. Faltava muito pouco para sentir um pedacinho da alegria que senti naquela noite.

Soltei a mão direita que amparava o bichano e depositei-a na curvatura do pescoço dele. Acariciei ali, com delicadeza. Meus dedos deslizavam com facilidade sobre a pele lisa. Natsu fez algo semelhante, tirou sua mão esquerda do gatinho e depositou-a em minha cintura.

Minha palma esquerda e a sua direita seguravam Happy. Mas eu não lhe dava atenção. O pobre estava esquecido entre nós dois.

Seria agora. Era esse o momento. Eu estava mais nervosa do que nunca. Já tinha feito isso, mas porque com Natsu as coisas sempre pareciam ser diferentes? Eram sensações novas. Cada vez que nós estávamos juntos eu descobria uma maneira diferente de meu corpo reagir ao seu.

Podia sentir nossos lábios roçarem, mas é aí que abrolham meus pensamentos para atrapalhar tudo.

Eu disse que lutaria por ele, e era isso que estava fazendo. Mas também falei que não tentaria nada sujo, e não era isto que eu faria se prosseguisse? Aproveitando-me da sua fraqueza?

Gostaria de não ligar para este quesito e beijá-lo de uma vez. Selar o que tantas noites eu sonhara.

Mas não podia. Eu não era assim.

Não devia esquecer que havia alguém que sofria. Era uma pessoa que eu não tinha simpatia e jamais nutriria nenhum sentimento bom. Mas ainda era um ser humano que estava sofrendo, e eu não poderia me aproveitar deste sofrimento.

Droga Lucy! Ela não pensaria se estivesse em seu lugar. Ninguém seria idiota como eu ao ponto de jogar para o alto a chance de beijar Natsu Dragneel.

Eu simplesmente queria tocar-lhe esquecer tudo. Mas não faria isso. Eu estava prometendo a mim mesma, nesse momento, que Natsu me beijaria e não seria ao contrario.

Abaixei a cabeça. Eu estava cometendo um dos maiores erros da minha vida. Outra oportunidade como essa não surgiria de uma noite a outra.

Tirei meus dedos do seu pescoço e ele acordou. Piscou algumas vezes e se afastou bruscamente finalmente saindo do seu estado de torpor e se dando conta do que estávamos prestes a fazer.

Entreguei Happy a ele e me levantei imediatamente dando-lhe as costas. Algo gritava para não fugir, mas eu não conseguiria encará-lo. Não depois do que fiz.

— Desculpe... — Murmurei. Ouvi Happy miar, entretanto eu não me virarei para ver o que havia acontecido com ele.

Andei, andei e andei. Afastei-me com a maior velocidade que meus pés conseguiam me levar. E quando estava em uma distância suficientemente segura para não me ver, sentei. Não sabia onde estava, se era no chão, na grama ou até mesmo em um banco. Nenhum lugar era melhor do que eu estava há poucos minutos.

Não chorei, embora tivesse vontade. Se eu prometi lutar então consequentemente eu também havia prometido que seria forte. Então ao invés de derramar lágrimas eu sorri. Sorri por quase ter beijado Natsu. Sorri por ter dado um passo tão grande.

Eu só temia qual seria sua reação da próxima vez que nos encontrássemos. Naquele momento o rosado não disse nada. Coexistir com o seu silêncio era como viver com uma esfera de ferro de uma tonelada nas costas.

— “Você é mesmo muito estranha Lucy” — Anunciei em voz baixinha. Do que eu deveria reclamar? Fora muita sorte eu me aproximar tanto dele.

Foi com um sonho que se tornou realidade.

E pensar que tudo isso só foi possível com a ajuda do melhor cupido de todos:

O estranho, exótico e comilão gatinho Happy.

Notas finais
Primeiramente eu quero que me digam o que acharam dá música, ok? Se ela ficou legal no capítulo. Essa é a primeira vez que me arrisco, e vocês não sabem como eu fiquei indecisa. Então please, me ajudem. Se não tiver ficado bom e acharem que outra música combina mais com o momento, me digam nos comentários, tudo bem? Eu posso ouvir, e se concordar posso vir a trocar. Falem-me também se gostaram do capítulo, a opinião dos leitores é muito importante. :) Eu escrevi um one sobre a páscoa se alguém estiver interessado (http://fanfiction.com.br/historia/497306/Feliz_pascoa_Natsu/) Boa noite e uma feliz páscoa para vocês.