Era duas da tarde e Júlia já estava cansada de ver televisão, então desligou o aparelho e se vestiu com a intenção de ficar no computador até anoitecer. Ela terminava de calçar o tênis, quando bateram na porta.

– Quem é? – perguntou, levantando-se e indo até a porta.

– Serviço de quarto. – gritou uma voz do lado de fora.

Júlia reconheceu a voz e, sorrindo, abriu. Ela estava certa, era o funcionário do hotel que fora sua vítima do dia anterior.

– Oi Júlia. – cumprimentou o garoto. – Só passei para ver como você está.

– Estou bem, obrigada. Estava indo para a lan neste momento.

– Vamos juntos, então. – respondeu ele sorrindo.

– Claro! – falou a vampira aumentando o sorriso. – Mas antes gostaria de te falar uma coisa.

– Pode falar.

– Entre, por favor. Não quero correr o risco de alguém ouvir.

– Ah, sim. Sem problema. – respondeu ele, entrando no quarto e fechando a porta atrás de si.

Júlia pegou na mão dele e levou-o até a cama. O garoto sentou-se e Júlia se sentou na frente dele, com a cabeça abaixada, como se estivesse pensando. Ele não disse nada, apenas ficou olhando-a, esperando ela dizer o que queria. Admirava a beleza dela e, se pudesse, gostaria de abraçá-la e beijá-la.

Quando ele pensou em dizer que não podia ficar muito tempo ali, a garota levantou a cabeça, olhando-o nos olhos. Ela estava com uma expressão séria, como se tivesse acabado de tomar uma decisão muito difícil. Num movimento rápido e inesperado, a vampira agarrou-o e enfiou os dentes no pescoço dele, coincidentemente no mesmo local da mordida anterior. O coitado sentiu uma enorme dor e desmaiou na hora. A vampira sentia que gostava cada vez mais de fazer isso, o sangue fresco era muito bom.

Depois de saciar sua sede, largou-o deitado na cama e foi se lavar. Quando voltou ele já estava acordado. Dessa vez a garota nem esperou ele dizer algo, aproximou-se e olhou-o nos olhos deixando-o hipnotizado novamente. “Você trouxe um chá para o hóspede do quarto 83”. — ele ouviu uma voz dizendo em sua mente. – “Agora precisa fechar todas as janelas até a sala dos computadores”.

A vampira desviou o olhar e, na mesma hora, ele levantou-se para fazer o que a voz em sua mente pediu. Júlia sorriu para si mesma e seguiu-o até a lan, tomando o cuidado de esperar ele fechar as janelas pelo caminho. Ao chegarem lá, ele saiu do transe hipnótico e sorriu para ela.

– Oi Júlia, tudo bem?

– Oi. – respondeu a garota, também sorrindo.

Eles sentaram-se, cada no seu respectivo computador e ligaram os aparelhos.

– Estranha essa marca que apareceu ontem. – disse ele passando a mão pelo pescoço. – Agora voltou a doer de novo.

– Você deve ter batido em algum lugar e nem percebeu.

– É. – concordou ele. – Deve ser isso.

A garota sorriu, abriu o site de fics e colocou musica para tocar. Passou bastante tempo ali lendo, apesar de estar com muita vontade, preferiu não abrir o MSN enquanto o garoto estivesse ali.

– Nossa! Como o tempo passou rápido. – surpreendeu-se o garoto. – Já está na hora

de voltar ao trabalho.

– É mesmo. – concordou Júlia. – Daqui a pouco vou sair pra dar uma volta.

Ele desligou o aparelho e despediu-se dela e, assim que ele saiu, Júlia abriu o MSN.

O vampiro que ela amava estava conectado.

ジュリア– Tenho certeza que conseguirei superar a dor que sinto neste momento diz:

Oi, meu amor.

クレベル – Meu coração já tem dona, pena que ela não está aqui agora...

Oi, amor. Como vc está?

ジュリア– Tenho certeza que conseguirei superar a dor que sinto neste momento diz:

Estou bem. E muito feliz.

ジュリア– Tenho certeza que conseguirei superar a dor que sinto neste momento diz:

Logo nos veremos de novo.

クレベ ル – Meu coração já tem dona, pena que ela não está aqui agora...

É mesmo?

Cléber tinha uma coisa para contar pra ela, mas preferiu fazer surpresa.

ジュリア– Tenho certeza que conseguirei superar a dor que sinto neste momento diz:

Sim. Completei a missão.

ジュリア– Tenho certeza que conseguirei superar a dor que sinto neste momento diz:

Daqui a pouco vou ter o último encontro com o “chefe” e já poderei voltar pra casa.

クレベル – Meu coração já tem dona, pena que ela não está aqui agora...

Q boa noticia, amor. Estou com muita saudade.

クレベル – Meu coração já tem dona, pena que ela não está aqui agora...

Não vejo a hora de nos encontrarmos novamente

ジュリア– Tenho certeza que conseguirei superar a dor que sinto neste momento diz:

Eu estou contando os minutos pra te ver. ^^

ジュリア– Tenho certeza que conseguirei superar a dor que sinto neste momento diz:

Vou até ver com o “chefe” se dá pra eu voltar hoje mesmo.

O vampiro ia dizer pra ela esperar até a noite seguinte pra voltar, mas achou melhor resolver isso de outro jeito.

クレベル – Meu coração já tem dona, pena que ela não está aqui agora...

Tudo bem.

クレベル – Meu coração já tem dona, pena que ela não está aqui agora...

Estou te aguardando então.

ジュリア– Tenho certeza que conseguirei superar a dor que sinto neste momento diz:

Ok. Logo estarei aí.

クレベル – Meu coração já tem dona, pena que ela não está aqui agora...

Certo.

Ele riu depois de dizer isso, ia fazer uma enorme surpresa para sua namorada.

ジュリア– Tenho certeza que conseguirei superar a dor que sinto neste momento diz:

Preciso ir agora, amor.

ジュリア– Tenho certeza que conseguirei superar a dor que sinto neste momento diz:

Kisu. Sayonara.

クレベル – Meu coração já tem dona, pena que ela não está aqui agora...

Beijos, amor.

クレベル – Meu coração já tem dona, pena que ela não está aqui agora...

Até mais.

Júlia desligou o computador e subiu para o quarto. Estava terminando de se arrumar para sair quando o telefone tocou, o seu parceiro apareceu mesmo para acompanha-la até a casa do Príncipe. Ela desceu e o encontrou admirando a decoração do hotel.

– Fiquei assim também quando cheguei aqui. – disse ela, aproximando-se. – É muito bonito, né?

– Ah, oi vam... Júlia. – respondeu ele, corrigindo ao ver o olhar de reprovação dela. – É maravilhoso esse lugar. Tem tudo a ver com você.

– Pois é. – respondeu ela, sorrindo. – Vamos?

Ele concordou com a cabeça e os dois saíram do hotel. Foram caminhando e conversando sobre diversos assuntos, como se já se conhecessem há muito tempo.

– Como é ser vampiro lá em São Paulo? – perguntou ele.

– Bom, pra mim é muito bom. – respondeu a vampira com um sorriso. – Me apaixonei pelo vampiro que me abraçou e estou me dando bem até agora.

– A maior dificuldade de ser vampiro é se livrar dos caçadores. – disse o vampiro, parecendo aborrecido com isso. – É difícil passar uma noite sem encontrar algum nessa cidade.

– Lá em São Paulo ainda não tem tantos caçadores, mas eu e o Cléber já encontramos com dois uma vez.

Quando chegaram na casa do Príncipe, os outros dois vampiros já estavam lá esperando por eles.

– Aí está o casalzinho que aguardávamos. – disse um deles sorrindo.

– Ela tem namorado em São Paulo. Eu sou um simples amigo.

– Eu sei. – riu o vampiro. – Só estava brincando, seu bobo.

– Vamos entrar?

– Sim, chefinha.

Júlia entrou, sorrindo, na mansão do Príncipe, acompanhado pelos outros três vampiros. Logo eles chegaram na sala onde o dono da casa os aguardava.

– Buenas noches, meus amigos. – cumprimentou-os sorrindo. – Por favor, fiquem à vontade.

Assim que eles entraram viram, sobre a mesinha no meio dos sofás, uma grande jarra de vidro contendo a bebida dos vampiros e cinco taças ao lado dela. Os quatro sentaram e o Príncipe sentou-se junto com eles, servindo-os em seguida.

– Vamos fazer um brinde pelo esplêndido resultado de nossa missão. – disse o Príncipe erguendo sua taça. – E também à nossa querida Júlia, que fez um excelente trabalho como líder.

– Eu não teria conseguido sem uma equipe tão boa. – disse a garota após o brinde.

– Realmente nós formamos uma boa equipe. – disse um deles.

Ficaram conversando, rindo bastante e bebendo aquele sangue fresco que parecia ter sido tirado de algum humano no mesmo dia. Júlia deu o último gole e, assim que colocou a taça sobre a mesa, o vampiro que a acompanhara desde o hotel adiantou-se para servi-la.

– Beba mais um pouco, vampirinha. – disse ele. – Você merece.

– Arigatou. – respondeu ela curvando-se um pouco para frente.

– Bom, meus amigos. – disse o Príncipe. – A conversa está muito boa, mas o tempo passa e tenho outros assuntos para resolver hoje. Antes de irem embora eu gostaria de agradecer a ajuda de vocês e lhes dizer que, a partir deste momento, poderão contar com minha ajuda sempre que precisarem.

Todos concordaram com a cabeça sorrindo e os três vampiros despediram-se do Príncipe.

– Vamos Júlia? – chamou um deles.

– Eu ainda tenho um assunto a tratar com o Príncipe. – respondeu a garota. – Se puder, é claro. – completou olhando para ele.

– É claro que pode. – respondeu o Príncipe.

– Tudo bem. – disse o vampiro. – Nos veremos de novo?

– Hã... acho que não. – respondeu a vampira.

– Então tchau, chefinha. Foi muito bom ser liderado por você.

– Tchau Júlia. Não me esquecerei de você.

– Sayonara, vampirinha. – Hajimemashite.

Júlia se surpreendeu com essa despedida do colega, não esperava que ele soubesse algo de japonês.

– Como sabe essas palavras? – perguntou ela.

– Bem, eu tenho meus meios. – respondeu ele, sorrindo.

Ele não quis dizer, mas antes dela descer perguntou essas e outras palavras para o Sr. Yamada, o japonês da recepção.

– Ta certo. – respondeu a vampira sorrindo. – Foi muito bom conhecer vocês, sentirei saudades. Sayonara.

Assim que os três saíram, a vampira disse sem perder tempo:

– Gostaria de voltar para São Paulo agora mesmo.

– Infelizmente não é possível, Júlia. – respondeu o Príncipe depois de pensar um pouco. – Meu piloto está fazendo um serviço esta noite e só volta amanhã. Me desculpe, se você tivesse pedido antes...

– Não tem problema. – sorriu ela. – Então irei amanhã.

– Ok. Amanhã à noite ele estará livre.

A vampira se despediu e partiu rumo ao hotel, estava um pouco triste por ter que passar mais uma noite longe de seu namorado.

Eram quase 10 horas da noite, Cléber terminou de arrumar sua bagagem e, como ainda tinha tempo, resolveu ir andando até o aeroporto onde embarcaria num avião particular. Quando estava quase chegando, viu, encostada num muro, uma caixa de sapato com um buraco numa das laterais e o mais curioso é que a caixa pulava como se estivesse viva. Cléber aproximou-se e, com cuidado, abriu a tampa. Havia um lindo gatinho siamês lá dentro e um bilhete preso na tampa, o vampiro deu um sorriso, fez um carinho no pequeno filhote e pegou o papel:

Moro sozinha e não tenho condições de cuidar deste filhote, tenho outros gatos e as minhas despesas já estão bem altas. É triste ter que abandoná-lo assim, mas sei que alguém o encontrará e cuidará muito bem dele. É uma fêmea, tem somente um mês de vida e ainda não tem um nome, mas está perfeitamente saudável, como disse o veterinário.

Espero que quem encontrá-lo não ache que sou uma pessoa má, foi muito difícil pra mim tomar essa decisão. Infelizmente, não posso cuidar deste gatinho como deveria. Me desculpe, por favor.

Tenho certeza de que ele , e quem criá-lo, serão muito felizes. Obrigada.

O vampiro viu que no canto da caixa havia um pouco de ração, sinal de que não fazia muito tempo que o filhote estava lá. Ele não podia deixá-lo ali, então decidiu levá-lo em sua viagem. Levantou a caixa, fez mais um carinho no filhote e, sorrindo, continuou o caminho rumo ao aeroporto.

– Boa noite, Cléber. – cumprimentou o Príncipe Ricardo ao vê-lo chegar.

– Boa noite, Ricardo. – respondeu o vampiro. – Espero que não tenha problema eu levar mais um passageiro. – completou mostrando-lhe o gato.

– Claro que não tem problema, amigo. – respondeu Ricardo rindo. – Ainda mais um passageiro tão bonitinho como este.

Os dois deram risada e o piloto aproximou-se para dizer que estava tudo pronto para a partida. Cléber despediu-se do Príncipe e embarcou no avião segurando com todo cuidado aquele lindo filhotinho. Assim que o avião partiu, Ricardo pegou o celular e fez uma ligação enquanto caminhava até seu carro.

Mais um capítulo desta fic está concluído. Aguardem algumas surpresas nos capítulos finais.

Espero que tenham gostado, até o próximo capítulo.

Arigatou. Por favor, comentem e façam mais um ficwriter feliz.