Nove Meses

29 Acho que ele não quer esperar !


_Você vai ver. Gris ! Vai dar tudo certo.

E assim, mesmo estando preocupado, ele ouviu suas previsões e tentou se animar.

Foi uma semana terrível. Se desdobrar feito um louco para estar em dois lugares ao mesmo tempo foi a menor de suas preocupações.

Os casos pareciam ter ganhado uma proporção muito maior, os problemas repassados a ele por Ecklie, eram mais complexos do que poderia imaginar. Tinha que analisar alguns outros relatórios e dar seu parecer com imparcialidade.

Sara criou um plano perfeito ! Ele parecia ter problemas demais em conciliar tanta coisa e, com ela exigindo algo mais dele, só o deixaria em apuros !

Ela sempre o esperava para o banho, namoravam no chuveiro, sem pressão, apenas bons momentos que permitiam que fizessem pelo menos uma coisa juntos.

_Isso é muito bom, Gris !

Ela se deliciava com as mãos mágicas que tomavam seu corpo todo com propriedade.

_Gosta desse jeito ?

Ela se agarrava ao seu ombro firme e viajava em êxtase, depois era a vez dela em acariciá – lo habilmente e fazê – lo ter também uma forma diferente de prazer..

Eram como brincadeira de casais que estavam esperando a hora certa para ter sexo por completo e era muito divertido.

Sabia que ele se sentia bem, as coisas pareciam acontecer com naturalidade.

Depois saciados e refrescados ela o deixava dormir tranquilamente.

Ela era um companheira inteligente o bastante para saber que ele tinha limites. Além do mais, havia feito um curso intensivo em lidar com Gil Grissom. O começo daquele relacionamento tinha sido muito difícil e se ela não tivesse paciência o suficiente, talvez nem mesmo estivessem juntos.

Cada vez que ela o olhava era como se ele estivesse sempre querendo pedir desculpas, e ela tentava manter o bom humor e se desdobrava para não transparecer que sentia falta dele.

A cada dia, arranjava algo novo para fazer.

Havia um programa matutino voltado para mães de primeira viagem e ela era uma expectadora assídua.

Conseguiu algumas receitas muito fáceis como papinhas, a maneira correta de se preparar mamadeiras, seu acondicionamento, auto massagem para aliviar a tensão da pressão que o bebê fazia em seus últimos momentos dentro útero.

Passava horas lendo histórias infantis que acalmavam não só a ela, mas também ao bebê, usava um tom de voz bastante agradável e sentia os efeitos benéficos.

Criou o hábito de ouvir músicas relaxantes, aprendeu a deixar a casa mais “respirável”. O ar da manhã circulava nos ambientes juntamente com velas aromáticas de perfumes suaves e calmantes.

Foi um tempo maravilhoso que a fazia tirar a ansiedade e a preocupação iminente.

Na verdade ela se preocupou muito em ficar zen. Os efeitos era incríveis.

Ele sentia sua mulher bem humorada, disposta e muito mais calma.

Não podia imaginar que, sendo sempre tão agitada, ela podia lidar com tanta desenvoltura com aquela gravidez. Parecia ter sido feita para estar com um bebê, percebia que ela estava mesmo lidando bem com sua condição. E o mais importante, estava feliz !

…........

Ele depositou as chaves, sua carteira e o telefone sobre a mesa e suspirou cansado.

Aquela semana maluca havia chegado ao fim.

Um cheiro agradável de casa limpa e alguma coisa no forno. Parecia um bolo !

Estava louco por um banho, louco para abraçar sua mulher e acariciá -la até que sentisse que ela não podia mais se segurar.

Aquele hábito fizera dele um homem renovado. Ele estava renovado, não havia brigas por qualquer coisa, ela o fizera ter seu tempo com inteligência e muita paciência.

Alguns passos e ele a viu no sofá.

Um livro para crianças, uma música suave, e ela dormia com uma expressão linda. Parecia em paz, de verdade.

Já não se lembrava mais em como era sua vida antes dela.

Parecia a vida de um outro homem, bem distante dele.

Ele se ajoelhou bem à sua frente, retirou o livro de cima de seus seios enormes e acariciou seu rosto.

_Querida …

Ela abriu os olhos e piscou devagar, se espreguiçando.

_Oi … já chegou ?

_Sim … e por hoje chega, vou retomar meu velho posto apenas depois de amanhã.

_Ecklie está de volta ?

_Graça aos céus !

_E está tudo bem ?

_Segundo ele, o laboratório ficou em boas mãos, ele disse que tinha certeza que havia feito a escolha certa !

_Sério ? — Ela o abraçou e sorriu, beijando sua orelha. _Nunca duvidei disso, Gris !

….......

_Você fez esse bolo sozinha ?

_Sim … está bom ?

_Uma delícia. Acho que não quero que volte a trabalhar depois que o bebê nascer !

_Que coisa machista é essa ?

_Acho que tenho que concordar que ás vezes, eles tem razão.

_Eles quem ?

_Os machistas !

Ele riu e passou sua mão por sobre a dela.

_É brincadeira querida.

Ele estava irresistível de cabelos molhados e carinha de sono. Queria tanto que seu filho se parecesse com ele, em tudo !

_O que foi ?

Os olhos dela pareciam tão divertidos.

_Você é tão bonito !

_Com olheiras e tudo ? — Ele arqueou suas sobrancelhas e seus olhos brilharam.

_Exatamente. Sabe o que estive pensando ? Vamos ao cinema ?

_Está com desejo ?

Ela quase caiu da cadeira, não tinha tido essa coisa folclórica a gravidez toda. O que fez com que ela confirmasse suas suspeitas. Tudo balela. Seu único desejo era ele ! Se bem que isso era fácil.

_Eu estou. — Ela brincou.

_Então não devo dizer não. — Ele revirou o jornal para procurar o que estava em cartaz nos cinemas e mastigou outra fatia de bolo. _Isso está mesmo muito bom.

Ela deu a volta na mesa e ficou olhando para ele.

_Acho que não vou caber em seu colo.

Ele a olhou com muito carinho e depois afastou a cadeira .

_Venha querida, posso “aguentar” vocês dois !

Ela se ajeitou em seu colo, e com os pés no chão, diminuiu seu peso sobre ele.

O bebe se mexeu e ela sentiu um desconforto estranho na base de sua barriga, que logo passou. Ela não disse nada a ele, não queria preocupá – lo.

Ele alisou sua forma arredondada e brincou com o bebe.

_O que vai querer assistir, filho ? Não vale desenho !

Ela começou a rir.

_Gosto de desenho !

_No cinema ?

_Pois saiba que adorei Rei Leão e assisti no cinema, com o Greg !

_Greg ?

_É ! Ele adorou.

_Posso imaginar. — Ele fez uma careta engraçada, de pouco caso, os óculos na pota do nariz.

Ela apertou seu rosto entre as mãos e tocou seu nariz no dele.

_O que quer dizer com isso ?

_Nada … querida !

_Grissom !

_Imagino que ele tenha gostado mais da companhia, ele sempre teve uma queda por você !

Ele havia tentado mesmo alguma coisa, mas ela fingiu que não percebeu.

_Estou errado ?

Ele olhou para o jornal, querendo parecer desinteressado.

_É verdade !

Ele limpou a garganta e mudou a conversa.

_E então, o que quer assistir Antony ?

Grissom lia os nomes dos filmes e ficava esperando um “aviso” do garoto , o que na verdade, não aconteceu.

….......

Era madrugada quando ela sentiu um mal estar enorme, sua boca estava seca e ela teve dificuldades para se levantar. Nenhuma posição parecia confortável o bastante e ela gemeu baixinho sentindo uma pontada em suas costelas.

Até antes de sucumbir ao sono, estava se sentindo maravilhosamente bem.

Outra pontada aguda, seguida de um grande cutucão.

_Calma … meu amor ! Ainda é muito cedo e …. !

O colchão estava ensopado e ela ficou nervosa o bastante para proferir um grito.

_Gris !

Ele acordou assustado, perdido, sem saber exatamente onde estava.

_O que foi, amor ?

_Eu acho que ele não quer esperar … minha bolsa estourou !