Nove Meses

28 Uma semana e nada mais, Conrad !


Não muito tempo depois, ela acordou com uma "parede" de cheiro agradável ofuscando seus olhos. O peito forte de seu marido.

Precisava se esticar e procurar uma nova posição para evitar cãibras.

Um sorriso surgiu em seus lábios. Ela não pensou em cãibras quando dava e recebia prazer.

Tinha sido incrível e ela se sentia saciada, e bem humorada. Ele ainda a desejava tanto ! Mesmo estando enorme feito uma bola !

Ela deslizou as mãos pelo abdômen dele e depositou um beijo delicado, depois se virou de costas e se encostou o bastante para se sentir aconchegada.

Ela ia pegar sua mão para trazê — la junto á sua barriga, quando ele mesmo tomou a iniciativa.

_Está acordado ?

_Huhum ... você está bem ?

Aquela era a pergunta predileta dele, a repetia centenas de vezes !

_Sim ... só preciso de uma posição mais confortável.

Ele se encostou ainda mais nela e lhe beijou o pescoço, enquanto acariciava sua barriga redonda.

_Assim está bom ?

_Sim ... querido !

_Agora durma ... você precisa descansar, esteve muita agitada.

Ele ouviu uma risadinha agradável e baixa, feito uma menina travessa.

_Você é uma danadinha ... sabia ?

_Sabia ... e você gosta, não é ?

_Só mesmo um louco não gostaria.

..........

Um barulho distante .... insistente ... depois foi ficando cada vez mais perto, se aproximando e ele acordou assustado. Seu telefone !

Meio desconcertado ele puxou o aparelho até sua orelha, suspirando.

_Grissom !

_Hei ... preciso de você aqui.

_Quem é ?

_Abraham Lincoln !

Ele rugiu alguma coisa e olhou para o lado. Sua mulher dormia tranquilamente. Isso era bom.

_Um minuto "Presidente" !

Ele saiu do quarto e foi em direção à cozinha.

_O que foi, Conrad ?

_Estava dormindo ?

_O que você acha ?

_Desculpe Gil, não foi minha intenção.

Ele arqueou uma sobrancelha e olhou para o aparelho. Ele parecia tão cordial ! Isso não era bom.

Despenteado, descalço e usando apenas uma samba canção branca de listras pretas, ele se pôs a preparar o café, enquanto mantinha o telefone preso entre o ombro e o ouvido.

_E aí ?

_Preciso de você aqui, depois pode jogar suas extras no bando de horas.

_O que houve ?

_Tenho que estar em San Gregório em duas horas, mas antes tenho que repassar algumas instruções.

_Não tem outro supervisor disponível ?

_Não ! Franklin foi à uma festa ontem, não está em condições de se concentrar e Peter está fora da cidade.

Ele levantou os olhos ainda um tanto sonolentos e suspirou.

_Preciso de uma hora !

_Quarenta minutos e nada mais.

_Vou tentar.

Ele desligou e jogou o telefone sobre a mesa, se sentando para esfregar o rosto ainda bastante sonolento.

_Que droga !

Com novas responsabilidades, parecia impossível ter um pouco de paz. Ecklie havia sido "generoso" com ele e, com toda certeza, aquilo tinha um preço !

_Amor ?

Ele se virou rapidamente e sorriu ante aquela visão. Sua mulher era a coisa mais linda que um homem poderia ter ! Ele era apaixonado por ela e tinha a sensação de que seria para sempre !

_Venha cá … meu bem !

Ela se aninhou entre suas pernas e beijou seus cabelos desgrenhados.

_Preciso ir ao laboratório.

_Por que ?

_Conrado precisa viajar e seu anzol me fisgou. Não há outro peixe no rio !

_Hã ??? Ainda está dormindo, querido ? — Ela riu.

_Precisa de um supervisor para algumas “tarefas” e não existe outro supervisor disponível !

_Jura ? — Ela havia planejado mentalmente ser paparicada por ele. Andava tão carente. O problema era ele, havia a acostumado muito mal. A força que sempre teve como mulher dominante estava mascarada por uma barriguda mulher frágil e estava sendo uma delícia.

_Você … tinha planos ?

_Não ! — Ela disfarçou com perfeição, não podia se intrometer em seu trabalho, sabia como ele levava a sério. Por isso se apaixonara por ele !

_Não mesmo ?

Ela riu mais uma vez, sentindo as mãos dele deslizando por suas costas e parando no final de sua coluna, bem na curva de suas nádegas perfeitas.

_Está bem … só um … pequeno plano, mas não posso dizer. Tinha que ser sutil.

_Você está tentando me dizer que …. planejava me … enganar, sutilmente ?

_Não !! Claro que não … — Nem em sonho que ele teria as armas de uma mulher de mão beijada ! _Só pensei em fazer nada com você !

_De verdade ?

_Eu juro !

Ela levantou uma mão como se estivesse em um júri, sendo testemunha !

_E se eu prometer voltar logo ?

_Eu vou acreditar e … esperar !

Logo eles tomavam o desjejum que ela o ajudou a preparar.

….......

_Você só pode estar brincando !

_Não acho que brincaria com uma coisa dessas !

_Mas Conrad … minha mulher está prestes a ter um bebê !!!

_Ela vai ficar bem ! Ela é altamente capaz !

_Ninguém é capaz de dirigir um carro quando está tendo um bebê, nem mesmo ela !

_Quando está … programado para a chegada dele ?

_Pouco menos de três semanas … mas isso não é confiável.

O homem à sua frente bufou e disparou

_Que hora para ela ficar grávida !

Pela expressão furiosa que seu melhor supervisor lhe lançou, ele se arrependeu imediatamente do comentário mordaz.

_Quem pensa que é para dizer uma coisa dessas ? Não se atreva a repetir isso !

_Desculpe, Grissom … eu sinto muito mesmo, foi um comentário sem pensar.

Ele se levantou ainda com uma carranca amedrontadora, espalmando as mãos sobre as mesa dele e inclinando o corpo para frente.

_Nem pense em medir forças comigo, Conrad ! Não tenho medo de você … além do mais, estou ficando farto de me envolver em suas viagens “políticas”. Arranje alguém mais disponível.

_Vou fazer o seguinte. Faço o que preciso em uma semana, depois pode até tirar uma licença se quiser !

_Sabe que é um direito legal, não um favor, não é ?

Ele balançou a cabeça, se sentindo derrotado. Estava cansado também. Ele mesmo iria tirar umas férias assim que Grissom voltasse a todo vapor. A carreira era promissora mas muito cansativa. Se tivesse uma família, talvez precisasse se esquecer dela !

_Uma semana … e nada mais !

….......

_Sara ?

Ela não respondeu. Ele a procurou por todo canto e estava ficando preocupado quando a porta se abriu e ela entrou apressada, com um enorme arranjo de flores.

_Oi … Gris ! Achei que conseguisse voltar antes, faz tempo que chegou ?

_Não … onde estava ?

_Fui no supermercado e ….

O restante da conversa ele não ouviu, sua mente atropelou um pensamento de que ela tinha encontrado aquele idiota de seu ex namorado e ele a cercara com aquelas flores !

_Gris ? Gris ?

_Hã ?

_Não ouviu uma palavra do que eu disse !

_Desculpe …

_Em que está pensando ? O que aconteceu no laboratório ?

_Que flores são essas ?

_Meu Deus ! Não estava mesmo ouvindo uma palavra do que eu estava dizendo ! Eu comprei !

_Acho que não ouvi mesmo, ele confessou sem graça, tocando a orelha de leve, como fazia de vez em quando !

_Por que ? Onde está com a cabeça ?

_Vou ter que acumular minhas funções com as de Conrad … por uma semana. — O pensamento de que ela estava sendo assediada foi para longe e ele respirou aliviado, de certa forma.

_Você tinha consciência de que isso aconteceria, não é ?

_Sim … mas quero ter um tempo … para você … e o bebê …

_Você vai ter … não se preocupe tanto com isso, Gris ! Você parece estar sempre à beira de uma crise, vamos ficar bem !

Ele suspirou e aceitou a mão dela para que se sentassem no sofá, depois dela ter depositado os pacotes da mesa e ajeitado as flores em um vaso !

_Me conte exatamente o que vai fazer.

_Vou estar no laboratório por quase vinte horas.

_Puxa ! — Ela deitou a cabeça em seu ombro e se lembrou._Você não precisa mesmo se preocupar dessa maneira, vai ter ajuda, Gris. Sabe que a Cath vai tomar a frente, quando necessário.

_Eu sei …

_Além do mais … uma semana passa rápido.