Nova Terra
4 Capítulo 4
De volta a nave, os dias passam calmamente, mas a tripulação percebe algo diferente em Chakotay.
No refeitório, Paris senta-se à mesa com B’elanna e Harry e diz:
— Vocês repararam que desde o comandante voltou, ele tem estado muito calado? Não compareceu mais as nossas noites de jogatina no holodeck, não faz mais suas refeições com a tripulação…
— Sim, eu reparei — diz B’elanna — e perguntei a ele o que estava acontecendo, mas ele diz que não há nada de errado. Talvez seja algum daqueles rituais indígenas.
— Será que este ritual inclui sacrifício? Pois ele parece estar pronto para isso.
Pouco depois, Chakotay chega ao refeitório, serve-se e senta-se isolado, comendo lentamente, parecendo perdido em algum pensamento.
— Por um instante, eu achei que era Tuvok que tinha chegado ao refeitório, mas, não, Tuvok está bem ali e parece mais animado que o comandante — diz Paris em tom de ironia.
B’elanna levanta-se e vai e até Chakotay.
— Comandante, nós lutamos por muito tempo juntos contra os Cardassianos, e desde que você salvou minha vida, eu nunca saí do seu lado. Eu sei que tem algo de errado acontecendo — indaga B’elanna.
— Não está acontecendo nada, eu já disse. Posso ter uma refeição em paz? — responde ele rispidamente.
— Todos estão comentando desse seu novo comportamento, você sempre foi próximo a tripulação, agora se isola feito um animal ferido pronto para morrer! — B’elanna bate os punhos cerrados na mesa.
Chakotay se levanta visivelmente irritado.
— Vá embora!
— Mas, Comandante…
— Se você disser mais uma palavra, eu vou considerar isso uma insubordinação. Você quer passar alguns dias em uma cela?
B’elanna dá as costas ao comandante e retorna a sua mesa, Harry e Paris não conseguem conter os risos.
— Obrigado por me fazer perder o apetite! — Chakotay resmunga e sai do refeitório.
— Eu vou atrás dele! — Ela se levanta, mas Paris segura seu braço.
— B’elanna, não faça isso, vamos almoçar, logo temos que voltar para os nossos postos.
Chakotay vai para seu quarto, queria relaxar um pouco, mas as palavras de B’elanna não saem de sua cabeça.
Será que todos estão comentando mesmo? E se eles desconfiarem de algo? Janeway me odiaria por isso...
Ele pega seu conjunto medicinal e estende no chão, dentro do couro enrolado há uma asa de melro-preto, uma pedra de rio com um antigo símbolo de cura chamado CHAH-mooz-ee gravado e um Akoonah, um dispositivo utilizado para ajudar nas visões.
Enquanto toca o Akoonah e concentra o olhar na pedra, ele recita mentalmente as seguintes palavras:
Estamos longe dos locais sagrados de nossos avós.
Estamos longe dos ossos do nosso povo.
Mas talvez haja um ser poderoso que me aceite e me dê as respostas que procuro.
Em um dia normal, isso seria o suficiente para Chakotay conseguir se conectar com seu guia animal, mas, desta vez, a sua inquietação o impedia de qualquer contato.
Espíritos, ajudem-me antes que eu faça uma besteira.
Sentindo-se impotente, ele desiste de se comunicar. Guarda seus pertences e se encaminha a ponte, a passos largos e firmes, decidido a resolver esse problema de uma vez.
Enquanto aguarda o turbolift chegar ao seu fatídico destino, ele anda em círculos, repassando mentalmente o que irá dizer. Quando a porta se abre, ele ouve a voz de Janeway. .
— Alerta vermelho!
A luz vermelha toma conta da ponte de comando, Janeway vê o comandante chegar e o chama para assumir o seu lugar.
— Parece que estava adivinhando, Chakotay, eu ia chamá-lo agora mesmo, os Kazon resolveram nos fazer uma visitinha. — Ela se senta na cadeira.
— Janeway…
— Não se preocupe, resolveremos isso rápido e se tivermos algum problema, eu sei que poderei contar com você. Senhor Tuvok, por favor, dispare nos motores da nave inimiga.
— Sim senhora, disparando.
A nave inimiga recebe o dano e para de atirar.
— Sr. Paris, vamos continuar nosso caminho.
— Como desejar, senhora. — Paris marca o curso para longe da nave Kazon.
— Comandante, venha até minha sala.
Janeway sai da ponte de comando e vai até sua sala, Chakotay a acompanha. Ao chegar à sala, ela serve chá para os dois, e o comandante sente-se um pouco nervoso.
Será que alguém desconfiou de algo e disse a ela?
— Há quanto tempo não tiramos alguns minutos para tomar um chá, não é? — diz Janeway sorrindo e interrompendo os pensamentos de Chakotay.
— Sim, muito tempo — ele responde intrigado.
— Soube que hoje haverá torneio de sinuca, você vai?
— Faz algum tempo que não compareço ao holodeck.
— Não venha com a desculpa de estar enferrujado, acho que ganho de você está noite, aceita o desafio? — Janeway estende a mão.
— E quando foi que você não ganhou? Mas aceito seu desafio. — Chakotay aperta a mão de Janeway e sorri.
Após algum tempo de conversas triviais, Chakotay retorna a sua cabine e pensa:
Creio que está é a resposta que tanto pedi.
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