– Você é linda. – Disse, sabendo que ela não o ouviria.

Os cabelos espalhados pelo travesseiro, os lábios entreabertos – pedindo por atenção, pedindo por um beijo –, o corpo aconchegado entre o seu..

Parecia um anjo.

Um anjo que ele profanou.

– É aqui que você deve ficar, Sakura. Nos meus braços, na minha cama... comigo. – Sussurrou, sabendo que seriam apenas desejos vazios.

Um ser tão puro como ela não merecia ficar atada em um homem como ele – sujo, obscuro, amaldiçoado.

– Eu não quero ter que deixar você ir. – continuou seu monólogo, jogando suas palavras ao vento e, secretamente, desejando que iriam chegar ao coração de sua rosada Eu sei que deveria, porque eu não amo você... mas só de pensar em outro homem te tocando da mesma forma que eu toquei apenas algumas horas atrás, uma raiva inexplicável toma conta de mim. Eu quero ser o único dono dos seus gemidos, dos seus orgasmos... do seu afeto.

– Sasuke...kun – A rosada murmurou. Por um momento, Sasuke achou que havia sido flagrado, mas quando ela simplesmente se aconchegou ainda mais em seus braços e sorriu – um sorriso tão, tão lindo – relaxou.

Continuava não entendendo o que sentia, e sabia que ela ainda o amava... mas esperava que os sentimentos que possuía – assim como os dela – se acabassem quando fechasse os olhos, se entregando aos seus pesadelos.

Observou as estrelas lá fora, sabendo que, mesmo que um dia se casasse com outra mulher, e que Sakura se casasse com outro homem ao menos, estariam sobre o mesmo céu.

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A Drop In The Ocean

Eu era um menino

Que amou uma mulher

Como uma menina

Ainda não posso deixá-lo ser

Na maioria das noites eu mal durmo

É só uma gota no oceano

Uma mudança no clima

Eu estava rezando

Que você e eu

Pudéssemos acabar juntos

É como desejar a chuva

Enquanto estou no deserto

Mas eu estou segurando você

Mais perto do que a maioria

Porque você é minha

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Tsunade suspirou fundo, recusando-se a reconhecer a presença do menino – não, do homem – que entrara por sua janela, sem sua permissão. Sabia porque ele estava ali e não se sentia nenhum pouco a vontade para responder suas perguntas.

– Você sabe porque eu estou aqui. – Falou com sua voz fria e que não surtia nenhum efeito em si. Mordeu o polegar e franziu o cenho – levemente irritada pela intromissão e muito mais nervosa com a situação – finalmente olhando-o nos olhos. Não era uma pergunta, mas respondeu mesmo assim.

– Sim.

– Você concordou?

– Não. – E como o outro apenas assentiu com sua resposta, Tsunade se sentiu confusa. Se lembrava muito bem da forma como o loiro havia tratado desse assunto, esperava a mesma reação.

– Só isso? Sem gritos e ameaças? – Perguntou, desconfiada.

– Não sou o dobe. Sei que se importa com ela. – Disse, convicto. Tsunade podia ver através de sua fachada calma, mesmo aceitando que não fazia parte dessa bobagem, o Uchiha não parecia menos raivoso.

– Então o que quer aqui? – Você se importa com ela? Era o que realmente queria perguntar.

– Mais do que você, eu não quero que... isso ocorra. Quero fazer tudo o que puder pra ajudar.

Apoiou o queixo nas mãos, observando-o atentamente. Vendo seus punhos tremendo de raiva – mesmo que minimamente, quase imperceptível.

Ele disse que era uma relação sem compromisso, que não tínhamos nada demais. – Se lembrava das palavras de sua pupila, mesmo com as lembranças nubladas pela bebida. Porém, olhando-o agora, tentando – e falhando – se controlar, parecendo tão diferente do Sasuke apático que sempre vira pelas ruas de Konoha – Tsunade não podia deixar de se perguntar desde quando esse nada demais, passara a ser uma mentira.

Desde quando a relação sem compromisso, passara a ter um sentimento.

– Porque? – Não pode deixar de perguntar.

– Isso não é da sua conta. – Fora a resposta recebida, porém, ao invés de bater nele, sorriu.

O olhar em seus olhos era irreconhecível.

– Sente-se, idiota e, se por um acaso, falar assim comigo novamente, eu vou fazer seus ossos virarem pó. – Ameaçou, rindo por dentro.

O olhar no rosto dele, é o mesmo que você tinha ao falar de mim, Dan...

.X.

– Sakura – Gemeu em reverência, atacando seus lábios, passando as mãos por suas coxas grossas. Desesperado, faminto, desejoso.

– Sasuke-kun... pare, por favor. – Pedia ela, entre gemidos. Não a respondeu, sua boca estava ocupada demais em seu pescoço cheiroso e macio.

Depois que saíra da sala da Hokage, com um plano em mente, não conseguiu conter a si mesmo de ir até a casa da rosada. Estava com saudades. Era vergonhoso pensar isso, que ele, o ex-nukenin, um Uchiha, estivesse tão desesperado pela companhia – pelo cheiro, pelo toque, por tudo que pudesse obter, tomar – de sua ex-companheira de time.

Não conseguiria parar, não queria parar.

Sentia-se como um adolescente virgem que não conseguia manter suas mãos longe daquilo que nunca tinha tocado. Mas já havia tocado em cada parte do corpo da rosada e, mesmo assim, cada vez parecia como a primeira. Era viciante.

– Sasuke...kun... Eu... por favor... ah... não quero trair... – Sakura tentou dizer, mas cortou-a, parando de tocar em seu clitóris por cima de sua calça.

– Não diga isso. Você não está traindo ninguém, porque não pertence a ninguém. – Além de mim. Completou em pensamentos. Isso não impediu que a rosada se afastasse de si. O vazio que sentiu fora arrebatador.

– Sasuke-kun. Eu estou noiva! Eu sei que você não quer deixar de ter uma... uma foda fixa, mas eu...

– Você não é só isso. – Segurou seus braços, irritado. – Nunca foi.

– Como posso acreditar nisso? Era exatamente assim que você me tratava. – As palavras frias cortaram através de seu coração, principalmente, por saber que era a verdade. Que, cego por seus medos, seus pesadelos –não havia percebido o quanto a rosada o amava, o quanto ela dava sem pedir nada em troca e como ele sempre acabava saindo com outra mulher, na frente dela. O quanto ele a magoava.

– Me desculpe. – Disse, baixinho.

– Acha que é só me pedir desculpas que eu vou voltar correndo pra você? Por que diabos acha que tem direito de se meter na minha vida? Porque do nada você resolveu que não me quer com o Gaara? Mas que droga! – As mãos pequenas dela se enrolaram em seu peito, puxando-o, exigindo uma resposta.

– Eu já te disse. Não vou desistir de você. – Olhava fundo nas esmeraldas, tentando, como sempre, transmitir todo seu sentimento. Esperando, desejando, que ela entenderia o que sentia.

– Por que agora?

– Por que eu finalmente percebi meus sentimentos. Eu não me importo com o quão difícil será nós ficarmos juntos, nada é pior do que ficarmos separados*. Esqueça o que eu disse mais cedo, você é minha. Sempre foi, sempre será. Assim como... eu sempre serei seu.

Notas finais
* Frase de um livro, Starcrossed, de Josephine Angelini. Bem, capítulo curto, mas espero que tenham gostado. Sasuke finalmente conseguiu dizer pelo menos uma parte do que sente. Under the same sky, lema SasuSaku, não podia deixar de fazer uma referência também :) Me sinto um pouco insegura quanto a esse capítulo, então, peço por favor, suas opiniões sobre ele.