Capítulo 2 – A primeira noite

Júlia continuava deitada no sofá, pensando em como seria sua nova vida e, principalmente, em como ia contar tudo para sua mãe. Passou muito tempo depois que Cléber foi embora e Júlia se sentia mais conformada, mas ainda não fazia idéia de como ia falar para a mãe. Ela sabia que D. Márcia não acredita nessas coisas sobrenaturais e misteriosas, seria muito difícil convencê-la.

A porta foi aberta por fora e, assim que entrou, a dona da casa viu sua filha deitada no sofá. A menina ainda estava acordada e parecia pensativa, pois nem percebeu que a mãe havia chegado.

– Oi filha. – disse Márcia se aproximando. – Ainda não foi pra cama?

– Oi mãe. – respondeu a menina sentando-se. – Precisamos conversar.

Márcia sentou-se ao lado da filha, passou a mão em seus cabelos, e perguntou:

– Aconteceu alguma coisa? Você parece assustada.

Júlia olhava para o chão, ainda não sabia direito como começar. A mãe aguardava pacientemente, sem dizer nada, a filha contar o que tinha acontecido.

– Bem, mãe... é que... – começou a menina ainda olhando para o chão. – Eu... eu...

– Acalme-se, filha! – disse a mãe se levantando. – Vou buscar um pouco de água pra você.

– Não. – gritou a menina olhando para a mãe e esta se assustou com essa reação. – Não precisa, mãe. Já estou mais calma.

– Então fale. – respondeu ela sentando-se novamente ao lado da menina.

– É que... eu... – Júlia queria escolher as palavras certas, mas estava difícil. – Eu... eu não sou mais uma garota normal.

– O que você quer dizer com isso, filha? – estranhou a mulher.

– Ontem à noite, quando já estava voltando pra casa, fui atacada... não, agarrada por um homem. Ele me jogou no chão e...

– Ta vendo, filha. – disse a mãe começando a se apavorar. – Eu sempre te digo para não andar sozinha tarde da noite.

– Espere um pouco, mãe. – disse a menina se levantando. – Vou buscar água com açúcar pra você. Vai precisar.

Ela foi até a cozinha e, enquanto pegava a água, pensava em como explicar para a mãe: “Não posso enrolar muito para falar, senão ela fica cada vez mais nervosa e será mais difícil. Já que tenho que contar é melhor que seja de uma vez”. Voltando para a sala, entregou o copo para a mãe e sentou-se pensativa.

D. Márcia tomou um gole e disse:

– Fala logo, filha. Já é tarde e amanhã você não pode faltar na escola.

Júlia não podia esperar mais, tinha que ser agora.

– Aquele... homem me jogou no chão e eu desmaiei. – disse Júlia já sabendo o que ia dizer. – Quando acordei já estava amanhecendo e eu estava sem roupa, então D. Vera abriu a porta e me viu. Ela me levou pra dentro, me emprestou aquelas roupas da sobrinha dela e, como eu estava muito cansada e abalada, acabei dormindo o dia inteiro.

– Então você não viu o que o tal homem fez com você? – perguntou a mãe tentando parecer calma.

– Não vi... – respondeu a menina prontamente. – mas ele veio aqui depois que você saiu e me contou tudo.

– O quê? – disse a mulher, apavorada. – Ele ficou aqui sozinho com você?

– Mãe, por favor, acalme-se. Não adianta ficar nervosa. – disse a menina olhando para ela. – Ele... ele não é uma pessoa normal.

– Esse negócio de “não é normal” está muito estranho. – disse a mulher antes de tomar mais um pouco de água. – O que isso quer dizer, afinal?

– Já vou dizer, mãe. – respondeu a menina aproximando-se um pouco. – Eu sei que vai ser difícil para você acreditar, mas, por favor, tente o máximo que puder. Ele é um vampiro.

Márcia olhava para a filha, totalmente paralisada, não sabia o que dizer. Júlia se sentia mais aliviada, pois faltava pouco agora e, como a mãe não disse nada, ela continuou:

– E, desde esta manhã, quando acordei, também sou uma vampira.

Júlia ficou olhando para a mãe esperando uma reação, mas ela ainda estava em estado de choque.

– Mãe – disse a garota cutucando-a. – Diga alguma coisa, por favor.

Márcia passou a mão no cabelo da filha e, tentando sorrir, disse:

– Você sabe que eu nunca acreditei no que não posso ver, mas sei que não ia dizer isso se não fosse verdade. – ela mudou sua expressão para tristeza. – O que vai acontecer com você, filha?

– Vou continuar aqui, mãe. – respondeu a menina sorrindo e pegando a mão da mãe. – Só terei uma vida diferente agora. Prometo que não vou fazer nada errado.

A mulher levantou-se e foi levar o copo para a cozinha, ainda estava muito abalada com a situação, mas teria que aceitar e fazer o que fosse preciso para ajudar a filha. Voltou para a sala e a menina ainda estava sentada no sofá.

– Júlia. – disse a mulher aproximando-se novamente. – Ele te disse como são os vampiros?

– Disse. – respondeu a menina olhando para a mãe.

– Você pode me contar? – perguntou ela sentando-se novamente.

– Poder contar, eu não posso. É o código dos vampiros não falar nada sobre nós para os humanos. – disse a menina com um olhar sério. – Mas, como você é minha mãe, vou lhe contar tudo.

Júlia contou tudo mesmo para a mãe: o momento que Cléber chegou, como são os vampiros, as fraquezas, a imortalidade, tudo. Márcia ia ouvindo e se surpreendendo cada vez mais.

Depois de terminar de contar, a menina completou:

– Bem, mãe, é isso. Você sabe tudo sobre nós. – ela aproximou-se e acariciou os cabelos da mãe, sorrindo. – Espero que não use este conhecimento contra mim ou fale sobre isso com alguém.

– Pode deixar, filha. – respondeu D. Márcia retribuindo o sorriso. – Vou te ajudar no que for preciso e, se depender de mim, nenhum outro humano saberá da existência de vampiros.

Júlia levantou-se e foi até o banheiro. Estava contente que sua mãe tinha aceitado facilmente e estava do seu lado. Pensava nisso quando levou um susto ao parar em frente ao espelho.

– Mãe! – gritou a menina apavorada e surpresa ao mesmo tempo.

– O que foi, filha! – disse ela chegando ao banheiro.

A menina não disse nada, apenas apontou para o espelho. A mulher aproximou-se da filha e, quando olhou para o espelho ficou tão surpresa quanto a garota, só havia o reflexo dela.

– O Cléber não falou sobre isso. – disse Júlia pensativa. – Deve ter esquecido.

– Realmente é muito estranho. – falou a mulher. – Olhar para o espelho, estando ao seu lado, e ver somente eu mesma.

– Já está tarde, filha. Vamos dormir, senão você não levanta para ir à escola.

A menina olhou com um sorriso para a mãe e disse:

– Mãe, eu não disse que não posso mais ir para a escola? Agora sou uma “criatura da noite”, passarei o dia inteiro em casa, no escuro e, à noite, sairei para passear.

– É verdade. – respondeu Márcia retribuindo o sorriso. – Tudo isso ainda é muito novo para mim, mas com o tempo vou me acostumar.

– Que horas são, mãe? – perguntou a menina saindo do banheiro.

– São duas e vinte. – respondeu a mulher olhando para o relógio em seu pulso e acompanhando a filha.

– Então ainda tenho tempo para um passeio. – disse a menina virando-se para a mãe. – A senhora sabe quando eu volto. Tchau.

– Ittekimasu*.

– Pode deixar. – disse a garota saindo e acenando para a mãe.

D. Márcia trancou a porta depois que a menina saiu e foi deitar-se. “Amanhã vou conversar com ela, não seria bom parar de estudar. Talvez podemos contratar um professor particular”. – pensou a mulher antes de adormecer.

Júlia estava adorando estar na rua. Ela caminhava tranqüilamente, mas prestando atenção no caminho, quando ouviu um barulho vindo da árvore que acabara de passar. Parou e olhou para trás a tempo de ver alguém pulando perto dela.

– Ah, Cléber! – disse ela reconhecendo-o – Estava me seguindo?

– Não. – respondeu Cléber sorrindo para ela. – Eu já estava em cima dessa árvore quando você passou.

– Pelo jeito você gosta de subir em árvores, né? – brincou a garota.

– É, pois é. – respondeu ele meio sem graça. – É mais fácil pra ficar escondido, eu acho. Mas e você, está gostando da sua primeira noite?

– É, to achando legal andar à noite. É bem diferente do dia, né?

Cléber sorriu e disse olhando para trás da garota:

– Você não se alimentou ainda, não é? – ele apontou para que ela olhasse. – Aquele homem pode ser sua primeira vítima, o que acha?

Júlia olhou séria para Cléber:

– Eu sei que devo fazer isso, mas não sei se estou preparada. – ela olhou para o homem. – Também não sei como fazer.

– Então fica aqui olhando, eu vou lhe ensinar.

Dizendo isso Cléber saiu correndo numa velocidade incrível. Em menos de 10 segundos ele percorreu os 500 metros que o separava do homem. A vítima nem teve tempo de reagir, pois, no mesmo instante que se aproximou, Cléber o agarrou e começou a morder seu pescoço.

Júlia estava parada, olhando aquela cena, imaginando-se fazendo o mesmo. Ela não queria atacar as pessoas daquele jeito, pelo menos achava que não queria. Logo Cléber retornou na mesma velocidade que tinha ido.

– Ah! Me sinto bem melhor. – disse ele sorrindo.

– Você o matou? – disse Júlia, espantada, ao ver que o homem continuava caído sem se mexer. – Ele não vai virar vampiro, né?

– Não, eu nunca matei ninguém. – disse olhando nos olhos dela. – E eu só tomei um pouco do sangue, não vai acontecer nada com ele. Só está desmaiado devido ao susto, logo ele levanta e a única lembrança que terá é aquela marca no pescoço.

Ouvindo isso Júlia passou a mão em seu pescoço e sentiu que a marca dos dentes de Cléber ainda estava lá. Ela lembrou-se da dor que sentiu e fez uma careta.

– Algum problema com você? – disse Cléber pondo a mão no ombro dela.

– Não é nada. – ela respondeu levantando a cabeça. – É que lembrei da dor de quando você me mordeu e imaginei que aquele homem deve ter sentido a mesma dor.

– É sim. – sorriu Cléber. – Deve doer bastante.

Ele olhou a sua volta e apontou para outra direção:

– Olha lá, Júlia. Tem outra pessoa parada ali. Sua vez de morder. – disse ele dando um empurrãozinho na garota.

– Não quero fazer isso. – respondeu ela voltando para o lado dele. – Não hoje, pelo menos.

– Mas você precisa de sangue antes que perca o controle. – disse ele preocupado. – E acredite, você não vai gostar se isso acontecer.

Júlia olhava para ele sem dizer nada. Ela realmente não estava com vontade de atacar uma pessoa, sabia que precisava se alimentar, mas não queria assim.

– Venha comigo. – disse Cléber vendo que ela não ia pegar a pessoa. – Vou te levar para dar uma volta.

Júlia seguiu o vampiro até a esquina e aproximaram-se de um carro que estava estacionado. Era o carro de Cléber. Os dois entraram no veículo e Cléber foi dirigindo, levando a garota para onde ela não sabia, pois ela não perguntou pra onde seria levada, tinha certeza de que podia confiar em Cléber.

Passaram-se vinte minutos desde que eles começaram a andar e nenhum dos dois falou durante o caminho. Então, Cléber parou o carro ao lado de uma casa pequena e bem cuidada.

– Chegamos. – disse ele olhando para a garota. – Eu moro aqui.

Eles desceram do carro e, lembrando-se das explicações de Cléber, Júlia parou diante da porta aberta por ele esperando permissão para entrar.

– Vejo que entendeu tudo o que eu disse. – disse ele, segurando a porta e sorrindo para a garota. – Permissão concedida.

– Você não vai tirar minha roupa novamente, né? – brincou ela entrando de olho nele.

– Não, Júlia. – ele riu. – Pode ficar tranqüila.

A garota entrou numa enorme sala, com uma iluminação fraca, mas suficiente para ver o cômodo inteiro. Os móveis eram muito antigos e estavam em bom estado de conservação, a cortina tinha uma cor vermelha que se destacava na decoração.

– Venha até a cozinha, por favor. – disse ele andando na frente da garota.

Júlia o seguiu sem dizer nada e, assim que chegaram lá, Cléber puxou uma cadeira para que ela se sentasse e foi até a geladeira, na outra ponta. A garota viu que a mesa, os armários e eletrodomésticos também eram antigos e também estavam bem conservados.

Cléber veio até a mesa com uma jarra de plástico azul e dois copos e, depois de sentar-se despejou um pouco do líquido da jarra em cada um dos copos. Um dos copos ele colocou menos da metade e o outro ficou cheio até a boca; este último ele empurrou para perto da garota. Júlia olhou aquele líquido de cor vermelha escura, quase preto, e não conseguia acreditar no que via.

– Isso é... é... – disse ela sem tirar os olhos do copo.

– Sim, minha querida. – respondeu Cléber e, depois de tomar um pouco, completou. – Isso é sangue. Beba, você vai gostar.

A garota olhou para ele e pegou o copo, ainda estava achando estranho ter que tomar sangue. “Pelo menos assim é melhor que morder alguém”. – pensou ela. Levou o copo até a boca e tomou um pequeno gole. Ela sentiu um gosto estranho, parecia algo metálico como ferro.

– Até que não é ruim. – disse ela, depois de tomar mais um pouco. – O único alimento pelo resto da minha vida.

Ela olhou para ele com um sorriso e propôs um brinde à eternidade. Eles brindaram e, em seguida, ela falou muito emocionada:

– Obrigada Cléber. – ele olhou para ela, achando estranho o agradecimento. – Por estar me ajudando.

– Era o mínimo que eu podia fazer depois do que fiz com você. – respondeu ele sério.

– Não precisa se desculpar de novo, amigo. – ela respondeu sorrindo para ele. – Estou gostando cada vez mais dessa nova vida. – disse ela antes de tomar mais um gole. – E o melhor de tudo: vou viver pra sempre e continuarei parecendo uma garotinha.

– Você viverá para sempre se não se meter em confusão com vampiros de outros clãs. – disse ele dando um sorriso. – Lembre-se que, apesar de sermos imortais, morremos com algumas coisas meio idiotas.

– Ah, sim. – responde ela confiante. – Se depender de mim não entrarei em nenhuma confusão.

Os dois ficaram um bom tempo conversando e bebendo. Então Cléber olhou no relógio que estava na parede, atrás de Júlia.

– Nossa como o tempo passou rápido. – disse ele levantando-se. – Já são 4:30. Preciso te levar pra sua casa antes de amanhecer.

– É mesmo. – ela respondeu. – Não quero me queimar depois da primeira noite.

Os dois riram do comentário e, antes de saírem, Cléber pediu para ela esperá-lo na sala. Ela foi até lá e, sem nenhuma cerimônia, sentou-se no sofá para aguardá-lo. Não demorou muito tempo e ele veio com um embrulho nas mãos, parecia ser uma garrafa ou algo assim. A garota levantou-se e foi até ele.

– Isto é um presente pra você. – ele disse entregando o pacote. – Se quiser, posso te dar mais quando acabar.

Ela pegou o embrulho e abriu um pouquinho pra ver se era o que ela achava. Confirmando sua suspeita ela riu e fechou novamente.

– Ah, Cléber. Não precisava se incomodar em me dar isto. – ela bateu a mão no ombro dele. – Você não vai ficar sem depois? – brincou ela.

– Não. – riu ele. – Pode ficar tranqüila. Ainda tenho bastante e tenho facilidade em conseguir mais sempre que preciso.

– Tem facilidade pra conseguir, é? – disse a garota.

– Sim. Por isso, se você quiser é claro, posso te fornecer também.

– Obrigada. – disse ela sorrindo. – Agora vamos.

Eles saíram e, durante a viagem, Júlia lembrou-se de uma coisa.

– Você esqueceu de me contar uma coisa. Eu descobri sozinha.

– O que eu esqueci de contar? – perguntou ele surpreso.

– Que nós não temos reflexo. Levei um susto quando fui para o banheiro, antes de sair de casa, e não me ver no espelho. – ele deu uma risada e ela completou. – Chamei minha mãe e ela também se assustou ao ver só o reflexo dela. Depois que passou o susto, foi engraçado.

– É mesmo. – disse ele rindo também. – Não te falei isso. Esse é um grande problema para nós. Não podemos saber como está a aparência antes de sair.

– Eu tenho a minha mãe pra me ajudar a me arrumar. – disse a garota olhando pra ele.

Os dois se olharam e gargalharam novamente, eles estavam se dando muito bem. Foi então que Cléber parou o carro.

– É aqui que você mora, não é?

– Hai. – disse ela olhando para ele. – Amanhã nos vemos novamente?

– Com certeza. – ele sorriu. – Estarei te esperando na árvore.

– Claro. – riu ela. – Tinha que ser.

Saiu do carro despedindo-se de seu novo amigo e, antes de entrar em casa, ouviu ele chamando-a.

– Júlia! Estava esquecendo de dizer uma coisa.

Ela aproximou-se do carro novamente.

– Falei com o Príncipe sobre você. E ele quer te conhecer daqui a dois dias.

– Tudo bem. – respondeu ela tranqüilamente. – Vamos falar com o Príncipe.

– Amanhã te falo melhor dele. – disse ele já preparando o carro para sair.

– Sayonara. – disse ela acenando. – E obrigada pelo presente.

– Tchau. – respondeu ele sorrindo. – Não precisa agradecer.

Assim que ele partiu, Júlia entrou em casa e, chegando na cozinha, desembrulhou seu presente: era uma garrafa grande, de vidro, contendo uns dois litros de sangue. Ela pegou um copo no armário e, antes de guardar a garrafa na geladeira, encheu-o até a metade. Sentou-se lá mesmo e ficou saboreando seu novo alimento, estava pensando o que ia fazer durante o dia. Ela não pretendia, e nem mesmo conseguiria, passar o dia inteiro dormindo.

Júlia já estava quase terminando de beber quando viu a sala clarear e, logo depois, a mãe entrou na cozinha.

– Bom dia, filha. – disse D. Márcia vendo-a. – Como foi o passeio?

– Bom dia. – respondeu a garota sorrindo. – Foi muito bom, eu encontrei o Cléber de novo. – ela terminou de tomar sua bebida.

– Você disse que não podia beber nada. – falou a mãe olhando pra ela. – Como estava tomando isso aí sem dor?

A garota sorriu para a mãe e aproximou-se dela.

– É que isto que tomei não é uma bebida qualquer. – ela disse ficando com uma expressão mais séria, — É meu alimento para a eternidade.

– Ai filha. Assim você me assusta. – falou Márcia. – Não vai dizer que você estava tomando... – completou ela olhando para a menina.

– Isso mesmo, mãe. – a garota falou antes da mãe terminar. – É sangue. O Cléber me deu uma garrafa cheia, está aí na geladeira.

A mulher abriu a geladeira e viu, na prateleira da porta, a garrafa de vidro com aquele líquido vermelho. Ela pegou o leite, fechou a geladeira e olhou para a filha com cara de “Vou me acostumar com isso”.

– Agora vou dormir um pouco e depois vejo o que vou fazer o resto do dia. – disse a garota levantando-se.

– Durma bem, filha. – respondeu a mulher preparando seu café da manhã.

– Mãe. – chamou a menina antes de sair da cozinha. – A senhora pode me fazer um favor?

– Fala, filha. – disse Márcia virando-se para ela.

– Fecha a cortina da sala pra eu ir pro quarto.

– Ah, claro! – disse a mulher batendo a mão na testa. – Tinha me esquecido completamente deste detalhe.

Ela correu até a sala e, assim que a cortina foi fechada, Júlia saiu da cozinha encontrando-se com a mãe no meio da sala.

– Ainda estou me acostumando, filha. – disse sorrindo para a garota.

– Não se preocupe, mãe. – sorriu a garota abraçando a mãe. – Eu te ajudo a se acostumar.

A menina soltou a mãe e seguiu seu caminho para o quarto.

– Bom descanso, minha linda vampirinha. – disse a mulher antes de voltar para a cozinha.

– Obrigada, minha linda mãe humana. – disse a garota virando-se e sorrindo para a mãe.

Assim que Júlia subiu para seu quarto, D. Márcia voltou para a cozinha. Ela tomou seu café pensando em como ia ser sua vida, e a da filha também, daqui pra frente.

Júlia tirou a roupa e deitou-se de baixo da colcha, estava cansada e muito feliz. Sua vida teria que mudar totalmente, mas ela tinha certeza de que ia gostar e, pra melhorar, ou piorar quem sabe, ela estava gostando cada vez mais de Cléber. “Acho que ele também gosta muito de mim” – pensou a garota antes de dormir.

Esta foi a primeira noite de Júlia depois de tornar-se vampira.

Ela conseguirá se adaptar totalmente a esta nova vida? O que ela irá dizer para as amigas? Como será sua visita ao Príncipe? Estas e outras respostas nos próximos capítulos.

E aqui termina mais um capitulo desta fic. Espero que tenham gostado e, por favor, comentem. Até mais.

Thelef