Nova Vida como Vampira
4 A conversa com o Príncipe
Capítulo 4 – A conversa com o Príncipe
– Estou indo mãe, tchau. – disse Júlia.
– Ah, filha! – chamou Márcia. – Não quer levar a roupa da D. Vera?
– Levo sim. – respondeu a menina. – Onde está?
– Vou buscar. – disse a mãe. – Eu lavei e passei.
Depois que a mãe voltou, Júlia pegou a sacola com as peças e saiu despedindo-se novamente. Ao fechar a porta a porta de casa ela olhou para a árvore.
– Ainda está aí? – perguntou ela.
Esperou um tempo e não teve nenhuma resposta, então virou-se para seguir seu
caminho e, de repente, alguém pulou atrás dela. A garota assustou-se.
– Ah, é você. – disse ela virando-se e vendo que era o Cléber. – Me assustou seu,
bobo. – completou fazendo biquinho.
– HAHAHAHAHA. – riu ele. – Essa era a intenção.
A garota não respondeu, mas sorriu para ele.
– Quer ir num bar para vampiros? – perguntou Cléber.
– Pode ser. – respondeu a garota. – Mas antes preciso entregar isto aqui perto. –
Completou mostrando a sacola para ele.
– Ok.
Os dois foram andando e, ao chegar na esquina da rua onde Vera morava, a garota
pediu para ele esperar ali que era rápido.
Júlia chegou até a casa e tocou a campainha. Logo a porta foi aberta por um menino de, aparentemente, uns 17 anos.
– Você é o filho de D. Vera? – perguntou ela.
– Sim, sou eu. – respondeu ele sorridente. – E você é a Júlia?
– Hai. Sou eu. – ela falou retribuindo o sorriso. – Vim só devolver a roupa da sua prima. – completou ela, entregando a sacola.
O garoto pegou-a e, sem saber porque, achava aquela menina um pouco estranha.
– Não quer entrar pra falar com minha mãe?
– Não, obrigada. – respondeu Júlia. – Preciso ir.
Dizendo isso, ela virou-se e voltou para junto de Cléber. Ela sentia que, se tivesse
ficado mais tempo na frente daquele garoto, não teria agüentado.
– Eu fiquei com vontade de “morder” o garoto que abriu a porta. – disse ela para
Cléber.
– É... isso ainda vai acontecer muito com você. – respondeu o vampiro. – E você
não vai resistir.
– Espero que ainda demore muito para eu começar a atacar as pessoas. – disse ela.
Cléber riu e eles seguiram em direção ao carro dele, que estava perto da casa de
Júlia. Eles entraram no veículo e, no caminho, Cléber percebeu que ela estava pensativa e, talvez, preocupada com algo.
– Aconteceu alguma coisa, além da vontade de “morder”? – brincou ele.
– Não. – respondeu a menina olhando para ele. – É que eu estava lembrando da
noite que você me atacou.
– Ah. – respondeu ele calmamente.
– Você fez algo comigo, além de me transformar em vampira? – perguntou ela. –
Pode dizer a verdade.
– Não fiz nada além do que você já sabe. – respondeu ele prontamente. – A minha
intenção era só tirar um pouco do seu sangue, como sempre faço, mas não resisti.
A garota não disse nada e ele continuou:
– Tive vontade de ver seu corpo e, sem perceber também tomei todo o seu sangue.
Aí, o único jeito de não deixar você morrer, era te dar um pouco do meu próprio sangue. – ele se sentiu culpado novamente. – Me desculpe, Júlia. Não queria ter feito isso.
– Tudo bem. Não precisa se sentir culpado. – respondeu a garota sorrindo para ele.
– Eu só queria ter certeza do que aconteceu. Eu já te disse que estou gostando muito desta nova vida.
Cléber sorriu para a garota, estava mais aliviado com a resposta dela.
– Eu confio em você. – completou ela.
– Chegamos. – respondeu ele sorrindo.
Ele parou o carro em frente a um bar que, para a garota, parecia normal como todos
que ela já tinha visto. Ao entrarem, ela olhou em volta: era um salão não muito grande, tinha um balcão no lado direito e algumas mesas de madeira do lado esquerdo. Não havia muitas pessoas, apenas dois homens conversando numa das mesas, além do homem atrás do balcão. Cléber se aproximou do homem e Júlia acompanhou-o.
– Boa noite, amigo. – disse ele. – Como estão as coisas?
– Olá, Cléber. – respondeu o homem. – Quem é ela?
– Esta é Júlia, a nova vampira. – disse Cléber num tom baixo para as pessoas da
mesa não ouvirem. – Ela vai falar com o Príncipe.
– Ah, sim! – falou o homem. – Por favor, por aqui. – disse ele abrindo uma porta
localizada atrás dele.
– Venha. – disse Cléber para a garota.
Antes de entrar ela olhou melhor para o homem: ele aparentava ter uns 40 anos,
tinha os cabelos curtos e pretos, um pouco desarrumados e também tinha um pouco de barba no rosto, também preta.
– Ele é vampiro também? – perguntou ela para Cléber assim que o homem fechou
a porta atrás deles e eles desciam um lance de escadas.
– Não. – respondeu Cléber. – Ele é um serviçal do Príncipe, mas talvez seja
vampiro um dia.
Os dois chegaram em outro salão, um pouco maior que o de cima. Neste salão havia
bastante gente e, percebeu Júlia, todos eles eram vampiros. Eles sentaram-se numa mesa vazia um pouco afastada das demais e, como no salão superior, ali também havia um balcão para atender os clientes.
– O Príncipe só chega à meia noite. – disse Cléber olhando em seu relógio. –
Enquanto esperamos te falo o que posso sobre ele.
– Mas ele não ia falar comigo só amanhã?
– É que ele conseguiu um tempinho hoje e resolveu te conhecer.
– Ok. – respondeu ela um pouco nervosa.
– Bom, o nome dele é Ricardo Macari, ele é um italiano que veio para São Paulo
na época das fazendas de café. – começou Cléber. – É uma pessoa bem educada e alegre, mas que sabe responder à altura quando é ofendido.
– Ele não ficou bravo com você por causa de mim? – perguntou Júlia lembrando
se dele ter dito não ter permissão para criar novos vampiros.
– Nossa! – respondeu Cléber. – Ele queria me matar quando eu contei.
Júlia assustou-se com a resposta dele.
– Mas, por ele ser bem compreensivo também, acabou aceitando numa boa e disse
que queria te conhecer.
Eles ficaram conversando mais algum tempo, até que, quando o relógio de Cléber passou a marcar meia noite, escutaram a porta do salão ser aberta e, logo depois, um homem entrou. Júlia olhou para Cléber e este confirmou positivamente com a cabeça. Aquele era o Príncipe.
Ricardo desceu as escadas sendo observado por todos os presentes e cumprimentou-os um por um. Depois foi até a mesa onde se encontravam Cléber e Júlia. Ele ficou um tempo parado observando-os antes de cumprimenta-los.
– Boa noite, Cléber. – disse ele depois de alguns segundos, que para Júlia
pareceram-se horas. – Então esta é a menina? – completou ele sorrindo para ela.
– Boa noite, Príncipe Ricardo. – respondeu o vampiro. – Sim, esta é Júlia.
Ricardo continuava olhando para ela e aquilo a estava deixando cada vez mais
nervosa. O príncipe sentou-se ao lado deles e, depois de pedir bebida para os três, começou a conversa com a garota.
– E então, Júlia. O que você está achando da vida de vampira?
– Eu... eu estou gostando. – respondeu ela bastante nervosa.
– Pode se acalmar, garota. – disse o príncipe com um sorriso no rosto. – Eu só
Mordo humanos. – brincou ele.
Júlia riu do comentário dele e ficou um pouco mais calma. Os três estavam conversando animadamente e, ao olhar para as outras mesas, Júlia percebeu que dois vampiros a olhavam com um pouco de raiva. Ela não disse nada sobre isso, mas olhou para Cléber e ele confirmou com a cabeça que também tinha percebido isso.
– Com licença, senhor. – disse o balconista aproximando-se de Ricardo. – É que
uma pessoa quer lhe falar ao telefone. – Completou ele apontando para o balcão.
– Obrigado, Jonas. – respondeu ele levantando-se. – Com licença. – completou
para os dois.
Júlia olhou para as outras mesas e percebeu que aqueles vampiros, com o príncipe
ocupado, olhavam para ela mais ameaçadoramente.
– Não ligue pra eles, Júlia. – disse Cléber. – Eles são de um clã que gosta de
arrumar confusão.
– Você também percebeu os olhares deles? – perguntou ela.
– Sim. Desde quando Ricardo sentou-se aqui na nossa mesa. – ele disse olhando
para os vampiros. – Mas não se preocupe, eles não farão nada por respeito ao Príncipe.
A garota se assustou quando um deles se levantou, mas, para seu alívio, ele se
dirigiu para outra mesa ao seu lado. Ricardo terminou sua conversa ao telefone e, ao virar-se para voltar, percebeu a apreensão da garota e olhou ao redor. Viu os três vampiros e logo os reconheceu, sabendo que eles têm fama de assustar todo mundo que aparece no bar pela primeira vez. Aproximou-se do seu lugar para sentar-se novamente, mas antes de faze-lo, olhou sério para os tais vampiros que, na mesma hora, desviaram o olhar e ficaram quietos conversando.
Os três voltaram a conversar animadamente e Júlia já estava no seu estado normal, bem alegre e simpática, ela estava se dando muito bem com Ricardo e, como Cléber, ela também ganhou o direito de lhe chamar pelo nome.
– Nossa! Como já é tarde. – disse Ricardo olhando em seu relógio. – Preciso ir,
pois tenho outros para resolver ainda esta noite.
– Será que podemos sair junto com você? – perguntou Júlia imaginando que
aconteceria alguma coisa depois que o Príncipe deixasse ela lá.
– Claro que sim. – respondeu ele sorrindo. – Será um prazer acompanha-los.
– Vamos Cléber. – chamou a garota ao ver que ele ainda continuava sentado.
– Hã? – respondeu ele meio distraído. – Ah, sim. Vamos.
Cléber levantou-se rapidamente e os três subiram as escadas de saída e, antes de
passar pela porta Júlia deu mais uma olhada naqueles três: mas eles nem estavam vendo eles saírem, ou estariam só fingindo não ver? “Bom, isso não importa mais.” – pensou ela saindo do local. Ao chegarem do lado de fora, Júlia se surpreendeu com o carro de Ricardo: era um modelo importado muito bonito e, com certeza, era zero.
– Gostou do carro, Júlia? – perguntou Ricardo percebendo o olhar dela.
– Sim. – respondeu a garota. – É um Honda Civic, né?
– Isso mesmo! – disse o príncipe impressionado. – Você sabe reconhecer carros, hein?
– Não todos. – respondeu a garota sorrindo. – Só japoneses.
– Ta certo. – riu ele. – Quer dar uma volta?
– Pode ser.
Ricardo abriu a porta para ela entrar, mas, antes dela dar um passo em direção ao carro, Cléber falou:
– Não, Júlia. Espere.
Os dois olharam para ele, sem entender.
– Eu te levo. – Cléber continuou. – É que ainda preciso falar com você.
– Tudo bem. – sorriu Júlia. – Fica pra outra noite uma volta no seu carro, Ricardo. – completou ela olhando para o príncipe.
– Sem problema, Júlia. – respondeu o vampiro. – Tchau, a gente se vê. Tchau, Cléber.
– Sayonara.
– Tchau, Ricardo.
O Príncipe entrou em seu carro e partiu, logo depois os dois se olharam e sorriram. Eles caminharam um pouco antes de chegar no carro do vampiro. “Será que Cléber ficou com ciúmes do Príncipe?” – pensou a garota já dentro do veiculo.
– Quer dizer alguma coisa? – perguntou Cléber vendo-a muito quieta.
– Não. Eu estava só pensando em assuntos pessoais. – mentiu a garota. – Você que disse ter algo pra me falar.
– Eu disse aquilo apenas para te levar pra casa.
– Ah, sei. – respondeu ela. “Deve ser ciúmes mesmo”. – pensou dando um sorriso.
Cléber parou o carro em frente da casa da garota e, antes de descer, ela olhou para
ele. Os dois ficaram um bom tempo se olhando, até que começaram a se aproximar, os dois queriam muito aquele beijo. Mas, quando seus lábios já estavam quase juntos, eles escutaram alguém se aproximando e dizendo:
– Júlia? É você?
Imediatamente eles se separaram e a garota saiu do carro, vendo sua mãe já quase ao
lado dela. A garota abaixou a cabeça e, por um momento, teve vontade de atacar a mãe, mas conseguiu se controlar e levantou o olhar com um sorriso.
– Oi, mãe. – disse ela. – Ainda acordada?
– Não é tão tarde, filha. – respondeu ela tranqüilamente, nem fazia idéia do que
poderia ter acontecido. – Ainda é 1:30.
– Este é o Cléber, mãe. – disse a garota vendo o vampiro chegar ao seu lado.
Márcia olhou para ele, da cabeça aos pés, e, educadamente, sorriu para ele.
– Muito prazer. – disse ela.
– É um prazer conhece-la. – respondeu Cléber retribuindo o sorriso. – Gostaria de
ficar um pouco mais, mas infelizmente tenho que fazer algumas coisas antes de ir pra casa.
Ao dizer isso ele olhou para Júlia e percebeu que ela havia entendido o que ele quis dizer.
– Você ainda tem... hã... – ele olhou meio sem graça para Márcia. – ainda tem
alimento?
– Pode dizer sangue. – riu Júlia. – Minha mãe já se acostumou com isso.
– Tudo bem. – falou ele. – Você ainda tem?
– Só um pouco. Deve dar para amanhã cedo.
– Então espere um pouco. – respondeu ele indo até o porta-malas do carro.
Ele voltou com uma garrafa do mesmo tamanho da anterior e entregou para a garota dizendo:
– Não tenha vergonha de pedir, Júlia. Eu já disse que posso te fornecer quanto
você quiser.
– Está bem. – sorriu a garota. – Obrigada.
– Bom, agora preciso ir. Até mais, Júlia.
– Sayonara.
– Tchau, D. Marcia. Foi um prazer conhece-la
– Tchau, Cléber. – respondeu a mulher sorrindo e abraçando a filha.
Assim que o carro partiu as duas foram pra dentro de casa ainda abraçadas. Márcia
subiu para seu quarto e Júlia foi para a cozinha guardar sua nova garrafa de sangue e também beber um pouco. “Não tenho mais dúvidas.” – pensou ela. – “Estamos realmente apaixonados um pelo outro. Da próxima vez conseguiremos nos beijar.”
Mais um capítulo concluído. Este foi um pouco menor, né? Gomen nasai.
Espero que estejam gostando. Até o próximo capítulo.
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