—Alô...

—Oi...

—Quem é?

—Ninguém importante, não se preocupa. Só queria ouvir a tua voz...

Capitulo 3

Ouvi um longo suspiro e a chamada foi encerrada, fiquei meio surpresa e bem assustada, não sei e nem imagino quem possa ser.

A primeira pessoa que veio na minha cabeça foi o Nick, mas aquela não era a voz dele, eu a conhecia bem. Tive a impressão de que conheço a voz que falou comigo no telefone, mas quem poderia ser?

Fui tomar um banho precisava relaxar um pouco, passei por muito estresse em um só dia. Enquanto a água caia, lembrei do Carlos. Será que era ele? Poderia estar me perseguido... Uma paixão louca, quem sabe? Depois de hoje, não duvido de mais nada.

Sai do banho e ainda enrolada na toalha, sentei na cama e liguei para o Nick.

—Alô... Ursinho?

—Oi meu anjo...

—Como você está? Me desculpa por hoje.

—Não se desculpe, você não tem que se desculpar de nada, por favor.

—Eu sei, mas, você provavelmente pegou alguma punição pelo castigo e é culpa minha.

—Peguei 4 dias de suspensão pela briga.

— 4 DIAS!!! – Eu gritei apavorada.

—Calma.. Você sabe que eu faria qualquer coisa por você, inclusive, faria tudo outra vez.

—Mas vou ficar 4 dias sem te ver? Sem nossas conversas, nossas brigas bobas – Eu ria enquanto falava, ele também riu, mas eu percebi o tom de tristeza.

—Calma bebê, eu juro que ligo todo dia e se der vou na sua casa.

—Não existe amigo melhor que você.

—É... Não existe.... — Ele disse com um tom ainda mais triste e desligou a ligação. Tentei retornar, mas ele não me atendeu.

Enquanto eu me vestia, o telefone tocou mas não ouvi. Deixaram recado:

—Mesmo que você não saiba ou que não ligue, eu te amo!

Eu quase chorei enquanto ouvia a mensagem de voz. Alguém estava brincando comigo.

No dia seguinte...

Chegando na escola, senti falta do meu ursinho, serão quatro longos dias sozinha, sem as brincadeiras bobas que me faziam sorrir, mas continuei andando em direção a classe. Duas longas aulas de física e uma de português passaram e o sino do intervalo tocou. Quando cheguei na porta pegaram na minha mão, olhei pra trás, era o Logan.

—Posso ficar com você no recreio? Eerr.. Se não for atrapalhar – Ele falava enquanto passava a mão no cabelo, meio envergonhado.

—P-podee... – Eu gaguejava.

—Pra onde você quer ir? – Ele soltou a minha mão.

—Qualquer lugar. — Tentava imaginar o que ele queria comigo.

—Então me acompanhe.

Logan me levou pra um corredor atrás da escola, onde não tinha ninguém. Sentamos no chão. Ele puxou assunto.

—Porque você está sozinha hoje?

—Como se você não soubesse...

—Eu?

—Sim, você. Seu amigo, Carlos, tentou me beijar a força aqui na escola ontem, Nick foi me defender e eles começaram a brigar.

—Ah, é verdade... Tinha me esquecido.

—A propósito, Carlos me disse que você queria conversar comigo ontem, eu fui onde ele tinha dito e não tinha ninguém...

—O Carlos é um mané... Me desculpa pelo comportamento idiota dele.

Conversamos bastante e ele me disse o motivo de sempre estar me provocando. Tinha vergonha de chegar em mim por causa do Nick, mas ainda estou confusa, o que o Nickolas tem haver com isso?

Na classe parecíamos dois desconhecidos novamente.

Naquela noite meu telefone tocou e era chamada desconhecida novamente. A pessoa disse:

—Ei, obrigado... Te amo! – A ligação caiu.

Tomei coragem, liguei para o Nick e expliquei tudo a ele, contei das ligações, ele disse que não tinha me ligado, já imaginava que não poderia ser ele. A única alternativa foi entrar em contato com Carlos e perguntar se ele tinha me ligado. Ele também negou. Me joguei na cama e comecei a pensar, tentando imaginar quem poderia ser.

Minha mãe bateu à porta, levei um susto tão grande que quase cai da cama.

—Ciintia... Vem jantar, filha.

Enquanto estava jantando, meu pai disse que era pra eu falar pro meu namoradinho parar de ficar ligando em casa.

—Pai, tenho 17 anos, não tenho namoradinho. E eu nem sei do que o senhor está falando.

—Cintia, se você estiver namorando, pode contar pra gente, somos seus pais – Disse minha mãe, com um sorriso de lado.

Eu cansei do assunto e fui para o meu quarto.

Os quatro dias de suspensão do Nick finalmente acabaram e ele voltou pra escola. Passei pelo Logan e seus amigos, tentei dizer um oi, mas ele virou o rosto antes que pudesse fazer.

No recreio, Nick foi resolver alguns assuntos e eu aproveitei pra conversar com o Logan e saber o que estava acontecendo.

—Porque quando o Nick está comigo você finge que não existo e quando ele está longe, parecemos amigos de infância?

Sem resposta, ele apenas abaixou a cabeça.

—Fala, garoto...

—Ok... É que... Que... (Ele suspirou) Eu tenho ciúmes dele.

—Ciúmes? Do Nick? Mas por quê?

—Sim, ciúmes. Eu queria ter essa amizade com você, queria poder saber teus segredos, contar os meus, queria ser mais que teu amigo. Queria ter o privilégio de te chamar de minha.

Não sabia o que responder, apenas perguntei se era ele que estava me ligando, ele disse que sim e que estava com o numero desconhecido pois tinha medo da minha reação, do que eu fosse dizer. O silencio tomou conta de nós, ele me deu um longo abraço e um selinho, depois saiu, secando as lágrimas.

Notas finais
Gostaram? Qual será a reação da Cintia?