Nova Vida como Vampira

13 Surpresa para a vampira


Júlia chegou ao quarto e, depois de tomar um banho, deitou-se e ficou olhando para o teto. Pensava em Cléber, na mãe e nas amigas, estava com saudade de todos. Levantou-se e resolveu ligar para sua mãe, fazia tempo que não falava com ela.

Márcia já estava se arrumando para ir dormir, quando o telefone tocou.

– Oi mãe. – disse a vampira assim que a mulher atendeu. – Tudo bem?

– Filha! – respondeu, alegre. – Tudo bem. Como estão as coisas aí?

– Tudo certo. Eu queria ter voltado hoje mesmo, há esta hora eu já estaria aí.

– E o que aconteceu? – perguntou a mãe, tentando parecer preocupada.

– Nada, mãe. É que o piloto do príncipe está fazendo outro serviço esta noite e não podia me levar.

– E quando você volta?

– Ainda não sei. Talvez amanhã mesmo.

– Que bom. Estou com muita saudade de você.

– Também estou com saudade.

Márcia sabia por que a filha ficaria mais um tempo por lá, mas não podia contar pra ela.

– Foi bom falar com você, filha. Agora preciso ir dormir, vou acordar mais cedo amanhã.

– Tudo bem, mãe. Ainda não sei se vou sair novamente.

– Tchau, filha. Beijos.

– Sayonara okaasan. Kisu. (Tchau mãe. Beijos).

O avião pousou no aeroporto de Curitiba e o vampiro desembarcou. Agradeceu ao piloto e foi em direção ao carro que já o aguardava, era o motorista do Príncipe Garcia.

– Boa noite, Cléber. – disse o motorista estendendo a mão para ele. – Como estão as coisas lá em São Paulo?

– Boa noite. – cumprimentou-o Cléber, sorrindo. – Está tudo em ordem por lá, fora alguns caçadores de vez em quando.

– Só de vez em quando? – surpreendeu-se o motorista. – Aqui aparecem caçadores todas as noites.

Os dois entraram no carro e foram em direção ao hotel.

– A situação está tão grave assim aqui? – pergunta Cléber.

– A verdade é que, recentemente, abriu um Clube de Caça na cidade e, como era de se esperar, eles começaram a circular pelas ruas todas as noites. – respondeu o motorista. — Mas, por enquanto, temos registro de menos de dez caçadores e não sabemos se há outros além desses.

– E a localização do clube?

– Sem informações sobre isso no momento. – fala o motorista, meio desapontado. – O único caçador que o Príncipe conseguiu capturar se enforcou antes de ser interrogado.

Alguns minutos depois, o carro pára em frente ao hotel. Cléber desce e fica impressionado com o estilo diferente do prédio.

– Qualquer coisa pode me chamar. – diz o motorista. – Estarei aqui o mais rápido possível.

– Ah sim. – responde Cléber. – Obrigado.

Assim que o carro parte, o vampiro dirige-se até o hotel e, assim que chega à porta, um garoto aproxima-se o cumprimentando e indica-lhe a recepção. Cléber agradece e, ao passar pelo garoto, percebe algo em seu pescoço: marcas que parecem ser mordidas. “Então foi ele a primeira vítima da Júlia” – pensou Cléber, sorrindo. – “Ela soube escolher uma boa pessoa”.

– Boa noite, senhoru. Em que posso ajudá-lo?

– Boa noite. Eu gostaria de ver a garota que está no quarto do Sr. Garcia.

– Ah, sim. – responde o japonês, sorrindo. – A garota Juria, né?

– Sim.

Júlia tinha voltado a deitar, desta vez virada para um lado. Depois de pensar um pouco, resolveu dar uma volta e, quando estava pegando uma roupa para sair, tocou o telefone.

– Visita pra mim? – perguntou ela, surpresa.

– Hai. – respondeu o Sr. Yamada.

– Ela já desce. – disse ele para o vampiro. – Pode ficar à vontade, né?

– Obrigado. – agradeceu ele. – Ah senhor, pode ter animais aqui?

– Não pode. – respondeu o Sr. Yamada, vendo a cara assustada de Cléber. – Mas você e Juria têm autorização especial, né? – completou, sorrindo.

– Autorização especial? – estranhou Cléber. – Ah, sim. Deve ser do Sr. Garcia.

– Isso. – confirmou o japonês.

“Então aquela ligação que vi Ricardo fazer devia ser para o Príncipe Garcia falando sobre o gato”. – pensou ele olhando para o filhotinho. – “Espero que Júlia goste dele”.

A vampira saiu do elevador e, assim que viu seu amado, abriu o maior sorriso do mundo.

– Cléber! – gritou ela, antes de sair correndo para abraçá-lo.

O vampiro sorriu para ela e fechou a caixa para ela não ver o conteúdo, ainda não, e colocou-a sobre o balcão.

– Oi Júlia. Como você está linda!

Os dois se abraçaram com bastante força, tão forte que se fossem humanos normais teriam sentido muita dor. A vampira estava muito feliz com aquela visita inesperada.

– Você veio fazer algum serviço aqui? – perguntou ela.

– Não. – falou ele sorrindo. – Eu vim apenas para passar um tempo com minha linda garotinha.

– Onde você vai ficar?

– No mesmo quarto que você. – respondeu ele prontamente. – Se não tiver problema, é claro.

– Claro que não. – sorriu a vampira. – Vamos subir então?

Ele concordou e pôs a mochila nas costas e pegou a caixa com cuidado. Os dois esperavam o elevador e, sem tirar os olhos da caixa, perguntou:

– O que tem aí?

– É um presente pra você. – disse o vampiro sorrindo. – Mas só vai saber o que é quando chegarmos ao quarto.

– Ah, que chato. – brincou a vampira. – Estou tão curiosa.

– Eu sei. – disse ele aumentando o sorriso e segurando a porta do elevador para ela entrar.

Júlia abriu a porta e, assim que ele entrou, logo disse:

– Pronto, estamos no quarto. O que tem aí dentro?

– O que é isso, vampirinha. – disse ele, tentando ficar sério. – Esse não é o comportamento de uma garota japonesa educada.

– Gomen nasai, é que a curiosidade é maior que a educação nessas horas.

– Tudo bem, eu entendo. – respondeu ele andando até a cama e colocando a caixa sobre ela. – Abra com cuidado, pois é muito frágil.

A garota não entendeu direito o que ele quis dizer, mas aproximou-se sem dizer nada e ajoelhou em frente da caixa. Colocou as mãos nela e, de uma vez, levantou a tampa. O movimento foi tão rápido que assustou o gatinho fazendo-o sentar olhando para cima.

– Que lindo! – disse ela pegando o animal e abraçando-o. – É tão kawaii.

Ela olhou para o gatinho e este miou, parecia estar contente por ter uma nova dona. A vampira também estava muito contente, colocou o gatinho sobre a cama e ele logo correu, com certa dificuldade por causa da falta de estabilidade do colchão, de volta até ela.

– Ele ainda não tem um nome. – fala Cléber entregando o bilhete que ele havia tirado da caixa.

Júlia pegou o papel com uma mão e leu-o atentamente, enquanto fazia carinho no gato com a outra mão.

– É fêmea. – disse após ler.

– Sim. – confirmou o vampiro.

– Então vai se chamar... Sagwa.

– Sagwa? – perguntou o vampiro. – De onde tirou esse nome?

– É um desenho que tem uma gatinha siamesa, igual a esta, chamada Sagwa. Não gostou do nome?

– É um nome muito bonito. Só achei diferente.

Júlia sorriu e colocou Sagwa novamente na cama, então começou a fazer carinho na barriga dela. A gata estava agitando as patinhas no ar, parecia estar adorando aquilo.

– Você me disse que os animais não gostam de vampiros, né? – lembrou-se a garota. – Principalmente gatos e cachorros.

– É mesmo. Havia me esquecido disso. – concordou o vampiro. – Tanto que nem achei estranho ela continuar quieta quando a encontrei.

– Ainda bem que você não tem nada contra nós dois, né Sagwa-chan? – disse a vampira olhando para a gatinha e agarrando-a. – Precisamos levá-la num veterinário para confirmar se está bem mesmo e também comprar ração. – completou para Cléber.

– Ah, sim. Eu já havia pensado nisso. – respondeu o vampiro, levantando-se e indo até o telefone.

A vampira continuou brincando com sua nova companheira enquanto Cléber pedia informações na recepção.

– Ok, muito obrigado. – disse o vampiro desligando o aparelho.

– Tem um veterinário aqui perto que fica aberto até às nove da noite, então nós podemos levá-la amanhã. – disse Cléber para Júlia, fazendo carinho no filhote.

– Combinado. – diz a vampira. – Mas e a ração?

– O veterinário não vende, precisamos comprar em outro lugar. Se encontrarmos algum lugar que fique aberto à noite.

– Eu peço para o garoto da portaria comprar amanhã cedo, assim Sagwa não passa fome até de noite.

– Ah, sim. – fala Cléber, sorrindo. – Aquele que você mordeu?

– Ele mesmo. – responde Júlia, meio sem graça. – Mas eu não fiz mais nada com ele. – defende-se.

– Eu sei disso. Confio em você. – respondeu ainda sorrindo. – Mas então ele sabe que você é vampira?

– Não sabe. – neste momento, Sagwa saiu depressa das mãos dela e pulou no colo do vampiro. Ele acaricia a gatinha e esta fica deitada só curtindo o carinho.

– Se você mordeu ele duas vezes, como ele não sabe que é vampira? – Cléber voltou ao assunto.

– Muito simples, meu amor. – respondeu Júlia, sorrindo. – Usei um poder vampírico.

– Sério? – disse Cléber, surpreso. – Ah, sim, o de alteração de memória?

– Acho que é esse mesmo. – respondeu a vampira. – Não sei o nome, mas fiz ele esquecer tudo o que aconteceu relacionado a vampirismo.

– Você está se saindo muito melhor do que eu esperava. – disse Cléber.

– Arigatou. – respondeu a vampira, esticando a mão até a cabeça de Sagwa.

A pequena gatinha dormia feliz no colo do vampiro, estava sendo acariciada por seus novos donos. Mesmo tendo percebido que eles são vampiros, ela gosta deles e não se importa nem um pouco com a condição dos dois, afinal eles dão carinho e parecem gostar muito dela. Até mais do que sua antiga dona.

Júlia olhou sorrindo para Cléber e aproximou-se dele, então deu-lhe um beijo rápido em seus lábios. Ele também sorriu e, depois de colocar Sagwa de volta na caixa, abraçou a vampira beijando-lhe demoradamente.

Os dois deram mais alguns beijinhos sentados na cama, até que deitaram para um relacionamento mais íntimo. Na manhã seguinte os dois acordaram abraçados, sorriram e deram um beijo antes de levantar. Eles tiveram sua primeira noite de amor.

Cléber se vestiu e foi para o banheiro, Júlia viu que Sagwa continuava dormindo e passou a mão pela cabeça dela, sorrindo. Então também se vestiu e ligou para a recepção, pedindo para o garoto subir até o quarto. Logo ouvem uma batida leve na porta.

– Ohayou, amigo. – fala Júlia abrindo-a.

– Ohayou. – responde o garoto. Ele olha para Cléber e faz um movimento com a cabeça para cumprimentá-lo e Cléber faz o mesmo. – Em que posso ajudá-los?

– Tem algum pet-shop por aqui? – pergunta Júlia.

– Sim. Há mais ou menos duas quadras daqui.

– Ótimo. Você pode ir até lá comprar ração para a minha gata? – pede a vampira.

– Claro. – responde o garoto educadamente. – Será um prazer ajudá-los.

– Isso deve ser suficiente. – fala Cléber entregando dinheiro para o garoto.

– É sim, trarei a melhor ração que tiver. Volto logo.

Assim que o garoto saiu e Júlia fechou a porta, Cléber abraçou-a por trás e deu-lhe um beijo no pescoço.

– Já fui mordida uma vez, não quero ser de novo. – brincou ela, virando-se. – Agora só quero morder.

A vampira abraçou-o e começou a beijá-lo com vontade, de repente ela sente algo em seus pés e, olhando para baixo, vê sua gatinha passando a pata sobre eles. Ela dá um sorriso para o vampiro e abaixa-se para pegar o filhote.

– Bom dia, minha querida Sagwa. – diz segurando a gatinha na altura dos olhos. – Daqui a pouco vai chegar sua ração, ta?

– Ah, lembrei de uma coisa. – disse Cléber indo até sua mala. – Espero que ainda esteja bom.

Ele tirou uma pequena caixa de isopor, lacrada com fita isolante e mostrou para a garota. Júlia riu do jeito que ele encontrou para fechar a caixa, então o vampiro colocou-a sobre a mesa, abrindo-a. Então, entre uma quantidade de gelo que começava a derreter, tirou duas pequenas garrafas de plástico contendo sangue fresco e entregou uma para Júlia.

– Era para tomarmos ontem, mas acabei esquecendo. – disse ele.

– Não faz mal. – sorriu Júlia, pegando a garrafa e tomando sem perder tempo. – Que delícia! Já estava começando a sentir os efeitos da fome. – ela tomou mais um gole que deixou o conteúdo pela metade.

Os dois sentaram-se na cama e ficaram bebendo animados. Sagwa estava no colo da vampira, só olhando para aquela garrafa com um líquido vermelho.

– Você não pode tomar isso, amiguinha. – disse Júlia passando a mão na cabeça dela. – Vai te fazer mal, com certeza.

Antes deles acabarem de beber, ouvem a batida na porta. Cléber, rapidamente pega as duas garrafas e esconde embaixo da cama e Júlia vai abrir a porta.

– Aqui está. – diz o garoto entregando uma sacola para ela.

– Arigatou. – agradeceu ela.

– E aqui está seu troco. – disse o garoto tirando algumas moedas e notas do bolso.

– Pode ficar com tudo pra você. – respondeu o vampiro, sorrindo – Você é um bom garoto.

– Obrigado. – agradeceu o garoto fazendo uma leve reverência com o corpo, então saiu.

Assim que o garoto saiu, Cléber fechou a porta e Júlia colocou um pouco de ração na caixa e, após fechar o saco e guardá-lo, encontrou a gata atrás da cama tentando abrir uma das garrafas.

– Mas como você é teimosa, Sagwa. – disse a vampira pegando-a. – A sua comida já chegou.

Júlia colocou-a dentro da caixa e ela começou a comer sem perder tempo.

– Parece que ela estava com fome mesmo. – disse Cléber se aproximando.

– Pois é. Vamos terminar nossa refeição também? – chamou a vampira.

– Sim. – respondeu ele, pegando a garrafa que a vampira oferecia. – Vamos fazer um brinde para Sagwa, o mais novo membro da família.

Eles bateram as garrafas e tomaram o que havia sobrado. Depois se beijaram e deitaram na cama para relaxar e conversar, afinal ainda teriam o dia todo pra ficarem dentro do quarto.

Com mais um personagem importante, a gatinha siamesa Sagwa,acaba mais um capítulo da fic. Espero que tenham gostado.

No próximo capítulo o casal de vampiros terá um inesquecível passeio pela noite de Curitiba. ^^

Por favor, comentem.

Arigatou. Ja ne.