Nova Terra
3 Capítulo 3
Notas iniciais
O dia se inicia e a tempestade acaba; um chiado invade o silêncio da casa, Kathryn acorda com o barulho, pega seu robe e vai em direção aos comunicadores; ao se aproximar, escuta uma voz conhecida:
— Capitão Janeway? Aqui é Tuvok, você consegue me ouvir?
— Sim, Tuvok, eu posso ouvi-lo — diz Kathryn, e Chakotay adentra na sala sem entender o que estava acontecendo.
— Nós conseguimos a cura para a doença com os Vidiians. Estamos prontos para transportá-los a bordo assim que vocês puderem.
— Tuvok, nos dê algumas horas para organizarmos as coisas que gostaríamos de transportar para a nave e, por favor, avise ao Doutor que Chakotay está com um ferimento na perna. — Kathryn olha para Chakotay, pálida e perdida.
— Ok, Capitão, aguardo seu contato.
Kathryn se levanta, vai em direção de Chakotay e sentasse ao seu lado.
Chakotay está calado e pensativo, apesar da excelente notícia recebida há poucos segundos, ele parece desnorteado, por isso Kathryn decide interromper o silêncio incômodo.
— Chakotay…
— Não se preocupe, Capitão, eu nunca falarei sobre nada do que aconteceu aqui.
— Não me chame assim ainda. — Kathryn passa a mão nos cabelos de Chakotay e levanta seu rosto. — Vamos aproveitar esses últimos momentos juntos. — Kathryn beija-o, intensamente, tentando fazê-lo esquecer do que lhe espera.
— Kathryn, eu te amo, mas sei as normas que devemos seguir, quando voltarmos àquela nave eu prometo respeitá-las! Não pela Federação, mas por você, pois sei o quanto tudo isso é importante para ti.
Kathryn o encara, querendo dizer que não se importava com nada disso, mas seria uma enorme mentira. Sentindo a dor da perda, lágrimas escorrem dos seus olhos.
— Essa será a última vez que estaremos juntos como amantes, por favor, vamos aproveitar quanto pudermos? — Kathryn beija-o novamente, tentando interromper aquelas palavras dolorosas sobre o futuro.
Chakotay a abraça, levanta-se e a segura pelas mãos.
— Me ajude a separar as coisas que iremos levar do nosso quarto.
Enquanto encaixotam tudo aquilo, que pertencia ao que aprenderam a chamar de lar, os dois tentam lidar com a nova tempestade, dessa vez dentro de seus âmagos.
Havia uma incerteza sobre aquela decisão, a vontade dizia para não retornarem a nave, mas a razão não os deixavam esquecer das cento e quarenta vidas que dependiam deles.
Kathryn tentava fazer o seu melhor. Reger uma nave perdida, num quadrante desconhecido e dividida entre tripulações da Federação e Maquis não era um trabalho fácil. Há pouco tempo, Chakotay agia como se pudesse se amotinar a qualquer momento, entretanto, agora era outro homem. Era um fardo pesado continuar no comando, mas ela se orgulhava da bravura de cada um daqueles que, todos os dias, lutavam para sobreviver. E por isso não podia abandoná-los, mesmo que lhe custasse sua felicidade.
— Querida, o que mais você quer que eu guarde?
— Pare um pouco e sente-se aqui comigo.
Chakotay obedece prontamente, como se já estivesse de volta ao serviço.
— Ei, relaxe um instante, eles podem esperar um pouquinho.
Kathryn se aninha nos braços de Chakotay, enquanto ele afaga seu cabelo.
— Do que adianta essa delonga, você não pode ser minha.
— Eu ainda sou sua.
Ela o beija com ardor, e ele se rende, deixando as preocupações de lado. Enquanto a Voyager os espera, eles trocam suas últimas carícias, em total cumplicidade.
Algumas horas depois, tudo está separado para o transporte, Kathryn ajuda Chakotay a fechar seu uniforme, coloca o comunicador no peito dele e no seu. Quando ela iria tocá-lo, Chakotay segura sua mão, lhe dá um último beijo, então olha em seus olhos e diz:
— Estou pronto, Capitão.
Kathryn se entristece por um momento.
— Tuvok, estamos prontos...
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