Nove Meses
30 Ele é … nosso filho !
Ele se levantou em apenas um pulo e logo estava bem ao lado dela.
_Fique calma … vamos chegar rapidinho, não se preocupe … logo estaremos no hospital e você vai estar com nosso garoto … você vai ficar bem ...
Ele falava sem parar, sem saber ao certo se pegava em sua mão para ajudá – la a se levantar ou rodava pelo quarto à procura de suas calças.
_Gris !
_Eu … eu preciso das minhas calças … — Ele a puxou delicadamente e ficou olhando suas reações e as caretas de dor, sem aguentar ela se sentou novamente na cama.
_Ai …
Segurando a barriga pesada, ela tentava se concentrar em respirar com calma e adequadamente, como havia lido dezenas de vezes.
Grissom abriu o armário e pegou o vestido leve que a deixava confortável e tentou enfiar pela cabeça dela.
_Hei … — ela espalmou a mão na barriga e reclamou . _Ai … isso dói … meu Deus …. — ela bufou e retomou a respiração. _ Eu preciso tirar meu pijama, Gris !
Completamente atrapalhado, nervoso e sem raciocinar adequadamente, ele a olhava com desespero, o coração saindo pela boca e ela viu quando ele engoliu em seco.
Tentando se controlar, e aproveitando os espaços dos espasmos ela conseguiu liberar um pequeno sorriso.
_Vá com calma, por favor … não vamos … ai … conseguir sair do quarto deste jeito.
_Estou calmo ! Não se preocupe comigo, continue respirando … você consegue ?
Ela balançou a cabeça e resolveu ordenar o que ele precisava fazer.
_Leve minha mala na sala e volte imediatamente, enquanto tiro meu pijama.
Ele obedeceu e em segundos estava de volta, esperando outra ordem.
_Me ajude com … o vestido … por favor.
Com habilidade, desta vez, ele a ajudou rapidamente.
_Meus chinelos, querido, debaixo da cama.
Ele se ajoelhou e encaixou o delicado calçado de couro em seus pés muito inchados.
_Pode passar uma escova em meus cabelos ?
Ele obedecia como se tivesse sido pago para tanto.
Tudo muito rápido, quase cronometrado.
_Meu Deus … isso … está … ai .. filho …. calma …
_Acho que podemos ir.
Ele a ajudou a se levantar e estavam atravessando o corredor quando ela olhou para ele.
_Grissom … você está de cuecas !!! Me leve ao sofá e … pelo amor de Deus … não demore !
Ele a ajudou e correu para o quarto em um flash.
Voltou segundos depois, calçando seus sapatos.
_Vamos … querida !
Ele a ajudou com um das mãos, carregando sua pequena mala na outra.
Logo estavam dentro do carro.
Ele telefonou para o hospital e avisou que estavam chegando, o carro parecia não andar por mais que pisasse.
_Está tudo bem ?
_Claro que não ! Deus do céu ! Este hospital nunca chega … Aiiii....
_Calma … por favor …
_Você não sabe o que é ter um filho … então … não diga nada, apenas dirija !!!
Ele continuou dirigindo mas não conseguia tirar os olhos dela que espremia sua barriga, com uma expressão terrível de dor !
….......
Assim que o carro estacionou na entrada de emergência, uma equipe a recebeu rapidamente. Ele entregou a pequena bagagem para uma das enfermeiras e seguiu com ela para dentro, mas logo foi barrado.
_Desculpe, senhor, vamos arrumá – la e logo o chamaremos. Vai assistir ao parto ?
_Hãa ?
_O parto … assinou a autorização ?
_Ainda não !
A enfermeira o empurrou para o balcão e instruiu que preparassem a documentação, tudo muito rápido.
Ele não sabia o que fazer, ali no meio daquela sala enorme, de paredes erva doce e um vai e vem de médicos e funcionários.
Naquele momento ele só queria que seu filho nascesse logo. Um desespero enorme tomou conta dele, ela precisava de sua presença, tinha que estar com ela de qualquer maneira.
Ele apertou as mãos e pediu em silêncio aos céus para que ela ficasse bem … ela ia ficar bem … ela e seu filho ! Se acontecesse alguma coisa … não queria bem pensar !
_Sr. Grissom ?
Ele se virou e recebeu um sorriso simpático.
_Vamos nos arrumar para estar com ela ? Já está preparada e o médico já chegou !
Em pouco tempo, já segurava sua mão e beijava sua testa por cima da máscara.
….......
Tudo foi acontecendo muito rápido, ele a viu apertar sua mão e quase quebrar seus ossos, gemendo muito e empurrando com toda a força que conseguia reunir.
_Está vindo mamãe ! Vamos mais uma vez … — O médico estava confiante em sua experiência e ele sentiu que tudo correria bem.
Ela o fez, obedecendo ao médico, empurrou um pouco mais, reunindo muita energia.
Grissom viu com os olhos marejados o garoto ser suspenso e logo depois um estrilado de choro muito alto.
__Seu lindo garoto chegou e que pulmão !
O médico ajeitou o bebê alguns segundos em seu colo e eles o beijaram muito, a cabecinha escura e suja, as lágrimas quase não deixaram que vissem o garoto detalhadamente.
Uma enfermeira o levou muito rápido, e Grissom ficou com ela, enxugando sua testa com carinho.
_Eu te amo, Sara … muito … muito … muito !
Ele estava chorando feito seu filho que acabara de chegar.
_Eu também !
….......
Naquela altura, eles haviam recebido uma tonelada de flores, o quarto estava tomado pelos mais diversos buquês e esperavam Antony ansiosos.
_Grissom ! Você não fez isso !
_O quê ?
Segurando um pouco a barriga ela acabou tendo um ataque de riso.
_Eu não acredito …
_O que foi ?
_A sua camiseta … está do avesso ! — Uma etiqueta enorme na costura ao lado, o bordado da grife, contrário no peito.
_Oh … !
_Como você conseguiu … pegar uma camiseta do armário e virá — la do avesso para vestir ? Por que fez isso ?
_Eu … não sei … não me lembro ….
Ele mesmo não conseguiu segurar uma longa gargalhada e correu para o banheiro anexo, voltando segundos depois, balançando a cabeça.
Ela estava enxugando os olhos, de tanto rir.
_Olha quem chegou !
Sara olhou para aquela coisinha enrolada e viu seu rosto rosado e cabelinhos penteados de lado, como um homenzinho. Desta vez, completamente limpo e arrumado.
Ele foi para seu colo, e logo Grissom se sentou ao seu lado, passando um braço por trás dela.
_Ele é lindo, Gris ! Olha … parece você … meu Deus !!! Incrível ! -
Os olhos dele, mais uma vez, brilharam de lágrimas prestes a descer.
_Lindo … querida e … perfeito.
Sara o descobriu e ele nem sequer se importou. Tocou os pezinhos, os dedinhos uniformes, as unhas quase imperceptíveis, perninhas fofas e macias.
Grissom tocou a covinha profunda do queixo e sorriu feito bobo. O garoto era mesmo a cara dele.
Antony fez um movimento com os lábios e eles riram.
Não conseguiam olhar para nada além daquele “pacotinho” cheirando gostoso e muito … mas muito perfeito !
_Que pegar ?
_Sim …
Ele ajeitou o filho nos braços e o que sentiu foi impossível de descrever. Era uma emoção que ultrapassava os limites de sua imaginação, a força do amor o atingiu em cheio. Um amor incondicional.
Ele olhou para sua mulher e teve vontade de ergue – la em seus braços e nunca mais parar de beijá – la. Ela havia lhe dado a coisa mais valiosa que um homem poderia querer em sua vida. Uma família !
Ele a amava tanto quanto amava aquela coisinha maravilhosa que dormia tranquilamente em seus braços. Tinha que admitir, estava completo !
…........
A equipe toda visitou a ala e ele viu Cath chorar, depois Greg !
Warrick e Nick chegaram com Brass, que tinha o maior sorriso que ele já vira nele !
_Cadê meu garoto ?
Grissom apontou em direção ao berçário e ele logo soube.
_Ele é mesmo seu filho !
_Nunca duvidei disso !
Jim sorriu com a brincadeira, batendo em suas costas e se aproximando mais do vidro que os separava.
_Como, em nome de Deus … ele pode se parecer tanto com você ? Olha aquele queixo ! Como é que a Sara reagiu a isso ?
_Acho que bem ….
Cath não se cabia de felicidade.
_Conseguiu ver os olhos dele, Gil ?
_Ainda não … esteve dormindo todo o tempo !
_Você já o pegou no colo ?
_Huhum … — os olhos dele estavam brilhantes e infinitamente azuis.
_O que sentiu ?
Eles o rodearam e viram extasiados seu supervisor declarar emocionado, tocando o peito.
_O amor … em sua forma mais plena e … perfeita !
…........
Ele voltou para o quarto assim que seus amigos foram embora, em nenhum momento tirou o sorriso do rosto.
_Você está bem ?
_Sim … apenas um pouco dolorida …
Ela esticou a mão para ele se sentar ao seu lado e ele o fez imediatamente.
_Eu tenho que te dizer querida, nunca me senti tão feliz em toda minha vida. Obrigado !
Seus olhos enternecidos buscaram os dela e ele a beijou apaixonadamente por um longo tempo, até serem interrompidos pela enfermeira que precisou pigarrear para que notassem sua presença.
_Acho que ele quer a mamãe !
Antony desta vez estava de olhos bem abertos se habituando à claridade. OS OLHOS EXTREMAMENTE AZUIS !!!
_Gris … acho que não tive nenhuma participação nele, pedi tanto para se parecesse com você e pelo jeito fui atendida !!!!
_Os olhos do pai ! — A enfermeira sorriu.
_Olhos ? A boca, o queixo, a testa !
Ele suspirou, seus pés pareciam não tocar o chão !
….......
Ele abriu a porta para ela e eles entraram no apartamento.
Sara segurava o filho com cuidado e o apresentava ao seu lar. Grissom, logo atrás parecia se divertir.
_Esta é a sua casa ! O que você acha ? Quer conhecer onde foi que fizemos você ?
_Sara !
Ela riu, passeando pela casa como se ele pudesse entender tudo o que estava descrevendo, até ajeitá — lo no carrinho novamente.
_Você acha que quando somos pais … ficamos bobos ?
_Acho e … é tão bom !
Ela deslizou a mão pelo rosto cabeludo e beijou seus lábios de leve.
_Gris ?
_Sim …
_Estou feliz que ele seja exatamente igual a você … mas … preciso procurar pelo menos alguma coisa minha nele, estou desesperada !
Ele deu uma gargalhada muito alta.
_Ainda é muito cedo … crianças mudam o tempo todo … sabe que até mesmo os olhos …
_Você está querendo me animar !
Eles inclinaram para a frente assim que notaram movimento no confortável carrinho, depois ele se aquietou.
_Ele tem dedos longos iguais aos seus, olhe só.
Era fato. Os dedos tanto dos pés como das mãos eram exatamente iguais aos dela.
_Ele é meu filho também !
_Não diga bobagens … meu amor ! Ele é … nosso filho !
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