Not Over You

20 Capítulo 19 - My baby. Our baby.


Notas iniciais
Heeey, guys! Eu demorei, né? Desculpem por isso. Mas, em minha defesa, eu avisei que iria demorar, AUHSUAHSUAHS. Eu não tenho muito o que dizer aqui hoje. Mas, bem, eu novamente não sei quando vou postar o próximo capítulo. Eu vou começar ele hoje, mas minha professora louca de geografia passou um trabalho enorme pra entregarmos em duas semanas e eu vou ter que correr contro o tempo para fazê-lo, então... Fora que agora estamos em épocas de prova e é aquela coisa! EU POSTEI UMA HISTÓRIA NOVA! Yey! Ela se chama Violet, está lá no meu perfil... deem uma olhada, vejam se vale a pena ler! Eu adoraria ter os meus leitores de NOY lá - e até já tenho alguns! Eu gostei desse capítulo, ficou bom. Mas vocês provavelmente vão querer cortar meu pescoço fora. Enfim, vamos logo pro capítulo senão eu vou acabar falando demais! Boa leitura, potatos!

– Não! – Claire exclamou exasperada, fazendo o pobre menino de cerca de dez centímetros mais baixo que ela dar um passo para trás, enquanto eu segurava o riso. – Eu disse que queria arranjos de flores de São Miguel… – semicerrou os olhos para ele, terminando a frase lentamente, instigando-o a continuar.

– Azuis – ele respondeu com a voz trêmula.

– Com rosas… – minha melhor amiga fez outra vez.

– Brancas.

– Então por que diabos você estava esfregando um buquê de rosas vermelhas na minha cara? – Ela perguntou, e eu pude ver o menino perdendo mais ainda a cor. O que era assustador, porque ele já estava mais branco do que um cadáver.

– Claire – chamei, fazendo-a se virar para mim com um olhar que era capaz de decepar minha cabeça –, não se esqueça que o menino não tem culpa de nada disso, o chefe dele tem.

– Tem razão! – Ela quase gritou, atraindo a atenção de alguns clientes que estavam andando pelo lugar. – Onde está seu chefe? – Perguntou, voltando a encarar o garoto.

Ele parecia não ter nem vinte anos direito, e eu estava morrendo de dó pelo jeito que Claire estava falando com ele. Seus olhos castanhos inocentes estavam arregalados e o fato de ele ser menor do que Claire parecia deixá-lo totalmente indefeso.

E eu sabia que minha melhor amiga não era má assim de graça, mas ela andava estressada com tudo que tinha a ver com o casamento. E emocionada. Na semana anterior, por exemplo, nós havíamos combinado de ir para o shopping fazer compras para ela deixar um pouco a pressão do casamento de lado, mas quando cheguei em sua casa, ela estava usando pijamas e derrubando um mar de lágrimas em frente a televisão, assistindo Titanic, enquanto dizia que sua vida não teria sentido se Matt morresse afogado e congelado como Jack. Matthew era o único que ainda era capaz de ficar com ela por um dia inteiro, porque nem eu ou Heloise conseguíamos essa proeza mais.

– E-ele e-está com uma c-cliente – o garoto respondeu, gaguejando e me fazendo voltar a ter que controlar a risada, o que provavelmente me tornava uma pessoa horrível. Ele estava morrendo de medo da minha melhor amiga e tudo o que eu podia fazer era me segurar para não rir.

– Olha, quer saber? – Claire perguntou, sua voz se tornando mais baixa e calma, e então ela soltou um suspiro. – Eu não posso com isso, não posso – se virou para mim e me entregou sua bolsa, logo voltando a olhar o garoto e colocando uma mão de cada lado da cintura. – Avise ao seu chefe que semana que vem meu irmão vai vir aqui falar com ele, e é melhor ele ter tudo pronto para os arranjos com flores de São Miguel azuis e rosas brancas – inclinou o corpo, deixando seu rosto próximo ao do garoto miúdo e semicerrou os olhos.

Eu poderia jurar que o ouvi engolindo em seco.

– Meu irmão pode ser muito pior do que eu quando não lhe obedecem – sussurrou, endireitando o corpo logo depois.

Claire se virou para mim e pegou sua bolsa de minhas mãos, dizendo um “vamos, Emma”, enquanto empinava o queixo e saía andando. Virei-me para o garoto enquanto seguia minha melhor amiga e franzi as sobrancelhas, forçando uma careta que deveria parecer como um pedido de desculpas pela indelicadeza da loira que andava a minha frente. Ele sorriu amarelo, e pude ver seu peito magricela desinflar, e um certo alívio passou por seus olhos. Ele finalmente estava respirando.

Claire e eu andamos até a praça de alimentação do shopping, ambas em silêncio. Ela ainda bufava de vez em quando, mas estava mais preocupada em manter a respiração controlada. Já lá, porém, enquanto eu pegava um lanche no Burger King, minha melhor amiga pegava um daqueles lanches enormes do Subway. E ela ainda estava animada para tomar um sundae de chocolate.

– Para onde está indo toda essa comida, Claire? – Perguntei de olhos arregalados, vendo-a colocar o último pedaço de seu lanche na boca enquanto eu ainda estava na metade do meu. – Você nunca comeu tanto assim na vida… eu sei que o casamento está chegando e que você está ansiosa, mas se continuar comendo desse jeito não vai caber no vestido.

– Estou me alimentando por dois agora, então me deixa – ela falou casualmente, pegando seu copo de suco na bandeja e sugando o líquido pelo canudo infantilmente, enquanto passava os olhos pela praça.

Engasguei com a minha própria saliva ao ouvir aquilo.

– Perdão?!

– Pelo quê? – Perguntou confusa, voltando os olhos para mim e colocando o copo de plástico já vazio de volta na bandeja.

Fiquei encarando-a como se ela fosse um ser de outro planete e, quando a ouvi rir, soube que estava zoando com a minha cara. Ela sabia o que tinha me falado. E eu sabia que ela tinha apenas esperado para me ver olhando-a daquele jeito para que as minhas suspeitas fossem confirmadas.

E foram, quando Claire sorriu debilmente e assentiu.

– Mas, além de você, só Gabriel e Matthew sabem – ela disse rapidamente. – Gabriel quem desconfiou e me mandou fazer um teste…

– Namorado inteligente o meu – falei rindo e Claire revirou os olhos, mas logo sorriu.

– Mamãe ainda não sabe – ela disse.

– Ela vai ter ataques quando descobrir – disse rindo e ela assentiu depois de revirar os olhos, como se aquilo fosse típico. E era, na verdade.

Claire ficou me olhando, seu olhar carregado de expectativas por algum motivo. Mas eu me mantive quieta, enquanto o fato dela estar grávida fazia minha mente recobrar memórias dolorosas. E eu estava imensamente feliz por minha melhor amiga, realmente estava. E talvez eu fosse a maior egoísta do mundo por pensar em mim em um momento tão importante para Claire, mas era mais forte do que eu. Eu havia perdido um bebê. E isso doía. Estar ao lado de Gabriel constantemente e sendo feliz me fazia esquecer das coisas dolorosas, do nosso passado. E esquecer que aquele bebê sempre faria parte de mim. Mas ele fazia. E Claire ao menos sabia disso.

– Está feliz por mim? – Ela perguntou ansiosa, provavelmente porque eu não dei um grito de felicidade, nem fui abraçá-la ou ao menos lhe disse parabéns. Minha resposta, no entanto, foi um sorriso vacilante. – O que foi, Emma? – Perguntou estreitando os olhos.

Eu era, definitivamente, a pior amiga do mundo. Não conseguia ao menos não parecer miserável ao que minha amiga me contou o que era, provavelmente, a maior felicidade de sua vida até aquele momento.

– Eu estou feliz por você, Claire! – Falei sinceramente, e ela devia ter notado isso, pois sorriu ternamente. – É só que isso me lembrou uma coisa que eu tinha apagado da cabeça e… Claire? – Soltei meu lanche em cima da bandeja e coloquei os braços em cima da mesa, segurando as mãos da minha amiga.

– O que? – Ela acariciou minhas mãos com o polegar e seus olhos mostravam toda a compreensão que ela tinha dentro de si, mesmo que não estivesse bem emocionalmente.

– Tem uma coisa sobre mim que você não sabe – eu disse, sentindo meus olhos marejarem. – E eu não queria te contar isso agora, porque não é certo e nem justo com a sua felicidade, mas… eu preciso contar isso para você.

Eu estava decidida. Contaria naquele momento ou nunca.

Claire franziu as sobrancelhas e forçou o aperto de suas mãos nas minhas, como se me desse forças para continuar falando. Suspirei profundamente, tentando não pensar em como eu estava me sentindo culpada por estar prestes a contar aquilo para minha melhor amiga enquanto ela estava tão feliz. Sentia-me egoísta, mas era uma coisa que eu precisava fazer. Claire Harrison era minha melhor amiga. E ela me entenderia.

Ela sempre entendia.

– Eu perdi um filho do Gabriel em Montana – sussurrei, sentindo o nó na garganta que sempre aparecia quando eu tocava naquele assunto.

Com os olhos arregalados, Claire deixou o aperto de suas mãos nas minhas se afrouxar e um ofego de surpresa escapar de sua boca. Ela parecia incrédula demais para falar alguma coisa. Ou fazer alguma coisa. Contudo, a lágrima que eu senti escorrer por minha bochecha a fez voltar a apertar nossas mãos, enquanto franzia o cenho e fungava junto comigo, provavelmente na mesma intenção que eu de segurar o choro.

Ela engoliu em seco, e seus olhos se encheram de lágrimas rapidamente.

Não queria que nenhuma de nós chorássemos. Pelo menos não no meio da praça de alimentação. Pareceríamos duas malucas, honestamente falando.

Claire abaixou a cabeça e deixou beijos em minhas duas mãos, que ainda apertavam firmes as suas. E então voltou a erguê-la, me olhando no fundo dos olhos, mostrando que, como Gabriel, podia enxergar minha alma apenas com um olhar.

– Eu sinto muito – ela sussurrou, e eu mordi meu lábio inferior, sentindo mais lágrimas descendo por minhas bochechas. – Vamos embora, vamos conversar lá em casa.

Sua voz era paciente e carinhosa, de um jeito que nunca fora antes, coisa que me fez assentir e levantar da cadeira ao mesmo tempo que ela, não me importando em deixar metade de um lanche apetitoso em cima da bandeja. E juntas, com os braços enlaçados um no outro – como fazíamos quando ainda estávamos no colégio –, andamos para fora do shopping.

– Estava com saudade – foi a primeira coisa que Gabriel disse assim que eu abri a porta do apartamento, logo puxando meu corpo e grudando-o ao seu –, namorada – sussurrou provocativo.

– Eu também – falei sorrindo e fiquei nas pontas dos pés para poder lhe dar um selinho.

Tentei descolar meus lábios dos seus, para também chamá-lo de namorado, da mesma forma como ele havia feito, mas Gabriel não deixou que eu me afastasse, puxando meu corpo para cima para me colocar em cima de seus pés, me fazendo rir contra sua boca ao que eu quase caí. Meus braços rodearam seu pescoço e ele caminhou para frente, levando-me junto consigo, e fechou a porta com a mão sem nenhuma delicadeza. Seus lábios se moveram junto com os meus lentamente, enquanto eu sentia suas mãos descerem pela lateral da blusinha fina e larga que eu estava usando, só para voltarem a subir logo depois, mas por debaixo do tecido. Senti os pelos de seu corpo se arrepiarem quando minhas mãos começaram a brincar com as pontas do couro cabeludo em sua nuca.

A ponta da sua língua contornou meu lábio inferior, e ele o chupou logo depois, fazendo-me entreabrir a boca. Gabriel aproveitou desse momento para voltar a colar nossas bocas, mas dessa vez sua língua invadiu a minha com avidez, ao mesmo tempo que a minha invadia a sua. Ele virou o corpo e deu alguns passos, colando minhas costas na porta da madeira com um estrondo, descendo suas mãos para a poupa da minha bunda e, com um impulso, rapidamente eu estava com as pernas entrelaçadas em sua cintura.

Sentia meu corpo se agitar a cada vez que ele puxava a barra do meu short de pano, mesmo que fosse sem a real intenção de tirá-lo. Esse ato bruto fazia nossas intimidades se tocarem sem nenhuma delicadeza e Gabriel grunhia contra meus lábios e apertava seus dedos em minhas pernas sempre que acontecia. E eu gemia. Gemia de forma vergonhosamente vulgar. Mas que Gabriel parecia adorar.

Estávamos com muita saudade acumulada. Realmente estávamos.

Uma de suas mãos saiu da minha coxa e subiu por minhas costas, enquanto seu corpo prensava mais o meu contra a porta, fazendo-me arquear as costas. A mão de Gabriel chegou até a minha nuca e puxou meu cabelo com brutalidade, fazendo minha cabeça pender para trás e nossos lábios se desgrudarem sem aviso prévio. E só assim eu consegui perceber o quanto estava necessitada de oxigênio.

Ainda com os olhos fechados, senti os lábios de Gabriel percorrerem meu pescoço. Ele aproveitou o decote da blusa para passar a língua lenta e tortuosamente entre os meus seios, fazendo-me arfar. Abri meus olhos e puxei com força a minha mão que estava em seu cabelo, fazendo-o inclinar a cabeça para me olhar. Então o aperto em meu cabelo se afrouxou e eu mergulhei meus lábios em direção ao seu, voltando a beijá-lo com todo o desejo que estava incendiando meu corpo. Abracei seu pescoço com mais força, na intenção de deixar nossos corpos mais próximos. Mas isso não parecia mais ser o suficiente. E foi o que me fez começar a movimentar meu corpo para cima e para baixo, em uma busca desesperada pela fricção de nossas intimidades.

– Emma – Gabriel sussurrou, separando nossos lábios e colocando as mãos em meus quadris, me forçando a ficar parada, embora também usasse força para me manter exatamente onde eu queria estar, como se tentasse me parar ao mesmo tempo que quisesse continuar. – Nós devíamos parar.

– Hm, por que? – Murmurei manhosa, inclinando a cabeça para deixar beijos e mordidas em seu pescoço. Vi, pelo canto dos olhos, seus olhos se fecharem e sua boca se entreabrir, enquanto ele jogava a cabeça para trás.

Lambi seu pescoço por uma linha reta imaginária e, ao fim dela, suguei sua pele, murmurando prazerosamente, deixando claro que ele era incrivelmente gostoso.

– P-porque – ele tentou falar, sua voz saindo falha, e então engoliu em seco. – Porque você disse que queria esperar – continuou com dificuldade, e suas mãos começaram a subir pelas laterais do meu corpo. – E eu não quero… – gemi em seu ouvido propositalmente quando seus polegares passaram por meus seios, fazendo-o parar suas mãos e apertá-las em minha pele fortemente, mostrando a força que estava fazendo para se controlar.

O percurso se duas mãos continuaram lentamente, até chegarem em meu rosto e o puxarem, desgrudando meus lábios, que já estavam brincando com o lóbulo de sua orelha, de si. Com os olhos verdes escuros e carregados, ele ficou me encarando por alguns segundos, e logo me deu um selinho demorado e terno, que me fez suspirar satisfatoriamente.

– E eu não quero que você se arrependa – completou, encostando nossas testas.

Respirei fundo e assenti. Ele estava certo. Eu queria esperar. Não queria que, como antes, nossa relação se baseasse apenas em sexo. E, quando acontecesse, deveria ser especial. Não comigo prensada em uma porta.

–É, eu sei, eu só… – comecei, mas ele me interrompeu.

– Eu sei.

Sorri, mesmo que ele não pudesse ver, e desenrosquei minhas pernas de sua cintura, ficando de pé no chão novamente.

– Quer comer alguma coisa? – Perguntei, saindo do meio dele e da porta e o puxando pela mão em direção a cozinha. – Claire me comprou um bolo de chocolate hoje... mas ele é grande demais!

Gabriel riu e se sentou em um dos banquinhos, enquanto eu pegava o bolo dentro da geladeira.

– Por que ela te comprou um bolo? – Perguntou.

Parei de repente, segurando o bolo com uma mão e a porta da geladeira com outra.

Claire havia me dado o bolo de chocolate porque, depois de uma hora chorando para lhe contar sobre a perda do bebê e mais meia hora pedindo desculpas por não ter contado antes, ela disse que eu precisava de chocolate. E como precisava. Fora mais um jeito de me animar do que algo sincero, porque depois de dizer isso e me ver rir entre fungadas, ela disse que me entendia. Como eu imaginei que ela faria. Ela me entendia. Eu não sabia como ela poderia me entender, mas alguma coisa em seu modo de dizer e de me dar um abraço apertado logo depois me fez acreditar em suas palavras. Como sempre.

Eu tinha a melhor amiga do mundo, sem dúvidas.

No final das contas, entretanto, ela realmente me comprou chocolate.

Porém, Gabriel e eu não havíamos falado sobre o bebê desde o dia em que ele bateu à porta do meu apartamento às duas da manhã. E eu não sabia se ele ficaria nervoso por eu ter conversado sobre isso com Claire. E também não sabia, e só naquele momento percebi que essa dúvida pairava em minha cabeça, se ele realmente acreditava em mim.

Porque eu disse que havia perdido o bebê, e não tirado.

Mas Gabriel não pareceu acreditar.

Fechei a porta da geladeira e me virei, colocando o bolo em cima da bancada e logo olhei para Gabriel.

– Eu falei com ela sobre o bebê – sussurrei.

– Ah! – Ele sorriu. – Então ela te contou, não é? O Matt está tão feliz.

– Ela contou sim – sorri. – Mas Gabriel, não foi isso que eu quis dizer.

Ele franziu as sobrancelhas. E parecia confuso. Ou talvez nem tanto.

– Eu falei sobre o nosso bebê – disse, vendo-o arregalar os olhos. – Contei para ela que o perdi.

– Por que fez isso? – Perguntou, e eu senti meu coração acelerar quando notei a expressão dura em seu rosto.

– Porque eu me senti culpada por não ter contado algo assim para a minha melhor amiga, Gabriel! – Exclamei. – Porque aconteceu. E só porque nós não falamos sobre isso, não quer dizer que eu não possa falar para a Claire.

– Eu não quero falar sobre isso, Emma – ele murmurou, tirando a tampa de plástico de cima do bolo, como se o assunto estivesse encerrado.

Quase ri com escárnio ao ouvi-lo falar aquilo. Era engraçado como ele, de repente, não queria mais saber por que eu havia falado com Claire sobre o assunto. Apenas pelo “só porque nós não falamos sobre isso”. Gabriel não era burro. Ele sabia o que vinha depois dessa declaração, sabia que viria a cobrança. E logo tratou de deixar claro que não queria falar sobre o assunto, não importava onde ele nos levaria ou a importância que tinha para mim falar sobre ele. Era assim que ele era. Era assim que ele sempre fora. Só falava sobre o que queria. E conseguia fazer os outros falarem também. E isso, desde sempre, era o que mais me tirava do sério nele. Essa necessidade e prazer de ter o controle. Essa determinação em dominar as conversas, os assuntos e as pessoas. Esse medo orgulhoso.

E, pela primeira vez desde que estávamos juntos, senti raiva.

Era como se o bebê não fosse… nada.

–É claro que não quer – murmurei de volta, virando para pegar uma faca na gaveta. – Se quisesse, já teria me obrigado a falar sobre, é desse jeito que você faz.

Gabriel voltou a me olhar instantaneamente.

– Não fale como se eu fosse um monstro.

– Você era um. E sabe disso – retruquei, sabendo que eu nem eu mesma concordava muito com aquilo.

– Você disse certo – ele exclamou, sua voz saindo um pouco mais alta do que o normal. – Eu era. No passado. Não sou mais. E pensei que já tivesse te provado isso.

– Então por que não conversamos sobre o bebê? Você está fazendo exatamente o que fazia antes: evitando o assunto.

A essa altura, minha voz também já estava elevada. Assim como a de Gabriel, que já havia se levantando e colocado as duas mãos no balcão, com o corpo inclinado para frente, perto do meu.

– Eu não estou evitando o assunto, Emma – ele disse lentamente, com a voz baixa e a respiração controlada. – Eu só não quero falar sobre isso.

– Isso pra mim é evitar um assunto! – Exclamei exasperada.

– Eu não me importo o que é pra você – ele falou um pouco mais alterado do que antes. Seus olhos verdes faiscaram em minha direção. – Eu não quero falar sobre isso, Emma – disse, dessa vez pausadamente, após tomar longos segundos para respirar fundo.

–É bom saber que o que eu penso não importa – falei baixo.

Gabriel suspirou e jogou a cabeça para baixo. Larguei a faca em cima da pia e me escorei na mesma, apoiando as mãos na borda, deixando meus olhos colados no chão e respirando fundo, tentando controlar a raiva que havia se apossado do meu corpo naquele momento.

Além da raiva, também era a primeira vez que nós brigávamos desde que estávamos juntos. E a primeira vez que eu tentava falar sobre o bebê com Gabriel. E eu não conseguia me sentir nada mais além de confusa. Ver Gabriel ficar dessa maneira por causa desse assunto, e agir como se realmente não acreditasse em mim... isso me quebrava. Afinal, se ele não acreditava em mim, então o que nós éramos? Quando daríamos certo se nunca falássemos sobre uma das coisas mais significantes que aconteceu em minha vida? Em nossa vida.

Eu quase poderia me sentir derrotada.

Será que Gabriel e eu nunca ficaríamos juntos sem dúvidas? Sem medos?

Senti mãos grandes obrigando-me a levantar o rosto e, assim que o fiz, vi Gabriel parado em minha frente. Seus polegares acariciaram minhas bochechas delicadamente, enquanto seus olhos mantinham-se presos nos meus. E ele parecia mais calmo, pois seus olhos já haviam mudado para um verde límpido. Respirei fundo, sentindo que meu corpo começara a se acalmar apenas com seu olhar e suas carícias.

– Eu não quis dizer isso, Emma… eu só não quero brigar – ele disse, e eu assenti com a cabeça, ainda chateada. – E também não quero falar sobre isso agora, ok? Apenas vamos esquecer esse assunto por enquanto.

Assenti novamente, sentindo suas mãos saírem do meu rosto e seus braços logo envolvendo meus ombros, me apertando em um abraço. Continuava chateada com seu silêncio e suas palavras, porém me deixei ser abraçada, e também rodeei sua cintura com força e afundei meu rosto em seu peito, inalando seu perfume para dentro de mim, como eu adorava fazer sempre que nos abraçávamos. Dava-me a sensação de que eu não estava sozinha. E de que quem estava ao meu lado era a pessoa que eu mais queria. E, naquele momento, espantava as dúvidas sobre nós dois.

Minha mente, porém, não saiu completamente da nossa discussão.

Entretanto, respeitaria sua vontade. Não falaria com ele sobre o bebê…

… Por um tempo.

Notas finais
E aí, o que acharam? Não, gente, eu não sou uma pessoa má, AUSHUSAUSHAUS. Okay, deixem comentários, me falem o que vocês acharam, o que vocês acham que vai acontecer e o que vocês acham que JÁ aconteceu. Eu juro que vou tentar postar o mais rápido possível, porque os dois próximos capítulos são, provavelmente, os meus dois favoritos da história toda. Um deles eu sonho em escrever desde o começo! Enfim, é isso! Não esqueçam dos comentários, deem uma checada em Violet e continuem comigo... apesar de demora, haha. Beijos e até o próximo!