Nove Meses
13 13 — Ela está a sua espera
Notas iniciais
Ele se levantou sem avisar, o que me fez levar um susto e cair para trás. Papai tinha os lábios cerrados e os olhos cintilando fúria.
— Eu não vou perguntar se isto é uma brincadeira, porque Lucy, se você estiver caçoando com algo assim eu juro que...
— Não é um gracejo. — Falei e ele fechou ainda mais as mãos. Mamãe tentou se aproximar dele, mas não deixou que ela o tocasse.
— Você sabia disso Layla?
— Sim. — Respondeu. Não demonstrava o mesmo medo que eu, no entanto eu via em seus olhos uma fagulha de temor. Não de papai, mas do que ele poderia fazer.
— E você esteve encobrindo sua filha há quanto tempo? — Ele perguntou gritando com ela. Tive vontade de fazer o mesmo, dizer a ele que mamãe não tinha culpa. Se hoje eu estava grávida era por causa de um descuido de minha parte.
— Eu descobri há pouco também. Já desconfiava, mas como a gravidez está tão início os sintomas confundem os olhos de fora. Só vim desvendar a realidade nesta manhã. — Ela falou brandamente, tentando se aproximar.
Papai não sabia como reagir, e encontrou uma fuga na raiva. Eu não esperava que inicialmente ficasse feliz por ser avô, não se tratando de uma gravidez na adolescência, e ainda por cima não planejada.
Ele socou a parede, passando a mão nos cabelos em uma sequência infinita. Grunhiu e por fim soltou os pêlos, encostou-se a divisória tentando normalizar a respiração.
— Você tem ideia da responsabilidade que deve ter para criar um filho? Ainda por cima aos dezoitos anos? — Vociferou enfurecido. Eu me encolhi cheia de temor. Tinha receio da sua reação. Desta vez passou a mão sobre todo o rosto, repetidas vezes, até que se estressou e desistiu de qualquer ação. — De... De quem você disse que é este filho? — Perguntou. Minha garganta travou quando pensei na hipótese de ter que repetir. Talvez seu espanto tenha sido tanto que ele não conseguia passar das três primeiras palavras. O que o levaria a não ter ouvido o nome do pai do meu filho.
— Natsu...
— Filho de Igneel? — Interrompeu-me, o que fez minha tremedeira anterior aumentar. Assenti de cabeça baixa. Fechei os olhos quando o vi andando em minha direção. Ele me bateria? Colocar-me-ia de castigo pelo resto dos meus dias? Era difícil prever seu próximo ato depois de estourar.
Abri os brotos quando o ouvi passar por mim, e ir em direção a porta. Mamãe correu até a passagem, tentando segurá-lo, mas papai era infinitamente mais forte. Seus braços finos jamais ganhariam em uma disputa contra aqueles musculosos.
— Jude, onde você está indo? — Gritou, não desistindo de tentar apará-lo. Ela usava suas duas mãos e mesmo assim não tinha muito êxito.
— Quebrar a cara daquele mauricinho. — Esbravejou revoltado. Ele andava um pouco mais devagar, graças aos esforços da matriarca. — Aquele desgraçado vai pagar por ter engravidado Lucy.
— Jude não foi culpa dele, nenhum dos dois teve culpa. Vamos ter uma criança na família, porque não pode ficar feliz? — Perguntou segurando lágrimas quando papai usou a força para tirar as mãos dela de si. Contudo mamãe era insistente e voltou a lhe agarrar.
Ele estava irreconhecível, eu não conseguia enxergar nada além da fúria em seu olhar. Corri atrás deles, cessando apenas quando estava ao lado da genetriz. Não conseguia enxergar aquele pai carinhoso, que muitas vezes me colocara para dormir, protegia-me de monstros que residiam abaixo da minha cama. Onde estava essa pessoa?
Sumiu. Ofereceu seu lugar para um homem possesso de raiva, que não poderia se responsabilizar por suas próprias ações.
— Pai, por favor, para! — Pedi ao ver que mamãe não conseguiria mais prendê-lo. Ele não poderia chegar até Natsu, não queria que saísse assim, arrebatado. Era tão perigoso. Eu também não ansiava que o rosado descobrisse daquela forma que seria pai.
Havia algo que estava tentando evitar que invadisse meus pensamentos, contudo eles vieram. Sempre estive errada em toda essa história, eu o havia enganado. Mesmo que não gostasse de recordar, naquela noite estava mais sóbria que ele, deveria tê-lo parado. O que Natsu pensaria de mim?
Obviamente nunca me perdoaria.
Queria que existisse uma forma de ele ficar sabendo que daria um netinho ao seu pai, sem que tivesse que ter conhecimento do que aconteceu na madrugada após daquela festa na casa dos patrões.
— Depois do que acabou de me dizer, pede para que eu pare Lucy? Ele vai pagar caro por ter lhe engravidado. Vou me certificar de que jamais se esqueça do que fez. E não pense que ele não irá assumir a paternidade deste filho, pois vai. Nem que eu tenha que trazê-lo arrastado até aqui. — Brigou. Fazendo gesto de acordo com o que falava. Voltou a andar rumo ao carro antigo, largando-me para trás.
— Jude, ele é tão jovem, praticamente um garoto. Pense que poderia ser seu filho. Não faça nada que vá se arrepender depois. Pondere.
— Me deixe Layla. Você tem um quê de culpa em tudo o que aconteceu. — Apertou um pequenino botão na chave, logo após abriu a porta. Sentou-se ligando o carro. Mamãe implorava-lhe para parar, mas ele não a ouvia.
Fiquei estática no mesmo lugar em que haviam me deixado, não conseguia mover meu corpo mesmo que fizesse muito esforço.
— Isso não teria acontecido se Lucy tivesse uma mãe que sentasse e conversasse com ela. Ensinasse-lhe como deveria se proteger para que isso não viesse a acontecer. — Ela fechou os olhos, magoada. Eu sentia dor em seu lugar, as palavras de papai foram profundas e ele não pensou antes de falar. Era um defeito seu, nunca refletia antes de seus atos. — E eu nuca vi você fazendo isso Layla. Se tivesse explicado a nossa filha o que fazer, hoje ela não estaria grávida.
— Eu... — Ela tinha os olhos fechados, reprimindo as lágrimas.
Mamãe nunca me tinha chamado para uma conversa sobre sexo. E antigamente eu não acreditava que fosse necessário, por isso nunca lhe perguntei nada. Eu não conseguia me ver tendo coragem para isso. Ela era minha mãe, a pessoa mais próxima que existia de mim, mas quando se tratava deste determinado assunto surgia certa relutância. Contudo em momento algum ela teve culpa, eu tinha dezoito anos, era meu dever saber usar camisinha e tomar pílula contraceptiva.
E eu sabia. O que me deixava ainda pior. Não me perdoava por ter esquecido, mesmo sabendo que os acontecimentos daquela noite contribuíram para isso. Jamais me esqueceria das palavras que ouvi depois de ter feito amor com Natsu. Quando ele dormia tão pesadamente que a único som que conseguia sair de seus lábios era o de um ronco baixinho. Letra por letra se repetiam em minha mente nos momentos que se seguiram.
— Eu sei como devo me proteger pai, não culpe minha mãe, porque em momento algum ela teve culpa. A responsável pelo que está acontecendo sou eu. — Tomei partida, dando alguns passos para frente rodeando o automóvel. Fiquei na fachada da janela do carro, do lado contrario de mamãe, ajudando-a na tentativa de impedir papai.
Embora tenha me aproximado, ainda existia uma distância considerável entre nós.
— Não... — Abriu os olhos e eu pude ver mesmo de longe que estava cheio de lágrimas, tingidos de uma coloração avermelhada. — Seu pai está certo, eu poderia ter evitado isso. Se eu tivesse...
E então eu a vi desabar. Suas pernas perderam as forças; bambearam antes de levá-la ao chão. Tentei correr e segurá-la, mas antes que eu conseguisse chegar até seu corpo, ela já estava na calçada. Mamãe havia desmaiado e eu entrei em estado de desespero.
— Layla! — O loiro gritou saindo do carro. Quando chegou eu já a tinha em meus braços.
— Mãe, acorde! — Sacudi-a levemente não tendo resposta sua. Fechei os olhos praguejando.
— Vamos levá-la para dentro. — Pronunciou pegando-a no colo. Papai segurou-a nos braços com carinho, tomando cuidado ao apoiar sua cabeça em seu peito. Andamos apressadamente pela casa, o quarto nesse momento parecia ter mudado de lugar. Não adiantava avançarmos com rapidez, pois para mim ele ficava cada vez mais distante.
Deitou-a sobre a cama de casal, e cacei um travesseiro confortável que pudesse amparar sua cabeça. Ela reprimiu os olhos resmungando algo baixinho, entretanto não afastou as pálpebras do descanso.
— Pegue água Lucy. — Pediu-me ajustando o travesseiro, deixando-o de uma maneira mais agradável.
Corri até a cozinha, literalmente. Felizmente todos os copos estavam lavados e não precisei perder tempo com isso. A água do filtro só poderia estar congelada por demorava décadas para descer, e quando finalmente o vidro se encheu quase chorei.
Dei o líquido para mamãe, enquanto papai segurava ternamente uma de suas mãos.
— A senhora está melhor? — Perguntei ao vê-la engolir com dificuldade.
— Deixe-me sozinha com seu pai. Nós dois vamos conversar.
— Mãe não precisa fazer isso... — Emborquei o copo mais um pouquinho para que ela pudesse tomar o restinho da água que residia no fundo. — Eu mesma tenho que contar tudo a ele.
— Não... — Sussurrou — Deixe-me falar com seu pai. Você não pode ficar nervosa, fará mal ao bebê.
— No quero que gaste suas forças, é melhor irmos para o hospital. Quero me assegurar de que esteja tudo bem contigo.
— Está tudo no lugar Lucy. É só a pressão. — Esticou seu braço até que ele alcançasse meu rosto. Massageou-me ali. — Estou ótima. Por favor, eu quero conversar com Jude.
Olhei para meu progenitor com certo receio de deixá-la apenas com ele. Apesar de ser um homem maravilhoso, o que eu mais amava no mundo, estava zangado. Não queria que ferisse mamãe, mesmo sendo com palavras.
— Eu já me acalmei, pode ir. — Roçou seus lábios na pele da mão dela, aprofundando o toque nos segundos que se seguiram.
Depositei minha mão sobre a sua beijei a testa lisa.
— Tudo bem.
Do lado de fora do quarto, quando as portas já estavam fechadas, ouvi papai pedir perdão a mamãe. Ela aceitou, disse a ele para não se preocupar, mas eu sabia que as palavras dele ficariam por muito tempo cravadas em sua alma.
Sai quando ela começou a contar a verdade sobre eu e Natsu. Não queria ouvir mais uma vez aquela história, que até o momento não teve um final feliz.
*
Entrei no quarto de Sting a sua procura, um papo de irmãos cairia em ótima hora. Eu também queria convidá-lo para ver um filme ou quem sabe arriscar algum jogo eletrônico.
Ele não estava, e levando em conta o fato de que mamãe algumas horas mais cedo o havia ajudado a passar uma de suas camisas, era ainda mais obvio. Provavelmente deveria ter saído para algum lugar.
O cômodo que meu irmão dormia era agradável, e me senti confortável naquele local. Uma estranha sensação de proteção, de que ali nada poderia me afetar.
Abri uma de suas gavetas no pequeno criado-mundo. Não procurava nada em especial, talvez algo que pudesse me distrair, já que ficar ouvindo o que os dois adultos tanto conversavam não era um item da minha lista.
Será que papai me acharia uma irresponsável depois de tudo que tinha a saber? Seu conceito sobre minha pessoa iria mudar? Se já não estivesse completamente alterado.
Esperava que me compreendesse, entretanto não foi isso que ocorreu inicialmente. Entendia que estava irritado e assustado, contudo, jamais deveria ter culpado mamãe por isso. Eu a conhecia, e este assunto ficaria se remoendo em sua cabeça. Ela sempre acharia que teve uma parcela de culpabilidade nessa história, o que eu sabia não ter veridicidade.
Continuei puxando as gavetas, até que ao incensar a última algo me despertou a atenção. Era um álbum preto, que eu nunca tinha notado ali. Ao tirá-lo para fora, vi algo que me deixou ainda mais surpreendida.
Uma pequena caixinha preta aveludada.
Sabia que não deveria mexer com ela, mas não consegui suprimir a curiosidade. Mal de família.
Abri com cuidado, avistando ali dentro duas alianças prateadas. Peguei ambas e as depositei no centro da palma esquerda, não crendo no que via. Olhei os nomes que haviam por dentro, em uma havia Sting e na outra Yukino. A que possuía o nome do meu irmão tinha um detalhe na parte superior, uma pedra. A que trazia o nome de Yukino era lisa, bem estilo do loiro.
Ele iria dar uma aliança a ela. Essa era a prova de que seu amor era verdadeiro.
Guardei-as novamente no lugar, Sting jamais ficaria sabendo que eu as tinha admirado.
Abri o álbum que logo descobri ser de fotografias. Havia ali fotos que não tinha consciência que existiam, outras que continha nos dois álbuns que ficavam na sala. Existiam imagens minhas de Sting e nossos pais, outras minha e dele. Algumas apenas com os dois mais velhos.
Era encantador.
Eu era tão engraçadinha com os cabelos amarrados em maria-chiquinha, com uma boneca de pano em mãos. Parecia ser muito espevitada, embora papai sempre tenha dito que era mais quieta que Sting. Ele estava certo, ninguém supera enlaçar bombinhas na corda e prender no rabo do cachorro, e ficar apreciando o bichinho correr assustado e com medo, enquanto elas estouravam.
Eu tinha raiva do meu irmão por isso, não se fazia esse tipo de coisa. Os animais são criaturas inocentes e em sua maioria muito carinhosos.
Ainda me lembrava de quando ele cortava os cabelos de todas as minhas bonecas, e eu chorava desesperadamente porque eles nunca cresciam. Ele era insuportável naquela época. Mas minha vingança veio aos poucos. Eu me vinguei quando meu consanguíneo trouxe pela primeira vez seus amigos em casa. Eles tinham combinado de jogar vídeo-game e comer pipocas acompanhado de refrigerantes. Enquanto eles estouravam o milho eu joguei sal dentro do refresco, e junto meu pequeno presentinho de boas vindas. Uma grande e recheada lagartixa. Felizmente, ao contrario de outras crianças, eu nunca tive medo de animais ou insetos.
Naquele tempo eu tinha meus oito anos e Sting dez. Não sabia o mal que estava fazendo em jogar um pequeno sáurio em sua bebida, no entanto tudo não passou de um susto e alguns gritos. Eu sabia retribuir na mesma moeda.
— Que lindo... — Passei os dedos sobre uma fotografia em que Sting me segurava com o apoio de mamãe. Papai não aparecia o que me levou a pensar que talvez ele estivesse tirando a foto.
Eu estranhei. Porque nunca fiquei sabendo da existência daquele álbum? Era apenas um livro que de alguma forma guardava memórias. Qual o motivo de nunca me mostrarem? Talvez por eu ser meia esquecida na família, ou eles apenas nunca se lembraram. Era uma pena, tinha imagens maravilhosas ali.
O celular tocou sobre a cama, e eu deixei por um momento, o caderno cartonado de fotografias de lado. O que mais me estranhoi foi o fato de ser um número desconhecido. Atendi receosa, eu não havia dado meus dígitos de contato para nenhuma pessoa que não estivesse em minha lista telefônica.
— Alô? — Esperei por uma resposta que não veio de imediato. Do outro lado da linha ouvia uma respiração pesada, totalmente descompensada.
— Lucy? — A voz me causou curiosidade, pois não reconheci de prontamente. Logo eu tive uma leve noção de quem poderia ser, mas perguntei para ter certeza.
— Desculpe, mas quem fala? — Inquiri incerta. Ouve uma risada sem ânimo por parte da outra locutora.
— Sinto muito. Às vezes esqueço que não me conhece tão bem. — Suspirou, um ato com peso. — Sou eu, Yukino. — E era exatamente a pessoa que eu pensava que fosse. Prendi a respiração, a garganta ficou seca de repente por um motivo não tão desconhecido. — Estou a cinco minutos batendo na porta, acho que ninguém ouviu. — Discorreu sem graça. — Por favor, abra-a para mim. Preciso falar com seu irmão.
— Ele não está em casa. – Disse pouco amistosa, eu simplesmente não conseguia ser uma pessoa amável com a mulher que partiu o coração do meu irmãozinho. Era como instinto, assim como os gatos têm contra os cachorros e vice-versa, vinha-me na cabeça junto com o nome dela um alerta de: Perigo, perigo, perigo.
— Não minta para mim, eu sei que ele está aí com você. Ouvi o som do celular dele tocando. — Adquiri uma ruga no centro da testa. A princípio, achei a voz estranha, abafada. Mas esta garota estava pior do que pensava, não diria que era louca porque isso era algo muito sério. Contudo estava se aproximando disso, ouvir sons assim não é normal.
— Sinto lhe dizer que deve buscar ajuda psiquiatra. Sting não se encontra no momento nesta casa. — Levantei da cama apressada. Esbarrei-me no álbum que caiu no chão. O livro adveio fechado, contudo a margem de uma foto se sobressaiu. Não liguei para aquilo. Continuei andando até que estivesse de frente para a porta de madeira. Abri-a me deparando com os olhos caramelos de Yukino. Não posso negar que os filhos deles seriam crianças perfeitas. Teriam orbes tão azuis quanto à cor do céu em um dia ensolarado; ou tão escuros quanto à lua que reflete no rio que corta o centro da cidade.
— Você jura? — Perguntou com uma inocência que me fez ter dó. Ela era mais velha que eu, entretanto naquele momento parecia uma criancinha frágil, que estava triste por terem lhe roubado o doce. Olhando para sues olhos vermelhos, que denunciavam uma bela noite de choro, voltei a me questionar sobre o que seria verdade ou não naquela história. Não duvidava de Sting, mas talvez haja alguma probabilidade de ele ter entendido tudo errado.
— Eu não sou mentirosa. — Meu tom era frio, a convivência com Natsu deve ter me feito contraí-lo. Eu não gostava muito disso, no entanto não conseguia evitar. Tudo que sabia era que meu irmão, um dos caras mais fortes que conhecia, estava mal por causa daquela figura que permanecia a minha frente. Eu queria defendê-lo de alguma maneira, e a única que parecia estar ao meu alcance era essa. Atacando-a. — Mas se não acredita, entre. — Dei espaço para que passasse.
Ela ingressou em casa. Pediu licença e seguiu para o quarto de Sting, desesperada. Segui logo atrás dela, não colocava muito crédito quando disse que poderia entrar mesmo.
Parou na porta do quarto, olhando tudo minuciosamente.
— Como eu disse, ele não está aqui. — Falei em suas costas e se assustou. — Pode vasculhar no resto da casa, se preferir. — Passei por ela indo até o álbum caído no chão. Abri a página em que a foto saia levemente para fora.
Tinha algo de estranho ali.
A imagem saiu do meio de duas. Uma ocupava a frente e a outra o verso. Essa terceira fotografia saia do centro de ambas. Puxei-a encarando espantada. Os três jovens que estavam ali, hoje possuíam certa diferença, mas podia reconhecê-los facilmente. O trio sorria contente, um em cada posição diferente. Estavam embaixo de um salgueiro, agarrados em suas folhas.
Ao ver que Yukino se aproximava de cabeça baixa, guardei a foto rapidamente em seu lugar. Enfiei o álbum dentro da gaveta tirando em seu lugar, o objeto fofinho que guardava as anéis.
— Não creio que seja necessário. Eu confio em você.
— Olhe. — Mostrei a ela a caixinha veludosa. — Aqui dentro tem duas alianças, e uma delas provavelmente estaria em seu dedo num futuro extremamente próximo. — Disse e vi as primeiras lágrimas descerem por seu rosto. Eu não estava dizendo aquilo com a intenção de vê-la mal, não naquele momento, embora soubesse que lhe magoaria.
Vivia me contradizendo. Não sabia mais nem mesmo o que fazia.
Estava agindo como um monstro, uma pessoa que não era. Ao mesmo tempo em que queria que sofresse como Sting estava sofrendo, discordava no momento seguinte. Somente não conseguia ficar bem, sabendo que estava fazendo mal a alguém.
— Oh meu Deus! — Ele colocou uma das mãos na boca. Tentou se aproximar, mas estava entorpecida demais para isso. Quando seus pés finalmente se moveram ela não agarrou a caixinha como eu esperava. Em vez disso, veio até mim e me apanhou em um abraço forte. — Por favor, me ajude a reconquistá-lo. Diga que estou a sua espera, e sempre estarei.
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