Nova Vida como Vampira

5 Uma missão importante


Capítulo 5 – Uma missão importante

Lucas ainda estava na sala assistindo televisão quando sua mãe chegou.

– Oi, mãe. – falou o garoto. – Como foi a reunião?

– Foi boa. – respondeu D. Vera sorrindo. – Ficou tudo resolvido.

– Ah, esqueci de avisar antes da senhora sair. – disse o garoto. – A Júlia veio aqui

trazer as roupas da minha prima.

– Ah, sim. – respondeu a mulher lembrando-se. – Você queria conhece-la, não é?

Conversaram bastante? – completou ela sentando-se ao lado do filho.

– Não. Ela disse que estava com pressa. – respondeu o garoto meio desanimado.

Mas a achei um pouco estranha.

– Como assim estranha? – perguntou D. Vera curiosa.

– Não sei explicar. – respondeu Lucas. – Tive uma sensação estranha ao vê-la.

Parecia que ela... que ela era diferente.

Márcia abriu a porta do quarto e sua filha estava no computador ouvindo música

e lendo fics.

– Boa noite, filha.

– Konban wa. – respondeu Júlia sorrindo para a mãe.

– Você estará acordada a hora que eu vou trabalhar?? – perguntou Márcia antes de

sair do quarto.

– Hum... não. – respondeu Júlia pensando. – Estarei na hora do seu almoço.

– Está bem. Eu preciso falar com você sobre um assunto importante.

– Ok. – respondeu a garota.

Júlia ainda ficou mais um bom tempo no computador e, quando olhou para o relógio

já era quase de manhã. Ela levou um susto ao ver que a janela estava um pouco aberta e, no mesmo instante, levantou, tropeçando no pé da cadeira e quase caindo, para fecha-la.

– Ufa! – disse ela aliviada. – Essa foi por pouco. Preciso prestar mais atenção

nisso.

Ela desligou o computador e foi deitar, mas demorou um tempo para dormir, pois

aquele momento que ela e Cléber quase se beijaram foi lembrado.

Eram quase onze horas quando Júlia acordou. Ela levantou-se e, depois de se lavar e se alimentar, ligou o computador para ouvir música (NF= é o que ela mais gosta de fazer, assim como eu atualmente). Ainda pensava no Cléber, então colocou uma música que achava que combinava com aquele momento:

Deatta toki kara kitto subete no sekai kawari hajimeteitayo

(Desde que nos conhecemos o mundo começou a mudar)

Ima nara kono kimochi wo shoujiki ni ieru

(Só agora posso afirmar isso)

Michi ni saita hana ni sarigenaku waraikakeru kimiga daisukide

(Adoro esse seu jeito alegre)

Donna houseki yorimo kagayaku shunkan wo muneni kizamou

(Vamos guardar para sempre nossos preciosos momentos)

Kokoro kara omou kimiga taisetsuna monowa nandesuka

(Qual é a coisa mais importante para você?)

Sono egao sono namida zutto mamotteku to kimeta

(Eu já optei por seu sorriso, suas lágrimas)

Koi ni ochite I love you*

(Te amo, estou apaixonada por você)

.....

Ela ficou ali ouvindo a música, sem fazer mais nada. Estava de olhos fechados e simplesmente pensava no vampiro que a criou, sentia que estava cada vez mais apaixonada por ele.

Quando a música terminou, ela deu um suspiro e saiu do quarto. Márcia ia entrando quando ela descia as escadas.

– Oi filha. Acordou agora?

– Já faz um tempinho. – respondeu a garota. – Estava ouvindo música.

Tocou o telefone e Júlia, que estava mais perto, atendeu enquanto Márcia foi para a

cozinha deixar o pacote que segurava e, logo depois, dirigiu-se até o banheiro. Júlia desligou o telefone e foi pegar mais sangue, quando viu, sobre a mesa, um delicioso pedaço de bolo de chocolate com cobertura e granulado por cima. Ela ficou ali parada olhando, sabia que não podia comer, mas não estava conseguindo resistir; ela ainda não tinha se sentido assim desde que virou vampira e, com certeza, era muito desagradável a sensação de querer comer algo e não poder. A garota já ia pegar o bolo, quando sua mãe voltou dizendo:

– Quem era no telefone, filha.

– Era engano. – respondeu a garota sem tirar os olhos do bolo.

Márcia entrou no cômodo e, percebendo o estado da menina, tirou rapidamente o

bolo de cima da mesa.

– Me desculpe, Júlia. – disse ela preocupada. – Não queria te deixar assim.

– Tá tudo bem, mãe. – respondeu a menina voltando a si. – Tenho que aceitar que

não posso mais comer o que eu gostava. Essa é uma das desvantagens de ser vampira.

A mulher colocou o bolo debaixo de uma vasilha branca e olhou para a filha sorrindo, e esta retribuiu o sorriso e balançou a cabeça positivamente entendendo a brincadeira da mãe. A garota abriu a geladeira e serviu-se de sangue enquanto sua mãe preparava o almoço.

– Então, mãe. – disse depois de sentar-se. – O que você queria conversar comigo?

– É sobre o seu estudo, filha. – disse Márcia virando-se para ela. – Você não pode

deixar de estudar porque não pode mais ir para a escola.

– Você tem razão, mãe. – respondeu a garota depois de tomar um gole. – O que

sugere?

– Bem, pensei em chamar um professor para te dar aula aqui em casa. – respondeu

Márcia se servindo. – Talvez algum da escola que você estudava.

– É. Pode ser. – respondeu a garota concordando.

Márcia sentou-se para almoçar e Júlia apenas a olhava, ela ainda estava com

vontade de comer. Tomou um bom gole de sangue e levantou-se.

– Tive uma idéia. – disse saindo da cozinha. – Depois te conto.

– Está bem. – respondeu a mãe.

Júlia foi até seu quarto e olhou no relógio, já era quase uma hora. Ela entrou no

MSN e, como esperava, sua amiga já estava lá.

July-chan diz:

Oi, amiga. Td bem?

Paula – A vida é feita de amizades diz:

Oi, July.

Paula – A vida é feita de amizades diz:

To ótima. E vc?

July-chan diz:

Td bem

July-chan diz:

Quero te pedir uma coisa.

Paula – A vida é feita de amizades diz:

Pode dizer amiga.

July-chan diz:

É q minha mãe não quer q eu pare de estudar.

Paula – A vida é feita de amizades diz:

E ela está certa

July-chan diz:

Tbm acho.

July-chan diz:

Queria te pedir pra ser minha professora. O que me diz?

Paula – A vida é feita de amizades diz:

Bem, é muita responsabilidade...

Paula – A vida é feita de amizades diz:

Mas eu aceito sim

Paula – A vida é feita de amizades diz:

Pode contar comigo.

July-chan diz:

Arigatou gozaimasu

July-chan diz:

Já volto, amiga

July-chan diz:

Vou contar pra minha mãe q arranjei uma professora

Paula – A vida é feita de amizades diz:

Ok. ^^

Paula voltou a ler a fic da “carol cat”, sua ficwriter preferida, enquanto esperava a amiga voltar. Terminou de ler e estava fazendo um comentário quando Júlia voltou.

July-chan diz:

Voltei, amiga

Paula – A vida é feita de amizades diz:

Oi

Paula – A vida é feita de amizades diz:

O q sua mãe achou da idéia

July-chan diz:

Ela gostou e disse q será muito bom

July-chan diz:

Ela acha q vc é perfeita para o cargo

July-chan diz:

E eu concordo

Paula – A vida é feita de amizades diz:

Obrigada

Paula – A vida é feita de amizades diz:

Então amanhã estarei aí às duas horas

July-chan diz:

Combinado.

Cléber entrou na sala e, depois da dar boa noite aos presentes, dirigiu-se ao seu lugar. No local estavam reunidos 10 vampiros, os representantes de cada clã. Cada um deles tinha suas maneiras de se comportar e a aparência era bem diferente entre eles também.

A porta do local abriu-se novamente e todos viram o Príncipe Ricardo entrar e se dirigir à sua cadeira na ponta da mesa.

– Boa noite, amigos. – disse ele sorrindo. – Chamei vocês aqui para decidirmos

alguns assuntos importantes que, como vocês bem sabem, diz respeito a todos os clãs. Sem exceções. – ao dizer esta última parte ele olhou para um vampiro de barba branca que parecia não prestar atenção.

Ricardo tirou uns papéis de sua maleta e os examinou antes de continuar.

– Bem, o primeiro item a resolver é um pedido do Príncipe de Curitiba para

enviarmos um vampiro que o auxiliará em algo importante para toda a comunidade vampírica do país.

– E o que seria assim tão importante? – perguntou um vampiro de aparência

jovem e bem vestido.

– O Príncipe preferiu não entrar em detalhes da missão antes de saber se vamos

colaborar. – respondeu Ricardo prontamente.

– Bem esperto ele, não é? – disse a única vampira presente na reunião.

Ela era muito bonita e seu clã aprecia a beleza e a arte.

O vampiro que fez a pergunta concordou com a cabeça e, vendo que ninguém mais tinha perguntas, Ricardo continuou:

– Então, qual clã mandará seu representante para a cidade de Curitiba?

– Eu não vou mandar ninguém do meu clã. – disse o vampiro da barba branca.

– Já esperava que você seria o primeiro a sair fora, Adams. – falou Ricardo

olhando para ele. – Alguém pretende ajudar ou, pelo menos, dar uma opinião sobre o assunto?

Alguns, olhando para baixo, apenas balançaram a cabeça negativamente e outros nem isso fizeram. Vendo que não haveria colaboração de nenhum deles nesse assunto, Ricardo olhou para Cléber.

– O que você acha de manda-la, amigo?

– Não sei. – respondeu o vampiro com preocupação. – Será que ela está preparada

para algo do tipo?

– Acho que sim. – respondeu o príncipe com convicção. – Ela é bem esperta e

saberá cumprir o que for determinado com facilidade.

– Está bem. – respondeu Cléber. – Se você acha que ela tem condições eu

concordo nessa escolha.

– Então este item já está resolvido. – falou Ricardo olhando para todos e, vendo

que nenhum reagiu de nenhuma forma, continuou. – Passemos para o próximo.

Os outros itens foram resolvidos com certa facilidade, pois eram coisas menores e de interesse particular de certos clãs.

Júlia voltou do seu passeio noturno mais cedo do que planejava, não era a mesma coisa ficar na rua sem o Cléber. Ela não o encontrou em nenhum lugar, chegou a pegar um ônibus e ir até a casa dele mas, infelizmente, ele já tinha saído. Ao entrar em casa, viu a mãe desligando a TV para ir dormir.

– Chegou mais cedo hoje, filha.

– É. – respondeu a garota um tanto triste. – Não encontrei o Cléber hoje... e ainda

não estou acostumada a andar sozinha.

A garota subiu para seu quarto e deitou na cama, sem nem mesmo tirar o tênis. Queria saber porque ele não havia aparecido ainda, precisava vê-lo, ficar com ele... beija-lo. Ela lembrou-se novamente daquele momento e sorriu, se não fosse sua mãe aparecer com certeza teriam se beijado.

– Ai, Cléber. Koi ni ochite. – murmurou ela antes de adormecer.

Porque o filho de D. Vera achou Júlia estranha? Será que a noite vai acabar sem um novo encontro de Júlia e Cléber? Estas e outras respostas, e mais algumas dúvidas, nos próximos capítulos.

* Koi ni ochitara (Quando me apaixonar) da cantora Crystal Kay.

Arigatou. Espero que tenham gostado.

Até mais. Thelef.