Not Over You

26 Capítulo 25 - A thousand memories in my mind


Notas iniciais
Olá, cupcakes ♥ Como vocês estão? Eu sei que tinha prometido postar no domingo, mas houveram imprevistos. Primeiro eu decidi acrescentar um capítulo na história, que é esse, então comecei a escrever no meio da semana, haha. Daí esse final de semana eu passei numa chácara com a minha família, me diverti, fui feliz e me lambuzei de protetor porque odeio ficar bronzeada ~vermelha, cof cof~. E aí no domingo a noite, quando voltei, eu fui pra uma festa que estava tendo aqui na cidade, então não pude escrever. E na segunda eu fui resolver uns documentos meus e ver um filme na cidade ao lado e quando voltei tava tendo festa na cidade de novo e eu fui. Tô contando isso só pra vocês saberem que eu não estava enrolando, ok? Mas, enfim, assim que cheguei em casa hoje comecei a escrever pra finalizar esse capítulo. Eu gostei dele ♥ Espero que vocês gostem também! Boa leitura!

– Ora, vamos, Emma – Sophia insistiu, dessa vez puxando o cobertor de cima do meu corpo e o jogando para cima, ao que ele foi parar no chão logo após se abrir como uma tenda no ar. – É domingo!

– Sim, domingo – murmurei emburrada, me encolhendo e grunhindo. – Pessoas dormem aos domingos de manhã.

– Bem, sim se elas não me tiverem como colega de quarto – falou em tom de brincadeira, embora ainda soasse decidida. – Sério, levanta, vamos almoçar no Nello's.

– Por que? – Perguntei num bocejo, desistindo de tentar dormir e me sentando, olhando para Sophia, que estava de pé ao lado da cama de braços cruzados.

– Porque você está aqui há um mês e ainda não foi conhecer o Nello's – ela disse como se fosse óbvio, logo depois revirando os olhos. – Vamos, Emma, eu te falo desse restaurante desde que você chegou! É meu favorito e você ainda não foi! É quase um crime.

– Eu não me importo em ir pra cadeia – respondi.

Eu não costumava ser tão sem educação assim com as pessoas, mas Sophia fingia nem ouvir quando eu agia de maneira grossa e, para compensar, ela não era exatamente um poço de delicadeza. E eu ficava feliz por isso, porque ela era realmente uma pessoa incrível e eu não queria que, só porque eu estava numa fase ruim da vida, parecesse que eu era assim o tempo todo e não gostava dela.

Ela apenas revirou os olhos e sorriu como se eu não tivesse dito uma palavra.

– Volto em quinze minutos, esteja pronta – falou antes de se virar e sair do quarto sem dizer mais nada.

– Não vou a lugar nenhum – disse para mim mesma.

Eu só não estava no clima para sair.

Mesmo assim eu me levantei e fui para o meu banheiro fazer minha higiene matinal e me vesti com uma roupa bem grossa e quente, já que ainda estávamos no inverno. Quando Sophia me viu saindo do quarto antes dos estimados quinze minutos, seu sorriso se abriu e ela desligou a televisão pelo controle sem esperar eu dizer alguma coisa.

– Não quero ir, Sophia – murmurei, virando as costas para ir a cozinha. – Sem chance mesmo.

Ela não respondeu.

Almoçamos no Nello's.

– Vou dormir – falei para Sophia, tirando o cobertor fino e felpudo das minhas pernas e me levantando, ouvindo minha colega de quarto murmurar alguma coisa e voltar a babar na nossa almofada. O dia que ela fosse dormir em sua cama de primeira eu acharia estranho, o sofá era como uma mantinha… a fazia dormir em segundos. Soltei uma risadinha. – Boa noite.

Fui para o quarto e, sem ao menos acender as luzes, pulei direto em minha cama, me enfiando debaixo dos cobertores quentinhos. Quando encolhi minhas pernas e me arrumei em posição fetal, finalmente fechei os olhos, esperando ser levada à inconsciência em poucos minutos.

Porém, lembrei de Gabriel… como sempre.

Fala sério, Gabriel ameacei levar minhas mãos até a venda preta que estava tapando meus olhos e gargalhei quando ele puxou meus pulsos para baixo e me deu um beijo estalado na bochecha, mantendo meus braços presos atrás das minhas costas.

Paciência, Emma ele sussurrou em meu ouvido, sem parar de andar e de me guiar. As pessoas já estão me olhando como se eu estivesse te sequestrando.

Gargalhei outra vez.

Amor, se esse fosse o caso eu estaria gritando e você seria mais esperto de não andar comigo tão solta e num lugar tão movimentado falei, ouvindo o barulho das pessoas andando e conversando e rindo.

Eu poderia muito bem ter te seduzido e assim te convencido a ficar quieta ele falou normalmente, parecendo sério. Eu sou bonito pra caramba, seria fácil.

Sorri e balancei a cabeça.

Eu não posso discordar confessei. Mas, amor?

Sim?

Não seja tão egocêntrico disse, rindo ao ouvi-lo bufar.

Fica quieta, nós chegamos.

Gabriel parou por alguns segundos e trocou algumas poucas palavras com um homem, mas nada que pudesse me indicar onde estávamos. Cada veia do meu corpo pulsava de ansiedade e curiosidade.

Logo em seguida, ele me guiou para algum lugar. Pediu para que eu levantasse os pés, que estávamos subindo em alguns degraus e, logo em seguida, ele parou, soltando meus braços e levando minhas mãos até alguma coisa de vidro, deixando-as espalmadas lá enquanto me abraçava pela cintura e descansava o queixo em meu ombro.

Amor?! Sussurrou, e logo depois eu ouvi as vozes de outras pessoas ao redor de nós.

Hum? Respondi, sentindo o lugar em que estávamos dar um tranco que me fez arfar e, logo depois, pelo que me pareceu, começar a se movimentar.

Lembra da primeira vez em que nos beijamos? Perguntou.

Balancei a cabeça afirmativamente.

Eu estava bêbada e foi há muito tempo, mas lembro.

Gabriel riu, deixando um beijo na lateral do meu pescoço.

Eu te levei pra casa pra cuidar de você começou , e você murmurou coisas sem sentido algum durante todo o caminho. Duas em especial me chamaram bastante a atenção.

Eu disse que queria beijar você sussurrei, jogando a cabeça para trás para repousá–la em seu ombro.

Essa foi uma.

E a outra?

Você perguntou por que não conseguia um namoro como o da Claire ele respondeu. E você era tão nova! Dezoito anos! Eu achei um absurdo você pensar em namorar naquela idade. Mas aí você disse que que só queria alguém que te tratasse de uma maneira especial, alguém que te enxergasse diferente do seu pai e da Claire e do Ty. Uma pessoa pra ir ao cinema Gabriel continuou falando, e a cada palavra sua voz ficava mais suave e mais lenta. Uma pessoa com quem você pudesse passar o dia ao lado lendo e se sentir bem com isso, alguém pra passar o dia dos namorados com você e fazer coisas clichês só pra ver o seu sorriso, mesmo que por alguns segundos.

O lugar em que estávamos parou.

Gabriel suspirou, ficando com o corpo ereto e desenlaçando minha cintura, logo subindo as mãos até a parte de trás da venda.

Você até disse que, mesmo morando em Londres, esperaria alguém te levar para ir ao London Eye pela primeira vez seus dedos desamarraram o nó com facilidade e a venda deslizou por meu rosto.

Abri meus olhos e o que vi tirou meu fôlego e fez meu coração atrasar uma batida. Aproximei-me do vidro, ainda com as mãos espalmadas nele, completamente encantada. Era noite, e pelo vidro da cabine, eu conseguia ver as luzes, de desde grandes hotéis até a faróis de carros, iluminando cada canto da cidade. A Tower Bridge brilhava no meio de tudo aquilo, era o centro das atenções da minha visão e era incrivelmente perfeita. Eu já havia visitado a ponte, afinal, que tipo de londrino nunca o tinha feito? Porém, a visão dela de onde eu estava era maravilhosa, era única.

Meus olhos se encheram de lágrimas quando eu me dei conta, depois de me derramar diante daquela vista, de onde eu estava.

Eu estava no London Eye. E a cabine em que eu estava havia parado bem perto do topo, me dando uma visão ampla e magnífica de Londres, de um jeito que eu nunca vira.

Isso é perfeito falei com um sorriso.

Me virei para ficar de frente para Gabriel e ele me olhava com um sorriso, parecendo orgulhoso de si mesmo e até feliz por me fazer sentir daquela forma.

Você é perfeito falei, me aproximando e o puxando para mim.

Levantei naquele dia achando que havia vida após a morte. E que eu estava morta pra nunca mais. Minha cabeça latejava levemente, meu corpo estava pesado e eu queria apenas ficar jogada na cama esperando que minha preguiça fosse embora e eu me levantasse para… sabe, viver. Porém, infelizmente, minha barriga grunhiu de fome e eu não vi alternativa senão tirar coragem de um buraco bem fundo dentro de mim e levantar.

Caminhei para a cozinha em passos pesados e lentos, sabendo que eu estava, provavelmente, parecendo o monstro do poço.

– Bom dia, sunshine – Sophia exclamou animada.

Levantei a cabeça e a vi na cozinha, sua roupa e algumas partes do rosto e dos cabelos cheios de farinha, fora o lugar, que estava uma bagunça. Por mais que eu tivesse encarnado um zombie, não pude evitar soltar uma risada. E, talvez fosse impressão, mas caminhei mais levemente até chegar onde minha colega de apartamento estava; levemente curiosa.

– O que está fazendo? – Perguntei, alcançando uma presilha em cima do micro-ondas e prendendo meu cabelo ao ver a massa que Sophia estava fazendo com tanto esforço e dedicação.

– Pizza, ragazza – ela falou, seu sotaque italiano soando muito bom mesmo com poucas palavras.

– Por que? – Perguntei.

– Deu vontade de comer – respondeu, dando os ombros e pegando mais um punhado de farinha para jogar em cima da massa.

– Não seria mais fácil pedir por uma? – Tornei a questionar.

Ela balançou a cabeça.

– Eu estava entediada – disse. – E minha família é de origem italiana... meu pai sempre fez pizzas pra gente.

– Eu acho que alguém precisa voltar a dar aulas logo – brinquei, indo até a geladeira para pegar um copo de água.

– Talvez você tenha razão – ela murmurou. – Ei, não coma nada agora, espere as pizzas ficarem prontas!

– Mas estou com fome – falei, me encostando no balcão e a assistindo.

– Engole uma maçã, eu sei lá – foi sua resposta.

Assenti e alcancei uma maçã na fruteira sem sequer precisar sair do lugar.

– Sabe o que você podia fazer?!– Ela indagou após eu dar uma mordida na fruta.

– O que?

– Nos preparar drinks – falou, deixando a massa de lado por alguns segundos e se virando para mim, parecendo animada.

– Como você sabe que sei fazer drinks? – Perguntei, estreitando meus olhos pra ela.

Seu sorriso se alargou.

– Eu não sabia – disse. – Foi um palpite de sorte… Então faça pra nós!

Gemi desanimada, jogando a cabeça para o lado e fazendo um biquinho.

– Mas estou cansada!

– Ah, vai – ela insistiu numa voz manhosa. – Depois alugamos alguns filmes e podemos passar o dia todo nos divertindo aqui.

Revirei os olhos e assenti, rindo ao vê-la dar alguns pulinhos animados e pulando em cima de mim para me dar um beijo, sujando-me com farinha.

Vamos lá, vou te ensinar Gabriel falou, dando um tapinha na minha bunda para me instigar andar mais rápido.

Dei um pulinho e o ouvi rir, coisa que me fez virar para olhá–lo com os olhos semicerrados.

Por que quer que eu aprenda? Eu não vou mais a festas, sabia? Indaguei em murmúrios, fazendo Gabriel revirar os olhos e me puxar para seus braços com um sorriso no rosto.

Você não precisa ir para festas para saber preparar drinks, Emma ele respondeu, dando-me um beijinho rápido nos lábios. Podemos tomar um monte deles e nos divertir juntos.

Gargalhei, jogando a cabeça para trás.

Você quer me embebedar! Sussurrei, aproximando nossos rostos e roçando a ponta do meu nariz no seu, deixando os olhos abertos para poder continuar olhando nos seus.

Ele sorriu.

Mas é claro que eu quero respondeu, fazendo-me afastar de si para rir.

Meu namorado não presta falei, dando um beijinho na curva do seu pescoço e logo depois me desvencilhando de seus braços e me virando para andar até a cozinha. Então vem me ensinar, Gabriel. Eu sei que você é um ótimo professor.

Eu adorava provocá–lo, como sempre fui acostumada a fazer, mesmo que ainda não tivéssemos feito nada além de dar alguns amassos bem quentes no sofá até aquele dia.

Não rebole desse jeito pra mim ele falou um pouco longe. Você vai me encher de álcool daqui a pouco, sabia? Eu não vou me controlar.

Parei no lugar, virei o rosto apenas o suficiente para poder olhá–lo, ainda mantendo-me de costas, e pisquei um dos olhos, mordendo meu lábio inferior e empinando um pouco a bunda, provocando-o de brincadeira. Quando Gabriel ameaçou correr até onde eu estava, com sua expressão franzida como se eu fosse a presa e ele o predador, soltei um gritinho e corri, sabendo que ele faria o que sempre faz caso me pegasse: cócegas.

O deixei na sala ao som de suas próprias gargalhadas.

Quando abri a porta do apartamento um cheiro forte de tabaco invadiu minhas narinas. Olhei para onde o cheiro vinha e era da janela que ficava na sala, onde Sophia estava sentada fumando enquanto Damien Rice tocava alto no apartamento. Ela pareceu sequer notar minha presença e ali, olhando para o horizonte com os olhos semicerrados e uma expressão séria no rosto, ela pareceu triste.

Fechei a porta e joguei minhas chaves em uma mesinha de madeira que ficava logo ao lado, logo depois deixando minha bolsa jogada no sofá, e então caminhei até minha colega de apartamento, sem saber ao menos se eu deveria me aproximar ou apenas deixá-la ter seu momento em paz.

– Eu não sabia que você fumava – falei, me sentando em sua frente no pequeno sofá que havia diante da janela comprida de vidro, que estava aberta.

Ela piscou e virou para me olhar, parecendo surpresa.

– Me desculpa! Eu não fumo quando você está em casa, pensei que só chegasse mais tarde – falou rapidamente, se apressando para apagar as cinzas do cigarro no cinzeiro apoiado no parapeito da janela, mas eu segurei seu pulso, impedindo-a de fazê-lo.

– Eu não me incomodo, fique à vontade – disse sinceramente, e ela respirou fundo, assentindo e dando uma tragada profunda no cigarro. – Dedetizaram o restaurante hoje, por isso saí mais cedo.

Ela balançou a cabeça.

– Entendi – murmurou, voltando a olhar pela janela.

Mordi meu lábio inferior, questionando-me mentalmente se eu deveria falar ou perguntar alguma coisa sobre seu estado não comum aos meus olhos. E me lembrei das vezes em que, mesmo em um mês, ela me vira triste e arrumara um jeito de me fazer sorrir… eu sabia que não era boa com isso de animar pessoas, mas o fato de que ela fizera algo por mim quando eu estava daquele jeito me dava coragem, nem que fosse para uma simples conversa.

– Tudo bem? – Perguntei finalmente. – Você parece um pouco pra baixo.

Ela deu os ombros, dando outra tragada no cigarro e logo virando o rosto para me olhar.

– Eu fico assim às vezes – respondeu. – E fumar pra mim é como chorar para algumas pessoas.

Soltei uma risadinha e assenti, entendo o que ela queria dizer.

– Tem outro aí? – Perguntei, me referindo ao cigarro.

– Eu não sabia que você fumava – falou, imitando minha fala de minutos atrás, enquanto pegava um maço de cigarros ao seu lado e o abria, estendo para que eu pegasse um.

– Não é sempre – disse, colocando o cigarro entre os lábios para acendê-lo com o esqueiro que estava no parapeito ao lado do cinzeiro.

Sophia balançou a cabeça, dando um sorrisinho de canto.

Nenhuma de nós duas falou mais nada pela próxima meia hora, e eu não me incomodei com isso. Assim como ela, deixei meu olhar vagar pela vista privilegiada de New York que tínhamos por nossa janela, deixando que, como sabia que Sophia estava fazendo, minha mente viajasse por pensamentos e lembranças.

Quem precisa dormir no telhado desse prédio com uma vista dessa, certo? Sussurrei, deixando um beijo na curva do pescoço de Gabriel e me aconchegando melhor em seu peito.

Ele gargalhou, fazendo-me sentir a vibração de sua risada. Era uma sensação gostosa.

Eu só queria que você visse estrelas ele disse.

Foi minha vez de rir, voltando a olhar para o teto do meu quarto e vendo as estrelinhas fluorescentes pregadas lá em cima, brilhando. Era nosso aniversário de três meses de namoro e, como o síndico do prédio não permitiu que Gabriel subisse para o telhado comigo para passarmos algumas horas juntos lá e ele havia se convencido de que nós veríamos estrelas naquela noite, eu apenas cheguei em casa e encontrei meu quarto totalmente escuro, apenas com pequenas estrelinhas amarelas brilhando no teto.

Por que isso? Perguntei. Se você estivesse me esperando com uma banheira de água quente e sais de banho, um bom vinho e disposto a fazer uma massagem em meus pés eu já estaria satisfeita.

Mais alguma coisa, senhorita? Quem sabe alguém para te carregar, te abanar e dar uvas na boca? Falou divertido, fazendo-me gargalhar e dar um tapa fraco em sua costela.

Idiota murmurei, subindo meu rosto para deixá–lo enterrado na curva de seu pescoço.

Ficamos em silêncio por alguns segundos, eu emanando cada vestígio do perfume natural de Gabriel e ele acariciando minhas costas por debaixo da blusa do pijama de seda que estava usando, provavelmente de olhos fechados ou observando as estrelinhas que ele mesmo havia colado.

Sabe o que eu estive pensando? Perguntou.

Hum? Murmurei preguiçosamente, umedecendo os lábios com a língua antes de deixar um beijinho no pescoço de Gabriel. Alguma coisa em estar constantemente tocando-o com os lábios me agradava.

Em irmos passar o dia de São Valentim em Paris falou como se não fosse nada demais, fazendo-me abrir os olhos e quase pular para apoiar direito o braço em seu peito e levantar o rosto, de modo que eu pudesse olhá–lo.

O que? Indaguei, surpresa.

Como alguém vai de estrelas no teto a dia dos namorados na França?

Pense bem, amor começou, tirando as mãos das minhas costas e começando a alisar meu cabelo carinhosamente. Paris é a cidade do amor! Eu sempre quis conhecê–la. E não tem ninguém no mundo melhor do que você pra ir comigo.

É uma viagem cara, não acha? Perguntei cautelosamente, sabendo que minha voz estava saindo arrastada por causa do sono.

Ele balançou a cabeça.

Acho que vale a pena respondeu, tentando dar os ombros, o que não deu muito certo, já que ele estava deitado. E eu não vou ser enterrado com meu dinheiro pra ficar guardando ele.

Sorri e assenti, inclinando-me apenas um pouco mais para frente para poder lhe dar um selinho.

Se você realmente quer, podemos ir atrás disso falei, voltando a ficar com o queixo apoiado em seu peito, ainda o olhando. Eu acho que seria perfeito.

Gabriel abriu um sorriso e, num ímpeto, agarrou meus quadris e nos rolou na cama, ficando por cima de mim. Ele apoiou seu peso nos cotovelos, ficando com um braço de cada lado dos meus ombros, e desceu as mãos para poder acariciar as laterais do meu rosto com seus polegares. Aproximou seu rosto, descendo a ponta do nariz por minha bochecha num carinho.

Tudo com você é perfeito sussurrou, levando sua boca até a minha e as colando lentamente, não demorando muito para me beijar com mais força e mais intensidade.

– Querida, cheguei! – Sophia gritou quando entrou no apartamento, batendo a porta logo depois.

Apressadamente desliguei a televisão e limpei as lágrimas que escorriam por minhas bochechas. Eu não esperava que minha colega de apartamento não notasse que eu estive chorando, mas era melhor do que me pegar fazendo isso... soava menos patético.

Ela se jogou na poltrona de olhos fechados e um sorriso no rosto, deixando a mochila colorida cair ao lado, no chão. Usava suas habituais botinhas pretas, uma calça jeans clara e surrada e uma blusa fina de mangas compridas; seu cabelo rosa desbotado – que ela jurava que ia pintar de azul no próximo mês – estava preso num rabo de cavalo e ela parecia acabada. Mas, ainda assim, imensamente feliz.

– Cara, eu adoro dar aulas para pessoas inteligentes – falou ainda de olhos fechados. – Ensinar sociologia é como simplesmente ser eu mesma… eu sou sociologia.

Soltei uma risada.

– É bom te ver feliz – disse, subindo as penas para cima do sofá e as cruzando.

Sophia abriu os olhos e levantou a cabeça que estava jogada para trás, semicerrado os olhos enquanto me olhava, chegando a até inclinar a cabeça para o lado para me observar mais atentamente.

– Pare de fazer isso – balbuciei, abaixando a cabeça e prendendo meus olhos nas unhas compridas demais dos meus dedos.

– O que aconteceu? – Ela perguntou, e pelo canto de olho eu a observei se levantar para se sentar ao meu lado no sofá, virada pra mim.

Balancei a cabeça de um lado para o outro, já sentindo lágrimas se acumularem em meus olhos. Droga, por que alguém sempre tinha que fazer essa pergunta? Será que não sabiam a efeito instantâneo que ela causava?

– É sobre Gabriel outra vez? – Perguntou, soltando um longo suspiro ao que eu balancei a cabeça, confirmando.

Sim, eu havia contado a Sophia sobre Gabriel. Parecia certo e me fez sentir melhor. E, bem, ela já havia me pegado chorando uma outra vez.

– Eu pensei que... você sabe, você já estivesse um pouco melhor sobre isso – ela disse lentamente, subindo a mão para acariciar meu cabelo.

Balancei a cabeça, deixando algumas lágrimas escaparem.

– Eu estou – respondi sinceramente. – Se isso fosse antes, eu estaria muito pior. É só saudade, sabe? Dói não poder estar com quem a gente ama.

– Eu sei – falou e eu ergui a cabeça para olhá-la. – Eu sei que dói, Emma, ainda mais quando você não está com essa pessoa por uma coisa que parece tão grande e tão pequena ao mesmo tempo... Entendo que às vezes é horrível. Mas você aprende a conviver com isso com o passar do tempo. Vai doer? Vai. Mas uma hora ou outra fica mais suportável... Talvez você devesse arrumar um jeito de estravasar esse sentimento, sei que parece que ele pode te sufocar às vezes.

Concordei e mordi o lábio inferior, sentindo um nó na garganta. Sophia sorriu minimamente com meu ato e passou os braços por meus ombros, puxando-me até que eu estivesse com a cabeça deitada em seu colo. Deixei que um soluço escapasse, apertando os dedos na barra da minha camiseta.

– Gabriel é um idiota mesmo – falou divertida e eu não evitei soltar uma gargalhada, fungando logo depois.

– Você parece conhecê-lo bem – brinquei.

– Ninguém o conhece como você, isso eu tenho certeza – respondeu, soando séria.

Limpei as lágrimas do meu rosto e endireitei meu corpo, saindo de seu abraço.

– Obrigada… – falei – por isso.

Sophia balançou a cabeça.

– Não por isso – disse, se levantando. – E, além do mais, eu sei como é se sentir assim… enfrento o sentimento todos os dias.

E sorriu de lado, se virando como se nada tivesse acontecido e caminhando tão leve como uma pena em direção ao corredor que levava aos nossos quartos. Eu não podia ter encontrado uma colega de quarto melhor, pensei enquanto a assistia, ela era simplesmente incrível.

Sophia Welch. E então, rápido como um raio, uma luz se acendeu na minha cabeça. Como em um daqueles filmes em que a pessoa para pra pensar uma vez na vida e começa a juntar as peças e tudo parece óbvio demais…

– Espera! – Falei alto, fazendo Sophia parar e se virar, me olhando como se soubesse o que eu estava prestes a dizer. – Sophia?

Seu nome saiu dos meus lábios como se eu estivesse acabando de conhecê-la. E, de certa forma, eu estava… Minha colega de apartamento continuava ali, mas estava sendo incrementada com algo fundamental. Tudo o que ela fez foi arquear os ombros e dar um sorrisinho de lado, me deixando surpresa.

Por que vocês se separaram? Sabe, se você gosta tanto dela

Porque ela é incrível ele respondeu. E eu sou um idiota. Ela é incrivelmente perfeita do jeito dela, tem uma bondade e um sarcasmo que me desmonta e eu fui estúpido o suficiente para traí–la.

Gabriel gemi baixo em seu ouvido, arranhando suas costas com força, jogando a cabeça para trás e fechando os olhos com força.

Você é minha? Ele perguntou num rosnado, entrando dentro de mim uma vez com mais força e mais fundo. Algum tipo de grunhido saiu da minha garganta e eu segurei as paredes molhadas do banheiro, procurando algum apoio concreto.

Hm? Soltei mais um gemido do que uma pergunta.

Quero que você fale que é minha ele disse mais alto, começando a entrar e sair de dentro de mim mais rápido, fazendo meu corpo pular em seu colo e me levando a um estado perto da loucura. Fale que é minha, Emma, quero ouvir você falar.

Os dedos dos meus pés se contorceram enquanto ele continuava a se movimentar rapidamente, e comecei a sentir que eu estava perto de atingir meu ápice.

Sou sua falei exasperada. Sou sua agora e vou continuar sendo. Sou sua, amor, só sua.

Explodi numa sensação intensa ao mesmo tempo que o senti se esparramando dentro de mim. Com a respiração entrecortada e o coração batendo acelerado ao mesmo ritmo do meu, Gabriel deitou sua testa eu meu ombro, enquanto eu deixava minha cabeça para trás, apoiada na parede. Ele deixou beijos em meu pescoço até chegar ao meu ouvido, onde então sussurrou com a voz rouca pós-sexo que me arrepiava inteira:

– E eu sou só seu.

Notas finais
E aí, o que acharam??? Eu resolvi escrever esse capítulo de última hora por dois motivos: primeiro porque eu achei que estava em falta com cenas de Gabriel&Emma juntos, e segundo porque eu queria mostrar, mesmo que por cima, como a Emma fica lembrando deles juntos e sente saudade ele em NY. Então é um capítulo de lembranças e dias soltos da vida da Emma na cidade nova e tals. Me falem o que acharam, se gostaram, se preciso melhor. POR FAVOR, COMENTEM!!! Beijos e até domingo :** (o próximo capítulo tá pronto há muito tempo, rsrs) P.S.: Eu arrumei emprego, pulem de alegria comigo ♥ P.S.²: QUERIA SÓ DIZER QUE ESTAMOS QUASE CHEGANDO AOS 600 COMENTÁRIOS E EU TÕ URRANDO DE FELICIDADE. EU AMO VOCÊS POR ISSO, SÉRIO!!! OBRIGADA POR FAZEREM PARTE DISSO COMIGO :')