Novamente Alice ~sendo reescrita~
22 Crianças
Notas iniciais
Uma coisa era certa, a duquesa e o chapeleiro estavam em perigo, o maior problema era saber como ajudar.
— Então o que foi que eu perdi? – Will perguntou enquanto entrava em casa, ele estava sorrindo feito um idiota, seu tom de voz estava animado e ele parecia descontraído, mas algo me dizia que só parecia mesmo.
— O básico. – A rainha respondeu com um pouco de ironia e Will pareceu não se importar, apenas sentou-se ao seu lado, cantarolando alguma musica que não conhecia. — Vejamos... Onde estávamos? Ah é mesmo... Então vocês chegaram aqui e eles já tinham sumido certo?
— Sim. – Eu afirmei um pouco pensativa. — Não sabemos o que houve... Apenas achamos que...
— A bruxinha filha aprontou novamente! – Will me interrompeu, falando como se estivesse contando uma piada obvia, o que me assustava um pouco, a ironia dele soava tão assassina.
— Will, por favor. – A rainha o repreendeu docemente e Will suspirou dando de ombros. — A situação é realmente preocupante, mas se vamos desafiar a que está no poder, precisamos estar preparados, Ches querido sabe até onde vão os domínios dela atualmente?
— Continua quase o mesmo ela dominou mais algumas aldeias, mas nada muito grande, e eles ainda vão até onde a sua parte começa. – Ches respondeu como se fosse um discurso repetitivo que ele estivesse cansado de ouvir.
— Ótimo! Ótimo! Então é isso, vamos sair dos domínios dela, vamos para minha parte do reino, até porque estou com saudades de casa.
— Mas... – Ches começou a falar um pouco receoso, como se fosse um crime, não que ele se importasse com leis, mas era oque parecia — Suas terras foram congeladas e junto dela as pessoas também.
— De fato, mas por enquanto lá é o lugar mais seguro que temos e também uma parte interior do castelo ainda esta protegida. – Ela comentou abrindo um sorriso animado e Ches pareceu refletir.
— Tudo bem então. – Ele respondeu sorrindo.
— Tem um túnel que conecta até lá, mas eu acho... – White comentou, interferindo na conversa pela primeira vez. — Acho que ele está sendo vigiado ou coisa assim.
— Como vamos passar por ele sem chamar atenção? – Perguntei, mas logo me arrependi, todos olharam para mim de modo estranho.
— Bem... – A rainha começou a falar, com um meio sorriso. — Alice é bem pequena, certo? White é rápido e Ches é quase invisível... Will é um gênio e eu sou eu, é acho que tenho um plano.
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— Porque que eu tinha que perguntar em? — reclamei refazendo uma trança e saindo para a varanda, e Ches sorriu pra mim como se quisesse me consolar ou coisa assim. — E ela ainda disse que sou pequena. — Completei e ele riu um pouco.
— É porque você é pequena. — White implicou e eu mostrei língua. —criança.
— imbecil. — nos viramos á cara e eu sorri, sei lá por que Ches balançou a cabeça suspirando.
— vamos com isso, não sei se o casalzinho ai se lembra, mas temos uma missão a cumprir.
— Calado! – White e eu gritamos juntos, nos encaramos e viramos a cara novamente, “Casalzinho”, urgh, é repugnante só pensar, talvez não tão repugnante, mas irritante só de pensar, é, ou...
Mexi na trança terminada, “Simplesmente sem chance”.
— Olá jovens. – Will nos cumprimentou saindo da casa. — Eu estava falando com a rainha e temos mais um tempinho antes de irmos e se não se importam, eu gostaria de falar com vocês sobre como as coisas chegaram a esse ponto. – Nós o encaramos e ele sorriu.
— Por favor, eu preciso saber o que houve, eu imploro.
— Tudo bem. – Eu concordei sem animo e nós nos sentamos na beira da varanda, contei a Will sobre tudo oque houve até aqui e depois foi à vez de Ches contar os fatos:
— Bem nós chegamos aqui e fomos levados diretamente à rainha, ela gostou de nós ou coisa do tipo, depois começamos a fazer trabalhos para ela, e para os nobres, mas depois nós meio que evoluímos, Whi- Alli se tornou um diplomata, responsável pelos viajantes e eu, sou meio que um guia... – Ele parou por um segundo e respirou fundo. — Não bem um guia, e ele não era bem um diplomata, somos tipo, como posso explicar de maneira clara...
— Meu trabalho era receber e dar atenção aos convidados da rainha, mas não só isso, ainda tinha os viajantes de fora, que não deveriam estar aqui e esses eram bem... – White começou, mas também se interrompeu.
— Executados, mortos, eliminados. – Ches completou como se fosse algo normal para ele, mas parando pra pensar ele tinha um olhar tão intenso que eu nem duvido que sua real função seja essa, matar viajantes azarados, me arrepiei só de pensar. — White dizia a eles aonde ir e eu bem... Os matava.
Will parecia refletir sobre oque acabara de ouvir, seus olhos tinham um brilho mais intenso, ele fitava Ches com uma expressão tão séria que eu tive um pouco de medo, ele desviou o olhar pra mim. — Então... — ele começou. — Resumindo, você é neta da outra Alice e está aqui porque aquela bruxa atacou sua casa? — eu concordei e ele pareceu refletir. — E aquela bruxa fez vocês de escravos, brincando com suas vidas como se fossem meros objetos por todo esse tempo? Fazendo com que vocês passassem a desprezar a vida alheia e tudo mais? — ele disse se voltando a White e Ches, que não responderam nada, o que ele pareceu considerar como um sim. — Ótimo, vou tentar ficar calmo, lógico, porque eu não ficaria não é mesmo?
— Will não piore as coisas pra todos. — Interveio a rainha branca, que estava parada na porta a um tempinho e Will suspirou.
— Tudo bem e o que eu faço? – Ele pergunta, se levantando e puxando White junto. — Oque eu faço? Isso tudo fez parte de um plano medíocre, QUEM USA CRIANÇAS PARA SERVIÇOS COMO ESSES? Quem? – Will estava segurando com mais força o braço de White/All. — São crianças, Branca, Crianças! Quantos anos tinham quando começaram em? Quantos? – Ele se virou a Ches, que parecia um pouco assustado, pois demorou um pouco para assimilar a pergunta.
— E... Eu comecei com nove, Alli começou com dez. – Ele respondeu automático e Will soltou o braço de White, que respirou um pouco aliviado, mas ainda parecia um tenso.
— Pai... – White começou, mas Will fez sinal com a mão para que ele pare de falar.
— Não filho, não diga nada... Eu não culpo vocês por não terem outra opção, mas não posso admitir que isso fique assim, veja bem vocês são crianças... Um pouco mais grandinhas, mas ainda crianças, por isso mesmo estou disposto a pôr nosso plano para atravessar o túnel em pratica logo, quanto mais perto tivermos de pegar aquele projeto de bruxa, mais feliz eu ficarei.
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