Nothing Left To Lose
2 Chapter One
Notas iniciais
POV Caroline
"Importante não foi o dia que te conheci mas o momento em que você passou a viver dentro de mim"
A forte claridade que atravessava a janela fez com que eu acabasse acordando, levantei-me da cama e coloquei a água pra esquentar, como era fim de Novembro o clima estava em um inverno rigoroso, que por azar viera antecipadamente em Stalingrado, minha mãe continuava em um sono profundo, havia se recuperado de uma gripe. Eu e mamãe estávamos sozinhas há dezenove anos e meio, devido a morte repentina de meu pai, ele era um soldado que servira a Rússia, mass devido as constantes doenças que se proliferaram, ele acabara adoecendo e deixando-nos com um pouco de dinheiro e dívidas. Morávamos numa parte afastada do centro, era mais parecido com uma fazenda abandonada localizada perto de uma montanha. Percebi que minha mãe acordara e estava na cozinha preparando um café da manhã e meu almoço para levar ao trabalho na indústria.
Terminei meu café, coloquei meu uniforme da fábrica e andei em direção a casa de Elena, minha melhor amiga. A neve caia suavemente, esse inverno parecia interminável. A caminhada durou alguns longos minutos, parei-me em frente a velha casa de madeira na esquina, avistei Elena vindo ao meu encontro.
– Care! — ela me abraçou calorosamente.
– Hey, Lena. — retribui o seu abraço caloroso, andamos juntas até a fábrica, Elena me contava animadamente sobre a pequena celebração que aconteceria no sábado, comemoraríamos 1 ano de casamento de Elena com seu marido Damon, que por sorte estaria disponível, a maioria das vezes ele não estava em casa, já que era um soldado confederado e um dos melhores por sinal na Batalha de Stalingrado.
Todos os dias corríamos sérios riscos de vida, em Julho de 1942, há alguns meses atrás, as tropas nazistas invadiram Stalingrado, ocorrendo muitos bombardeios e milhões de mortos incluindo civis, a Alemanha estava muito prejudicada, com uma chance maior de perder a guerra para URSS. Essa batalha pelo jeito ainda duraria mais tempo. Meu nervosismo aumentara esses dias ao saber que Tyler, meu atual namorado, poderia ser convocado para lutar, porque estavam precisando de mais soldados com ótima qualificação.
Chegamos na fábrica e fomos para a nossa sessão têxtil, a qual trabalhávamos mesmo não me agradando nem um pouco, era um dos poucos empregos disponíveis que eu conseguira por sorte, não havia muitas opções de nenhuma espécie de emprego após a crise que devastou toda a Europa, mesmo sendo um salário pequeno, ajudaria um pouco nas despesas do aluguel e as dívidas, que por sinal não eram poucas.
Depois de oito horas de serviço, eu teria que voltar sozinha, porque Elena teria que ficar até mais tarde resolvendo uns assuntos pendentes. Estava saindo quando encontro quem eu não esperaria ver ali, abri um largo sorriso e fui ao seu encontro.
– Tyler — pulo em seu colo e ele me rodopia. — Estava com muitas saudades, por onde esteve?
– Estava resolvendo alguns compromissos com o partido, mais agora terei uma semana para matar as saudades — sorrio dando um selinho nele.
– Eu te amo tanto. — digo abraçando-o.
– Eu te amo. — ele me da outro selinho.
Ah, como eu o amava demais, Tyler me fazia a mulher mais feliz do mundo, nós nos conhecíamos desde pequenos e foram surgindo sentimentos inocente com o passar dos anos e acabamos nos apaixonamos perdidamente. Minha infância havia sido boa e tranquila, as vezes me desejava ir aos tempos de paz, onde não havia guerra. Após algum tempo conversando com ele, Tyler me levou para um lugar um tanto afastado.
– Onde estamos? — pergunto com curiosidade.
– Eu costumava vir aqui quando era pequeno, principalmente para ficar sozinho para refletir sobre as coisas- sua mão pega a minha delicadamente. — Lhe trouxe aqui para propor algo. — ele pega em seu bolso uma caixinha de veludo vinho, ao abrir vejo uma delicada aliança de ouro. — Caroline Forbes, quer se casar comigo? — quase caio dura no chão, não estava acreditando no que acabara de ouvir, sinto lágrimas escorrerem sobre meu rosto, minha primeira reação foi beijá-lo da forma mais apaixonada possível.
– Sim, é tudo que eu mais quero. — respondo sorrindo entre o beijo, ele secou as minhas lágrimas e me beijou novamente.
– Care. — ele tocou em meu rosto. — Por mais feliz que nós estamos, tenho que lhe contar-lhe algo, não posso esconder isso de você, já que de uma forma outra acontecerá- ele me olha fixadamente, seu olhar estava distante com um tom de preocupação.
– O que houve? — pergunto com medo da resposta.
– Daqui a duas semanas terei que ir lutar contra a Alemanha, estão precisando de soldados com boa qualificação e eu acabei sendo selecionado.
– O quê? — fico sem acreditar no que ouvira, só de pensar que correria um enorme risco de perder Tyler e pensar nas dificuldades que ele teria que enfrentar, me dava apenas uma vontade de chorar e não soltá-lo nunca mais.
– Amor, tudo vai dar certo. — ele me da outro selinho. Agora temos que ir para não preocupar sua mãe. — assinto com a cabeça, ainda com lagrimas teimosas caindo. Tyler as limpa e me guia ate minha casa.
– Eu te amo. — sussurro baixo e tremo de frio.
– Eu te amo. — ele me beija e se despede indo embora sob a lua cheia que irradiava o lago.
Entro em minha casa e vira que tudo estava arrumado, com certeza minha mãe passar o dia arrumando-a, vejo-a dormindo, sorrio, minha mãe era uma guerreira, eu não me imaginava num mundo sem ela, ela era tudo que eu tinha. Comi a janta que ela tinha deixado para mim, lavei o pouco da louça que restara e fui tomar um banho quente, terminei-o coloquei um pijama quentinho e deitei na minha cama, escrevi um pouco em meu diário, guardei-o na gaveta e dormi demorando a pegar no sono, só queria pensar no presente, no futuro não, ainda.
"O destino une e separa mas nem uma força é tão grande para me fazer esquecê-la"
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