Nothing Can Get You Down

22 Capítulo Vinte e Um


Notas iniciais
Olá meninas!
Esse novo capítulo demorou mais um tico além do esperado, porque vários pontos-chaves da fic são desvendados nesse capítulo. Para mim, esse trecho aqui foi o mais complicado de escrever. Tanto que só terminei-o hoje as 2h da manhã. Só a Renata e a Lu para aguentarem todos os meus chiliques inspiratórios nas horas mais inconvenientes possíveis. Love ya, girls! 3
Outra coisinha antes que eu esqueça: criei um grupo no Facebook exclusivo para as minhas fics; aos interessados em ingressar nele, basta me mandarem seus links via twitter (arroba)linelins e/ou no formspring(ponto)linelinss que eu as adiciono por lá, ok?
Agora vamos deixar de lero-lero e ler não é?
Boa leitura!

Se existia uma coisa que eu odiava era ser pega de surpresa em alguma situação. Desde sempre, repudiava me encontrar despreparada para uma situação em hipótese alguma. Por mais que a novidade fosse boa, ela já tornava inconveniente somente pelo simples fato de que eu não poderia saber com antecedência. Nunca gostei da sensação que me causava o inesperado.

Então, imaginem o quão acelerado estava o meu coração ao ver Lauren na porta de minha casa, justo eu uma manhã tão congelante quanto aquela? Dizer que meu coração estava trovejando loucamente em meu peito era mero eufemismo.

– Onde está o Edward? – indaguei assim que me afastei, permitindo que a loira fria passasse pelo patamar da porta. Minha mente fervilhava em busca de uma razão que fizesse esta mulher chegar a me procurar e todas as situações que imaginava, nenhuma delas era animadora.

No entanto, invés de me responder, Lauren se dirigiu tranquilamente do hall até a sala de estar, deixando sua bolsa e a pasta executiva em cima do centro, retirando alguns papéis e pondo-os em seu colo. Ela analisava as folhas como se eu não tivesse feito pergunta alguma, e isso só inflamava ainda mais minha curiosidade, fazendo com que minha frequência cardíaca se transformasse em algo frenético dentro de meu peito.

- Então, você pode me dizer alguma coisa? – exigi outra vez, elevando o meu tom de voz. Eu não estava com a mínima paciência para aturá-la, principalmente quando teria que suportar toda essa atitude indiferente dela.

Percebi Lauren rolando os olhos antes de se atrever a responder. – Sim, senhora. Acredito que nesse instante, ele esteja bem melhor do que nós duas.

- E porque diabos ele não atende meus telefonemas?

Ela lançou um sorriso forçado para logo em seguida responder – Simplesmente por que ele está bêbado.

Encarei-a sem acreditar por longos segundos – Edward, bêbado? – inquiri completamente descrente – Você tem certeza?

-Bem, – ela retrucou, voltando a retirar alguns documentos da pasta e organizando-os sobre o sofá. – quando ele chegou hoje pela manhã no escritório, estava usando a mesma roupa de ontem, não falava nada coerente, fedia a puro álcool e vomitou no carpete e em cima dos meus Manolos. Considerando tudo isso, eu tenho plena certeza que ele estava sim, mais do que embriagado

Eu me esforçava para associar o Edward que eu conhecia com a imagem daquele que era descrito pela secretária dele. Durante todo esse tempo juntos, nunca havia o visto se exceder com nenhum tipo de bebida; era apenas algumas cervejas em um final de tarde ou algumas taças de vinho ao meu lado. Mesmo que ele tivesse se tornado outra vez um fumante, nunca acreditei que ele pudesse chegar ao ponto de ter qualquer tipo de problema com bebidas alcoólicas. Mais do que surpreendida, eu estava mesmo era preocupada com ele, afinal isso era totalmente atípico dele.

- O-onde... onde ele está agora? – pedi com cuidado, me aproximando devagar de Lauren, como se estivesse diante de algum animal arredio.

- Dormindo como um bebê, lá no sofá da sala. – retrucou com mal humor – Agora a senhora se importa de escutar o que eu tenho a lhe dizer? Como mencionei anteriormente; é algo que põe seus próprios interesses em jogo.

Sentei-me em uma das poltronas laterais e fixei meu olhar em seu rosto bem maquiado. Não sei por que, mas toda vez que encarava Lauren Mallory, sentia que estava diante de uma máscara, como se ela escondesse sua verdadeira face. Para mim, ela exalava falsidade através de todos os poros de seu corpo.

Cruzando os braços sobre o peito, eu atirei – Então comece a falar, pois eu não tenho o dia todo.

Ela forçou outro sorriso e alfinetou – Claro, senhora. A vida de dona-de-casa deve ser extremamente cansativa. .– então, antes que eu pudesse retrucar algo devidamente apropriado, ela continuou – A primeira coisa que tenho a dizer é que seu esposo está com grandes problemas e a senhora é a única que pode tirá-lo dessa situação.

- Que tipo de problemas?

- Relacionados ao escritório, é claro. – ela disse, suspirando pesadamente ao se dirigir a minha pessoa como se eu tivesse a idade do meu filho.

Da forma mais rude possível, eu lhe respondi – Desculpe, mas eu não tenho absolutamente nada a ver com a empresa dele. Agora, se você me der licença eu tenho uma lista de afazeres domésticos para cuidar.

- Segundo estes papéis aqui, — ela murmurou ao erguer algumas folhas – uma boa porcentagem da Masen and Lawyers diz respeito única e exclusivamente à você.

Fitei-a por um tempo bastante prolongado, esperando a piada sem graça que ela faria em seguida. O seu olhar mantinha-se tão frio como sempre, porém havia agora um sorriso quase que satisfatório em sua face, com a astúcia de quem tinha um grande trunfo nas mãos. Ao olhar para ela, tinha plena consciência de que ela estava me dizendo a verdade, apesar de que tal fato ainda era absolutamente estranho para mim.

Anthony Masen havia sido bastante claro em seu último desejo, descrito em seus testamento. Tudo o que ele tinha construído na empresa milionária pertenceria ao seu único herdeiro, Edward. E como tal, ele detinha 51% de tudo relacionado ao escritório; algo de tanto valor que nem eu mesma me atrevia a estimar .

Eu não sabia nem o que falar; eu estava tão chocada que me faltavam palavras para inquirir aquela que eu conhecia por ser o braço direito de Edward dentro do escritório. Parecia até que aquela era uma piada, e eu tinha perdido todo o senso de humor descrito ali.

Ela intuiu a minha perplexidade e se inclinou, entregando alguns documentos. – Você deve estar se perguntando como isso é possível, apesar de toda obviedade da situação.

- Desculpe, mas eu não sou formada em Direito. – murmurei, pegando os documentos e analisando as letras diminutas.

- Tampouco eu, senhora. No entanto, o fato de você ser a cônjuge de Edward Masen lhe faz tão dona da empresa quanto ele.

Ao escutar aquilo, um alívio completo tomou conta de minha mente, afinal eu tinha plena certeza de que havia um engano ali. – Impossível. – disse com um riso. – Edward e eu não nos casamos dessa forma.

Quando nós dois fugimos para nos casar em Nevada, eu tinha sido bem clara com Edward sobre que tipo de matrimônio eu queria; estava bastante magoada por sua família me considerar uma golpista por conta de estar grávida dele, então fiz toda questão para que nos casássemos com separação total de bens. O que era dele continuaria sendo dele e o que me pertencia (absolutamente nada, para ser sincera) permaneceria da mesma forma.

Portanto, tudo o que me rodeava hoje pertencia a Edward; carros, imóveis... a única coisa que tínhamos juntos era uma conta bancária, que geralmente era eu quem administrava, relativa aos gastos da casa e nossos cartões de crédito. Esse era o único ponto que eu não fazia ideia de como ficaria agora que estávamos prestes a nos separar. Para alguns, minha atitude tinha sido baseada apenas no orgulho de momento, o que não deixava de ser. No entanto, a verdade é que eu acreditava que meu casamento seria para sempre, que nunca haveria motivos que fizessem com que Edward e eu tivéssemos um fim. Não é preciso dizer que meu conto de fadas estava traçando um final muito diferente daquele que almejei.

Meu devaneio foi interrompido por Lauren, ao me mostrar outro documento. – Não é o que diz esses papéis aqui. O pré-nupcial determina que a senhora seja tão titular do escritório quanto seu marido.

- Mas eu não assinei nenhum contrato pré-nupcial! – disparei, roubando os documentos das mãos dela e ficando estarrecida ao perceber minha própria assinatura no final dele.

- Tenho certeza que a data coincide com o mesmo dia de seu casamento. – ela rebateu – Dia 26 de março. Lembro que todos os anos, Edward me pede para encomendar-lhe begônias vermelhas, suas favoritas, não?

Não dei atenção para o seu comentário mordaz porque ainda não estava pensando coerentemente. Depois de pegarmos nossa licença no fórum em Vegas, eu fui procurar o vestido que usaria mais tarde enquanto Edward cuidava dos outros tramites. No entanto, eu me recordada totalmente de ter lido que nossos bens continuariam da mesma maneira que estavam até então. Mais tarde, dentro da capela como o pastor e o fotógrafo como testemunha, eu tinha assinado uma papelada enorme, porém em minha inocência, nunca cogitei ter concordado com esse termo que constatava algo totalmente diferente daquilo que desejava.

A realidade era que eu havia sido enganada; por quase oito anos, eu achava que Edward havia respeitado minha única condição para me tornar a mulher dele. Quanto mais eu lia, mais a repulsa me tomava. De certa forma, o que constava ali era que eu tinha sido traída pelo homem que eu amava, desde o principio de tudo. Desde os primeiros minutos de meu casamento

- Eu não sei se você sabe – Lauren continuou, não percebendo ou ignorando minhas mãos trêmulas – mas o fato de você também ser dona da empresa é o que está impedindo Edward de concluir o processo de transição da empresa.

- E qual é o motivo para ele nunca ter me dito nada?

Ela deu de ombros. – Não faço a mínima ideia. Talvez ele não quisesse lhe revelar a verdade sobre o pré-nupcial ou talvez ele não desejasse envolve-la nos problemas que ele considera ser apenas dele... enfim, eu não sei qual foi o intuito dele. Só posso lhe afirmar que o ato de rebeldia de Edward contra o sr. Masen há tanto anos atrás é o que vem impedindo hoje que ele faça o que quer.

Soltei os documentos sobre o centro e mesmo com toda minha aversão a Lauren, decidi aproveitar de sua presença e esclarecer alguns pontos – Eu preciso que você me explique sobre isso, Lauren. Como já falei, não sou formada em Direito. Melhor, não tenho uma formação sequer, portanto eu quero saber tudo a respeito do meu envolvimento na porcaria desse escritório.

Ela assentiu – Estou aqui para isso, senhora. Por onde quer que eu comece?

- Porque Edward não pode simplesmente vender a empresa por si só? Tipo, ele me disse que existia algum documento, que impedia que ele se desapegasse do escritório até os 35 anos...

- Sim, o codicilo. Só que isso não é algo taxativo, afinal. Existem algumas condições que fazem com que tais condições sejam quebradas facilmente.

- E que condições seriam essas? – questionei bastante curiosa.

Lauren abriu um sorriso audacioso, como se tivesse acabado de fazer uma jogada perfeita em a qual estava apenas aguardando. – Bem, a senhora sabe melhor que eu que seu sogro foi um homem muito audacioso. – retrucou, cruzando as pernas longas cobertas por meias pretas – Ele sempre queria controlar tudo a sua volta, incluindo sua própria família.

Meneei a cabeça rapidamente – Sim, eu sei sobre isso.

- Para falar a verdade sem muitos rodeios, a questão era que Anthony Masen nunca gostou muito de você. Com o perdão da palavra, ele acreditava que a senhora era uma alpinista social e que só tinha interesse pelo dinheiro da família.

- E eu tenho plena consciência disto. – disse com um rolar de olhos.

- Então, como ele sabia que Edward não tinha o mínimo interesse pela empresa desde que se casou com você, o sr Anthony tentou de todas as formar possíveis fazer com que ele e o filho se reaproximassem. Lógico, ele não esperava que fosse morrer tão cedo, no entanto, ele deixou tudo preparado para que o filho assumisse todos os negócios dele.

- Deixando o Edward em uma enrascada que não tinha sequer a chance de recusar. — disparei, sentindo a raiva se acumular desde que aquela leitura de testamento tinha mudado por completo as nossas vidas. – Agora, por favor, pare de me falar sobre o que eu já sei e conte-me quais as condições que farão que com Edward se livre dessa empresa.

Ela colocou uma mecha de seu cabelo loiro e seu sorriso se abriu minimamente – Na verdade, eu me equivoquei em dizer o termo no plural. Só existe uma única condição e ela está totalmente ligada a você.

- Lauren, – comecei, tomando uma respiração profunda antes de continuar a dizer o que desejava desde que ela chegou até aqui – Eu tive uma noite péssima; meu filho passou a madrugada toda com febre e não pude dormir um minuto sequer por conta disso... então, eu lhe agradeceria de verdade sé você parasse com essas pausas estúpidas e contasse logo tudo de uma vez. Eu não estou com a mínima paciência para tolerar sua voz querendo dramatizar toda essa história.

Seus olhos me fulminaram por um tempo além do necessário e depois de bufar, ela começou a falar – A única possibilidade de seu marido se livrar do escritório antes dos 35 anos é fazendo com que não seja mais detentora das ações. A clausula é bastante enfática ao dizer que a venda legal das ações de Anthony Masen só pode ser realizada se seu herdeiro for o dono exclusivo de absolutamente tudo.

- Ou seja – eu perguntei – Uma vez que eu sou tenho o direito a uma parte, ele não poderá de forma alguma repassar adiante o escritório, certo?

- Exatamente. Essa foi a maneira que o sr. Masen encontrou de proteger o legado que ele deixou para Edward de alguns tipos de mulheres que só poderiam ter interesse no que ele possui. – ela me lançou um sorriso e completou – Não que eu esteja me referindo a senhora, claro.

Meu sangue fervia sobre minha pele enquanto eu encara aquela mulher – E porque diabos você decidiu me contar tudo isso apenas agora? Por que hoje e tão de repente.

- Existe uma grande empresa de advocacia da Filadélfia que está bastante interessada na compra. No entanto, a representante deles, Tanya Denali deu o ultimato até o final desta semana para a aquisição da empresa conforme a lei. As negociações estão vindo desde o início de Novembro passado sem nenhum resultado promissor.

Um calafrio correu meu corpo quando escutei o nome desta mulher ser pronunciado pelos lábios de Lauren. Imediatamente me lembrei da conversa entre ela e Edward alguns dias antes do Natal, onde esse nome foi mencionado assim como a ordem de que eu não poderia saber nada sobre ela.

A curiosidade me queimava e eu não consegui deixar de indagar – Quem é essa Tanya? E porque ela está com tanta pressa de fechar o negócio assim?

Seus olhos faiscaram com um brilho de admiração quando ela começou a falar sobre a referida mulher – Tanya é uma das mulheres mais geniais que eu tive o prazer de conhecer. Seu espírito empreendedor é exatamente aquilo que a Masen and Lawyers necessita para o futuro. Até mesmo Aro concorda que o melhor para o escritório atualmente é essa junção entre as empresas, uma vez que Edward no último ano não está muito interessado nos negócios. Neste ultimo ano, nós perdemos muito mais clientes e não conseguimos muitos novos. E para qualquer instituição isso é uma coisa péssima para se acontecer, principalmente numa época de crise como agora.

Eu fiquei seriamente surpreendia ao saber que o escritório não ia tão bem quanto eu imaginava. Afinal, Edward passara o ano passado inteiro trancafiado lá dentro e tudo o que eu podia pensar eram que as atividades estavam de vento em polpa. Se já no passado nós nunca falávamos muito sobre seu trabalho, agora então era algo impossível.

Segurei a ponte do meu nariz e senti como se houvesse uma bigorna sobre meus ombros – Se os números estão tão ruins como você diz, qual é a razão que faz com que Edward fique até tão tarde no escritório.

- Simples, – ela disse dando de ombros – A única razão é você.

- Como assim?

- Senhora, – ela falou, como se essa palavra fosse algo desprezível – Edward passou todos esses meses apenas se dedicando à venda da empresa e mais nada. Ele está pouco se lixando para os atuais números; ele só quer se livrar dela. O tempo que ele passava no escritório ou viajando era apenas articulando maneiras para que ele vendesse sem que você fosse prejudicada ao perder seus direitos. Isso pode ser considerado algo romântico, mas para mim é um ato de irresponsabilidade tremenda, já que existem dezenas de empregos que dependem única e exclusivamente das ações dele.

Mordi meu lábio e fitei a mulher a minha frente. Ela estava absolutamente correta ao afirmar aquilo. Mais uma vez a raiva por Edward esconder tudo de mim, como se eu fosse uma idiota que não poderia lidar com absolutamente nada fez com que eu me sentisse humilhada. Eu não via nada romântico nessa atitude de ele querer com que eu fosse possuidora de tantas ações e bens que não eram meus por direito. Era como se ele achasse que eu não fosse capaz de ter meu próprio sustento e precisar sempre de seu dinheiro para sobrevive.

- Você pode me julgar da maneira como quiser, Isabella — ela murmurou pela primeira vez o meu nome, me fitando de uma forma que parecia ser sincera – Pode até me considerar que uma traidora pelo fato de estar aqui lhe contando isso pelas costas dele. No entanto, você não faz ideia do que é ver algo que tem tudo para dar certo se desmoronando por causa de algo que pode ser simplesmente consertado. Pelo que eu percebi, o dinheiro de Edward nunca foi de seu interesse, e é por causa disso que eu estou aqui para lhe pedir que assine este documento.

Ela retirou algumas folhas de sua pasta e me entregou mais algumas folhas onde nas poucas palavras que eu li, notei se tratar de algo relativo à abdicação dos meus direitos como acionista da Masen e Lawyers

- Lauren, – comecei, permanecendo a mastigar meu lábio tamanho a ansiedade – Você entende que eu não posso tomar uma decisão desta assim tão rapidamente. – retruquei, mas ainda assim sem lhe entregar de volta os documentos – Isso é algo extremamente importante que não envolve somente a mim, mas também ao meu esposo. Eu preciso pensar com cuidado antes de tomar qualquer decisão.

- Eu compreendo e não vou de forma alguma julgá-la por isso. – Mas se você quiser, Aro, Caius e Tanya estão dispostos a lhe fazerem maiores esclarecimentos. Os três se reunião amanhã no Mat´s para o almoço ao meio-dia. Acho que será muito produtivo para todos se você pudesse ir até lá.

- Eu farei o possível – respondi brevemente.

- E ficaríamos gratos também se você pudesse ser discreta e não dizer absolutamente nada para o seu marido. – ela pediu, com certo nervosismo no olhar – Caso ele saiba que estamos fazendo algo como isso, com certeza nossos planos irão falhar e consequentemente o emprego de diversas pessoas estarão em jogo.

- Eu já falei que irei pensar, Lauren. – sibilei asperamente. – Agora se me der licença, eu preciso ver como o meu filho está.

Ela assentiu, se levantando para arrumar tudo o que trouxera, deixando apenas o documento de desistência em minhas mãos. – Obrigada pelo seu tempo, sra. Masen. E não se esqueça de me ligar, caso queira mesmo se encontrar com todos amanhã.

- Tudo bem.

Antes que ela saísse, eu não pude deixar de perguntar – Tem certeza mesmo que o Edward estava mesmo bêbado quando chegou ao escritório esta manhã?

Ela soltou um longo suspiro – Sim. O cheiro de vodca barata estava impregnado nele desde longe. Depois de sujar todo o carpete de vômito, ele se jogou o sofá e dormiu logo em seguida. Isso só prova o quanto o estado dele está deprimente e que já não tem capacidade alguma de ser nosso líder.

Fechei minhas mãos em punhos e com toda frieza que consegui reunir, perguntei – Será que você poderia fazer um favor para mim, Lauren?

- Se estiver ao meu alcance...

- Se assim que você chegar ele ainda estiver dormindo, tente achar o telefone dele e apague toda e qualquer ligação minha que esteja por lá.

Ela pareceu hesitar – Eu não sei se devo...

- Eu te imploro por isso. – supliquei-lhe e finalmente ela pareceu ceder ao menear a cabeça. – Desde já lhe agradeço.

Se Edward, ao invés de ficar com o celular ligado como prometera, resolveu encher a cara enquanto o filho dele ardia de febre, ele não merecia sequer saber o que estava se passando com Richie. Era algo infantil, impulsivo e completamente irracional, contudo não conseguia achar em mim motivos para fazer o contrário. Sem contar que a última coisa que eu esperava era que ele viesse procurar saber do ocorrido depois de ter passado a noite em claro em algum bar aleatório, sabe-se lá com quem como companhia. Ontem, quando ele saiu da garagem, eu estava destruída ao ver a cara de tristeza dele, contudo bastou apenas saber a maneira egoísta com que ele tinha decidido afogar suas mágoas, fez com que eu esquecesse qualquer sentimento de pena que sentia por ele.

- Eu farei o possível. – ela retrucou, finalmente me dando um pouco de alívio. Agora o único problema era que ela conseguisse achar o aparelho, antes que Edward acordasse.

Acompanhei-a até a porta e assim que ela saiu, eu fitei aquelas folhas em minhas mãos, como se elas pesassem uma tonelada. Não podia agir impulsivamente, no entanto, se eu fizesse mesmo aquilo que Lauren me pedira, eu estaria traindo Edward. No entanto, bastava eu me lembrar de que ele havia feito isso primeiramente, a quase oito anos atrás para que o desejo de fazer o mesmo se apossasse de meu ser.

Contudo, como a própria assistente dele disse, existiam dezenas de empregos em jogo; pais que sustentavam suas famílias a partir do emprego que tinham ali no escritório da Masen. Não podia simplesmente confiar e entregar de mãos beijadas o escritório nas mãos de algum estranho que eu nem sequer conhecia.

De uma forma ou de outra, eu precisava encontrar alguém que me pudesse dar uma luz em relação ao que fazer com tão pouco tempo em minhas mãos. Apesar de ter que depender mais uma vez de um terceiro, creio que desta vez não estava fazendo algo errado ao procurar ajuda para tomar alguma decisão em relação a isso.

Por isso, logo depois de verificar como estava a febre de Richie – que graças aos céus se mantinha baixa – liguei para a pessoa que já tinha me ouvido em todos os meus momentos de dúvida extrema. Alice era a única pessoa que conhecia a minha relação com Edward desde os primórdios de nossa infância, portanto, acho que de certa maneira ela poderia compreender essa mentira que o seu primo tinha me envolvido. Passamos uma longa hora conversando sobre como eu me sentia traída e o poder que detinha esse documento em minhas mãos. O meu desejo era de assinar o quanto antes essa porcaria sem que ele soubesse. Embora eu receava em acabar prejudicando Edward financeiramente de alguma forma. Não queria ser responsável por nenhuma perda dele, e por conta disso, eu me encontrava entre a cruz e a espada, sem saber o certo como agir.

- Bem, Bella, eu não sou nenhuma especialista nisso — Alice murmurou em resposta, logo após soltar um suspiro cansado. – Mas eu acho que o Jasper pode dar uma olhadinha nisso, afinal os três anos e meio de Direito que ele cursou deve servir para alguma coisa, não?

- Eu espero que sim, Allie – retruquei de volta, enquanto olhava fixamente para uma foto nossa, em cima da lareira — Não tenho ideia do que fazer depois de ter descoberto isso tudo. Mesmo que o Jasper nunca tenha se tornado advogado nem nada, espero que ele ainda possa me ajudar de alguma maneira. Eu não posso simplesmente mostrar esses papéis a qualquer pessoa, entende?

- É claro que sim, Bells. Você tem toda razão. Assim que você puder, me mande as cópias e quando o Jazz chegar da escola, eu irei imediatamente mostrar isso para ele. Acho que ainda esta noite nós te ligamos de volta, ok?

- Obrigada de verdade por mais essa, Allie. – respondi com sinceridade – Essa é mais uma coisa que entrará na lista de favores que eu te devo.

- Não se preocupe. – ela disse, com um sorriso na voz – Em breve eu te pedirei para ser minha acompanhante em uma viagem de compras por Paris e você, por mais que tente fugir, não poderá me negar de maneira alguma!

Rolei os olhos e com uma saudação final, nos despedimos. No mesmo instante, me levantei e segui em direção ao escritório para escanear as cópias que Lauren havia deixado em minha responsabilidade, para que eu pudesse enviá-las o quanto antes para Alice. Porém, ao entrar no meu e-mail para fazer justamente isso, fui agradavelmente surpreendida ao ver uma mensagem da editora Rosalie.

O texto apesar de curto, dizia-me tudo aquilo que eu mais desejei nas últimas semanas. Eu havia sido escolhida para transcrever os manuscritos do famoso autor para poderem ser publicados como livros. Eu teria que nas próximas três semanas entregar 100% do material digitado, a troco de mil e quinhentos dólares em minha conta. E, se este trabalho fosse bem sucedido, eu poderia acabar sendo contratada definitivamente para o staff da empresa e ainda continuar sendo uma home-office. Poderia ter o meu próprio dinheiro sem prejudicar a criação das minhas crianças, o que era mais do que perfeito.

Após fazer tudo que era necessário ali no desktop, fui até o meu quarto, onde tinha deixado um Richie que acabara de acordar. Ele estava um tanto que triste, embora a febre tivesse ido embora por completo. Pensei em chamar os gêmeos de Angela Webber para que os três brincassem aqui em casa por um tempinho, porém quando expus a ideia ao meu filho ele pareceu completamente indiferente. Verbalizei milhares de ideias que pudessem fazer com que ele se tornasse um pouquinho menos apático, no entanto, todas foram rejeitadas por ele. Então, quando lhe solicitei o que ele queria, a sua única resposta fez meu coração se apertar.

- Eu só quero o papai aqui em casa, mãe. Só isso e já tá bom. – ele choramingou, escondendo seu rostinho no vão do meu pescoço.

- Eu sei, bebê. Mas agora as coisas estão um pouquinho complicadas, entende?

- Ele não gosta mais da gente. É por isso que ele saiu de casa. — ele retrucou

Afastei sua face levemente, fazendo com que ele olhasse para mim. — Isso não é verdade, Richie. O papai ainda te ama do fundo do coração dele. Mesmo que ele não esteja mais em casa todos os dias, isso nunca irá mudar. Edward nunca deixará de amar você.

Como no ensejo, o telefone começou a tocar com a melodia destinada a identificar alguma ligação feita do escritório do Edward. Mostrei o display onde o nome de Edward aparecia e entreguei o aparelho em suas mãos ansiosas. Isso animou um pouco o garotinho ao meu lado, que tomou no mesmo instante o telefone das minhas mãos e passou a mão gordinha sobre seus olhos antes de atendê-lo. Eu sorri tristonhamente para o seu gesto; era como se ele quisesse se mostrar forte diante do pai, embora ainda fosse somente um menino, inseguro com todas as mudanças que estavam ocorrendo em nossas vidas nos últimos meses.

Eles falaram por alguns minutos, enquanto eu apenas escutava a troca, sem interferir em nada. Percebi que Edward lhe indagava sobre o seu dia e Richard lhe contou cada detalhe, desde faltar a aula e ir comigo até a editora da sua tia Rose. Não demorou muito depois que essas duas informações foram repassadas para que Richie estendesse o telefone em minha direção. Tomei algumas respirações profundas antes, buscando um pouco de controle antes que começasse a me recordar daquilo que Lauren havia me contado mais cedo.

- Olá, Edward. — falei, me afastando do quarto e indo em direção ao closet, com o intuito de não deixar que Richie escutasse outra provável discussão.

- Por que você não levou o Richie para o colégio e foi se encontrar com a Rose? Aconteceu alguma coisa? — Ele perguntou, sem nem mesmo se dar ao trabalho de me cumprimentar.

Soltei um suspiro exausto para somente depois lhe responder — Richie teve um pouco de febre esta manhã e eu tinha um compromisso na editora. Como eu não podia abrir mão de meu filho doente e nem de uma oferta de emprego, eu decidi leva-lo até lá. Apenas isto.

- O Richie está doente? Porque você não me ligou?

Eu tentei fazer isso a noite toda enquanto você bebia, seu idiota. Essa foi a vontade de lhe responder, porém mantive o bom senso e resolvi prosseguir com minha mentira — Não é nada demais. Acho que ele ainda está um pouco abalado por termos lhe contado ontem sobre a separação.

- Como assim oferta de emprego? — ele inquiriu, sua voz ficando um tanto que alterada — Por que diabos você vai começar a trabalhar agora, justo no final da gravidez? Eu pensei que tivesse deixado claro que se você precisar de qualquer coisa, você poderia contar comigo e-

- Não é só por conta de dinheiro, Edward - interrompi-o antes que nós dois começássemos a nos alterar por conta dessa besteira — … eu nem irei ganhar tanto assim, mas a questão maior é que preciso disso; ganhar meu próprio dinheiro sem depender apenas de você.

- Eu não vejo necessidade nenhuma de você trabalhar justo agora, no final da gestação. — ele retrucou apesar de sua entonação se mostrar complacente — Como você fará para se deslocar todos os dias até o centro, passar horas a fio enfurnada dentro de um escritório fazendo seja lá o quê-

- Eu irei trabalhar em casa. — disparei, cortando-o outra vez. — Vou passar o dia digitando um texto para ser entregue até o início do próximo mês. Não é nada demais, não vai me prejudicar em nada, pelo contrário; vai manter minha cabeça ocupada e livre de pensar besteiras.

Escutei-o respirar antes de ele voltar a falar — Você poderia ter falado comigo, Bella. Eu poderia ter arrumado alguma coisa.

- Você não entende que isso é justamente o que menos quero? — sibilei com raiva — Eu preciso começar a viver totalmente livre de você e esse emprego foi o meu primeiro passo. Eu não quero ser uma daquelas mulheres que passam o resto da vida sendo sustentadas por uma pensão que algum marido podre de rico lhes deixou. Essa não sou eu, Edward.

Depois que eu proferi essas palavras, o silêncio ficou tão intenso que eu cogitei a ideia de que ele tivesse desligado a ligação. E então, quando pensei em chamar por ele, Edward finalmente respondeu. -Desculpe, eu só... Bem, talvez acho que estou desacostumado com a ideia de te ver trabalhando... Eles já te deram alguma resposta?

- Sim. Eu recebi agora a tarde um email me dizendo que amanhã eu devo passar por lá para assinar o contrato temporário.

- Isso e bom... — sua voz respondeu, um tanto que triste? — Parabéns, eu acho.

- Obrigada. Isso significa muito para mim.

Outra vez o silêncio tomou a linha telefônica, sem que nenhum de nós dois arriscasse a ser o primeiro a quebrá-lo. Era estranho, para dizer o mínimo o quão estranhos nós estávamos um com o outro desde então. Em alguns momentos, tinha a sensação de estar conversando com um estranho quando estava falando com ele, o que era absurdo, já que ele me conhecia desde muito cedo. Odiava essa sensação com todas as forças do meu ser, e esperava que um dia nós pudéssemos superar esse sentimento, uma vez que teríamos um vínculo eterno por conta de nossos filhos.

- C-como está o... huh... a Grace? — ele indagou receoso.

Fiquei tão surpresa por sua pergunta espontânea que mal pude responder coerentemente — Bem? — disse-lhe fazendo minha afirmação parecer mais uma pergunta.

- E... você terá alguma consulta nos próximos dias?

Ainda desconfiada, respondi — Daqui a alguns dias farei acho que meu último acompanhamento antes do parto... Não posso dizer com certeza, afinal nunca se sabe, não é?

Seu tom imediatamente demonstrou preocupação — O que? Você acha que pode acontecer alguma coisa com alguma de vocês? Ainda está controlando sua alimentação, não é?

- Está tudo bem, Edward. — respondi rapidamente — E você sabe; não precisa fingir preocupação nem nada. Não é necessário.

- Só que eu não estou fingindo! — ele esbravejou. — Não é porque estamos separados que eu irei deixa de me incomodar com o que você anda fazendo em relação a esse bebê e a você mesma.

Não soube o que responder depois dessa afirmação dele. Eu me sentia completamente confusa; uma parte queria acreditar que ele estava sendo sincero enquanto a outra lutava ao afirmar que tudo isso não podia esquecer o que havia ocorrido nos últimos meses. Era impossível apagar de minha memória tão rapidamente todos os conflitos que tivemos por conta da estupidez e ignorância dele. Ele mexeu não só com meus sentimentos, como também repudiou a própria filha desde que soube que ela seria diferente. Em absoluto, isto não era algo que podia relevar facilmente, pelo contrário; tinha certeza de que isso era algo que carregaria para sempre comigo.

Sem contar a descoberta de mais cedo. Para mim a ficha ainda não tinha caído de que ele pudesse me trair a tal ponto, por todos esses anos. Era como se isso ainda fosse alguma realidade alternativa ou algum sonho muito estranho. E mesmo sem querer, não podia deixar de me perguntar até que ponto ele havia mentido para mim durante esses nove anos. Se ele pode ter me ludibriado com algo tão sério como a questão do casamento, tenho plena consciência de que Edward também era capaz de me trair de outras formas. A questão agora era saber se eu queria saber ou não até que ponto chegavam as suas mentiras.

- Bella, você ainda está aí? — sua voz interrompeu meus devaneios, me lembrando que ainda estava no telefone conversando com ele.

- Sim, desculpe. Só me distrai um pouco.

- Será que eu podia voltar a falar com Richie, por favor? Eu não sei se vou poder passar por aí mais tarde porque minha noite tem tudo para ser cheia.

- É, eu posso imaginar o quanto — sibilei tomada por raiva quando me lembrei da situação que ele se encontrava horas atrás.

- O que foi?

Não ousei responder e simplesmente sai do closet entregando o telefone de volta para o Richard. Enquanto ele falava com o pai, aferi sua temperatura mais uma vez apenas para constatar que a febre tinha ido embora totalmente. Dei-lhe um beijo no alto de sua cabeça e sai do quarto, deixando que os dois pudessem falar o quanto desejassem á vontade sem interferência alguma minha.

Depois disso, o restante da tarde se passou como um borrão. Preparei o nosso jantar e apesar das caretas que meu filho fez para a sopa de legumes, ele acabou comendo tudo que eu tinha lhe oferecido. Em seguida, nós dois fomos até a sala, onde eu arrisquei jogar um pouco de video-game com Richie apesar de ser péssima nisso. No entanto, por conta da noite mal dormida que ele teve ontem, o sono o dominou mais rápido do que eu imaginava. Não eram nem oito da noite quando coloquei-o na cama, deixando um beijo de boa noite em sua testa enquanto ele se aconchegava nos travesseiros. Observei-o até sua respiração ficar profunda; um ressonar baixinho que de certa forma me acalmava também.

Quando eu estava terminando de arrumar os documentos que seriam necessários para amanhã, o meu celular tocou com o número de Alice demonstrado na tela. Só quem dessa vez estava na linha era Jasper, que me explicou perfeitamente todos os trâmites sobre o meu casamento com Edward. Quando ele me afirmou que de fato, eu tinha todo e total direito às ações da empresa que o pai de Edward formara, eu vi vermelho. O gosto amargo da traição se tornou ainda mais forte para mim, apesar de tanto ele quanto Alice quererem justificar a atitude estúpida do meu marido.

Eu estava tão tomada pela raiva que acabei brigando com minha melhor amiga, quando ela me acusou de estúpida por querer assinar os documentos que abandonariam meus direitos perante a empresa. Alice insistia em dizer que eu deveria conversar com Edward antes de qualquer coisa, no entanto, não via em mim motivos para fazer isso. A verdade, e por mais infantil que isto fosse, é que eu queria pagar com a mesma moeda. Queria fazer algo pelas costas dele, exatamente como ele tinha feito há tantos anos atrás comigo.

E no final das contas, talvez ao assinar esses documentos eu estivesse lhe fazendo um favor. Se a abdicação de minhas ações era tudo o que ele necessitava para se livrar do escritório, eu estaria em certo ponto lhe ajudando. Ele finalmente poderia ser livre da obrigação de cuidar de uma coisa que ele não gostava e, quem sabe, ele poderia voltar a advogar como tanto gostava.

Foi pensando nisso que liguei para Lauren Mallory, confirmando minha presença no almoço no dia seguinte. Iria encontrar-me com seus chefes e lhe entregar de volta toda a documentação assinada. Assim que saísse da editora, eu livraria a mim e a Edward desse peso que se transformou a Masen and Lawyers em nossas costas. Ambos seríamos livres não só um do outro, mas de todas as amarras que o pai dele criou com o intuito de nos dominar.

[...]

Já havia passado um pouco do meio-dia, quando finalmente eu consegui chegar ao restaurante, executivo demais, bem no centro financeiro da cidade. Todas as mesas do amplo e arejado local encontravam-se lotadas de homens e mulheres de negócios, vestidos com seus ternos monocromáticos, alguns conversando entre si, outros falando discretamente em seus telefones ou digitando furiosamente alguma coisa em seus laptops.

Eu me sentia deslocada naquele ambiente por estar vestindo aquele que provavelmente era a roupa mais colorida no local; uma túnica estampada, marcada logo abaixo do busto e uma legging cor de vinho, que além de me proteger do frio intenso, também ajudava a sustentar a enorme barriga. Era quase como a sensação de estar de biquíni em um casamento da realeza; absurdamente inapropriado.

A jovem hostess se aproximou e lhe solicitei a mesa do Sr. Volturi, exatamente como Lauren havia me indicado na noite anterior. Ela me guiou pela direção correta e eu a segui, arrumando a pesada bolsa que carregava sobre os ombros. Arrependi-me de não ter deixado no carro os dois cadernos de couro onde estavam escritos 50% de Desafios, o próximo livro do autor que eu estava responsável por digitá-lo. Eu estava com tanto medo de que alguma coisa pudesse acontecer com esses material que não ousava tirá-los de perto de mim um segundo sequer.

Ao me aproximar do local até onde a recepcionista me levava, pude notar a presença de três pessoas à mesa, conversando baixo entre si. Duas delas, eu conhecia há bastante tempo; Aro e Caius Volturi, os dois primeiros sócios de Anthony Masen, que haviam investido certa parte de seus capitais na construção de um dos escritórios de advocacia mais importantes de Chicago. Os dois anciões ainda estavam envolvidos até o último fio grisalho de cabelo com o escritório, e eu tinha que admitir que apesar de tudo, eles sabiam como fazer isso muito bem. Mesmo que eu odiasse todos os comentários estúpidos de Aro ou não suportasse a eterna apatia de Caius, era irrevogável a fidelidade que eles tinham aos seus trabalhos. Eles poderiam ser qualquer outra coisa, menos antiprofissionais.

A terceira figura que vi na mesa me surpreendeu. Mesmo que eu nunca tivesse sido apresentada formalmente, eu sabia que era a tal da Tanya; a representante que veio de Boston com o interesse de adquirir a parte que cabia ao Edward no escritório. Na primeira vez que eu escutei seu nome, vindo dos lábios de Edward de uma forma tão assustadora e enfática há tantos meses atrás, antes do colapso completo de nosso casamento, uma pontada de insegurança me dominou. Não podia negar que a forma como ele falou sobre ela ao telefone, me deixou além de confusa, já que na época eu nem tinha ideia do que estava de fato acontecendo. No entanto, bastou apenas olha-la uma única vez que qualquer insegurança que ousei ter sumisse por completo.

Não que ela fosse feia; pelo contrário, Tanya era uma mulher de muita classe, como pude perceber ao notar sua postura altiva, juntamente com suas escolhas de roupas e assessórios de , ela simplesmente não fazia o tipo de Edward — salvo se ele tivesse adquirido um fetiche por mulheres 30 anos mais velhas e eu não soubesse. A figura mignon tinha o rosto bem maquiado, mas mesmo com todo o trabalho era possível perceber a expressão que o tempo lhe dera; as rugas aprofundadas no canto dos olhos e o vinco profundo em suas bochechas, já não tão firmes como deveriam ser aos seus vinte anos de idade. O cabelo todo grisalho tinha um corte contraditoriamente jovial e nas mãos enrrugadas pelo tempo, ela ostentava um anel grande, o único adorno mais chamativo em todo o seu visual.

- Ora, ora, veja só quem resolveu nos agraciar com sua adorável presença? — Aro comentou enfaticamente, assim que cheguei à mesa e todos eles se levantaram para me cumprimentar.

- É bom revê-lo, Sr. Volturi.

- O prazer é o mesmo, minha querida. E pelo visto o novo bebê está lhe deixando ainda mais bonita. A gravidez lhe deixa simplesmente estonteante, Isabella.

Forcei um sorriso falso e respondi — Obrigada. senhor. — levei minha mão na direção do braço estendido de Caius, sentido sua pele gélida contra a minha ao cumprimentá-lo — Como vai, senhor?

- Indo. — ele se limitou a dizer, sem esboçar reação alguma em sua face. Era sempre assim quando nos encontrávamos, seja lá qual fosse a situação. Se não fosse por Edward, que me contava sempre toda a perspicacia que o irmão mais velhos dos Volturi possia no mundo dos negócios, eu poderia pensar facilmente que Caius era um típico maníaco depressivo, de tão apático que ele era.

Girei minimamente e me deparei com a velha senhora me averiguando detalhadamente sob seu olhar critico. Não ousei desviar meu próprio olhar sobre ela, e encarei-a de volta da mesma maneira, como se estivesse desafiando-a sem palavras. Seus olhos castanhos de fitavam como se tivesse a intenção de ver além de mim, sem que a minha permissão lhe fosse dada. Aquela figura diminuta — tão diferente daquela mulher que eu criei em minha imaginação — tinha o poder me deixar desconfortável, contudo não tinha ido até ali para temer diante de uma mulher que eu nem sequer conhecia.

-Deixe-me apresentá-las — Aro fez as honras, a medida que eu continuava a fitar a mulher a minha frente — Tanya, essa é Isabella Masen, esposa de Edward. E Isabella, esta é Tanya Denali, a interessada em comprar a parte do escritório que pertence ao seu marido.

- É um prazer finalmente conhecê-la — ela murmurou com uma voz tão delicada que chegava ao ponto de ser infantil; algo que não combinava nem um pouco com sua atitude tão altiva.

- Igualmente, senhora.

Aro limpou sua garganta e resolveu tomar as rédeas outra vez da situação, puxando uma das cadeiras para que eu me sentasse antes de começar a falar novamente — Creio que a sua vinda até aqui é devido a tudo o que a Srta. Mallory lhe falou ontem, correto?

- Sim. — eu respondi — Sua... amante foi clara como água ao me contar tudo sobre a situação da empresa.

Tive que morder o lábio inferior com força para que o sorriso de satisfação não aparecesse em meu rosto, após ver a expressão fulminante de Aro em minha direção. Todos no escritório sabiam que os dois tinham um caso de longa data; a maneira mais rápida que Lauren tinha arrumado para chegar ao topo. Mesmo que ela fosse até uma boa profissional, sua imagem estaria sempre manchada por aceitar se deitar com o chefe e manter esse relacionamento "as escuras" por tanto tempo.

Antes que ele ressolvesse dizer qualquer coisa, me atrevi a continuar falando — No entanto, antes de lhes entregar qualquer coisa de mão beijada, eu exijo certas garantias, afim de não prejudicar nem ao meu marido e muito menos aos funcionários da Masen and Lawyers.

- E quais são as suas condições, sra. Masen? — Caius, o menos chocado por minha atitude fria, questionou.

A partir de então, expus todas as minhas vontades em relação à empresa. Jasper, que havia me ajudado na noite anterior com uma mini-consultoria, tinha elaborado por toda a madrugada um pequeno termo para que fosse registrado em cartório, com tudo aquilo que expus aos futuros administradores do escritório. Nele, eu exigia a permanência do mesmo quadro efetivo de funcionários por no mínimo dois anos, já que eu não conseguira viver comigo mesma se alguém perdesse seu emprego por conta do que eu fiz.

Outro pedido o que eu fiz foi que Edward continuasse sendo conselheiro do grupo. Mesmo que ele odiasse ter todo o controle da empresa em suas mãos, eu tinha certeza de que ele não gostaria de abandoná-la por completo. Sabia que dentro dele, existia uma vontade de zelar por aquilo que o pai lhe deixara. Anthony Masen podia ter problemas pessoais comigo, embora eu não julgasse a atitude dele em seu testamento. Essa foi a forma que ele encontrara de proteger o filho e aquilo que se empenhou tanto a construir ao longo de toda uma vida.

Percebi que os três não gostaram muito da minha proposta, em especial Tanya Denali, que afirmou já ter planos de mudanças, principalmente de caráter profissonais. Por fim, depois de mais alguns longos minutos de debate, conseguimos chegar a um acordo. Partimos os quatro para o cartório mais próximo da redondeza, onde assinei minha abdicação dos direitos sobre o escritório — fazendo assim com que Edward se tornasse o único detentor de tudo, uma vez que nosso filho ainda não era maior de idade — e em contra-partida, eles firmaram os compromissos que eu reivindiquei diante da lei.

Saí do local logo após ter as cópias autenticadas de todos os documentos, sentindo-me aliviada em um tanto apreensiva ao mesmo tempo. Uma parte de mim sentia-se finalmente livre de qualquer amarra que pudesse existir entre mim e o dinheiro que pertencia ao Edward. Já a outra, estava meio que aparovada com o confronto que em muito breve se seguiria, assim que ele descobrisse o que eu havia feito. Mas, apesar disto tudo, não havia uma gota de arrependimento em todo o meu ser.

Fui para casa sozinha, já que Angela Weber havia me ligado hoje cedo, me perguntando se o Richie poderia passar a tarde depois da escola com os gêmeos dela. Já que ele não estava mais com febre e talvez essa fosse uma ótima oportunidade de distrair o meu menino, acatei o seu pedido sem problema algum. Sem contar que eu teria o resto do tempo livre para começar o meu projeto de digitar no mínimo três ou quarto capítulos por dia; se eu mantivesse esse ritmo, eu acabaria todo o texto bem antes do esperado.

Ao chegar em casa, após trocar de roupa e preparar uma xícara de chocolate-quente, retirei o primeiro caderno da minha bolsa e peguei o laptop no escritório. Coloquei uma música ambiente agradável e fui até o sofá, colocando algumas almofadas contra o encosto para me recostar e colocando o computador no meu colo para começar o trabalho.

Era um pouco desconfortável digitar com uma barriga enorme, tanto que me pegava vez ou outra mudando de posição em busca de uma maneira que acabasse não matando minhas costas mais tarde. Em certo ponto, acabei tendo que pegar meu óculos já que a distância entre meus olhos e o monitor era bem maior do que eu estava acostumada anteriormente.

No mais, ler e digitar o texto era um trabalho bem tranquilo de se fazer. Alguma veze ou outras, existiam alguns errinhos ortográfios, embora Amber, a editora oficial de Mark J. Morgan me afirmasse que isso poderia acontecer com certa frequência, afinal não era porque ele era escritor que ele seria apto a nunca errar.

Meu trabalho estava fluindo muito bem, e eu mesma já estava envolvida na estó dois velhinhos que se conheceram no funeral de um amigo em comum. A curiosidade era tanta que estava cogitando a ideia de ler tudo antes para somente depois voltar a transcrever todo o texto, embora, por questões técnicas, não podia me dar o luxo de ler tudo e somente depois voltar ao meu dever.

Estava tão entretida com meu trabalho que o estrondo da porta da frente batendo fez com que eu quase largasse o computador do colo tamanho o susto. Virei meu rosto rapidamente a me deparei com um Edward desgrenhado, usando a mesma roupa de ontem à noite, olhos inflamados e narinas sobressaltadas. A imagem dele me lembrava mais a de um animal em fúria, e eu não pude evitar o arrepio de medo que se criou em minha espinha.

- Mas que merda você fez, Bella? — ele vociferou, se aproximando de onde eu estava no sofá.

- Fiz o que precisava ser feito — retruquei, colocando o notebook no sofá e cruzando os braços sobre o peito.

- Você tem noção da sua estupidez? — ele gritou, jogando as mãos para o ar — Como é que você pode fazer uma porcaria destas justo pelas minhas costas, hein?

Ao escutar isso foi como se as palavras dele tivesse ateado mais combustível para minha ira. Levantei-me e coloquei minhas mão sobre a cintura, numa postura desafiadora — Não seja hipócrita, Edward! Você fez algo muito pior comigo quando me enganou fazendo com que eu assinasse um pré-nupcial sem meu consentimento!

- Ah, e você acha que eu seria idiota de aceitar seu orgulho imbecil? — ele grunhiu ainda mais alto, fazendo sua voz grave estrondar pela sala — Deixar a mulher que eu amo e que estava esperando por meu filho sem direito à porra nenhuma caso alguma coisa acontecesse comigo? Você acha mesmo que eu faria isso, Bella?

A cada palavra dele sentia meu sangue ferver ainda mais sob a minha pele — É, e com isso fez com que o seu pai pensasse mesmo que eu fosse alguma aproveitadora da fortuna dele!

- Foda-se o que ele pensava, isso nunca importou para você antes! Quanto mais agora que ele está morto!

- MAS IMPORTAVA PARA MIM! — eu gritei, empurrando-o pelo peito — Será que você não entende que é justamente esse o ponto? Você nunca me ouve! Nunca respeita um simples pedido que eu te peço! Você não vê isso?

- Será que você não entende que se eu fiz isso é porque eu te amo? — ele inquiriu, me segurando pelos ombros — Que eu não conseguiria viver comigo mesmo sabendo que a mulher que eu adoro não podia dividir o que é meu?

- Isso não é amor, Edward! Isso é egocentrismo, mania de controle ou qualquer outra porcaria que você queira denominar!

- É mesmo? E aceitar a porcaria de um divórcio que eu não quero de forma nenhuma significa o que para você, Isabella? — ele bradou dando passos firmes em minha direção, fazendo assim que eu acabasse trancafiada na parede. — Porque apesar de tudo que estamos passando eu ainda amo você, Bella. Mais do que tudo.

- Você é um mentiroso. — respondi, sentindo meus olhos lacrimejarem enquanto ele me fitava de forma intensa — Se me amasse de verdade você nunca teria feito o que vem fazendo nos últimos meses

- Fazer o que, Bella? — ele murmurou, passando seu polegar abaixo dos meus olhos — De criar expectativas e verem elas irem por água abaixo? Ter medo do futuro? De não saber como lidar com nossa família se daqui alguns meses essa bebê acabar morr...-

- Não ouse dizer isso! — interrompi-o — A Grace será uma menina completamente saudável, entendeu? Eu não preciso ouvir o seu pessimismo.

- Está bem, eu vou calar a boca. — ele respondeu com um suspiro — Agora eu só preciso que você vá até ao escritório e peça uma revogação desse pedido. Ainda não fazem 24 horas que esses papéis foram assinados, então temos tempo para-

Balancei minha cabeça negativamente — Eu não vou fazer isso, Edward. Eu não quero nada seu.

- Bella, por favor, apenas me escute-

- Não, Edward! Você chegou a ler tudo o que solicitei? Ou simplesmente saiu como um louco antes de analisar qualquer outra coisa? — retruquei, erguendo uma sobrancelha — Jasper me ajudou e eu não prejudiquei a ninguém. Você finalmente irá ficar livre daquele fardo e ainda poderá permanecer no conselho. Você precisa admitir que essa é a melhor solução para tudo.

Ele balançou a cabeça em negação — Se você não tem mais direito a nada do que é nosso, então não é.

- Desculpe, mas o que esta feito não irá mudar, agora se me dá licença eu preciso voltar a trabalhar.

Foi daí, no momento em que tentei me afastar dele, que Edward esticou seus braços, criando uma prisão de onde eu não podia escapar. Ele se inclinou sobre mim, a ponto de deixar que minha barriga se encostasse contra a sua, causando arrepios em todo o meu corpo.

- Eu tenho uma ideia. — ele retrucou, seu olhar variando entre meus olhos e meus lábios.

- O q-que? — perguntei, tendo a intenção de parecer despreocupada porém as palavras saíram em um tom de desespero.

Seus lábios abriram um sorriso de canto quando ele falou — Sem divórcio.

Senti minhas sobrancelhas se franzindo — Como é?

- Se você não quer voltar até lá e desfazer a porcaria que você fez, eu não te dou o divórcio. — ele comentou dando de ombros.

- Você só pode estar de brincadeira!

Ele meneou a cabeça em sinal de negação — De jeito algum. Eu estou sendo bastante sério aqui.

- Mas você não pode agir desse jeito! — reclamei, em um tom de desespero, apesar de meu coração estar acelerado como um colibri em meu peito — Esqueceu do que contamos ontem para o Richie ou naquela hora você já estava tão bêbado que não lembra mais de nada? Nós temos uma criança envolvida; não podemos-.

- Duas; nós temos duas crianças envolvidas. — ele rebateu — Mais um motivo para esquecermos essa ideia absurda de separação... E como é que você sabe que eu estava bebendo?

Apontei para suas roupas — Se eu não me engano, você estava usando essa mesma roupa ontem à noite. E também soube que sua chegada hoje no escritório foi triunfal. Digno de quem nem sequer olhou para o telefone enquanto enchia a cara em algum bar!

- Isso é ciúmes, Bella? — ele inquiriu com um ar de riso na face.

Rolei os olhos e passei por baixo de seu braço, conseguindo escapar para longe dele- Não importa mais, Edward. Por mim você está livre para fazer o que bem entende.

- Não se ainda continuarmos casados, baby.

Girei nos calcanhares e bufei — Quer parar de ser infantil? Você quer simplesmente que eu delete tudo o que aconteceu entre nós? Tudo o que dissemos um para o outro? Que basta apen...-

Meu discurso foi interrompido por uma mão segurando minha nuca e avassaladoramente meus lábios sendo assaltados pelos dele. Mesmo com toda sua boca ávida tomou a minha de uma forma única, como sempre fora desde o nosso primeiro beijo. Era impossível resistir ao toque de sua barba cerrada contra a minha pele ou de sua mão forte se emaranhando contra o meu cabelo. Por mais que quisesse demonstrar resistência, meu corpo não tinha domínio próprio quando estava sobre influência daquele homem; por mais contraditório e irritante que fosse, eu não tinha outra alternativa a não ser retribuir o beijo.

Minhas mãos encontraram o final da camisa dele e meus dedos encontraram a pele quente de suas costas na medida em que usava meus dentes para morder o lábio inferior dele, causando lhe gemidos roucos no fundo da garganta. Eu queria lhe infligir dor através desse beijo; como se isso pudesse fazer com que ele sentisse um pouco daquilo que eu havia sofrido durante esse tempo. Embora, a reação dele foi totalmente diferente: quanto mais selvagem eu ficava, mais carinhoso Edward se tornava;. Ora segurando meu rosto enquanto seu polegar acarinhava minha bochecha, ora então descendo sua mão de minha nuca para acariciar o traçado da minha coluna. Envolvendo-me por completo, despertando sensações que há tanto estavam adormecidas dentro de mim.

Aos poucos. Edward foi conseguindo aquilo que queria e finalmente tomou conta á sua maneira da dominância do beijo. A caricia lenta de sua língua na minha fazia com que meus passos ficassem incertos e ele precisasse rodear um de seus braços em minha cintura em expansão; toque esse que me causou dor e saudade; raiva e tristeza. Uma mistura de sentimentos tão fortes quanto aquele beijo.

Quando o ar foi necessário, ele não afastou seus lábios de minha pele, seguindo uma linha de beijos do canto a minha boca até o meu pescoço. Ao se aproximar de meu ouvido, senti seu hálito quente causar arrepios enquanto ele sussurrava. — Eu prometi que iria te reconquistar, Bella, e é isso que eu vou fazer.

- Edward...

- Eu sei que apesar de tudo, você também ainda me ama. Eu vi isso, enquanto eu saia da garagem na outra noite. Por isso que eu te peço agora só mais uma chance. Eu juro que vou passar o resto de minha vida provando que eu te amo, que você é única para mim.

Antes que eu pudesse responder qualquer coisa, mais uma vez Edward tomou minha boca na dele, beijando-me com tanta paixão como anteriormente. Só quando o fôlego foi necessário foi que ele se afastou, deixando um beijo sobre cada palpebra de meus olhos, que a essa altura já estavam marejados.

- Eu sou apenas humano, Bella. Sei que errei demais com você. — ele sibilou, colocando uma mecha de meu cabelo para trás — Você precisa de tempo para pensar e eu respeito isso. Estou disposto a esperar o quanto você precisar. A única coisa que eu te peço em troca é que não me deixe viver sem você.

As palavras não me vieram e a única coisa que eu consegui fazer foi ficar olhando para suas orbes esmeraldas que resplandeciam sinceridade. Entretanto, eu ainda estava apavorada e com medo de que ele pudesse mentir ou me machucar outra vez. Não sabia se tinha mais forças para suportar tudo isso outra vez.

Ele se afastou devagar, sua mão se arrastando vagarosamente do contorno lateral de minha barriga.- Eu preciso ir. Não estava esperando por essa coisa que você me aprontou. — ele suspirou, olhando de relance para seu relógio antes de me fitar com um esboço de um sorriso torto na face — Só pense com carinho em tudo o que eu te disse, ok? Se continuarmos juntos podemos superar qualquer coisa.

Ele deixou um último longo selinho em meus lábios e partiu apressadamente, da mesma forma que entrou. Mais do que nunca, eu me sentia confusa; um turbilhão de emoções diferentes. Não sabia o que fazer diante da proposta dele; algo me dizia que era errado perdoar tudo o que ele fez não só a mim, mas principalmente à nossa filha. Alguém que deveria vir para somar, mas na mente dele só conseguiu dividir a nossa pequena família.

Por outro lado, eu não podia simplesmente esquecer o homem com quem eu vivi durante toda minha vida. Ele havia mentido para mim e sim, isso ainda estava me magoando, no entanto o que era um erro dele, que sob seu ponto de vista foi feito para proteger tanto a mim quanto ao Richie?

Olhei de relance para o sofá e vi o drama que eu precisava digitar esquecido sobre o mesmo. Aquilo me fez remeter que não só da literatura viviam os dramas. Quantas familias, quantas mulheres estariam passando a mesma situação, ou até mesmo pior, do que a minha. Quantos pais e mães renegavam seus filhos por serem diferentes. Existia perdão para esses tipos de pessoas? Será que era possível esquecer todas as palavras que feriam em troca de um amor? Era justo ter que escolher entre o amor de seu filho ou o amor de sua vida?

Eu não sabia mais o que pensar; tudo isso me deixava mais balançada do que eu já me encontrava ultimamente. Eu precisava de tempo para saber o que faria daqui para frente. Perdoa-lo, sabendo que ele não seria capaz nunca de ter amor verdadeiro pela própria filha? Ou esquecê-lo, mesmo que tivesse certeza que de modo algum existiriam outro homem que pudesse me completar da maneira que Edward?

Eu precisava de tempo. Por enquanto, essa era a única maneira de responder a todos esses questionamentos.

Notas finais
E aí, gostaram do capítulo? Odiaram? Estão vestindo a camisa #TeamEdward ou #TeamBella? Têm alguma dúvida sobre algum ponto que não ficou muito explicado? Para isso, basta deixar seu comentáriozinho via review! Isso fará uma autora muito feliz e ainda mais inspirada, com toda certeza!
Bem, infelizmente eu não tenho previsão de quando haverá postagem por aqui novamente. Eu deverei upar um capítulo novo em #US daqui a uns 20 dias. Tô lotaaada de coisas para betar, um montão de trabalho e a vida social tá bombando. Por isso, desde já peço-lhes desculpas pelo possível atraso; se eu pudesse e o dinheiro desse, juro que teriamos capítulo novo a cada três dias, mas infelizmente essa não é minha realidade, entendem?
Agora, vou ficar aqui anciosa esperando os comentários que vocês irão fazer. Lembrem-se; da mesma forma que vocês gostam receber o alerta do novo capítulo no e-mail, eu também AMO ver minha caixa de email lotadinha de mensagens, viu?
Agora um beijo e até a próxima!
Line