Not Ready 2 Die

2 Entre Anjos e Insetos


Notas iniciais
Faaaala galero. Primeiro queria dizer que eu mudei a capa da fic. Desculpem, eu sei que vocês amaram a capa (só por causa da foto do Brian né safadas) e eu também era louca por aquela coisinha linda. Só que eu tô apaixonada por essa capa nova e ela vai ficar ai até eu enjoar e resolver editar outra. ENTÃO, CONFORMEM-SE E SE APAIXONEM PELA NOVA FOTO DO BRIAN ♥ ah, e eu escolhi a Kaya Scodelario pra capa por que ela despertou meu lado lésbico. MAS não precisam imaginar a Rachel exatamente como a Kaya, belesma? Belesma.

Agora vamos falar de coisa séria (top therm), obrigada pelos reviews que vocês deixaram ♥ quase dei mancada com vocês por que eu disse que o capítulo ia sair hoje, e eu cheguei da faculdade morta e já tava indo tomar um banho pra poder dormir uisadhiorsdhoiur mas aqui estou eu, então eu quero que vocês comentem bastante nesse capítulo por que eu mereço né? Agora deixa eu parar de falar por que já são 23:56 e eu vou acabar postando o capítulo no sábado e quebrando a promessa que fiz kakakakka TABOM AGORA É SÉRIO PAREI DE FALAR TCHAU ESPERO QUE GOSTEM DO CAPÍTULO TCHAU

O nome do capitulo foi tirado de uma música do Papa Roach (Between Angels And Insects)

Rachel abriu os olhos e sentiu incomodada pela claridade do lugar. Seu corpo estava esticado no chão duro e frio, o que fez um arrepio subir por sua espinha e circular por seu corpo. Virou o rosto e observou as paredes metálicas que a cercavam. Sentou-se bruscamente e sentiu uma dor forte atingir sua cabeça, a obrigando a franzir o cenho e fechar os olhos enquanto esperava aquela sensação ruim sumir. Ao melhorar, levou uma das mãos até a testa e sentiu um líquido quente molhar seus dedos. Sangue. Sua respiração ficou forte e ela desesperou-se por não saber onde estava e nem lembrar-se de como havia chegado até ali. Observou calmamente as paredes e o colchão fino e sujo que estava esticado em um canto. As luzes compridas e claras decoravam a sala vazia e fria. Constatou que não haviam portas e janelas, o que a confundiu ainda mais. Sua cabeça doía enquanto ela tentava caçar lembranças que pudessem responder suas perguntas confusas e insolucionáveis. Em meio ao vazio da caixa metálica, uma das paredes deslizou, causando um rangido desconfortável e agoniante. Rachel rastejou e encostou as costas em uma das paredes geladas. Seus músculos se contraíram em um abraço aos próprios joelhos enquanto ela apertava seu corpo contra a parede, como se pudesse misturar-se à ela. O jovem de cabelos negros e olhos castanhos entrou na sala, o que fez a menina arregalar os olhos e soltar um suspiro assustado. Brian sorriu e ela pôde observar a perversidade em seu rosto. Tremeu. O homem se aproximou e abaixou-se, olhando nos olhos assustados dela. Elevou uma das mãos grandes até o rosto da menina e tocou uma mecha de cabelo que insistia em tampar seus olhos. A colocou atrás da orelha dela e levantou-se novamente, andando pela sala. Ele observou as paredes cinzas com uma curiosidade que a fazia pensar se ele nunca havia estado ali antes, mas um sorriso brotou nos lábios dele e ela percebeu que ele estava apenas se deliciando; como um cientista se deleita ao observar o monstro que acabara de criar. Ele voltou seus olhos até a menina e ela virou o rosto, apertando os olhos. As lágrimas grossas e pesadas caíam por sua face e ela sentia a dor de facas afiadas cortando sua pele clara. Sentia-se traída. Sentia-se sozinha. Chacoalhou a cabeça tentando se convencer de que tudo aquilo era um sonho e que qualquer movimento brusco que fizesse iria acordá-la, mas ao abrir os olhos novamente pôde observar as paredes frias e isso causou um desespero em seu coração. Ele continuou sorrindo, como se estivesse plenamente satisfeito em ver o desespero dela. E estava; as lágrimas corriam pela face dela como o sangue corria pelas veias dele. O coração dele, que há tanto tempo presenciava somente o frio e o vazio da solidão, agora estava completo. Ela estava ali, com ele, e ele sabia que nada podia levá-la embora. Ele não estava fazendo a coisa errada; estava apenas aquecendo sua alma fria e garantindo os dias felizes que ele nunca havia tido. Ela finalmente levantou os olhos inchados e o observou. Estava parado enquanto a observava, como se estivesse viajando com sua mente por todo o caminho que havia percorrido até agora. Ela estremeceu ao imaginar os pensamentos sórdidos que aquela imaginação cruel e perversa poderia estar criando.


"O que você quer?" ela perguntou, arrependendo-se ao perceber o sorriso dele aumentar por conta da sua voz fraca.


"... Você" ele falou sem quebrar o contato visual.


Ela duvidou de suas faculdades mentais ao perceber que aquilo havia soado extremamente malicioso e sexy. Apertou os olhos e balançou a cabeça, tentando afastar os pensamentos irracionais que teimavam em levar a sua consciência. Ela não podia perder a razão, não podia mergulhar naquele jogo cruel em que se encontrava, não podia deixar-se ser comandada por ele. Mas ela estava presa ali e não tinha ideia de como poderia fugir. As paredes de ferro a isolavam do mundo e limitavam suas esperanças. Respirou fundo e pôde sentir o cheiro da sala. Não cheirava a produto de limpeza ou qualquer outro perfume que pudesse ser jogado ali; cheirava a medo, a desespero. O oxigênio era tão limpo e gelado que ela sentia seu cérebro congelar toda vez que respirava fundo demais. Ele ajoelhou-se novamente e tocou o rosto dela com a mão grande e quente. Ela sobresaltou-se ao sentir o toque quente amenizar o frio que sentia e, pela primeira vez, olhou para os fundos olhos castanhos que a observavam. Ele a olhava com uma curiosidade invasiva e irritante, como se quisesse vasculhar cada canto inexplorado da mente dela, como se quisesse descobrir seus desejos mais profundos e seus medos mais terríveis. Ele a queria, mas não de um modo racional. Ele não era racional. Ele queria trancafia-la naquela sala para sempre. Queria ter acesso exclusivo aos lábios e à pele dela. Ela o observou fechar os olhos com força, como se estivesse expulsando os pensamentos que teimavam em atrapalhar seus planos. E ele estava. Ele levantou-se bruscamente e virou de costas para ela, passando a mão na nuca. Tentou respirar fundo para retomar a consciência e lembrar-se do verdadeiro motivo de tudo aquilo, mas a simples presença da garota amedrontada já o fazia esquecer-se de tudo e ter vontade de ficar preso junto a ela. Ele não podia, não devia. Ele havia prometido aos outros que o trato seria cumprido, ele tinha que seguir com o plano até o final. Ela era somente mais uma; uma garota rica que não conhecia o verdadeiro valor das coisas. E era por isso que ela estava ali. Somente por isso.


Ele virou-se novamente e ela pôde perceber a mudança no tom castanho dos olhos dele. Os olhos, antes sonhadores e misteriosos, exibiam agora um brilho diferente. Algo que beirava a loucura e a perversão. Algo que a fez tremer ainda mais e apertar seus braços em volta dos joelhos.


"Meu avô vai me encontrar!" ela falou com a voz embargada, lembrando-se da sua vida antes de tudo aquilo acontecer.


Ele ergueu uma sobrancelha e sorriu com o canto dos lábios, transformando a sua face em uma visão sexy e alienada. Ela sentiu ódio pelo descaso dele e levantou-se bruscamente, surpreendendo-o e o fazendo dar um passo para trás. Ela era bem mais baixa do que ele, o que o impedia de manter o contato visual. A respiração quente dele batia no rosto dela e a fazia tremer. Sentiu o ar ficar pesado e seu coração precipitar assim que ele deu um passo para a frente, voltando à posição anterior e ficando a poucos centímetros de distância dela. Ela ergueu levemente o pescoço e pôde fitar os olhos castanhos enquanto observava os traços que desenhavam o rosto másculo e ferino. Ele não possuía mais o sorriso duvidoso de antes; seus lábios finos formavam uma linha reta a poucos centímetros de distância do nariz dela. Ele abaixou a cabeça e encostou levemente a sua testa na dela, a fazendo arfar baixo. Ela praguejou pelo sinal de fraqueza e preparou-se para ver brotar o sorriso sacana nos lábios dele. Não aconteceu. Ele a observava com intensidade, como se procurasse gravar em sua mente cada detalhe do rosto angelical dela. Ela sentiu sua temperatura corporal aumentar bruscamente, como se os olhos castanhos pudessem encendiá-la. Ela podia ver chamas vermelhas serem desenhadas nas íris escuras. Podia sentir o calor do fogo queimar seus membros. As respirações ofegantes e quentes se misturaram e o frio cortante foi cessado. A sala metálica havia sido transformada em uma sauna seca, e a jovem não se importaria se tivesse que tirar a roupa. Se tivesse um espelho pendurado em alguma das paredes, provavelmente ficaria embaçado por conta do calor que os corpos próximos exalavam. Ele se afastou e levou uma das mãos até os cabelos dela, colocando delicadamente outra mecha atrás da orelha. Olhou para a testa da garota e observou a fina risca de sangue pintar a pele branca. Ela corou. Os lábios estavam próximos e era como se o mundo estivesse ficado em câmera lenta; somente estavam em movimento os dois corpos que respiravam ofegantes e descompassados. As bocas teimavam em se aproximar, mas logo retomavam a distância anterior; como se uma flecha de razão atingisse a mente dos dois e os lembrassem do que estava acontecendo ali. Fisicamente, ela era a refém e ele o sequestrador. Ela era a mocinha e ele o vilão. A vítima e o bandido. A inocente e o culpado. Mentalmente, eles eram somente dois jovens sedentos pelo prazer que podiam proporcionar um ao outro. Não pertenciam mais àquela sala fria; suas mentes viajavam para algum lugar desconhecido, mas que os dois conheciam bem. Eram a prova da real existência da Síndrome de Estocolmo. Havia paixão, havia ódio, havia medo, havia tesão. Havia o desejo pelo toque dos lábios e mãos e pernas e braços e línguas. Mas ainda havia a confusão e o desengano que habitavam a mente dela e a impossibilitava de ter qualquer pensamento sadio e concreto.


Brian se afastou e a olhou de um modo que ela não soube discernir o que estava exposto em seu olhar. Apenas o viu caminhar lentamente até uma das paredes e ela deslizou, revelando o corredor claro que dava acesso à caixa metálica em que a garota estava presa. Ele saiu da sala e a porta-falsa deslizou novamente, fazendo o estrondo ecoar pela sala. Ela sentiu seus pelos arrepiarem-se, mas não sabia se era pelo medo por ter sido deixada sozinha ou pelo frio que voltou a subjugar a sala. Ela estava sozinha. De novo. Observou novamente a sala e se deu conta do que estava realmente acontecendo; estava presa em uma cela solitária, uma espécie de "quarto do pânico" onde as paredes eram de metal e não havia nada além de um colchão velho e sujo. O sangue ainda sujava a sua testa, mas ela já não se lembrava mais. Encostou as costas em uma das paredes e escorregou seu corpo até sentir o chão duro e frio. Precisou fazer um esforço desumano para conter as primeiras lágrimas que queriam cair por sua face, mas as que vieram em seguida eram grossas e doloridas; carregadas com toda a dor e medo que ela havia sentido em sua vida, mas nunca havia se permitido expôr. Abraçou novamente os joelhos, como se aquilo fosse um modo de transportá-la em segurança até o conforto de sua casa. Sussurrou para si mesma o quanto gostaria que aquilo tudo fosse um sonho, mas ao abrir os olhos, a decepção transformou-se em mais lágrimas cortantes. Ela estava com medo, com frio e com fome. Pelo menos, a dor em sua cabeça já não a incomodava mais. Não que tivesse cessado, mas era tão forte que ela já havia se acostumado. Sorriu com a sua própria desgraça e fechou os olhos. Desejou novamente poder transformar tudo aquilo em um sonho. Logo ela acordaria, desceria as escadas de mármore e contaria para seu avô como seus sonhos eram estranhamente reais. Adormeceu enquanto ele a observava.


Brian sentiu como se pudesse observá-la pelo resto de seus dias. Se sentiu completo, mas logo as lembranças voltaram a atormentar a mente cansada e inquieta. Ele não podia se entregar aos seus desejos, ou melhor, ele não podia se entregar à ela. Tinha que seguir os planos, afinal, ele estava sendo pago para isso. Ao mesmo tempo, ele sentia como se nenhuma quantia em dinheiro pudesse comprá-la, como se nada fosse suficiente para convencê-lo de que não poderia ficar com ela. Brian a amava como se ama as coisas obscuras: secretamente, entre a sombra e a alma. Se sentiu perdido em um mar de opiniões contraditórias e sentimentos traiçoeiros e respirou fundo, tentando oxigenar o cérebro para que isso pudesse ajudá-lo a tomar a decisão certa. Ele não tinha muito o que decidir; só era preciso um tiro. Um tiro no coração dela e tudo estaria acabado. Todos estariam felizes e satisfeitos. Todos voltariam para as suas vidas medíocres e superficiais. Ele voltaria para o mundo subterrâneo que havia criado em meio a tanto ódio e rancor. Mas ele sentia sua coragem e sua razão esvaírem-se pouco a pouco na medida em que encontrava aqueles olhos claros e suplicantes. Ele gostava das lágrimas, sabia disso. Gostava do sofrimento estampado na face e gostava de observar os músculos dela tremerem toda vez que ele se aproximava. Gostava de ver o azul tornar-se acizentado por conta do medo que ele causava. Mas ele se sentia fraco perto dela. Era contraditório, mas era a única contradição que fazia sentido para ele. Querendo ou não, ela pertencia à ele. Ela estava condenada a passar os dias trancafiada apenas para ele. E isso já amenizava a dor que há tanto tempo habitava aquele coração negro.

Notas finais
- Não se acostumem com esse Brian todo confuso e morrendo de amores.
- E eu sei que tenho um sério problema com o tamanho dos parágrafos, mas prometo que vou tentar melhorar.

23:59 (feliz ano novoooo)