Not Ready 2 Die
3 A Princesa e Seu Reino de Sangue
Notas iniciais
Espero que gostem!
Eu tinha mais alguma coisa pra escrever aqui, mas esqueci...
O jovem de olhos azuis e cabelos negros desceu do carro e observou o prédio com admiração, como se a construção fosse uma obra prima. E era. Era a materialização dos seus desejos mais impuros e inaceitáveis. Era a realização de um sonho; um sonho perverso e cruel. O sorriso delineado pelos lábios finos demonstrou uma satisfação que somente era adquirida naquele lugar. As paredes do prédio de cinco andares eram pichadas e aparentavam ser o cenário de vandalismos adolescentes. Ninguém desconfiava que aquelas paredes escondiam uma nova e especial criação: o quarto da morte. Uma caixa metálica de três metros de área que, no momento, abrigava uma jovem de cabelos ondulados e olhos tão azuis quanto os do homem que observava o prédio. Uma jovem que valia cem bilhões de dólares. Ele sorriu lembrando-se da inimaginável quantidade de dinheiro que havia em suas mãos naquele momento e caminhou na direção do prédio. Abriu a porta velha com dificuldade para que ela não se desprendesse da parede e caísse ao chão, e logo avistou as duas enormes escadas que enfeitavam a sala de entrada do prédio. O cenário poderia ser facilmente confundido com um filme de terror, a não ser pela quantidade de computadores de última geração que exibiam em suas enormes telas as imagens feitas pelas câmeras estrategicamente distribuídas pelos cômodos vazios da construção. Ele aproximou-se de uma das telas e pôde deleitar-se com a imagem exibida; a jovem estava encostada em uma das paredes enquanto abraçava fortemente os joelhos. Praguejou contra a quietude do local; era seu primeiro encontro com a jovem e ele queria vê-la chorar, implorar por sua vida. Sentou-se na cadeira azul e pôde observar a imagem mais de perto. Seus olhos azuis estavam fixados na jovem, como se esperassem por um surto de raiva a qualquer momento. A esperança brotava em seu coração e ele implorava silenciosamente para que ela lutasse por sua vida. Tudo estava calmo demais e ele não gostava de tranquilidade.
"Pensei que não viesse." a voz rouca falou atrás do jovem, fazendo com que ele levasse um pequeno susto e acordasse de seus pensamentos, virando-se para trás.
"O que aconteceu?" ele perguntou para Brian, que o olhava enquanto segurava uma lata de refrigerante.
"Com o quê?" Brian perguntou confuso.
"Ela está calma demais...", ele voltou seus olhos para a tela do computador. "O que você fez?"
"Eu fiz o que combinamos." Brian respondeu frio, entendendo onde o comparsa queria chegar.
"É bom que tenha feito somente isso." ele ergueu uma sobrancelha e semicerrou os olhos.
"Jimmy, eu..." Brian tentou argumentar, mas um barulho estridente pôde ser ouvido e logo os monitores exibiram imagens negras e preocupantes.
"Mas que merda é essa?", Jimmy gritou levantando-se bruscamente da cadeira. "O que aconteceu com os computadores?" ele perguntou enquanto virava o monitor em sua frente para que pudesse examinar os fios ligados atrás do aparelho.
"Matt falou pra você não ligar tantas tomadas juntas!" Brian repreendeu enquanto colocava a lata de Coca-Cola em cima da mesa e analisava os outros monitores.
"Merda! Mas que merda! Isso não pode ser verdade...", Jimmy sussurrava desesperado enquanto olhava assustado para os computadores desligados. "Eu vou até a cidade ver se consigo encontrar alguma..."
A voz de Jimmy foi interrompida por um barulho alto vindo da grande mesa que abrigava os botões que abriam e trancavam as portas. Uma pequena explosão foi vista e um fogo baixo clareou a sala escura. Brian e Jimmy observavam o fogo como se esperassem que ele se apagasse sozinho. Jimmy correu até um dos sofás velhos encostado na parede e pegou uma grande toalha clara, batendo com ela sobre os botões enquanto tentava apagar o fogo. Brian ainda o olhava sem sair do lugar. As chamas vermelhas e brilhantes refletiam em seus olhos castanhos, os transformando em perversos e enigmáticos. A temperatura da sala subiu gradativamente, até que Jimmy conseguiu, com dificuldade, apagar o fogo. Os botões queimados misturavam-se na penumbra da sala e Jimmy os observou como se fossem diamantes quebrados. Ele andou na direção da porta de metal e a abriu, saindo do prédio enquanto balbuciava palavrões e palavras sem sentido. Entrou no carro e bateu a porta com força, como se pudesse quebrar em pedaços o vidro da janela. Brian pôde ouvir o som do motor e uma derrapada alta que significava a ida de Jimmy até a cidade. Ele aproximou-se dos botões queimados e o olhou com pesar.
Rachel levantou a cabeça assim que ouviu um barulho fraco e arregalou os olhos ao admirar a porta aberta. Seu coração disparou enquanto ela esperava pela imagem de Brian. Não aconteceu. Ela levantou-se lentamente e deu passos pequenos e lentos até a porta. O corredor, antes claro, estava negro e ela sentiu um medo infantil ao imaginar as criaturas que podiam esconder-se na penumbra do lugar. Sua mente a mandava seguir e fugir daquele lugar sombrio e misterioso, mas seu coração exibia um medo que a impossibilitava de mover as pernas. Respirou fundo e deu o primeiro passo para fora da sala metálica, como se fosse a primeira respiração de uma criança após sair do ventre da mãe. As pernas bambas e as mãos trêmulas moviam-se com cuidado, como se qualquer movimento brusco pudesse cortar sua cabeça. Deu mais alguns passos e entrou na escuridão do corredor, deixando para trás a luz forte que atravessava a porta aberta da sala. O final do corredor era iluminado por uma luz fraca que Rachel não conseguiu identificar a fonte. Deu passos largos para que pudesse sair rapidamente da escuridão terrível e logo encontrou uma parede que a obrigava a virar para a direita e seguir na direção da luz. Deparou-se com uma escada de cimento e ela agradeceu pela pouca claridade que iluminava os degraus. Sentia seu coração bater tão forte que chegava a causar uma pequena dor no peito. Sua boca estava seca e ela condenava-se com medo de alguém pudesse ouvir sua respiração alta e acelerada. Ela subiu os degraus com cuidado enquanto observava a porta entreaberta. Assim que chegou ao topo da escada, olhou para os degraus que havia subido e sentiu uma leve vertigem tontear seu corpo. Apertou os olhos e encostou levemente a mão na porta de madeira fria, a empurrando com cuidado. Um rangido baixo pôde ser ouvido e a jovem apertou os lábios, orando para que ninguém pudesse ouvir o barulho. Assim que abriu o suficiente para passar seu corpo magro, observou uma espécie de sacada, onde duas longas escadas davam acesso ao andar inferior. Apoiou-se no peitoril de madeira e o sentiu balançar lentamente. Afastou rapidamente com o susto e encostou suas costas na parede descascada atrás de si. Após alguns segundos, criou coragem para descer lentamente uma das escadas compridas. O tapete vermelho e velho exalava um cheiro de bolor que fazia o estômago de Rachel revirar em sinal de protesto. As paredes em um tom vermelho escuro estavam descascadas e também exalavam um cheiro forte, que fazia Rachel se perguntar se haviam sido pintadas com tinta ou com sangue humano. Assim que chegou na base da escada, observou a grande quantidade de computadores desligados e botões desconhecidos. Estava tão absorta em sua curiosidade que não ouviu o pequeno barulho da porta de entrada abrindo.
Uma mão forte tampou sua boca e seus olhos arregalaram-se assim que uma voz desconhecida proferiu palavras em tom de raiva.
"Olha quem tá aqui..." Jimmy sussurrou no ouvido da garota enquanto segurava o corpo dela contra o seu e tampava seus lábios com a mão grande e pálida.
O sussurro causou arrepios na nuca da jovem, mas ao contrário das reações sentidas nas outras vezes, o medo e o desespero inundaram seu coração. Seus músculos falharam e ela poderia ter ido ao chão se Jimmy não a estivesse segurando com tanta força.
"Sabe, você é muito bonita pessoalmente..." ele sorriu insano enquanto passava lentamente os lábios finos e secos na pele clara dela.
Rachel fechou os olhos ao sentir os lábios frios causarem calafrios em seu corpo e sentiu-se enojada. Sua respiração estava falha e ela sentia-se desesperada pelo fato de ainda ter seus lábios tampados pela mão forte. Seus músculos relaxaram-se lentamente assim que uma voz conhecia ecoou no ar.
"Mas que porra..." Brian tentou falar, mas foi interrompido pela espantosa visão na sala de entrada.
"Você é um merda, Brian!", a voz de Jimmy soou alto perto dos ouvidos de Rachel. "Você não presta nem pra impedir que uma garota fuja! Você é um bosta, um filho da puta que não serve para nada."
Brian não respondeu. Seu maxilar contraiu-se e seus olhos exibiram um mar de raiva e de culpa. Rachel sentiu medo ao perceber os passos largos que o jovem dava até ela. Fechou os olhos esperando uma reação brusca, mas Brian apenas a observou de perto e transferiu seus olhos para Jimmy, que o olhava com ódio enquanto também contraía o maxilar.
"Solta ela.", Brian falou entre os dentes, provocando uma risada esganiçada do outro. "Solta ela e vamos conversar direito."
"Quer que eu a solte?", Jimmy perguntou franzindo o cenho. "Que seja feita a vossa vontade." ele terminou com um sorriso perverso e medonho nos lábios.
O jovem tirou a mão que cobria os lábios de Rachel e a transferiu para seus cabelos, puxando os fios com força. Rachel sentiu os olhos marejarem enquanto era arrastada pela escada. Brian apenas a observava assustado e sem saber o que fazer. A dor consumiu seus músculos ao ser puxada violentamente pelos degraus. Assim que chegou ao topo, agradeceu pela dor ter sido minimamente cessada. Mas ela não sabia o que estava por vir.
Jimmy sorriu e a empurrou bruscamente pela escada que dava acesso ao corredor escuro pelo qual ela havia passado. Ela sentiu seu corpo girar entre as paredes estreitas e os degraus passarem rapidamente em seus músculos, causando dor e provavelmente deixando marcas roxas em sua pele clara. O cimento mal feito causava arranhões em sua pele. Assim que chegou no chão, ela ainda estava consciente, mas sentia-se cansada como se não dormisse por décadas. A dor em seus membros era tão terrivel que ela já nem se lembrava mais como era boa a sensação antes dela ter surgido. Sua cabeça doía e ela sentia como se seu corpo ainda estivesse despencando pela escada dura. Ela pôde ouvir a porta ser fechada no topo da escada e passos abafados puderam ser ouvidos no meio do silêncio que havia sido feito. Mesmo com os olhos fechados, ela sabia que Jimmy se aproximava. Ele a pegou nos braços com uma rapidez monstruosa e ela pôde sentir seus músculos reclamarem novamente. Seu corpo foi jogado em cima do colchão fino e ela sentiu como se tivesse sido jogada em cima do chão de cimento. Reclamou baixo e sentiu uma dor inexplicável em sua cabeça ao ouvir o barulho ensurdecedor que ecoou pela sala de metal. Os passos rapidos se aproximaram e ela pôde ouvir novamente a voz rouca, mas não conseguia compreender as palavras.
"Você vai pagar por aquela porta." Jimmy falou entre os dentes enquanto se aproximava de Brian.
"Foda-se." ele respondeu no mesmo tom.
"Vai defender a sua princesinha?" ela conseguiu ouvir a risada ansiosa de Jimmy.
Rachel abriu os olhos com dificuldade e observou os dois homens fortes que trocavam insultos e palavras raivosas, como se fossem dois cães em guerra. Jimmy tentou se aproximar mais de Brian, mas recebeu um forte empurrão que o fez cambalear para trás. Ele apertou o maxilar e ergueu a mão esquerda, fechando o punho. Um barulho seco e agoniante pôde ser ouvido no ar. Rachel assistia à troca de socos e xingamentos como se assistisse à um filme de luta. Ela podia sentir o cheiro e o gosto do sangue que percorria o rosto dos dois jovens que brigavam como galos de briga. O corpo de Jimmy foi ao chão e Brian distribuiu fortes chutes em sua costela, o fazendo gemer e aumentar a intensidade dos xingamentos. Jimmy agarrou a perna de Brian e o derrubou ao seu lado. Rachel franziu o cenho por causa do barulho do corpo forte caindo ao chão. Os dois continuaram deitados enquanto protagonizavam a cena de luta. O sangue, que antes era visto somente em finas linhas que escorríam pelas bocas e supercílios, agora caía em grossas gotas que manchavam o chão cinza. Os corpos rolaram e Jimmy ficou por cima, dando um soco dolorido na boca de Brian. O outro ficou deitado no chão enquanto tentava estancar o sangue de sua boca com uma das mãos. Jimmy levantou e olhou o chão ensaguentado. Passou seus olhos pela jovem deitada que assistia tudo com surpresa e medo. Apressou-se em sair da sala, e logo seu corpo sumiu na penumbra do corredor. Rachel fez um esforço desumano para conseguir arrastar-se até o corpo de Brian e, apesar da porta ainda aberta, a jovem não cogitou a possibilidade de fugir dali. Brian sentou-se com dificuldade enquanto observava a jovem olhar seus lábios com uma mistura de curiosidade e receio. Ele passou a mão agitada nos lábios e olhou as manchas de sangue no chão. Rachel, em um movimento involuntário, levantou a mão fria e tocou levemente o rosto dele. Contornou as bochechas morenas com o polegar e ele fechou os olhos, tentando aproveitar ao máximo a sensação que era causada pelo mínimo e simples toque das peles. O ar ficou denso, obrigando Brian a abrir os lábios para que pudesse sugar mais oxigênio para seus pulmões. Os dedos finos de Rachel agora desciam até o pescoço dele e faziam leves carícias no maxilar masculinamente definido. Ele sentiu seus pelos arrepiarem-se e, ainda de olhos fechados, vasculhou sua mente em busca de algum resquício de razão que o acordasse para a realidade. Abriu os olhos rapidamente e fitou o rosto pálido e angelical perto demais. Ele já não sentia mais a dor que incomodava e o sangue correndo por seu rosto já não causava arrepios. O tempo havia parado. Ele observou os olhos claros que, mais uma vez, foram capazes de transportá-lo para outro mundo. Um mundo onde não havia dinheiro e poder. Um mundo onde ele poderia amá-la sem culpa alguma.
Rapidamente ele voltou à realidade. Condenou-se por não conseguir assumir o controle de sua própria mente e levantou rapidamente. Uma leve vertigem atingiu seus olhos e suas pernas fraquejaram, o fazendo escorar-se na parede fria e metálica. Ele olhou pela última vez para a garota que o observava e evitou olhar em seus olhos. Ele tinha que ser forte para continuar com o plano. Ele havia sido forte durante toda a sua vida e não poderia fraquejar num momento tão crucial. Com dificuldade, conseguiu sair da sala e atravessou o corredor. Não lembrou-se de Jimmy e muito menos dos socos que havia levado. Sua mente estava concentrada em acabar com tudo aquilo. Rapida e dolorosamente.
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