Not Over You

31 Capítulo 30 - I'm gonna to love you forever


Notas iniciais
RÉLOU. E aí, tudo bem com vocês? Antes que vocês comecem a me linchar, ME DESCULPEM PELA DEMORA. Eita, eu posso listar trezentos motivos aqui pra justificar toda a minha demora, mas vamos ficar com os mais importantes: além de trocar de a ideia pra esse capítulo mil vezes e não gostar de nenhuma, eu estava achando que qualquer coisa que eu escrevesse seria uma merda, e, pra finalizar, eu estava me negando a escrever porque não quero dizer adeus pra NOY. Mas aí eu tomei vergonha na cara, me toquei de que eu tô com várias histórias começadas e criadas e não dou continuidade pra nenhuma, e escrevi. Então, é. Eu espero que vocês gostem. Espero MESMO. Antes de deixar vocês irem pro capítulo, quero agradecer a umaasgardiana, a mariajackson e a Jess Jackson pelas recomendações lindas que deixaram em NOY. Eu realmente amei, pessoinhas, e me deixou extremamente feliz. Sério. E dois comunicados: o festival que eu cito no capítulo não existe e saiu unicamente da minha imaginaçãozinha. Yey. E a música que eu coloquei no meio do capítulo e, caso vocês quiserem acompanhar a parte dela a ouvindo, é High hopes do Kodaline. É isso. Boa leitura.

Eu não sei, mãe murmurei. Eu acho que estou me apaixonando por ele, entende? E eu não consigo me afastar.

Ouvi mamãe rir baixinho do outro lado da linha e um dos cantos da minha boca se moveu para cima quase no mesmo segundo. Ouvir sua risada dava uma sensação boa, embora me lembrava que estávamos juntas e que eu estava morrendo de saudades suas, morrendo para me aconchegar em seus braços e deixá–la acariciar meus cabelos. Porque não importava se eu tivesse dez ou dezenove anos, eu sempre seria sua garotinha e ela sempre seria minha supermulher.

Por que acha que está se apaixonando por ele? Perguntou com sua voz calma e baixa, fazendo o assunto soar mais doce do que realmente eu sentia que era.

Bem comecei, soltando um suspiro , eu simplesmente não consigo parar de pensar nele. E com ele eu tenho aqueles pensamentos sobre casamento e filhos e um feliz para sempre que Claire tem com Matt. É meio... ridículo, para ser sincera. Eu consigo pensar nele dessa forma quando ele me abraça de surpresa e sussurra alguma coisa no meu ouvido e até quando ele me lança aquele sorriso cafajeste antes de começar a dar em cima de alguma vadia.

Dessa vez a risada da minha mãe soou mais alta.

Você pode apenas estar encantada ela disse. Acontece com todo mundo.

Balancei minha cabeça, logo então me lembrando de que ela não podia me ver.

Não é bem assim falei. É mais intenso, sabe, mãe? Me deixa confusa e... eu não sei. Pode ser que eu apenas esteja encantada mesmo... mas a gente sente quando é diferente, não sente?

Sente ela respondeu depois de ficar alguns segundos em silêncio , a gente sente.

Suspirei e me ajeitei na cama, ficando deitada e deixando meus olhos presos no ventilador de teto do quarto que rodava e rodava com um barulho irritante acompanhando seus movimentos.

Eu sinto isso sussurrei, sabendo que ela era capaz de ouvir. Penso em nós dois juntos no futuro, penso se vai ter nós dois juntos no futuro... e se tudo vai ser bonito e simples como eu vejo que o amor é mordi meu lábio inferior e logo depois soltei uma risada, me sentindo uma adolescente. Eu sou uma garota de dezenove anos que pensa no cara com quem está dormindo há apenas alguns meses segurando um bebezinho nosso no colo.

Outra risadinha se fez presente do outro lado da linha.

É uma coisa normal, filha mamãe disse calmamente. E um pensamento muito bonito.

.

Mordi meu lábio inferior, sentindo as lágrimas voltarem a cair dos meus olhos. Virei a cabeça para poder afundar o rosto no travesseiro e logo depois senti os soluços em minha garganta saírem frenéticos e doloridos, quase sufocantes. Era como se eu nem sentisse mais meu corpo quando chorava. O choro já era algo frequente e eu sequer conseguia sentir que ele aliviava a dor em meu peito, mas não era como se eu conseguisse evitá-lo. Não conseguia desviar o caminho dos meus pensamentos de mamãe e de Gabriel e de Peter e do bebê. Não conseguia ignorar meus olhos ardendo em lágrimas. Não conseguia ignorar aquele nó tão incômodo na garganta. E quando percebia estava chorando novamente. Era como um ciclo vicioso – eu mal conseguira parar durante duas semanas. Sabia que Sophia estava preocupada, seus olhos me diziam isso; mas ela permaneceu ao meu lado, dizendo que eu tinha direito de ficar daquele jeito por um tempo, que todo mundo ficava fraco num momento da vida; e sempre me lembrando de que eu precisava comer.

Percebi, então, que é fácil perder a razão. E a coragem. E a vontade. E com que simplicidade cada gota de alegria é simplesmente sugada de você. Eu estava num desses momentos. O problema era que, por mais que eu tentasse procurar a razão para sair disso, não encontrava. Por mais feliz que eu ficasse por Claire enquanto falávamos ao telefone sobre o quanto sua barriga estava grande e o quanto nós duas estávamos empolgadas com o nascimento de Daniel, quando a ligação acabava minha máscara caía, o vazio se fazia presente com força outra vez e tudo parecia tão… sem sentido. Minha mãe estava morta. Peter havia mentido tantas vezes e de maneiras tão horríveis para mim que chegava a ser assustador. Eu poderia ter um filho ao meu lado naquele momento, mas meu próprio pai havia arrancado isso de mim. Gabriel estava longe de mim em todos os sentidos. E, enquanto pensava nisso, sabia que não tinha absolutamente nada. Não estava fazendo pouco-caso da minha melhor amiga, do afilhado que ganharia ou da colega de quarto que havia caído dos céus para ficar comigo – mas era simplesmente o que era: eu não tinha nada que fosse completamente meu. Não era nada que me consumisse, nada que me fizesse sorrir e que arrancasse qualquer empecilho da minha alma. Havia perdido tudo nesse grau de importância.

Sabia que deveria fazer alguma coisa. Quanto mais me afundava, mais tinha certeza de que estava deixando todas as coisas que eu ainda podia salvar se afundarem comigo. Mas eu simplesmente não era capaz de enxergar que coisas eu ainda tinha, que coisas eu ainda podia salvar. E não tinha forçar para tentar descobrir. Havia prometido a mamãe que seria forte, que iria em busca da minha felicidade. Mas não conseguia – não depois de descobrir todas as mentiras de Peter. Era como se algo me puxasse para dentro de mim mesma e eu apenas me via, de mãos atadas, nessa situação. Acabada, destruída, traída, enganada, vazia, sozinha. Estava me afogando no meu mar de mágoas e tristezas – sabia disso, mas não conseguia fazer absolutamente nada. E cheguei num ponto em que pensei se não era isso mesmo que eu queria.

Eu estava em pedaços.

Levantei meus olhos para o relógio de cabeceira e vi que era por volta das nove da noite. E então decidi que precisava levantar para tomar um banho e depois comer alguma coisa. O festival Light Music começaria às onze horas e, provavelmente, essa era a única coisa que conseguiria me fazer sair da cama num sábado a noite quando nem nos outros dias eu tinha vontade. Sophia havia implorado para que eu fosse. Havia desespero em seus olhos quando ela sentou na cama, em cima de seus calcanhares, segurando minha mão com tanta força que chegou a me deixar surpresa. E implorou. Implorou para que eu lhe acompanhasse. Implorou para que eu desse a mim mesma a chance de melhorar, de sair dessa sombra que me cercava, de ver que ainda existiam coisas que mereciam um sorriso. Implorou para que eu tentasse. E eu disse que tudo bem, eu iria. Não por mim, mas por ela. Sophia estava sendo na minha vida o que ninguém mais seria capaz de fazer com tanta delicadeza e bom senso, então eu devia isso a ela. Por tudo o que ela estava fazendo por mim, por tudo o que ela estava sendo para mim. Eu devia isso a ela.

Fui direto para o banheiro, vendo, assim que abri a porta, meu reflexo deplorável no espelho. Meu cabelo era um emaranhado de fios rebeldes, meu nariz e minhas bochechas estavam rosadas como se eu estivesse gripada e meus olhos avermelhados e inchados, denunciando meu choro de momentos atrás. Livrei-me da blusa larga e comprida e das minhas roupas baixas e me enfiei debaixo da água quente, deixando-a abraçar minha pele enquanto, por minutos, eu conseguia relaxar e caminhar para longe dos meus pensamentos.

Não demorei muito para sair do banho e logo eu estava vestida com um vestido de alças preto com flores amarelas estampando-o. Deixei que meu cabelo secasse naturalmente, afinal, estávamos no final da primavera e fazia um pouco de calor naquela época. Aquela era a melhor aparência que eu conseguira obter em vários dias – mesmo que meu rosto mais branco do que o normal ainda denunciasse minhas olheiras profundas e meus olhos ainda estivessem um pouco inchados, era, sem dúvida, muito melhor de como estava antes.

Por isso que, quando entrei na sala, já calçando sapatilhas douradas nos pés, os olhos de Sophia se arregalaram e, em menos de segundos, um sorriso enorme nasceu em seu rosto. Bem, aquilo era definitivamente melhor.

– Você parece melhor – ela falou quando me sentei ao seu lado no sofá, sentando com as costas eretas e mostrando excitação.

Balancei a cabeça.

– Obrigada.

Talvez fosse verdade, não dava para saber. Porque era Sophia dizendo aquilo e ela acharia qualquer coisa uma grande melhora. Não era como eu me sentia, no entanto. Porque sabia que meu rosto ainda estava um desastre e provavelmente mostrava o caos que eu estava por dentro – mas, ainda assim, ouvir suas palavras era reconfortante.

– Então você vai mesmo comigo? – Perguntou, mordendo o lábio para evitar o sorriso.

– Sim – respondi. – Pode ser que seja bom – suspirei. – Sabe, respirar um pouco.

Sophia concordou com um aceno de cabeça, sorrindo terna.

– Eu fico feliz de te ver saindo de casa – ela disse.

E dessa vez eu sorri, mesmo que não muito abertamente. Porque a sinceridade em suas palavras era quase palpável e eu me sentia melhor toda vez que Sophia mostrava se importar comigo desse jeito. Era aconchegante e seguro e acolhedor – e, em alguns momentos durante aquelas duas semanas, fora a única coisa que me manteve inteira.

Eu não imaginaria, depois de, por exemplo, morar com Sophia por um mês, que ela fosse capaz de mudar totalmente apenas para me ajudar. Apenas para estar lá para me passar conforto. Mas foi exatamente o que ela fez. Piadas ácidas ainda escapavam de sua boca, ela ainda respondia pessoas de forma grossa, embora quem a conhecesse achasse isso uma coisa mais doce do que qualquer outra coisa, ainda ria de coisas não muito legais que aconteciam com as pessoas – mas não comigo, nunca comigo.

– Que tal se a gente sair agora? – Ela propôs. – Passamos em algum lugar pra jantar e depois vamos para o parque.

Concordei e então nós saímos de casa.

Sophia quis comer em um restaurante de comida japonesa que não era muito longe do nosso apartamento e ficamos por lá mesmo.

Restaurante. Apenas lembrar do meu trabalho me deixava mais cabisbaixa ainda. A primeira semana desde que voltei da casa de Peter, James havia me dado de folga. Disse que compreendia tudo o que estava acontecendo e que eu tinha o direito desse tempo para mim. Acredito que tenha trabalhado tão mal na semana seguinte que ele me dispensou por mais uma semana, apesar de ele dizer que era apenas por perceber que, apesar do meu esforço, eu não parecia bem o suficiente. Claro que meu salário seria metade do normal. E era óbvio que James era, se não um anjo, algo muito perto disso, por não ter simplesmente me demitido por enfraquecer por tanto tempo.

Em uma semana, no entanto, eu precisava estar melhor do que simplesmente bem.

– Em? – Sophia perguntou e eu virei o rosto para olhá-la. Não parecia ser a primeira vez que ela estava me chamando, por suas sobrancelhas franzidas em uma expressão preocupada.

Olhei para frente outra vez, continuando a andar.

– Oi? – respondi.

Havíamos terminado de comer há alguns minutos e já estávamos indo para o Central Park, porque Sophia insistiu que eu amaria ver o começo do festival. Era uma noite fresca em Nova York, o que significava que não estava nem quente nem frio, apenas aquele clima que todo mundo aprova. Como sempre as ruas estavam bem movimentadas. E Sophia e eu éramos apenas mais duas pessoas caminhando calmamente em direção ao parque.

– Tudo bem? – Perguntou e eu assenti imediatamente, virando apenas o suficiente para lhe direcionar um sorriso singelo.

Ela pareceu aliviada.

– Apenas pensando no trabalho – soltei, não percebendo que aquela era a primeira vez em dias que eu falava coisas para Sophia sem pensar muito sobre isso. Ou chorar.

– Não se preocupe – Sophia falou calmamente. – As coisas melhoram, Emma… eu sei que não parece, mas você está muito melhor do que há duas semanas atrás.

Balancei a cabeça, incerta de que ela podia ver, e suspirei, sem saber o que dizer. Acima de todas as coisas, minha cabeça era uma confusão.

– É assim que a vida é, você sabe… – continuou. – As coisas estão difíceis agora, mas elas vão melhorando. A maioria das pessoas odeia ouvir coisas assim, mas é uma verdade incontestável. O tempo realmente ajuda.

– Será que ajuda mesmo? – Questionei num sussurro, e não era exatamente para Sophia, mas eu tampouco sabia para quem eu perguntava.

Finalmente entramos no Central Park.

E eu não sabia se, como eu, minha colega de apartamento havia perdido o fôlego diante das árvores enormes que praticamente nos abraçavam, tapando quase completamente a visão do céu acima de nós, enquanto suas folhagens rosadas e arroxeadas estavam caídas pelo chão, embelezando o lugar que pisávamos. Porém, o que havia prendido minha atenção e me deixado paralela ao que fosse que Sophia tenha dito como resposta, foram as luzinhas piscando em diversas cores presas em algumas árvores, até em alguns bancos, deixando tudo mais bonito e mais colorido. Várias pessoas caminhavam entre nós, algumas mais devagar para apreciar a vista, outras mais rápido, captadas pelos acordes de um violão que tocava há alguns metros de distância. E outras estavam simplesmente paradas – mas essas… essas eram diferentes. Eram pessoas completamente pintadas. Algumas delas estavam pintadas inteiramente de branco, e eram as que estavam sentadas nos bancos, envoltas por luzes pisca-pisca. Outras eram uma bagunça de cores que não fazia o menor sentido, como a pintura de uma criança, mas era singelamente bonito – e esses ficavam de pé, se misturando entre as pessoas que iam chegando, no meio da cor das árvores e do azul-escuro do céu, curvando-se lentamente, quase em câmera lenta, vez ou outra para alguém que mostrava-se tão encantada quanto eu estava.

Tão, tão bonito. Tanta beleza.

Sophia e eu seguimos andando, não demorando muito para chegar ao lugar de onde vinha o som do violão. Na ponta em que começava a Bow Bridge estava um grupo de pessoas. Os dois caras com violões nos braços estavam sentados no chão e dedilhavam as cordas em sincronia, tocando uma melodia qualquer que não pedia aucílio de nenhum instrumento músical. Um outro cara estava de pé, uma guitarra pendurada nas costas, enquanto conversava com uma mulher que estava sentada em cima do que me parecia ser um tamborzinho e outra que segurava um címbalo. E, há alguns passos de distância, estava um outro homem, provavelmente o mais novo de todo aquele grupo, que estava na frente de um teclado, pressionando cada tecla de forma tão suave que eu ao menos podia ouvir. Havia um microfone embutido no teclado e estava virado para o lado, sendo evitado pelo garoto.

E as pessoas estavam ali, observando atentas aos sons dos violões.

– Sei que não tem muita gente – Sophia falou baixo, aproximando a boca do meu ouvido disfarçadamente para que eu pudesse escutar –, mas eles fazem isso todo ano. E, todo ano, as pessoas que vêm ficam completamente enfeitiçadas por eles.

Balancei a cabeça, entendendo.

– Eu acho aconchegante assim – confessei –, com poucas pessoas.

E me virei para ela.

– Obrigada por me trazer aqui – abri um sorriso. – É lindo.

Ela abriu um sorriso mil vezes maior que o meu e concordou com um aceno de cabeça, deixando que nossa atenção se voltasse para os músicos sem dizer mais nada.

Quando deu exatamente onze horas da noite, os músicos se posicionaram, e aquelas pessoas todas pintadas que estavam logo na entrada do parque, apareceram. Apareceram dentre as árvores, com movimentos lentos e passos cuidadosos. E todas as pessoas se viraram para olhá-los. Logo que eles se ajeitaram, todos juntos, os brancos entre os coloridos, os acordes da música começaram e, com ele, os movimentos suaves dos dançarinos.

Broken bottles in the hotel lobby

Seems to me like I'm just scared of never feeling it again

Eles ficaram nas pontas dos pés, erguendo os braços e os abrindo aos poucos, como uma flor desabrochando.

I know it's crazy to believe in silly things

But it's not that easy

Seus corpos se abaixavam como se estivessem desmontando. Seus braços se moviam como se tivessem vida própria. Suas pernas comandavam cada passo.

I remember it now, it takes me back to when it all first started

But I've only got myself to blame for it, and I accept that now

It's time to let it all go, go out and start again

But it's not that easy

Seus corpos giravam com os braços soltos, encaixando-se ao vento, como se eles fossem apenas um punhado daquelas flores soltas e caídas que embelezavam o chão.

But I've got high hopes, it takes me back to when we started

High hopes, when you let it go, go out and start again

Era como se suas almas se unissem a tudo que soprava e voava livre e tranquilamente naquele lugar.

High hopes, oh, when it all comes to an end

But the world keeps spinning around

Lágrimas brotaram em meus olhos quando a letra da música teve minha atenção, quando percebi o quão bonitos eram aqueles movimentos, quando percebi como podiam ser belas as árvores floridas e as luzes pisca-pisca, quando notei a suavidade do vento batendo em meu rosto.

And in my dreams, I meet the ghosts of all the people who've come and gone

Memories, they seem to show up so quick but they leave you far too soon

Naive I was just staring at the barrel of a gun

And I do believe that

Mordi o lábio inferior, segurando o choro enquanto sentia o calor da mão de Sophia envolvendo a minha, apertando-a com força, mostrando que ela estava ali ao meu lado, comigo, que me entendia, que via. Que sabia. E retribuí o aperto.

Yeah, but I've got high hopes

It takes me back to when we started

High hopes, when you let it go, go out and start again

Retribuí porque tinha forças para isso. Retribuí porque queria que ela soubesse o quanto era importante. Retribuí porque precisava que ela entendesse o quão agradecida eu estava. Retribuí porque aquelas palavras atingiram com força dentro de mim, porque aqueles acordes ecoavam em meus ouvidos com um vigor encantador.

High hopes, oh, when it all comes to an end

Now the world keeps spinning

Yeah, the world keeps spinning around

Retribuí porque o mundo continuava girando. E ele não parava. E a ferida cicatrizava. E a dor, um dia, se suavizava.

High hopes, it takes me back to when we started

High hopes, when you let it go, go out and start again

High hopes, oh

– Obrigada – murmurei, sentindo que lágrimas desciam por minhas bochechas. – Obrigada mesmo.

Ouvi a risadinha suave de Sophia.

– Em – ela chamou, soltando minha mão para levá-la até meu rosto e virá-lo para que eu a olhasse –, da nada.

Yeah, and the world keeps spinning

Yeah, this world keeps spinning

How this world keeps spinning around

E sua mão saiu do meu rosto com um deslizar suave, e num piscar de olhos Sophia não estava mais ali. E tudo o que eu conseguia ver, então, era...

Arfei.

– Gabriel?

Não esperei minha mente raciocinar, não esperei que Gabriel falasse alguma coisa, não esperei abrir os olhos e descobrir que aquilo era um sonho – mais um. Apenas me vi dando poucos passos, embora esses fossem rápidos, em direção a ele. E antes que um de nós dois pudesse pensar sequer em dizer alguma coisa, ao mesmo tempo em que meus braços agarravam seu tronco e meu rosto afundava em seu peito, os seus rodeavam meu corpo e o apertavam. E estar em seus braços era tão seguro e tão pacífico. E parecia ser, simplesmente, tudo o que deixava o ar mais leve, mais fácil de respirar. E por aquele momento, pelos próximos minutos, me permiti esquecer os motivos de estarmos separados, me permiti esquecer as dúvidas acerca do que Gabriel estava fazendo ali, me permiti esquecer de pensar.

Porque estava doendo. E por algum motivo, parecia que estar nos braços dele amenizava minha dor, parecia que fazia tudo ficar mais fácil de digerir. Ao passo disso, foi como um soco no estômago quando lembrei de todas as coisas novamente. Da minha mãe. De Peter. Do nosso bebê. De estar sem ele. E me permiti chorar como se minha vida dependesse disso. E, estando nos braços de Gabriel, não era como as outras vezes em que chorar era só uma reação do aperto no peito e na garganta. Dessa vez era libertador. Era como deixar todos os machucados livres, como deixar que eles falassem por mim. E Gabriel parecia entender isso.

– Sh, meu amor – conseguia ouvir sua voz sussurrar, embora parecesse distante, mais suave do que nunca pensei que ouviria um dia. – Eu estou aqui, e essa dor vai passar.

Aos poucos os soluços em minha garganta foram minimizando, até sumirem por completo. E, embora as lágrimas se recusassem a ir embora, sentia-me mais leve. Também cansada. Aquilo fora como correr uma maratona e levar um tombo com os obstáculos que apareceram de surpresa no meio. E também me sentia confusa.

Afastei o rosto do perto de Gabriel apenas o suficiente para que, ao erguer a cabeça, conseguisse olhar em seus olhos.

– O que você está fazendo aqui, Gabriel? – Perguntei num sopro de voz.

De alguma forma, eu sabia por que ele estava ali. Sabia como. Ou, pelo menos, conseguia imaginar. Mas alguma coisa dentro de mim queria que ele dissesse. Precisava que ele dissesse. E precisava dizer também.

No entanto, Gabriel não me respondeu. Seus braços de repente não rodeavam mais meu corpo, mas eu me recusei a soltá-lo. E pareceu ser o certo a se fazer quando suas mãos foram até meu rosto. Seus dedos compridos acariciaram a linha da minha mandíbula, descendo até meu queixo e logo a ponta de um de seus polegares estava acariciando meu lábio inferior. E a única coisa que eu conseguia fazer era olhá-lo. Meus olhos estavam presos na forma como os seus acompanhavam cada traço que seus dedos traçavam em meu rosto, na forma como eles brilhavam imensamente. E, surpresa, percebi como senti falta de Gabriel. E era assustador pensar que nunca havia sentido sua falta daquele jeito. Nunca fora tão intenso, nem tão sincero e tampouco tão doce. Nas outras vezes, queria vê-lo como também não queria. Naquele momento, porém, não haviam sentimentos contraditórios bagunçados dentro de mim. Eu o queria ali. E não queria que ele me deixasse. Nem queria deixá-lo.

Ainda sem dizer uma palavra, suas mãos subiram a lateral do meu rosto e depois desceram por meu cabelo, acariciando-o, e seus dedos pareciam se enroscar ali deliciosamente. Fechei meus olhos quando as pontas dos dedos de Gabriel tocaram minha nuca e ouvi o suspiro alto que dei. Era tão, tão bom. Antes que eu percebesse, apertei meus braços ao redor de seu tronco com mais força, embora já estivéssemos tão colados quanto era possível. E, como uma resposta, senti os lábios de Gabriel em minhas bochechas, um beijinho de cada vez, lento e silencioso, vários de cada lado, justamente no caminho onde eu sabia que as lágrimas ainda desciam.

– Por que você está aqui? – Questionei, voltando a abrir os olhos quando percebi que Gabriel já tinha afastado um pouco o rosto do meu.

Era bom tê-lo ali, sim. Mas ainda estava inquieta e confusa sobre o como e o por que disso. Esse era um traço meu que eu jamais conseguiria deixar de lado. Gostava de esclarecer minhas dúvidas, gostava que minha mente fosse organizada – era apenas um fato irônico o quanto minha vida era uma bagunça.

Eu era uma pessoa confusa. Sempre fora. E estava cansada disso.

Estava cansada de muitas coisas.

– Estou aqui porque precisamos conversar.

Seus olhos eram tudo o que eu lembrava enquanto estavam grudados nos meus. Ainda causavam arrepios em mim, ainda tinham aquela cor verde-escuro que me deixava zonza, ainda conseguiam jogar na minha cara o quanto eu o amava.

Meus braços escorregaram de seu corpo e eu me afastei apenas centímetros o suficiente para que tivéssemos uma conversa ao mínimo decente e clara.

– Eu acreditei em você, Emma – falou depois de alguns segundos. – Quase no mesmo instante em que você saiu pela porta. Eu acreditei em você.

Suspire e mordi o lábio, olhando para o chão.

– Não acho que isso mude alguma coisa, mas meu pai… – tentei explicar, afinal aquilo também dizia respeito a Gabriel, mas ele logo me cortou:

– Eu sei – levantei os olhos para encará-lo, surpresa. – Sophia me disse.

Balancei a cabeça. Era de se esperar que ela tivesse alguma coisa a ver com isso.

– É por isso que você está aqui? – Questionei – Porque Sophia te chamou?!

– Ela não me chamou – explicou. – Ela me ligou para dizer que você estava sofrendo, para dizer que sabia que eu também estava sofrendo. Para dizer que precisávamos lutar um pelo outro de verdade pelo menos uma vez na vida. E eu estou fazendo isso.

– Eu… – novamente Gabriel me interrompeu.

– Eu estou tão fodidamente cansado de tudo isso, Emma – ele falou, e sua voz não passava de um sussurro. – Estou cansado de ficar dando voltas, estou cansado de toda falta de confiança de nós dois, estou cansado de ficar lembrando do nosso passado. Estou cansado de não ter você. Quero ficar com você. Quero ficar com você direito.

E, olhando-o no fundo dos olhos, esquecendo por alguns instantes toda a sensação que eles me causavam e todos os sentimentos, quaisquer que fossem, que eu tinha em mim, consegui ver. Vi que, como eu, Gabriel estava farto de tudo aquilo. Vi que ele também já não aguentava mais. Vi o cansaço pregado naquelas íris verdes.

E percebi, subitamente, que aquela noite decretaria de uma vez por todas tudo o que éramos – tudo o que poderíamos ser.

– Eu amo você, Emma Carter – Gabriel falou sem rodeios, levantando ambas as mãos e encaixando-as ao redor do meu rosto.

Minha respiração falhou por alguns segundos e meu coração atrasou duas batidas.

– Amo você. – Repetiu. – Cada pedaço de você. Cada traço da sua personalidade. Amo seu jeito romântico, mesmo quando você tenta disfarçar. Amo seu sorriso. Amo quando você cora e amo o tom da sua voz. Amo como você fica com a respiração acelerada perto de mim e como, quando está tudo bem entre nós, você é simplesmente você mesma. Amo o som da sua risada. Amo sentir sua respiração bem próxima de mim. Amo o fato de como tenho vontade de ser melhor por você. Amo a sensação de ter seus dedos me tocando e de ter os meus tocando cada parte do seu corpo. Amo quando você sorri envergonhada e me olha por debaixo dos cílios. Amo amar você.

Por mais que tentasse levar ar para os meus pulmões, parecia que ele tinha se esvaído completamente do planeta. E antes que eu deixasse minha mente funcionar desesperada ou paralisasse completamente diante de suas palavras, soltei as palavras num suspiro, como se elas estivessem entaladas na minha garganta:

– Eu também amo você.

Respirei fundo, notando minha respiração sair falha. E decidi que, já que estávamos ambos cansados dos rodeios, seria completamente sincera. Comigo. Com ele. E, qualquer que fosse o final daquela noite, estaríamos com as cartas jogadas na mesa, com a mente limpa e com a certeza de que, pela primeira vez, havíamos realmente tentado.

– Você me magoou – soltei, e senti as mãos de Gabriel fraquejarem o aperto em meu rosto. Talvez eu o machucasse com minhas palavras naquele momento, talvez e provavelmente eu machucaria a mim mesma. Mas sabia que precisava daquilo. – De verdade, entende? Te culpei por muito tempo. E, mesmo te amando, te odiei. Te odiei por todas as coisas que você me fez fazer, por todos os sentimentos que você me fez sentir, por toda a dor que você colocou dentro de mim. Senti mágoa. Profunda.

"E, quando fugi, naquela primeira vez, te odiei por me colocar naquela situação. Eu chorei todos os dias, Gabriel. E temi que te amava tanto que aquela dor que sentia no peito nunca fosse embora. Peter – suspirei, sentindo o quando doía apenas citar aquele nome. –… Peter pode ser o monstro que for, mas ele esteve ao meu lado nos meus piores dias. E eu reconheço isso. Ele esteve lá quando… quando você não esteve.

"Realmente te odiei, Gabriel. Te culpei por toda e qualquer coisa que aconteceu comigo."

Mais uma vez, tomei uma profunda respiração. E tentei ignorar quando Gabriel tirou suas mãos do meu corpo e continuou a me olhar daquela forma, com os olhos carregados de dor.

– Mas isso… isso foi fraqueza – admiti. E foi como ser libertada. Dizer aquelas palavras em voz alta era uma coisa totalmente diferente do que dizê-la a mim mesma em pensamento… um pensamento muito, muito profundo. Pareciam mais pesadas e, ao mesmo tempo, extremamente leves. – Fui fraca, Gabriel. Fraca demais. E não vou dizer que as coisas que você fazia não me magoaram, porque magoaram sim e disso eu sei que você sabe. Mas fui a culpada pelo resto. Me deixei cair, me deixei lamentar, me deixei desistir, me deixei transformar tudo em um grande e difícil problema. Me deixei ser fraca. Não tinha e nunca terei motivos para te odiar. Te magoei também. Te derrubei também.

Dei um passo para que conseguisse colar meu corpo no de Gabriel, e deixei que minhas mãos pousassem em seu peito, sentindo seu coração bater. E logo senti suas mãos tocarem minha cintura quase que com insegurança. Logo, o sentimento em seus olhos se suavizou um pouco, embora ele ainda parecesse receoso.

– Mas o nosso maior problema foi não sermos sinceros um com o outro – sussurrei, obrigando-me a ficar na ponta dos pés para que nossos rostos ficassem pelo menos um pouco mais próximos. – Então estou tentando ser sincera agora.

Deixei um sorriso trêmulo nascer em meus lábios e inclinei meu rosto para frente, conseguindo tocar meus lábios nos de Gabriel. E foi como se todas as coisas em todos os lugares explodissem, foi como se tudo de repente fizesse todo o sentido do mundo, foi como se eu fosse capaz de tocar uma nuvem. E foi doce. Doce como nada jamais seria. Sincero. E intenso – e não passava de um selinho. E tão, tão revelador.

Antes, descrevia-me loucamente apaixonada por Gabriel. Daquele instante em diante apenas o amava sinceramente. E intensamente. Amava-o com todas as partes do meu corpo, com todas as palavras e pensamentos soltos na minha mente, com todas as inseguranças e com todo o nosso passado. Amava-o de verdade.

Separei nossas bocas, mas permaneci com os olhos fechados.

– Eu sinto muito – Gabriel sussurrou, respirando como se buscasse desesperadamente por oxigênio. – Sinto muito por te magoar. Sinto muito por não estar lá pra você quando você mais precisou. Sinto muito por todas as vezes que te fiz chorar. Mas sinto muito, principalmente, por ter sido covarde. As coisas poderiam ter sido muito diferentes. Mas tive medo. Medo das coisas que você fazia comigo, das sensações que você me causava. Enquanto você sofria e me odiava pelo que eu causava a você… eu estava completamente apavorado com o que você significava pra mim.

Sem me importar com mais nada, beijei Gabriel outra vez. Dessa vez com mais força, deixando que nossos lábios matassem sofregamente a saudade uns dos outros, deixando que nossas línguas se abraçassem. Deixei que minhas mãos subissem e se enroscassem em seus fios de cabelo marrons, como eu tanto amava. E senti quando os braços de Gabriel rodearam minha cintura com força, senti quando meus pés deixaram o chão e senti o sorriso mínimo nascendo em meus lábios no meio do beijo.

Não me importava com nosso passado mais. Percebi que, maior do que toda a dor, era o sentimento que tinha por ele. E, naquele momento, senti como se, irredutivelmente, todas as mágoas do passado tivessem sido deixadas para trás. Senti que amava Gabriel da maneira mais pura que conseguiria imaginar o amando um dia. E dessa vez de verdade. Dessa vez não estava enganando nem a mim mesma, nem a ele.

A dor de de perder minha mãe e de ser enganada por meu pai ainda estava presente, firme e forte, mas enquanto tinha minha boca colada na de Gabriel e era consumida por todos aqueles sentimentos, sabia que podia superá-la.

Nos separamos por falta de ar, mas meu corpo jamais se separou do de Gabriel. Ele me colocou no chão outra vez, e eu afundei meu rosto em seu peito, sentindo seu coração bater loucamente assim como o meu. Inalei seu perfume para dentro de mim e sorri para mim mesma.

– Eu amo você – Gabriel falou, puxando meu rosto para me obrigar a olhá-lo e deixando um beijo em minha testa. – Tanto, mas tanto.

Um sorriso ainda estava em meu rosto quando o respondi:

– Assim que eu vi seu rosto e logo depois me afundei no seu abraço… Eu juro, Gabriel, eu soube que vou te amar para sempre.

Notas finais
E ENTÃO, GOSTARAM? TÔ PARINDO AQUI PRA SABER A OPINIÃO DE VOCÊS. Comentem, me digam o que vocês acharam. Por favor, leitores fantasmas, vocês que ficaram sem postar deem adeus a preguiça por esse ser o último capítulo de NOY e comentem. Quero saber de vocês também. Vou aproveitar o espírito de ano novo e não ficar chateada por terem sido invisíveis por tanto tempo, hahahaha. Então, é isso. AINDA TEM O EPÍLOGO, ENTÃO NÃO ME ABANDONEM AINDA. Vou tentar postar na semana que vem, okay? E vou deixar pra me debulhar nas notas de lá. Byebye, amadas. E FELIZ ANO NOVO PRA TODO MUNDO, YEY! MUITA FELICIDADE, MUITA COISA BOA PRA LER, MUITO ÁLCOOL NO COPO. Beijos e até ano que vem, yey.