Not Over You
29 Capítulo 28 - I loved the man you were
Notas iniciais
Fiquei encarando a grande casa que estava logo em minha frente, a alguns metros de distância. Queria ir até e queria ficar onde estava. Tinha medo das coisas que ouviria, tinha medo de enfrentar toda a verdade. Pareceria ilusão enquanto eu não ouvisse da boca de Peter – como algo presente, mas longe de mais para que pareça real. Minhas pernas estavam tremendo quando comecei a andar, uma das minhas mãos segurava minha mala e a outra estava firme nas alças da bolsa pendurada em meu ombro, ambas suavam como se estivessem derretendo. Meu coração batia tão alto que eu era capaz de ouvi-lo, sentia que era capaz de ouvir até o sangue correndo por minhas veias.
Traída.
Pelo meu próprio pai.
Passei pela macieira que fora plantada para fazer sombra perto da varanda da casa, e avistei três carros estacionados do outro lado, denunciando que provavelmente todos estavam em casa. A única pessoa com quem eu falara recentemente fora Ty, que me ligava uma vez por semana para saber como eu estava e me contava sobre como estavam as coisas na fazenda. Por esse motivo e apenas esse eu sabia como meu pai estava. Mas, naquele instante, eu não poderia me importar menos com seu estado. A única coisa que conseguia pensar era no quão despedaçada cada parte de mim estava, no tamanho da dor e da raiva que eu estava sentindo crescer dentro de mim cada vez mais. E na vontade que eu tinha de olhar nos olhos do meu pai e o ouvir dizer que era tudo mentira, que mentiram para mim e que minha mãe estava bem. Que ela estava viva.
Quando finalmente subi as escadas da varanda, no entanto, Mariah abriu a porta de entrada da casa. Parecia extremamente surpresa ao me ver ali, com seus olhos castanhos arregalados e a boca rosada aberta em espanto.
– Emma? – Indagou.
Não respondi, apenas continuei encarando-a sem emoção.
Ela me analisou de cima em baixo e se demorou mais por meu rosto, ao qual eu tinha certeza que se encontrava num estado deplorável. Sabia que meus cabelos estavam desgrenhados, que meu rosto estava inchado e meus olhos avermelhados, tinha noção que minha expressão não deveria ser a das melhores também. Era ciente disso porque me sentia assim. Sentia-me péssima, deplorável, digna de pena, perdida, sozinha. E traída – não conseguia tirar essa única palavra da minha cabeça.
– O que faz aqui? O que aconteceu? Você não parece nada bem – ela soltou tudo de uma vez, dando alguns passos para se aproximar de mim.
– Vem falar com Peter – respondi seca – sobre minha mãe.
Mariah engoliu em seco e, apenas quando olhou para os próprios pés, notei que puxava uma mala preta de rodinhas e junto dela uma maleta de mão.
– Você já sabe? – Perguntou, voltando a olhar em meu rosto.
Assenti com a cabeça e senti meus olhos se enxerem de lágrimas enquanto franzia o rosto numa expressão de dor.
Ela suspirou.
– Ty falou que… – ela começou, porém fez uma pausa e olhou para os lados, não como se estivesse certificando-se de que ninguém a ouvia, mas como se estivesse buscando coragem para falar comigo olhando em meus olhos. – Que você e Gabriel terminaram.
Murmurei uma resposta afirmativa.
– Precisamos conversar – falou, finalmente voltando a me encarar. – Tem uma coisa que você não sabe.
Mordi o lábio inferior antes de respondê-la com aspereza:
– Isso não me surpreende.
…
– Emma, tente se manter calma – Ouvi Mariah perguntar, mas sua voz apenas parecia distante demais.
Joguei minha bolsa no chão furiosamente, logo me levantando da cadeira de cordas que estava sentada e rumando em passos firmes e decididos para dentro da casa de Peter, enquanto ouvia os gritos de Mariah me chamando ao fundo e pedindo para que eu me acalmasse repetidas vezes. Abri a porta sem bater e, com um ódio sobrenatural possuindo cada veia sanguínea minha, passei o braço pela mesinha que ficava logo na entrada, derrubando dois vasos de flores de porcelana no chão, vendo-os se estilhaçar e ouvindo-os fazer um barulho alto.
Lágrimas grossas escorriam por meu rosto enquanto eu caminhava pelo corredor que levava até cozinha, apoiando meus braços nas paredes que pareciam se mexer conforme eu andava entre elas, me deixando tonta, atordoada.
Parei na porta da cozinha quando vi Peter. Ele havia se levantado e parecia assustado, provavelmente pelo barulho vindo da sala e também por minha aparência.
– O que foi, filha? – Ele perguntou.
Senti uma pontada em meu coração quando ele me chamou daquele jeito. Eu não conseguiria explicar o tamanho da minha dor naquele momento nem que passasse três vidas tentando encontrar palavras que a definissem. Fechei meus olhos com força, e tenho certeza de que minha expressão se transformou em uma careta de dor.
Ele não tinha mais o direito de me chamar daquele jeito. E eu não sabia como conseguia ter a coragem para isso. Ele mentiu, omitiu, enganou. E, a partir daquele momento, eu sabia que jamais conseguiria perdoá-lo. Não importava o que ele fizesse, não importava nem se ele morresse… eu apenas não conseguiria. A ideia de voltar a abraçá-lo ou a conversar com ele embrulhava meu estômago.
O chão embaixo dos meus pés parecia se mover quando ousei soltar o batente da porta da cozinha e dar passos lentos em direção a Peter. Minha boca estava seca, o mundo pareceu evaporar e tudo o que eu conseguia sentir era raiva, tudo o que eu conseguia ver era o homem que dizia me amar e que, naquele momento, eu sequer conseguia reconhecer.
– Você não tem o direito de me chamar assim – falei num sussurro quase inaudível. Pisquei lentamente, apertando minhas mãos em punho ao voltar a parar de andar e me notar tão próxima daquele homem quanto estava. – Eu tenho nojo de você.
Por dentro eu estava quebrada, sentindo nojo por compartilhar o mesmo ar que Peter, com repulsa por ter seu sangue correndo por minhas veias, com raiva por ter sido traída e enganada pelo único homem no mundo que tinha o dever de cuidar de mim, de ser pelo menos um pedaço da minha felicidade. Estava queimando de ódio de vê-lo parecendo tão tranquilo, sendo que era um mentiroso manipulador… o homem responsável por cada lágrima e desgraçada na minha vida nos últimos anos. Porém, por fora, eu parecia congelada. Estava tão incrédula que sequer conseguia agir direito. O nojo que sentia por Peter Carter, naquele momento, me fazia querer ficar longe dele, sequer lhe dirigir uma palavra.
– O que aconteceu, Emma? – Perguntou, estufando o peito em orgulho. – Você pensa que é quem para vir aqui e falar comigo nesse tom? Sou seu pai, mereço respeito. E não é porque você provavelmente foi jogada na sarjeta por aquele moleque outra vez que você pode...
– CALA A SUA MALDITA BOCA – gritei, sentindo-me totalmente fora de mim, enquanto lágrimas pareciam cair com cada vez mais força e rapidez dos meus olhos.
Virei-me de costas para Peter e joguei o telefone que estava em cima do armário de madeira no chão, esse logo sendo seguido por um pote de doces, um vazo de flores, agendas telefônicas e, por último, um forno micro-ondas que, junto dele, levou uma cadeira ao chão. Foi quando senti Peter segurar meus braços com força, impedindo-me de continuar. Minha vontade era de colocar sua casa inteira abaixo, depois destruí-lo com palavras e ofensas e então vê-lo queimando sozinho no próprio veneno, assisti-lo ver seu mundo caindo, como eu vi o meu por sua culpa.
– Me larga, seu maldito desgraçado – gritei, esperneando e tentando atingí-lo com chutes por trás.
– Emma, pelo amor de Deus, se acalma e me diz o que está acontecendo – ele tentou dizer calmamente, embora sua voz estivesse alta, mas apenas isso me deixou ainda mais irada.
– EU DISSE PRA VOCÊ ME LARGAR – berrei, conseguindo finalmente me soltar de suas mãos e caindo de joelhos no chão, de costas para Peter.
Apoiei minhas mãos em minhas pernas e deixei que soluços altos escapassem por minha garganta, sentindo-me ser cada vez mais consumida por ódio, por uma íra assustadora. Minhas mãos tremiam tanto que estavam apertadas em punho para que eu não me concentrasse na minha perda de controle, minha pele sendo praticamente roída por minhas unhas. Minha cabeça se embaralhava com pensamentos, perguntas, sentimentos, xingamentos. E, talvez pela primeira vez em toda a minha vida, eu senti a necessidade de ser violenta. Senti meus dedos formigarem de vontade de atingir o rosto do meu pai até que ele se transformasse em um borrão junto com todos os seus atos e os rastros deles.
Minha garganta parecia estar se fechando cada vez mais, parecia estar se entalando de verdades não ditas e ódio não expresso.
– Eu odeio você – disse entre soluços, enterrando minhas unhas no jeans da calça que estava usando. – E eu deveria te amar – um chiado escapou de minha garganta. – Você deveria me proteger.
– Emma – ouvi a voz de Mariah falar um pouco longe depois de alguns segundos, ela parecia assustada e meu nome saiu de sua boca com um grito de espanto.
Levantei do chão lentamente, sentindo meus olhos arderem, meus ossos doerem e meus pulmões falharem. Virei-me lentamente para Peter, vendo seu rosto aparecer em meu campo de visão aos poucos. Ele parecia calmo, mas seus olhos quase arregalados denunciava o quanto ele estava assustado com minhas ações.
É porque eu nunca fui de perder o controle. Sempre tive passividade escapando por meus poros, ainda mais quando se tratava dele. Eu sempre fui a garota que ouvia calada cada palavra que ele me dizia e obedecia praticamente qualquer ordem. Me ver assim era chocante até mesmo para mim.
Respirei falhadamente, ainda sentindo lágrimas rolarem sem piedade alguma por meu rosto.
– Diga-me, papai – sussurrei, sentindo-me ser cutucada por pontas de vidros ao chamá-lo daquele jeito, e usando todo o sarcasmo e acidez que conseguia –, como está minha mãe?
De repente, não eram apenas seus olhos que me mostravam seu susto. Seu rosto perdeu completamente a cor, seu rosto foi de frieza e ignorância para pânico em milésimos de segundos, enquanto eu assistia sua garganta puxar uma lufada de ar com força e sua barriga se contrair.
Ele sabia que eu sabia.
O clima na cozinha pareceu ficar mais pesado, mais tenso – e eu me perguntei como isso era fisicamente possível se eu já me sentia sufocada mesmo fora da casa, no ar livre. E tudo o que eu conseguia enxergar naquele momento era o homem alto e forte em minha frente, focalizado em meus olhos como se fosse minha presa e eu estivesse prestes a atacar.
Minha garganta parecia estar se fechando cada vez mais, parecia estar se entalando de verdades não ditas e ódio não expresso.
– ME RESPONDA! – Gritei, minha voz saindo como num rosnado. – Responda a minha pergunta, RESPONDA A MERDA DA MINHA PERGUNTA! Como. Está. Minha. Mãe?
Assisti ao seu pomo de adão subir e descer ao que Peter engoliu em seco, antes de vestir sua máscara de força outra vez e me responder:
– Morta.
Soltei uma risada sem humor e semicerrei os olhos, sentindo que eles pegavam fogo. Lágrimas os queimavam, assim como a minha raiva, minha tristeza… Minha decepção. Caminhei para ficar apenas a alguns centímetros de Peter. Sua altura e sua mandíbula travada não me intimidavam. Ele parecia simplesmente tão pequeno e insignificante aos meus olhos…
– Você vivia dizendo que eu era muito fraca, que às vezes eu precisava ser tão cruel quanto a vida era… Mas sabe de uma coisa, Peter? – Indaguei. Minha voz não passava de um sussurro, meu rosto ficava cada vez mais molhado por lágrimas e minhas mãos tremiam. Aquele homem que eu mal era capaz de reconhecer me olhava com as sobrancelhas franzidas, e o mundo fora da bola em que nós dois estávamos parecia distante. – A vida nunca vai me machucar tanto quanto você fez.
Respirei fundo e fechei aos olhos por breve segundos antes de continuar:
– E eu prefiro ser ferida e magoada pela vida mil vezes a ser como você.
– Emma – ele tentou, soltando um suspiro e esfregando as mãos no rosto. – Você não precisa exagerar.
Soltei outra risada sem humor algum, passando as costas da minha mão em minhas bochechas para afastar as lágrimas. Olhei para a parede atrás de Peter por alguns segundos antes de olhá-lo outra vez.
– Você é completamente insano – falei olhando em seus olhos. – Você…
– VOCÊ ESTÁ EXAGERANDO – ele repetiu, me interrompendo, dessa vez num grito… mas não pareceu intimidador. Em seus olhos era como se ele buscasse uma desculpa a si mesmo para explicar seus atos. – Eu fiz isso por você, pare te proteger… se você não fosse sempre tão inocente e frágil, talvez as coisas tivessem sido diferentes.
Agarrei um vaso de vidro com flores que havia em cima da mesa e o arremessei na parede com força, vendo quase como eu câmera lenta ele passar de raspão pela orelha de Peter e logo depois se estilhaçar em mil pedacinhos.
– VOCÊ MANDOU TIRAR MEU BEBÊ – gritei, soltando um rosnado e me segurando para não avançar nele e o encher de quantos tapas e socos eu conseguisse.
Ele não era meu pai. E ele não merecia meu respeito. Peter Carter não merecia nada.
– É SUA CULPA! – Tornou a gritar. – Tinha uma vida brilhante, mas deixou aquele moleque interferir nela e se estragou sem ao menos perceber. Não tinha o direito de ter aquele bebê, nem saber sobre a morte de sua mãe… ela deve sentir vergonha de você!
A única coisa que ouvi depois de suas palavras foi o estralo que minha mão causou em seu rosto. Foi forte e ardido. A palma da minha mão ardeu e, quando olhei para sua bochecha, vi a marca perfeita dela lá.
Peter olhava para mim incrédulo, chocado. Parecia ter sido atingido por um choque de realidade porque, de repente, seu rosto não tinha mais determinação. Era alguém triste e acabado olhando para mim.
– Não ouse falar dela como se a conhecesse – sussurrei com a mandíbula travada. – Ou como se a respeitasse e amasse. E não ouse falar de mim como se fosse digno de alguma coisa quando, na verdade, nem de pena você é.
Ele não respondeu, não tinha coragem ou palavras para isso.
Engoli em seco e me afastei um passo.
– Quero ouvir da sua boca – sussurrei. – Diga que mandou tirarem meu bebê e que mentiu para mim todos esses anos, que me enganou e me fez acreditar que você valia alguma coisa.
Sem olhar em meus olhos, ele balançou a cabeça.
– Mandei tirar seu bebê – disse num tom igualmente baixo ao meu –, e escondi isso de você esses anos.
Ouvi-lo dizer aquilo foi como senti-lo girando a faca que já estava fincada em meu peito apenas para me causar mais dor. De todas as mentiras, de todas as lágrimas que eu já havia derramado, de toda a dor que já havia sentido ao longo da vida, de todas as mágoas guardadas dentro de mim… ouvir Peter ultrapassou a dor de todas elas. Parecia que, enquanto eu não ouvia ele mesmo dizer, algo em mim ainda me confortava. Talvez eu ainda tivesse esperanças de que fosse mentira. Mas era tudo verdade. Eu havia sido enganada. E, o pior de tudo, pelo homem que me criou e que eu amei por anos, pelo homem que jurou me proteger da dor e das pessoas mal intencionadas, pelo homem que cuidou de todos os joelhos ralados e que me contava histórias e me fazia acreditar que eu encontraria um príncipe encantado quando crescesse. Era o homem que dizia me amar que me enganou…
Isso causava uma dor agonizante em mim, porque pela primeira vez eu olhei para o meu pai e não sabia quem via em minha frente, não tinha ideia de quem era aquele homem, e todas as coisas que ele me falara de repente pareceram mentiras. Não conseguia mais enxergá-lo como um herói, não conseguia mais vê-lo como meu porto seguro. Peter Carter parecia tão assustador quanto meu pior pesadelo.
Engoli o nó que se formou em minha garganta e me proibi de voltar a chorar em sua frente.
– Você sabe – comecei, engolindo outro nó em minha garganta, engolindo o ódio e a tristeza existentes em mim naquele momento… já não aguentando mais –, eu conheci um bom homem.
Fiz uma pausa curta antes de continuar:
– Você foi um bom homem, Peter, foi um bom pai. Me ensinou coisas que eu jamais vou esquecer, sorriu pra mim, cuidou de mim, me defendeu e me protegeu. Você cuidou dos meus sonhos, amou cada expectativa e cada erro meu – soltei um suspiro falho. – Vou sempre amar aquele homem, aquele pai – continuei. – Vou sempre me lembrar dele.
Mordi o lábio inferior e senti a vontade de derramar todas as lágrimas que estava segurando vindo mais forte do que nunca. Respirei fundo antes de continuar, dando um passo a frente e erguendo o queixo para olhá-lo com firmeza nos olhos. Queria que doesse, queria que machucasse, queria que cada palavra que saía da minha boca o ferisse como uma queimadura. Uma queimadura que jamais cicatrizaria. Mas, acima de tudo, queria que ele entendesse... queria que ele enxergasse... cada traço de dor que me proporcionou, cada lágrima que me fez derrubar e, acima de tudo, toda a verdade em minhas palavras.
– Mas esse homem não existe mais – prossegui –, você não é mais ele.
Abaixei minha cabeça por alguns segundos, olhando para os meus pés e sentindo algumas lágrimas escaparem dos meus olhos. Limpei-as antes de voltar a encarar Peter, reunindo forças para continuar:
– E o homem que você se tornou – balancei a cabeça de um lado para o outro –... eu não consigo amá-lo.
Não me importei com os sentimentos expressos com uma clareza nunca vista em seus olhos, não me importei com as lágrimas que escorriam por suas bochechas e nem com sua mão sendo estendida para tentar me segurar enquanto eu passava por ele para sair daquela casa. Apenas caminhei para sair dali em passos decididos, deixando que minhas lágrimas caíssem livres por meu rosto quando já não podiam me ver. Empurrei a porta decidida a lembrar de Peter como se fosse apenas uma parte bonitinha da minha infância e que já não tinha tanta importância. Seria difícil, claro que seria. Mas, enquanto pegava minha bolsa do chão, ignorando os papéis e canetas caídas por ali, e carregava minha mala de mão, já havia determinado esquecer Peter Carter e a vida que ele me deu.
E essas foram as últimas palavras que disse ao meu pai.
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