Nova Terra

6 Capítulo 6


As próximas semanas são calmas, estar em outro quadrante sem contato com seus parentes e amigos faz com o que o tempo se arraste. Mas a esperança de um dia rever aqueles que foram deixados para trás é o que mantém todos unidos.

Janeway acorda mais um dia indisposta, mas os medicamentos do Doutor fazem efeito rapidamente. Ela arruma seus cabelos enquanto tentar adivinhar o que Neelix terá preparado e como irá se livrar de comer todos esses alimentos estranhos que ele continua cozinhando. Estando em outro quadrante não há como reclamar, é uma grande sorte que não seja tudo venenoso.

Ao chegar ao refeitório, Janeway serve-se de um pouco de café e se senta em uma mesa afastada. Chakotay, que estava conversando com Kim e Paris, se despede e vai até a mesa da Capitão.

— Somente uma xícara de café não irá te sustentar pelo dia inteiro.

Janeway olha para Chakotay e sorri.

—Agora você é meu nutricionista? — ela pergunta, debochando.

— Talvez seja melhor eu chamar o Doutor... — Chakotay rebate.

— Não será necessário, ou eu nunca mais conseguirei sair desse refeitório!

— Capitão, a senhora sabe que nesta situação, não pode ficar sem se alimentar corretamente— diz Chakotay com um olhar preocupado.

— O que você está querendo dizer, Comandante? — Ela bebe quase todo o café de uma vez só, numa tentativa de esconder seu nervosismo.

— Estamos prestes a chegar a áreas hostis, creio que seja necessário que nossa Capitão esteja com a saúde em perfeito estado para nos guiar.

Janeway respira aliviada.

— Certo. — Janeway olha para cima como se procurasse uma saída. — Eu vou provar o que nosso querido chef preparou, me acompanha?

— Acho que já estou satisfeito, mas lhe desejo sorte.

Janeway levanta e vai se servir. Chakotay não consegue esconder sua felicidade por estar perto dela, mas logo percebe Kim e Paris observando seus atos e, então, decide deixar o refeitório.

— O que o Comandante acha que vai esconder desse jeito? — Paris pergunta.

— Acho que não deveríamos nos meter nisso, Paris, eles não vão gostar de saber que estamos fofocando sobre suas vidas — Kim responde apreensivo.

— Eles só vão saber se você abrir a boca, Kim.

(...)

Na ponte de comando, a tripulação se prepara para o perigo iminente.

— Doutor para Capitão, a senhora pode me ouvir?

— Sim Doutor, no que posso ajudá-lo? Espero que seja importante.

— Sim Capitão, eu só gostaria de avisar que sua consulta está marcada para daqui a cinco minutos. Por favor, não se atrase.

— Eu estarei no consultório a tempo, Doutor. Janeway desliga.

Ela queria poder ignorar o chamado do Doutor, mas isso seria um péssimo exemplo para a tripulação.

— Por favor, Comandante, qualquer novidade não hesite em me comunicar, estarei de volta em breve.

Janeway vai para o turbolift.

Paris vira sua cadeira e, com um olhar intrigado, diz:

— Como o Doutor consegue fazê-la obedecer alguma ordem?

Kim baixa a cabeça como se fingisse não ter escutado e continua a monitorar as leituras.

— Senhor Paris, o senhor não deveria estar prestando atenção na sua estação? Por favor, volte ao trabalho — Tuvok responde.

— Não está mais aqui quem falou. — Paris retorna ao seu trabalho, enquanto o Comandante ri baixo.

A capitão chega até o consultório.

— A senhora está atrasada um minuto.

Janeway revira os olhos e respira fundo.

— Eu aceito suas desculpas, Capitão, por favor, deite-se, não vamos perder mais tempo...

Na ponte, o Comandante anda de um lado ao outro, tentando disfarçar sua preocupação.

— Comandante, o senhor está bem? — diz Tuvok, interrompendo os pensamentos de Chakotay.

— Sim, eu só estou preocupado...

— Senhor, acalme-se, as naves ainda estão distantes da nossa posição.

—Não é só isso que me incomoda, sendo sincero, é um pressentimento estranho que está me atormentando. Mas não temos tempo para isso, preciso terminar esses relatórios.

Enquanto isso, na enfermaria, o Doutor termina seus exames.

— Pelos resultados, tudo parece estar progredindo como esperado, em breve chegará a hora em que a senhora não conseguirá mais esconder sua condição facilmente.

— Eu sei, Doutor, mas esse não parece ser o melhor momento para tratar disso.

— Eu creio que esse seja o momento, Capitão. Nessas condições, não é recomendado que a senhora entre em uma guerra.

Janeway toca o ombro do Doutor.

— Eu farei o possível, Doutor, o possível...