Notas iniciais
Desculpem não ter postado ontem, é que eu não tinha revisado. Bom, cá está e espero que gostem.

As trombetas soaram. Primeiro a da Torre Leste, depois da Oeste. Logo após o Sudeste e enfim a do Norte. Os grandes portões foram abertos. Correntes foram puxadas por escravos, cento e treze de cada lado da parede da muralha para o vilarejo e em breve, estariam no castelo, puxando, puxando, puxando, para abrir os enormes portões de madeiras. Tão pesados quanto dois Elefantes Peludos. Aos poucos, as cavalarias negras do Sul entraram no vilarejo, seus cavalos dançavam em meio ao barro, camponeses corriam e ficavam admirados por verem tanta beleza, animais lindos, de pelos lustrosos, fortes, gordos e então ele chegou. O Rei acenava para a multidão. Sua mão gorda, com os anéis presos em cada dedo, dançava no ar. Sua barba cresceu ao longo das sete semanas de caminhada, do Sul ao Norte. Sorte que o castelo fica na parte quente do Norte, mas mesmo assim a neve chegava e o Rei do Sul sentiu o frio.

A Rainha, o Príncipe e a Filha do Leste não saíram da casa rolante, somente o Rei, em cima de um cavalo acenava enquanto subiam as ruas de pedra, acenando e acenando, procurando passagem, deixando as mulheres nas janelas em suas casas com o que falar. Ouviam-se alguns múrmuros “Que homem mais gordo”, outros mais ofensivos “Ele é mais gordo que um porco”.

Enfim, conseguiram ver o castelo. Torres altíssimas, muito mais altas que a do Sul, mas de largura muito singular. Pequenas o suficiente para caber apenas uma sentinela. Aqui não tinha gigantes como no Sul, tinha, de fato, menos janelas, talvez para manter a casa mais quente, e quando o Rei chegava cada vez mais perto, podia-se ver água escorrer pelas paredes. Água que saia fumaça e deixava o castelo quente à noite. Quente o suficiente para não morrerem.

Aos poucos, chegavam perto dos estábulos reais, das mercearias, das bancas de bijuterias, de fumos, de óleos, de magias, entre outras bancas que eram muito exóticas e que o Rei do Sul não via muito. De repente ele sentiu uma coisa molhada no lado esquerdo de seu rosto. Molhada e fétida, quando deu por si, estavam sendo atacados com estrumes de vaca, cavalo, tudo misturado e sem distinção.

Seu cavalo agora corria para dentro dos portões do castelo, saindo da cidade. A casa rolante também avançava cada vez mais. Filha do Leste olhou pela janelinha disposta de seu lado e viu um rio. Não um rio, mas uma passagem de esgoto a céu aberto do castelo e soube na hora o que se passava. Muitos ali estavam magros, desnutridos, doentes, com ferimentos à mostra, deitados no chão. Alguns não tinham mãos, outros não tinham pernas e a fome assolava a todos. Aquela era a zona pobre da Cidade Real do Norte.

Os portões do castelo real foram deixados para trás e a Rainha desceu e tudo estava extremamente limpo, diferente da cidade. Assim que as cavalarias terminaram de entrar, ela viu soldados vestidos de amarelos e vermelhos, correrem pela muralha do castelo, carregando arcos e flechas. Alguns automáticos outros manuais e começaram a atirar contra o povo. Ela ouviu gritos de lamentações e pensou “Para alguns é uma ajuda, para outros é mais que merecidos”. O próprio Rei do Norte veio acolhê-los em sua própria casa, e o Rei do Sul fez uma rápida reverência, assim que se levantou, continuou limpando seu rosto com um pano úmido.

–Lamento por tudo meus amigos. São tempos difíceis, não há como negar. Todos ali se sentem ameaçados e estão todos enraivecidos.

–Mas basta lembrá-los que não somos do Norte. –Disse a Rainha.

–Claro que não. Mas sempre que vê um nortista vocês não atiram neles?- A Rainha sorriu. –Venham, vamos entrar. É hora do banquete.

Os portões do castelo foram abertos e quando entraram uma cortina de flores caíram por sobre eles. O teto era uma redoma de vidro que deixava a luz do Sol –que por sinal era muito fraca- entram mesmo sem ser convidada. As escravas portavam muitas roupas para se protegerem do frio. O castelo não era quente nem frio. Nos lados, esquerdo e direito corria óleos aromatizantes ferventes, assim o castelo se mantinha morno e com cheiro de rosas. O salão de entrada é amarelo com uma sacada sustentada por pilastras amarelas. O chão estava coberto por mármore preto e branco. O que combinava com as paredes amarelas. Grandes janelas circundavam o salão.

Todos, exceto pela maioria dos cavaleiros que agora eram quinze, se deparam com um longo corredor de paredes amarelas e o chão de mármores das mesmas cores: branco e preto. As grandes janelas ainda continuavam aparecendo e parecia que nunca acabavam. Por elas era possível ver as Florestas Cinza, uma pedreira de pedras esbranquiçadas e um rio de água totalmente azul esverdeado. Aos poucos a Floresta dava lugar ao litoral e o longo corredor a um salão com várias portas. Nas paredes há escadas levando aos seus andares. O salão é circular, disposto de várias portas em sequências. As portas próximas ao chão eram marrons, acima destas tinham portas brancas, e acima destas marrons, e acima destas brancas. E por fim mais portas, mas essas variavam. Hora branca hora marrom. Continuavam nessa intercalagem a sumir de vista.

–Aqui serão seus aposentos- apontou o Rei do Norte para as portas de cima. –Cada uma é um quarto, as portas de baixo levam a diferentes lugares do castelo. Nas portas tem placas que falam aonde cada leva.

O Rei seguiu para a porta do meio que dizia “GRANDE SALÃO” e ele abriu a porta revelando outro longo corredor. Mas este não tinha janelas. Tochas iluminavam o castelo. Assim que chegaram ao fim, abriram a porta revelando outro salão, mas esse era enorme, cheio de mesas colocadas na horizontal. O Rei do Sul se assustou quando labaredas lamberam o vazio do salão. Mulheres somente de sutiãs e calcinhas de couros fervidos giravam pela sala em tiras presas em algum lugar do teto. Outras estavam em pedestais dançando com vestidos brancos que tapavam seus pés e caiam sobre os pedestais. O Rei do Sul entrou apreensivo no salão que cheirava a couro queimado e ele viu: o Rei do Oriente. Ao lado esquerdo dele estava uma mulher muito bem vestida de verde, do direito uma mulher de longos cabelos negros, mais negros que a própria noite. Suas sedas de cores marcantes pareciam estar em chamas, seus olhos o mesmo. Sua pele de cor de bronze reluzia nas chamas que dançavam no ar.

–Bom, podem escolher as mesas que quiserem. Vamos começar a festa.

Os copos de ferro moldável foram cheios com cerveja da boa e vinhos nortenhos. Grossos pedaços de carne servidos com pães de centeio, milho e aveia foram distribuídos. Porcos foram mortos, bacons à vontade. Peixes tragos do Oriente cozidos, fritos, assados, crus, de várias formas cabíveis, e carne de animais que nunca tinham ouvido falar. Hidromel foi servido sem moderação e alguns homens saiam discretamente com mulheres e iam para cabarés baratos. A maior parte deles eram os Soldados das Rosas.

A festa durou horas e horas, os reis e seus filhos e esposas ficaram firmes até o fim. Aos poucos, os convidados foram indo para seus quartos, no final, ficaram somente os três Reis.

–Meus amigos, temos negócios a tratar, o dia está amanhecendo e suas esposas podem esquentar a cama de vocês enquanto conversamos.

Os Reis seguiram para uma das salas de portas brancas e sentaram-se a uma mesa redonda.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Não deixem de comentar.