Not Over You
13 Capítulo 12 - Painful Memory
Notas iniciais
Primeiramente: mil desculpas pela demora. Eu surtei completamente com esse capítulo, porque ele tinha que ficar perfeito. Daí parecia que nada ficava bom o suficiente. Então, sério, me desculpem. Em segundo, meu Deus, eu estou chocada com a quantidade de comentários. Cara, vocês são demais, eu fiquei muito feliz, muito mesmo. Foram 44 comentários em UM ÚNICO CAPÍTULO. Nossa, sério, foi um presente foda de aniversário. Éeee, falar nisso, meu aniversário foi semana passada, dia 9. Eu queria postar esse capítulo no dia, mas como já disse, não conseguia escrever uma coisa que fosse satisfatória o suficiente.
Enfim, sem mais delongas, vamos ao capítulo.
Enjoy :3
P.S.: Esse título quem criou foi a linda da Juliiet ♥
Fazia pouco mais de duas semanas desde que eu havia voltado para Montana, mas não fazia muita diferença o lugar onde eu estava ou deixava de estar. Gabriel me perseguiria por onde quer que eu fosse, e isso era um martírio.
Era uma quarta-feira, eu tinha certeza, quando papai conseguiu me tirar de dentro do quarto. Aquele dia estava fazendo um calor infernal. E papai disse que eu estava parecendo um cadáver entrando em decomposição no quarto e que era por isso que ele sentia tanto ódio de Gabriel...por me fazer ficar naquele estado. Mal ele sabia que eu havia mergulhado naquele estado por culpa minha. Ou sabia e simplesmente não estava pronto para aceitar.
– Vamos, Emma, você pode fazer mais do que isso – Peter insistiu, vendo que eu estava encostada na cerca de madeira apenas o observando colocar a sela no cavalo. – Você adorava montar à cavalo quando era mais nova.
Era verdade, eu adorava mesmo. Mas isso não mudava os fatos. Eu estava triste, afundada em pensamentos obscuros que só tinha com Gabriel, cogitando a cada segundo a ideia de voltar para Londres.
– Você não me obrigava a sair do quarto quando eu não estava com vontade quando eu era mais nova – retruquei, sentindo-me incomodada por causa do sol, semicerrando meus olhos automaticamente.
– Você não se trancava no quarto por mais do que dois dias quando era mais nova, Emma – falou, fazendo-me revirar os olhos, e começando a andar em minha direção, puxando o cavalo junto com ele.
O ignorei, sabendo que devia à ele muitas coisas. Papai estava ali, do meu lado, quando eu não merecia. Quando eu acreditava que se nem mesmo eu me respeitava, ninguém mais deveria fazê-lo. Ele estava ali mesmo com meu mal humor continuo, mesmo com os xingamentos, mesmo com os cada vez mais contantes ataques de choro que eu tinha. Por isso me mantive quieta, porque no fundo eu estava me julgando por estar agindo tão mal com ele desde que havia chegado.
– Vamos, Emma – ele insistiu, finalmente chegando aonde eu estava. – Só uma voltinha, você vai se sentir melhor.
Olhei para o lado, procurando por alguma coisa que pudesse me ajudar a fugir daquilo, mas não havia nada. Mariah estava saindo com Ty para ir à cidade fazer as compras do mês e com certeza não precisaria da minha ajuda. E eu não estava desesperada a ponto de sair daquela fazenda. Respirei fundo e voltei a olhar para papai, assentindo brevemente com a cabeça.
Subi até a segunda estaca horizontal de madeira da cerca e passei uma das pernas para o outro lado, passando a outra logo depois, e desci, parando ao lado de papai, que ficou me olhando com a sobrancelha arqueada e um sorriso zombeteiro na boca.
Revirei os olhos e dei a volta por trás do meu pai, parando ao lado esquerdo do cavalo. Coloquei o pé esquerdo no estribo e me apoiei, passando minha perna direita para o outro lado. Ajustei meu corpo no assento e papai me entregou as rédeas.
– Eu sei que você sabe fazer isso sozinha – disse quando lhe lancei um olhar inseguro.
Respirei fundo e bati as rédeas, fazendo o cavalo começar a andar devagar. Infelizmente, nem naquele momento consegui tirar Gabriel dos meus pensamentos. Era quase impossível não lembrar o dia em que viemos para a fazendo para comemorar o aniversário do meu pai, quando papai ainda não o odiava por não saber que nós estávamos envolvidos. Ele me fez acender as luzes da arena e cavalgar com Alasca, um cavalo preto e mal humorado que ele gostou, ás duas da manhã; assim que eu disse que sabia montar à cavalo.
Brigamos naquele dia, uma hora depois, quando uma tal de Lux ligou para ele.
Foi a última vez que andei de cavalo. Até aquele momento.
Fechei os olhos e bati as rédeas mais uma vez, fazendo o cavalo começar a correr, não tão rápido quanto eu era acostumada quando era mais nova, mas rápido o suficiente para que o vento batesse em meu cabelo e o agitasse. Joguei a cabeça para trás e, pela primeira vez em muito tempo, me senti livre, limpa. Senti como se eu estivesse livre para viver novamente, para consertar aqueles erros tão doloridos. Senti minha dor esvair-se do meu corpo e voar junto com o vento. Senti como se minha boca tomasse uma vontade própria e sorri. Meu coração ainda carregava uma dor da qual eu talvez nunca me livraria, mas ali, com o vento batendo fortemente, porém delicadamente, contra meu corpo e o cavalo trotando pela arena, senti que poderia fazer qualquer coisa, que era capaz de superar qualquer dor. E percebi que eu ainda estava viva. E precisava viver.
Eu tinha esquecido, mas andar à cavalo era isso. Era sobre liberdade, sobre sentir a vida bater contra os cabelos, sentir todo o peso das memórias ruins escorregarem para longe da minha mente, era sentir o corpo tão leve até que quase me fazia pensar que eu podia voar. Era algo familiar e conhecido, que me trazia um sentimento de segurança, de pertencimento. Eu estava onde devia estar e o passado tinha que ficar para trás. Eu sentia que todas as minhas dores eram pequenas demais em comparação com o que eu estava sentindo naquele momento. Eu era livre, mas tinha um lugar para onde voltar.
Nenhum sentimento no mundo traria tanto prazer quanto a liberdade. Se sentir livre era se sentir humano, era acreditar. E eu estava livre em cima daquele cavalo.
Fui despertada do meu ponto de paz quando, por algum motivo, o cavalo parou bruscamente e começou a andar para trás devagar. Olhei para frente, mas não encontrei nada. Cavalos normalmente tinham medo de cobras, mas ali não havia cobra nenhuma. Olhei para onde tinha deixado papai, mas ele não estava mais lá.
O cavalo levantou as patas da frente, mantendo-se de pé apenas nas patas de trás e, por mais que eu tentasse me manter em sentada na sela, minha mão estava escorregando. Ele voltou a ficar de quatro poucos segundos depois, para a minha sorte, tranquilizando-me. E, por uma fração de segundo, o cavalo pareceu estar calmo novamente. Mas, durante esse curto tempo, curto o suficiente para que eu me descuidasse, o cavalo relinchou alto, e voltou a se equilibrar com apenas as duas patas traseiras, fazendo-me cair no chão, batendo as costas com força.
Olhei para o lado, tentando ver papai em algum lugar, embora minha visão estivesse turva e eu provavelmente não estivesse enxergando nada muito bem. Mas ele não estava ali. Em lugar nenhum.
Minha coluna estava doendo, tal como meu ventre, uma dor agoniante. Senti algo pegajoso entre minhas pernas, mas não conseguia mexê-las, não conseguia movimentar nenhuma parte do meu corpo. Por mais que tentasse falar ou gritar, minha voz não saía. Era como se fosse muda. Ninguém me ouviria. E, a única coisa da qual tinha certeza naquele momento, era que estava sozinha, prestes a perder a consciência. E desesperada.
Comecei a sentir um cheiro metálico de sangue quando ouvi papai gritar meu nome com um evidente desespero, mas sua voz parecia distante, não encontrei sua origem. Meus olhos se encheram de lágrimas, que foram caindo silenciosamente conforme os segundos se passavam. E, antes de perder completamente a consciência, vi Gabriel parado em uma macieira perto da casa do papai, me olhando de um modo indecifrável. Mas eu sabia que não era ele. Era apenas minha mente querendo entrar em estado de síncope com uma última visão prazerosa.
Não era Gabriel. Ele não se importava o suficiente para ir para Montana. E disso eu tinha certeza.
You are pulled from the wreckage (Você é arrancado das ruínas)
Of your silent reverie (De seu devaneio silencioso.)
You're in the arms of the angel (Você está nos braços de um anjo)
Maybe you find some comfort here (Talvez você encontre algum conforto aqui)
(...)
No momento em que abri os olhos, soube onde estava. As paredes brancas que quase me cegavam, as agulhas colocadas desconfortavelmente em minhas veias, meu mal estar e minha fraqueza...era evidente. Estava em um hospital.
– Emma? – ouvi papai chamar e virei meu rosto para o lado. Rápido demais. Senti a cama girar comigo em cima por alguns segundos.
– O que aconteceu? – Perguntei, sentindo minha garganta arder, e meus lábios doerem. Ambos pareciam tão secos.
– Você não se lembra? – Ty perguntou, fazendo-me erguer os olhos e nota-lo no quarto.
Fechei os olhos e tentei colocar minha mente em ordem. Eu lembrava de alguma coisa, de pouca coisa. Mas fui recuperando minhas lembranças aos poucos. O cavalo estava assustado, e eu caí quando ele levantou as duas patas da frente pela segunda vez. Lembrei que minha coluna e meu ventre doíam de um jeito sobrenaturalmente agoniante, mas eu não conseguia sequer grunhir de dor, ou soluçar. Lembrei do cheiro de sangue e de alguma coisa pegajosa descendo por minhas duas pernas. E papai não estava lá quando o procurei. Lembrava de ter ouvido-o me chamar pelo nome e de ter visto Gabriel antes de afundar em uma escuridão desconhecida. E me lembrava imensamente bem do medo. Ele estava lá quando não consegui me mover, e continuou lá até que eu perdesse a consciência.
– Só lembro de cair do cavalo – falei abrindo os olhos, encurtando minhas lembranças. Deixaria que elas ficassem guardadas comigo.
– Querida, infelizmente, sua queda foi grave e... – papai não terminou de falar. Ele mesmo se cortou e olhou para cima, piscando algumas vezes e respirando fundo. Então voltou a me olhar. Tinha alguma coisa...alguma coisa diferente em seus olhos. Medo, dor e... e culpa. – E...o médico não pôde salvar seu bebê.
Meu corpo congelou. Meu coração acelerou de uma forma assustadora. Meu cérebro parou de funcionar quando ouvi aquilo. Eu era incapaz de falar, fazer ou sentir alguma coisa naquele momento. Meus olhos perderam o foco e a cama embaixo de mim parecia ter desaparecido, de forma que eu só sentia um vazio. Vazio por todos os lados daquele quarto, vazio dentro de mim.
Surpreendendo a mim mesma, consegui dizer em um sussurro quase inaldível, antes mesmo de pensar:
– Que bebê?
Fiquei olhando para o meu pai, esperando que ele dissesse alguma coisa. Mas ele se manteve quieto, parecia chocado. Ergui meus olhos e vi Tyler me olhando com olhos carregados de pena, mas ele também não falou nada. Nenhum dos dois falava nada e aquilo já estava começando a me corroer por dentro, um bolo ameaçou se formar em minha garganta ao mesmo tempo em que lágrimas se formaram em meus olhos. Meu peito doía. Se apertava e se apertava, quase me fazendo acreditar que morreria.
Meu queixo tremia quando eu abri a boca para dizer, diante de todo aquele silêncio:
– Eu estava esperando um bebê? – Perguntei, e um soluço alto escapou da minha garganta, assim como as lágrimas escaparam dos meus olhos e começaram a correr livremente por minhas bochechas.
Os soluços, as lágrimas, a dor interna. Aquilo não parava. Quando mais eu chorava, mais vontade tinha de continuar com aquilo, quanto maior aquela dor ficava, mais desesperada e sufocada eu ficava. Tinha que ser mentira. Tinha que ter algum engano. Eu não podia estar esperando um filho. E eu não podia tê-lo perdido.
– Emma...se acalma, filha – papai falou, colocando uma das mãos em meu ombro esquerdo.
– Não, não me toca! – Falei entre as puxadas desesperadas de ar e os soluços, sentando-me bruscamente na cama e sentindo uma dor excruciante.
– Emma, você não pode se sentar, passou por uma situação complicada – Ty falou, empurrando-me delicadamente pelos ombros para que eu me deitasse novamente.
Segurei Ty firme pelo antebraço quando estava deitada novamente e o fiz olhar no fundo dos meus olhos, desesperada por alguma palavra sobre aquilo. Desejando que fosse apenas uma brincadeira de mal gosto do papai, mesmo sabendo que ele não inventaria algo assim. Engoli o soluço que tentou escapar.
– Me diz, Ty, me diz que é mentira – implorei, deixando meus olhos transparecerem todo o meu desespero. Ele mordeu o lábio inferior e, com os olhos cheios de lágrimas, negou com a cabeça.
– Desculpe, Emma – pediu.
Soltei seus braços, e deixei minha cabela cair no travesseiro.
Eu havia perdido. Eu estava perdida.
Virei a cabeça para o lado oposto ao que papai e Ty estavam, sentindo cada parte do meu corpo anestesiada, enquanto meu coração se apertava, enquanto minha mente se castigava e sofria, mas calada. Eu era ciente da dor que fora colocada ali naquele momento, conseguia senti-la. Mas não pensava nela. Minha mente se esvaziou, meus olhos perderam o foco e eu me senti um pedaço de nada em um mundo vazio e incompleto, ingrato e injusto.
– Emma... – papai tentou, mas eu o interrompi.
– Eu quero ficar sozinha – falei, ouvindo minha voz sair naturalmente, como se eu não houvesse acabado de derramar um mar de lágrimas e outro de dores. Como se eu estivesse livre daquela dor.
Não vi quando papai e Ty saíram, mas ouvi a porta batendo.
Mantive meus olhos fora de foco, sentindo duas lágrimas caírem deles e escorrerem por minha bochecha lentamente.
A única coisa boa que Gabriel e eu criamos...eu havia perdido.
...
Minhas pernas começaram a tremer, e então minhas mãos, e de repente meu coração acelerou. E rapidamente tudo em mim estava fora de controle, principalmente meus sentimentos. Dei passos lentos para trás, até sentir meu joelho bater de encontro com a madeira da cama, fazendo-me cair sentada na mesma.
E, embora meus pensamentos estivessem lutando um contra o outro dentro da minha mente, uma única pergunta predominava e calava todos eles.
– Como você soube? – Perguntei, me referindo ao bebê, sem coragem o suficiente para olhar em seus olhos, mantendo meu olhar baixo e desfocado.
– A pergunta deveria ser: por que você nunca me contou? – Ele revidou, evidentemente inabalado.
Levantei meu rosto, encarando aqueles par de olhos verdes vibrantes e perigosos.
Eu tinha uma resposta para aquela pergunta na ponta da língua. Porque passei três anos pensando que deveria contar-lhe tudo, pensando que ele teria o direito de saber e que ficaria, ao menos, preocupado comigo. Ou, quem sabe, um pouco triste por saber que perdeu um filho. Mas não. Papai me convenceu e, depois eu vi, ele estava certo. Para que eu contaria? Gabriel não se importaria. Ele tinha coisas mais importantes na vida do que "aquilo". Ele não era o tipo de pessoa que se preocupava assim. Saber que eu perdi um filho seu não mudaria nada em sua vida.
Mas, antes mesmo que eu pudesse abrir a boca para responder-lhe, Ethan entrou no quarto.
– Gabriel, Hillary está lá embaixo te esperando – falou e depois, parecendo me notar ali, mudou sua expressão relaxada para uma preocupada. – Tudo bem com você, Emma?
Assenti com a cabeça e comecei a me levantar devagar, um pouco perdida em meus próximos atos. Peguei meu celular na cama antes de ficar totalmente de pé, e comecei a andar em direção a Ethan e Gabriel lentamente, na intenção de ir embora dali, de sair de perto de Gabriel, de ficar longe dele pelo máximo de tempo possível.
Mas eu lhe devia uma resposta.
Parei em sua frente e ergui o rosto, encarando novamente seus olhos. Sem medo.
– Foi por isso – respondi, vendo uma leve confusão em seus olhos quando não falei mais nada. Suspirei. – Você tem coisas mais importantes na vida, Gabriel. Eu seria muito iludida se pensasse que você se importaria.
Não esperei que ele dissesse mais nada, dei um passo para o lado e passei entre ele e Ethan, tomando todo o cuidado possível para não toca-lo, fazendo-o perceber que eu não queria estar perto dele. Não naquele momento, pelo menos.
Saí do quarto e fui direto para fora, em direção ao meu carro, para ir direto para a minha casa, andando de peito estufado, fingindo que estava tudo bem.
Mas nada estava bem. E eu não sabia se um dia ficaria.
Porque parecia que, quando tudo começava a ficar bem, alguma coisa acontecia para que tudo ficasse ruim de novo.
Notas finais
Vou fazer de tudo pra postar mais um na semana que vem, mas não prometo nada, porque tenho um livro pra ler pra escola e vários trabalhos pra fazer.
Enfim.
Deixem seus comentários!
Beijos e até o próximo! ;*
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