Not Over You
8 Capítulo 07 - Going Back Home.
Notas iniciais
Cheguei no prazo, hã?! Achei que não conseguiria.
Então, ia postar mais cedo só que eu estava ocupada...vivendo. Yey! Parece bobeira, mas é sério. Eu saio praticamente nunca, por isso é importante. Estou em uma cidade super incrível desde segunda-feira e vou embora no domingo, eu acho. Me desejem muita diversão!
Eu queria dedicar esse capítulo especialmente à Your Pretty, porque ela fez uma recomendação simplesmente perfeita para NOY. Amora, muito obrigada mesmo. Foi totalmente inesperado, me pegou de surpresa e me deixou mega feliz.
Leitoras novas, sejam muito bem-vindas! Gizinhacc, está aqui o capítulo que prometi, baby!
Enjoy :3
As manhãs de domingo eram as mais chatas, aliás, domingo era o pior dia da semana. Você fica entre levantar da cama ou virar para o lado e continuar tentando dormir. Mas, ironia ou não, as manhãs de domingo costumam roubar seu sono e te deixar com uma fome extraordinariamente gigante.
Levantei da cama com muita, muita preguiça. Peguei um elástico de cabelo e fiz um rabo de cavalo. Troquei o blusão cinza por uma blusinha de mangas cavadas branca, e calcei as pantufas antes de sair do quarto. Fiz minha higiene matinal no banheiro e depois desci para a cozinha. Consegui sentir o cheiro de panquecas enquanto escovava os dentes.
Assim que entrei na cozinha, vi Claire encarando Matthew com uma expressão preocupada e o mesmo a encarava com um pano de prato pendurado no ombro, enquanto a cafeteira preparava o café. Franzi as sobrancelhas para a cena e, ao abaixar meus olhos, vi meu celular na mão de Claire.
— Tudo bem? — Perguntei.
Minha melhor amiga virou os olhos, me enxergando na porta da cozinha. Ela andou até onde eu estava e me entregou o celular.
— Você acabou deixando seu celular aqui, Emma, e ele tocou enquanto eu estava fazendo panquecas — suas sobrancelhas se franziram ainda mais em preocupação. — Eu atendi...era a mulher do seu pai, Mariah, e ela disse que ele teve um ataque cardíaco.
Fiquei estática. Tinha aquela sensação de não sentir o chão abaixo dos meus pés. Não sabia o que sentir. Não sabia o que fazer. Só havia preocupação. E medo. Papai era a única família que me restara. E eu o amava, não importava nossas brigas e sua necessidade de cuidar de mim mais do que deveria. Ele era a única coisa que me restava. Sim, eu tinha amigos...mas é como querer substituir um chapéu por um óculos de sol. Ambos servem para a mesma coisa, mas não são a mesma coisa. E era meu pai e eu o amava. Era minha família.
— E como ele está? — Perguntei sem tirar meus olhos do ponto na parede ao qual eles haviam se fixado, só então percebendo que eu estava sentada em uma cadeira.
— Agora ele está melhor — Matthew falou, me entregando um copo de água.
Levantei da cadeira quase que instantaneamente.
— Vou vê-lo.
Sem esperar uma resposta, ou sequer olhar direito para meus dois melhores amigos, virei às costas e saí da cozinha, indo diretamente para o quarto de hóspedes.
Enquanto trocava de roupa, pensei nas mil e uma coisas que poderiam ter acontecido ao meu pai e eu não estaria lá. E se ele não tivesse Mariah? Ficaria caído no chão até morrer? Deus, eu estava desesperada. Essa era a sensação, agora eu sabia. Desespero.
Não precisava me preocupar com roupas, porque ainda tinha bastante coisa em Montana, até porque, levei poucas para Londres, acreditando ficar pouco tempo. E papai ainda não tinha mandado as que deixara para Londres.
Devidamente trocada para entrar em um avião, olhei dentro da bolsa para ter certeza de que meu cartão de crédito e meu passaporte estavam lá dentro, então joguei-a no ombro e saí do quarto quase correndo, descendo as escadas de dois em dois degraus.
Claire e Matthew estavam esperando sentados no sofá. Assim que me viu, minha amiga se levantou depressa e veio de encontro comigo.
— Vamos te levar até o aeroporto — ela falou com as mãos eu meus ombros.
Rapidamente saímos de sua casa e, para a minha sorte, o trânsito em Londres estava calmo e Matthew conhecia uma rota mais rápida até o aeroporto, o que nos fez chegar ao aeroporto Heathrow em quinze minutos.
Talvez os ventos estivessem ao meu favor, porque um voo para Great Falls saía em vinte minutos e, de lá, eram uma ou duas horas de carro até Helena, a cidade onde papai e eu morávamos. O grande e demorado problema era o tempo que ficaria dentro do avião.
Depois de prometer pra Claire que eu ligaria quando chegasse lá para dar notícias do meu pai, ela finalmente me deixou entrar no avião. Sentei na poltrona do avião e me recostei, virando o rosto para a pequena janelinha ao meu lado e suspirando.
Quem diria que eu voltaria para Montana tão rápido?
Só esperava que papai estivesse bem.
(...)
— Espero que você esteja de repouso — falei bem alto assim que coloquei os pés dentro da casa do meu pai, colocando a bolsa em cima da poltrona de couro que ele tanto amava.
A casa estava aparentemente silenciosa. Subi os dois primeiros degraus da escada de madeira e olhei rapidamente os dois lados do corredor do segundo andar. Parecia vazio. Cruzei o corredor que dava para a enorme cozinha que Mariah gostava tanto, mas também estava vazia. Tudo bem que a casa do papai era grande, mas qualquer ruído, por mais longe que estivesse, dava para ser ouvido.
Ouvi o barulho da porta de entrada sendo aberta e atravessei o corredor para chegar até lá. Papai e Mariah entravam em casa segurando sacos de supermercado em seus braços.
— O senhor não deveria estar de repouso? — Falei advertindo meu pai no momento em que seus olhos se cruzaram com os meus.
Papai era um homem com uma aparência jovem para a sua idade. Era e sempre seria mais alto que eu, estava em forma apesar das cervejas, deixava os fios pretos do cabelo se misturarem com os brancos da velhice e tinha poucas marcas de expressão no rosto. Não sei como, já que ele sempre foi um homem de muitas caras e bocas. E claro, ele era forte para a sua idade. Cuidar de uma fazenda exigia isso.
Ele sorriu, andou até um sofá e jogou os sacos de compra, então correu até onde eu estava e passou os braços por minha cintura, tirando meus pés do chão em um abraço apertado.
— Eu disse, Mariah, disse que ia funcionar — ele falou alegre. — Minha menina voltou pra casa.
— Sério, pai, você não deveria estar de repouso? — perguntei, envolvendo meus braços em seu pescoço. Sorri apesar de estar brava com ele...estava feliz em vê-lo bem. — E o que é que funcionou?
— Não preciso de repouso — falou após me colocar no colo e se afastar um pouco de mim. — Estou bem, nada aconteceu.
Franzi o cenho, confusa.
— Como não? Mariah ligou falando que você tinha tido um ataque cardíaco.
— Ah, era mentira — falou dando os ombros, como se aquilo fosse indiferente, como se não importasse o fato de ele ter quase me matado de tanto medo. — Eu queria que você voltasse pra casa e parecia a única maneira para fazê-la voltar.
Fiquei olhando-o sem expressar reação por um tempo, tentando pensar se acreditava ou não naquilo. Não, não...só poderia ser brincadeira. Era brincadeira. Tinha que ser.
— Você está brincando comigo, certo? — Falei soltando uma risada e dando um tapinha em seu braço. — Agora sério, pai, você deveria estar de repouso.
— Não é brincadeira, Emma — ele falou sorrindo. — Queria você de volta e veja só, consegui.
Fiquei estática. Fiquei entre acreditar ou não naquilo. Enquanto uma parte de mim acreditava arduamente que ele jamais inventaria uma mentira como aquela, outra parte dizia que estava na cara que ele mentiu, que isso era a cara dele, a cara de um homem que sempre consegue o que quer, por bem ou por mal.
— Ah, qual é, todo mundo vai mentir pra me ver agora? — Perguntei retoricamente, irritada. Papai arregalou um pouco os olhos, talvez não esperasse que eu ficasse mesmo zangada, ou que falasse assim com ele. — Tem noção do quanto eu fiquei preocupada, pai? Do tamanho do meu medo ao pensar que algo tinha acontecido à você?
— Não foi tão ruim assim — ele falou revirando os olhos. Pegou os sacos em cima do sofá e passou por mim, indo para a cozinha. O segui.
— Não foi tão ruim? Você foi a única família que me restou...ao menos imaginou como seria para mim saber que meu pai poderia ter morrido? Qual tamanho da sua maturidade? Ela parece sequer existir agora. — Falei nervosa, com a voz elevada, fazendo-o se virar para mim assim que pousou os sacos do mercado na mesa.
Peter, vulgo meu pai, não disse nada, apenas ficou me olhando com alguma expressão que eu não conseguia decifrar. Uma coisa misturada com arrependimento e certeza. Era como se uma parte dele demonstrasse se arrepender com o olhar e a outra demonstrasse não estar nem aí para sua mentira.
Encarei mais e mais, até que já não aguentava mais olhar para sua cara.
Ele não estava nem aí.
Queria perguntar por que diabos Mariah havia o ajudado, mas eu sabia muito bem que ela era louca por ele e que faria qualquer coisa para vê-lo contente. Por menos que fosse o problema, ela faria para que papai sorrisse nem que por uma hora, ou voltasse a comer direito. Vai saber o que ele fez para convencê-la. Mas não deve ter sido difícil.
Não sei. Minha cabeça estava confusa, dando voltas e tudo parecia desfocado diante dos meus olhos.
Eu não fazia ideia do que pensar.
— Eu vou voltar pra casa — falei baixo, virando de costas e andando em direção a sala para pegar minha bolsa e sair daquele lugar.
Eu estava me sentindo enganada, uma idiota. E estava decepcionada com meu pai, e com raiva também. Como ele tinha a capacidade de inventar uma mentira como essa? Era quase impossível de acreditar.
— Ouviu o que disse? — Ele gritou um pouco longe quando minha mão já estava na maçaneta da porta, conseguia ouvir seus passos apressados chegarem mais perto. — "Pra casa"? Desde quando Londres é sua casa? — Virei-me devagar, encarando seu rosto zangado.
— Desde que você me enganou — falei baixo, quase sussurrando.
— Isso tem a ver com aquele Gabriel, não tem? Ele não te faz bem, Emma, e eu não quero ver você com ele! Esqueceu o que você passou por causa desse canalha?
— Não tem nada a ver com ele, pai — quase gritei. Respirei fundo, tentando me controlar o máximo possível. — Isso tem a ver com você e a mentira que você contou — falei devagar. — Essa sempre será minha casa, pai, mas você me enganou... Uma mentira dessas! Acho que foi a pior coisa que você já fez, a pior mentira que já contou...não foi?
Ele não conseguiu sustentar meu olhar por muito tempo, baixou os olhos para os pés como se estivesse constrangido...com medo. E eu nunca tinha visto-o daquele jeito. Mas ele também não falou nada, apenas ficou naquela posição. Nem negou, nem concordou. Franzi as sobrancelhas.
— Ou não — falei e ele levantou os olhos para mim. — Só Deus sabe as mentiras que você já foi capaz de contar.
Virei de costas novamente e abri a porta, saindo de lá sem dizer tchau, e com a dolorosa impressão de que aquela realmente não havia sido a pior mentira...não havia sido a pior mentira que ele contou pra mim.
Mas o pior de tudo era que, até virar de costas, eu ainda tinha esperanças que aquilo fosse apenas uma piada.
(...)
Era quase seis da manhã quando o táxi parou em frente à casa de Claire. Eu estava cansada, meus olhos estavam pesando e meus ossos estavam doloridos porque poltronas de avião não são nada confortáveis. Mas com certeza um café bem forte seria o suficiente para que eu aguentasse um dia inteiro no trabalho.
Entrei tentando fazer o mínimo de barulho possível. Conseguia ouvir barulhos na cozinha e enxergar a luz acesa. Provavelmente Claire e Matthew já estavam fazendo café-da-manhã. Poderia ir direto pra lá, mas eu teria que explicar por que cheguei tão rápido e não estava com vontade de fazer isso naquele momento.
Subi as escadas devagar, praticamente me arrastando.
Assim que entrei no quarto, me deparei com a completa escuridão. As cortinas cor de café estavam fechadas e não dava para enxergar absolutamente nada. Acendi a luz, e fechei os olhos como reflexo, me acostumando com a forte claridade. Assim que voltei a abri-los, vi um corpo masculino e forte deitado na cama. Gabriel estava com meu travesseiro em cima de seu braço, com a cabeça repousada nele. Ele estava deitado com a barriga para baixo, deixando suas costas nuas a vista. Usava nada mais do que uma calça jeans escura.
Suspirei cansada. Estava física e psicologicamente cansada demais para mandar Gabriel sair do meu quarto. E ele dormia tão profundamente que eu chegava até a achar um pecado acorda-lo. Escorrei a bolsa pelo braço e a deixei no chão, encostada na parede, bem ao lado da porta. Andei devagar até a cama e me sentei do outro lado, encostando as costas na cabeceira da cama e cruzando os pés com as pernas já em cima da cama. Gabriel se mexeu, se virando para mim e abrindo os olhos minimamente, mas o suficiente para que ele me visse ali.
— Emma? — Ele falou surpreso, levantando o tronco do corpo depressa, ficando sentado na cama com o corpo apoiado no braço. Ele passou a mão pelo rosto e piscou algumas vezes. — O que faz aqui?
— Acabei de chegar de Montana — respondi baixo, olhando para as minhas mãos apoiadas em minhas coxas e vendo meus dedos brincarem um com o outro.
Virei-me para olhar Gabriel e ele estava... Soltei um longo suspiro. Ele estava lindo. Seus cabelos estavam rebeldes, o verde de seus olhos mais vivo do que nunca e sua boca vermelha como nunca igual. Desci meus olhos por seu pescoço, seus ombros, seu peito liso e macio, então por seu abdômen. A barra de sua cueca estava a vista, e foi o que me fez voltar a olha-lo nos olhos. Eu me sentia tão segura com ele ali, e me sentia tão perdida.
— Como está seu pai? Você devia ter me avisado que voltava tão rápido...aliás, você deveria ter avisado que estava indo pra Montana. Ou pelo menos atendido minhas ligações! — Ele falou rápido, em uma bronca.
Por mais que eu odiasse quando ele falava daquele jeito comigo, com tanta possessividade, como se fosse meu dono ou até mesmo meu pai; naquele momento, isso me fez sorrir de leve. Gabriel tinha um jeito estranho de me fazer sentir bem sem nem perceber. E eu amava isso nele tanto quanto o jeito intenso e perigoso com o qual ele me olhava.
— Meu pai está ótimo — respondi, sem me preocupar com as outras coisas que ele disse. — Ele...ele mentiu — baixei os olhos novamente, virando minha cabeça para frente.
— Como assim ele mentiu? — Ele grunhiu.
— Queria que eu voltasse pra casa — falei, voltando a olhar em seus olhos. Ele ficou me olhando com seriedade alguns segundos, mas então soltou um riso abafado e apertou os olhos pra mim.
— Mentira sua! Seu pai não faria uma coisa dessa — duvidou.
Sorri com o canto da boca. Ah, eu também pensei que ele não faria uma coisa assim, eu também duvidei que fosse verdade. Mas, ao que parece, meu pai não estava nem ligando por ter inventado uma mentira como essa, ele não estava se importando...nem um pouco.
— Foi o que eu pensei também.
Olhei para meus dedos brincando nervosamente uns com os outros em cima das minhas pernas. Então senti as mãos grandes e quentes de Gabriel tocarem meu pescoço devagar, enquanto seus dedões acariciavam minhas bochechas. Ele puxou meu rosto para ele levemente, e ficou me encarando até que eu levantasse meus olhos para os seus. Os segundos passaram se arrastando enquanto ele olhava sem piscar para o fundo dos meus olhos. Meu corpo se arrepiava com aquele olhar que de tão intenso e profundo parecia ver minha alma.
Sem dizer uma palavra, ele puxou meu rosto para mais perto, tirando suas mãos do meu pescoço rapidamente e rodeando meus ombros com seus braços, fazendo meu corpo pender e cair sobre seu peito, enquanto me apertava com força. Gabriel se aconchegou de forma que eu ficasse sentada e com as costas e a cabeça apoiadas em seu peito, no meio de suas pernas. Seus braços me abraçavam pelos ombros e colo.
Por mais que eu precisasse sair de seus braços, eu não conseguia. E eu não queria. Era tão confortável e quente e eu queria tanto estar ali.
Coloquei a mão em um dos seus braços e acariciei de leve.
— Sei que é egoísta nesse momento — Gabriel sussurrou em meu ouvido devagar, com sua voz rouca e grave me arrepiando — mas...não vai mais embora sem me falar. Nem que for pra me mandar uma mensagem qualquer.
Suspirei pesadamente e assenti, me certificando de que ele viu quando seu braço me apertou ainda mais contra seu peito. Uma de suas mãos começou a acariciar carinhosamente meu cabelo enquanto seu braço esquerdo ainda me apertava. Meus olhos começaram a pesar conforme sua mão passava por meu cabelo.
— Dorme, Emma, você está precisando — falou devagar, com a voz calma e doce...de uma forma que eu raramente ouvia.
Pensei no trabalho, lembrei de que meu horário começava às sete e de que eu deveria estar lá, mas pensei em tudo o que aconteceu em pouco mais de vinte quatro horas. Com certeza Nicholas não se importaria se eu precisasse faltar um dia, certo?
Como se lesse meus pensamentos, Gabriel disse:
— Tente não se preocupar com o trabalho. Claire ligou para seu chefe ontem à tarde e disse que você não poderia trabalhar hoje. Ele disse que tudo bem, então você pode explicar tudo amanhã.
Assenti lentamente e fechei os olhos, finalmente deixando o sono e as carícias de Gabriel me adormecerem.
(...)
Acordei sozinha no quarto, que estava meio iluminado por causa da luz de algum abajur que colocaram ali. Estava usando uma calça de moletom ao invés da minha calça jeans e estava sem o meu casaco. Meus pés estavam somente com meias de algodão quentes. Estava debaixo das cobertas grossas de cor creme.
Me descobri devagar, sentando na cama por alguns segundos antes de levantar. Andei até a porta do quarto e peguei meu casaco que estava pendurado ali para vesti-lo. Avistei meu celular em cima da mesinha de cabeceira e o peguei antes de sair. Era quase sete da noite.
Senti a minha barriga roncar de fome, e me lembrei de que havia comido apenas algumas barrinhas de cereais no avião.
Desci as escadas até a cozinha e, pouco antes de chegar perto da porta, consegui pegar um pedaço da conversa de Claire e Gabriel.
— Leve ela para jantar — ele falou. — Vai anima-la e ela precisa disso.
— Sim, claro, é uma boa ideia — ela disse e então suspirou pesadamente. — Não acredito que Peter foi capaz de inventar algo assim só para que ela voltasse para Montana.
— Nem me fale — Gabriel grunhiu parecendo nervoso.
Entrei na cozinha no segundo seguinte e, assim que me viu, Gabriel endireitou o corpo, que estava apoiado no balcão de madeira da Claire e sorriu minimamente pra mim, fazendo com que minha amiga olhasse para trás e me visse.
— Como dormiu? — Os dois perguntaram ao mesmo tempo, o que me fez rir um pouco.
— Bem, mas estou com fome — falei, me sentando em um dos banquinhos da bancada, ficando quase de frente para Gabriel.
— Vou fazer alguma coisa pra você comer, ok? — Claire ofereceu e eu assenti, soltando um bocejo logo depois.
Ela foi direto até a geladeira e começou a fuçar lá dentro a procura de alguma coisa que eu não sei qual era. Gabriel sorriu quando meus olhos passaram por ele e se apoiou no balcão novamente, mas bem na minha frente dessa vez, fazendo nossos rostos ficarem muito próximos.
— Comprei uma coisa pra você — falou e saiu andando, provavelmente para pegar seja lá o que ele tenha comprado, deixando seu hálito de menta rodeando meu ar.
Fiquei sentada no banco balançando meus pés no ar, enquanto Claire cortava alguns legumes na pia.
De repente uma mão segurava uma rosa vermelha sem espinhos em minha frente, e um corpo quente se encostava em minhas costas. Ao lado da rosa, surgiu uma mão segurando um bombom de chocolate embalado em papel vermelho e dourado. Meu favorito.
Sorri, mesmo que ele não pudesse ver. Estiquei as mãos e segurei a rosa e o bombom. Como força do hábito, levei a rosa até o nariz, inalando seu perfume. Enquanto a rosa estava perto do meu rosto, trazendo seu perfume para dentro de mim, senti lábios úmidos em minha bochecha e ouvi um estalo. Gabriel havia deixado um beijo ali.
Ele saiu de trás de mim e se sentou ao meu lado, colocando os braços em cima da bancada.
Deixei a rosa em cima das minhas pernas e abri o bombom devagar. Aquele pedaço de chocolate parecia mais gostoso do que nunca. Senti os olhos de Gabriel em mim e me virei para encara-lo.
— Quer um pedaço? — Perguntei e ele assentiu como uma criança envergonhada. — Bem pequeno, hein — ri.
Uma de suas mãos segurou meu pulso e puxou minha mão para perto de sua boca. Ele então mordeu um pedaço de bombom, e, sem querer ou não, seus lábios tocaram meus dedos rapidamente. Ele sorriu de boca fechada enquanto mastigava o pequeno pedaço de chocolate. Gabriel tinha pegado menos da metade.
— Emma — Claire falou, chamando minha atenção para si —, que tal se nós formos jantar sexta-feira? Sabe, só nós duas.
— Por mim tudo bem — falei com um sorriso e comecei a comer o bombom.
Eu conseguia notar que eles estavam fazendo de tudo para que eu não pensasse em meu pai naquele momento e até que conseguiram, o que me deixou agradecida. Eu não queria de fato pensar nele e na mentira que ele contou. E eu me conhecia o suficiente para saber que eu começaria a questionar minha própria mente sobre em quais das coisas que ele contou acreditar e em quais não.
Ainda tinha muito tempo para pensar sobre isso. Apesar de não querer.
As coisas poderiam ser mais fáceis.
Notas finais
Beijos, amoras :3
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