Nove Meses

1 1 — Gravidez Inesperada


O sino ao alto da igreja Central exibiu sua décima primeira badalada, marcando precisamente onze da madrugada. Nesse mesmo momento, acompanhado do barulho estridente, o Dragneel mergulhou a fundo em sua companheira.

O grito transluziu os vidros que cobriam as pequenas janelas de metal.

Contemplados somente pela escuridão, suados e ofegantes descansaram enfastiados, a loira colou-se sobre o corpo quente e molhado do amado.

— Esteve perfeita... Lisanna. — Pronunciou a voz embargada, possivelmente alterada pela grande quantidade de álcool em seu mecanismo.

A loira deixou que lágrimas silenciosas banhassem seu interior, mesmo que ao jurar não se abalar por isso, não conseguia ser forte o suficiente para ignorar.

Sofria de um amor não correspondido, apesar disso, no fim queria não se importar de ser confundida com outra, ou com o fato de estar sendo apenas usada, nada importava desde que ele estivesse ao seu lado e ela em seus braços.

— Natsu... — Conduziu a cabeça até o peito musculoso onde encontrou a respiração calma e lenta do amado. Elevou os olhos a janela, e constatou ter ainda algum tempo para descansar antes de levantar-se pela manhã e sair sem ser percebida.

*

— Positivo. — A azulada sorriu belamente. Estava feliz.

Lucy, porém, jurou enfrentar um de deus piores pesadelos, como pudera ser tão descuidada ao ponto de se deixar engravidar?

— Não pode... Não pode ser, diga que brinca comigo. — Tomou da amiga o papel que confirmava seu horror. O resultado realmente era positivo, escrito ali, em pequenas e ao mesmo tempo grandes letrinhas.

— Não exagere Lucy. Você deveria estar feliz, uma criança está a caminho. — A azulada escorou no pequeno sofá de estofado vermelho e finas listras pretas.

— Eu tenho dezoito anos Levy, não posso estar grávida, não posso... — Deixou-se cair na peça, deprimida.

— Ei, isso não é algo do outro mundo, veja só o exemplo de Cana, teve uma filha aos dezessete anos, e acredite, ela sobreviveu. — Levy sentou-se ao lado da amiga trazendo a junto a si.

— Isso é diferente, ela é casada, de papel passado e tudo. — Argumentou.

Lucy descansou a cabeça no colo da companheira, onde teve seus cabelos acariciados pela mesma.

— Sua família não é como a minha, meu pai provavelmente sofrerá de um infarto, minha mãe uma crise nervosa, e o Sting... Ah... O meu irmão certamente será preso depois de virar um assassino. — Disse deixando a água correr pelos olhos, o desespero e o medo haviam se tornado um só, resultando em um rosto banhado de lágrimas.

— Devo avisar para Dragneel que se cuide? — Levy sorriu numa falha tentativa de acalmar os ânimos e entusiasmar aquela que tanto gostava. Contudo, ao se dar conta do que dissera arrependeu-se amargamente. Foi idiotice roçar no assunto proibido.

— Não... Não... — Lucy abateu-se sobre o móvel fofinho. — Levy, o que eu vou fazer? Natsu jamais poderá descobrir que espero um filho seu.

— O que? — A azulada levantou-se de mau jeito, elevando a voz. — Lucy, você não pode esconder, ele é o pai e merece saber.

— Você não entende...

— Então me faça entender, me conte o que aconteceu, quase nunca toca no assunto

Suspirou profundamente recordando-se de cada detalhe.

— Natsu não tem conhecimento de nossa noite juntos. — Sussurrou melancolicamente. — A festa já estava quase a acabar, quando ele me procurou. — Olhou incerta para a face da amiga.

A loira engoliu em seco, encontrando dificuldade nas palavras.

— O que aconteceu em seguida? — Perguntou aproximando-se cautelosamente.

Uma dor aguda se apoderou do coração da azulada ao ver a loira desmoronar em lágrimas.

— Ele estava comigo mais clamava pela noiva, amava ela não a mim. Eu... Eu... Não consigo... Não consigo falar. Estou perdida Levy-chan, estou perdida... — Chorou desorientada.

— Ei, acalme-se — A azulada aproximou-se. — Eu estou aqui, você não está desamparada, conte comigo minha irmã.