Not Over You

12 Capítulo 11 - Trapped


Notas iniciais
Hello, cogumelos! Como vocês estão?
Ah, eu cheguei super no prazo, porque postei terça-feira da semana passada, UHUUUUL.
Antes quero dizer que eu tentei até postar antes, e eu teria conseguido, mas fiquei quatro dias sem computador, e isso fodeu com a minha vida D:
Um enorme obrigada para a Sweet Girl, que deixou uma recomendação incrivelmente linda para NOY...sério, muito obrigada, linda, eu realmente amei.
Senti falta de algumas leitoras no último capítulo que postei...onde estão vocês, lovers? D:
Leitores fantasmas, queridos, apareçam... Não generalizem, pessoas invisíveis não são legais nesse caso.
Espero que gostem do capítulo, porque eu gostei. É, eu sei, estou surpresa comigo mesma, tenho gostado do que escrevo ultimamente.
Boa leitura!

P.S.: Esse título quem criou foi a Deb, uma leitora superfofa. Eu precisei de um pouco de ajuda pra entender, haha, mas depois que entendi achei perfeito :3 Obrigada, Deb gata!

— Foi uma noite incrível — comentei olhando para cima, observando o céu escuro, enquanto andava devagar ao lado de Ian.

— Também achei — ele falou, e quase pude ouvir um sorriso em sua voz.

Ian era, sem sombra de dúvidas, o cara mais puramente engraçado, simpático, educado e divertido que eu havia conhecido até aquele dia. De todos os poucos encontros que eu havia tido, aquele fora o melhor de todos. Ian e eu concordamos em deixar um jantar formal de lado por um enorme lanche no Subway acompanhado por um suco natural de laranja, e depois um sunday de chocolate. E, o que provavelmente seria um horror para outras garotas, nós deixamos o carro em frente ao Subway e continuamos nosso encontro andando, o que me agradou muito mais do que ele esperava.

Ian tinha um jeito simples e natural de puxar conversa, não que fosse necessário, porque depois do "como foi seu dia?" nós não paramos mais de falar. Um assunto foi puxando o outro e quando me dei conta, já sabíamos muitas coisas da vida do outro. Ele trabalhava como fotógrafo para revistas, comerciais e exposições, tinha vinte e cinco anos, era o filho de pais separados, tinha um irmão cinco anos mais velho e um sobrinho de três anos que parecia ser extremamente encantador. Esse era, básica e resumidamente, o Ian.

Ou seja, ele era o cara que qualquer garota queria. E o cara com quem eu estava saindo.

Um período de mais ou menos um minuto de silêncio de passou entre nós dois, enquanto em minha cabeça eu não parava de pensar o tamanho da sorte que eu tinha por encontrar Ian exatamente quando eu decidi que, por maior que fosse meu sentimento por Gabriel, eu não poderia ficar triste por não o ter pelo resto da vida. De repente, senti Ian abraçando minha cintura por trás e no segundo seguinte meus pés já não estavam mais tocando o chão. E então ele estava me girando bem no meio de uma pracinha simples e cheia de pessoas de Londres, meu vestido se levantando levemente e tudo o que eu fiz foi sorrir. Não, eu ri. Ri porque aquilo era divertido e fiquei me sentindo uma criança feliz. E ri do meu pensamento de que aquilo deveria estar parecendo um filme de comédia romântica aos olhos dos outros.

Ian foi diminuindo a velocidade dos giros até parar completamente, me colocando no chão e segurando minha mão esquerda antes mesmo de soltar minha cintura, de modo que, assim que me largou, puxou minha mão, fazendo meu corpo girar rapidamente, ficando de frente para o seu, nos deixando bem próximos um do outro.

E lá estava aquele sorriso de novo. Aquele lindo e sincero sorriso que ele tinha, que me encantava toda vez que se fazia presente em sua boca...o que acontecia praticamente o tempo todo.

— Ainda é uma noite incrível — ele falou baixinho, soltando minha mão esquerda e segurando minha cintura, depois subiu uma das mãos e colocou uma mecha ruiva do meu cabelo atrás da minha orelha.

Fiquei olhando para seus olhos incapaz de fazer alguma coisa, enquanto sua respiração se chocava com a minha. Meu coração acelerou dentro do meu peito, quase ao mesmo tempo em que eu notei que minha respiração estava levemente alterada. Estava sentindo como se aquele fosse meu primeiro beijo. E de fato era...meu primeiro beijo em de três anos.

Baixei meus olhos para sua boca, vendo ele morder seu lábio inferior, como se tentasse se conter. Voltei a olhar para seus olhos, sendo puxada para mais perto de si no segundo seguinte, ficando com meu corpo colado ao seu. Fiquei na ponta dos pés e fechei meus olhos instantaneamente, reunindo coragem para fazer o que eu estava pensando em fazer antes que eu desistisse, antes que algo em minha mente gritasse que aquele cara agarrado ao meu corpo deveria ser Gabriel. Mas não precisei, já que menos de dois segundos depois Ian colou seus lábios nos meus de forma doce, mas urgente.

Deixei que meu corpo relaxasse em seus braços, enquanto minhas mãos se agarraram a sua nuca e seus fios de cabelo. Ian me apertou ainda mais, explorando minha cintura e costas com suas mãos grandes e quentes, enquanto sua língua invadia minha boca suave e ardentemente, deliciando-me. E, quando minha mente e meu corpo começaram a aproveitar daquele contato, quando começaram a querê-lo ainda mais, flashes dos beijos e dos momentos com Gabriel bombardearam minha mente. O jeito que como ele me tocava, como deixava minha pele pegando fogo, a maneira como seus lábios e sua língua passeavam por minha barriga enquanto seus olhos permaneciam nos meus, o modo como ele sugava meu lábio inferior, como apertava minhas coxas antes de me deitar na cama e como conseguia fazer um beijo puro e sem intenções se transformar em algo ardente e sem controle.

Um nó se formou em minha garganta e lágrimas umedeceram meus olhos, mas não as deixei cair, nem deixei que aquele sentimento me fizesse parar aquele beijo. Não, porque era bom e eu tinha que continuar com aquilo.

Obriguei minha mente a voltar para aquele presente momento, notando que Ian estava beijando-me mais suavemente do que antes, como se estivesse prestes a parar; notando que seus lábios eram macios e quentes, notando o modo firme com o qual me segurava em seus braços, notando que sua língua era gentil e acariciava deliciosamente a minha. E, quando sua boca deu dois últimos selinhos na minha e se afastou, notei que eu senti falta.

E, ao sentir falta de uma coisa que não tinha nada a ver com Gabriel, meu coração explodiu em satisfação e eu fui obrigada por mim mesma a sorrir. Mesmo que uma parte de mim estivesse profundamente triste por eu estar, ainda que minimamente, me desfazendo daquele sentimento que já havia se tornado parte de mim.

Ian estava sorrindo novamente. E que sorriso. Tinha que admitir que seus lábios inchados e extremamente vermelhos davam um toque mais selvagem em seu sorriso, deixavam-no ainda mais atraente.

— Acho que a maioria das garotas não beijam no primeiro encontro — falei subitamente, ainda sorrindo.

Ian soltou uma gargalhada e voltou a inclinar a cabeça para baixo, me dando um rápido selinho, antes de dizer:

— Eu tenho muita sorte por você não ser como a maioria das garotas — corei ao ouvir aquilo. — Juro que não sei se aguentaria até o próximo encontro.

— E se o próximo encontro fosse amanhã? — Perguntei, enterrando meus dedos em seu cabelo.

— Uh, não — ele falou, gemendo como se estivesse sentindo dor ou algo do gênero, jogando a cabeça para trás rapidamente. — Eu teria que esperar umas quinze horas ou mais... Por Deus, não!

Soltei uma gargalhada e dei um leve tapa em seu braço antes de ficar na ponta dos pés e lhe depositar um beijo estalado nos lábios.

— Você é um bobo — falei, me desvencilhando de seus braços e segurando em sua mão esquerda, entrelaçando nossos dedos. — Vem, vamos andar mais um pouco...empacamos a passagem.

Ele piscou algumas vezes, olhando em volta e parecendo notar pela primeira vez que nós estávamos no canto da pracinha, por onde as pessoas normalmente passavam. Ele levou a mão até a nuca meio envergonhado, e suas bochechas coraram levemente quando viu duas senhorinhas nos olhando sentadas em um banco um pouco afastado de nós e cochichando enquanto nos olhavam sem nem tentar disfarçar.

— Certo, vamos — disse, com um sorriso tímido, puxando-me pela mão delicadamente e recomeçando a andar.

Depois de quase duas horas andando pelas ruas de Londres entre beijos, abraços, risadas, giros e quase tombos, Ian já estava entrando no estacionamento do meu prédio para me deixar. Era uma coisa muito juvenil, mas eu estava ansiosa para ligar para Claire e lhe contar sobre meu encontro com Ian, contar como ele era engraçado e como a sua boca combinava com a minha e como eu consegui tirar Gabriel da minha mente na maior parte do tempo que passei com ele.

Ian girou a chave na ignição e o carro desligou, e então ele soltou o cinto, se virando para mim com um sorriso. Só então notei que já estávamos parados na vaga de visitantes e aquela era a hora em que nos despediríamos e em seguida eu subiria para o apartamento com um sorriso idiota no rosto e ligaria para Claire, contando tudo, ainda com o maldito sorriso idiota no rosto. Porque aquela era eu.

— Vamos, faço questão de te levar até a porta — piscou e deu um beijo em minha bochecha, abrindo a porta do seu lado e saindo.

Ian e eu caminhamos de mãos dadas em silêncio pelo estacionamento até chegar ao meu apartamento. Eu fiquei perdida nos meus pensamentos sobre como ele era incrível, sobre como aquele tinha sido um encontro extremamente prazeroso e quando nós íamos nos ver de novo. E esperava, do fundo do coração, que ele estivesse pensando o mesmo. Não, eu não era tão divertida quanto a maioria das garotas que conhecia, era uma péssima contadora de piadas e consegui fazer com que nós quase caíssemos umas sete ou oito vezes. Mas, independentemente de tudo isso, ele pareceu se divertir pra mim. E pareceu gostar de estar comigo e mostrou isso durante toda a noite. Era só cruzar os dedos para que tudo fosse exatamente como parecia.

— Uma massagem nos pés por seus pensamentos — ele falou assim que paramos em frente a minha porta, se inclinando para cochichar em meu ouvido. Sorri.

— Estava pensando quando vamos nos ver outra vez — confessei, sentindo minhas bochechas queimarem de tanta vergonha. Eu nunca fui tão cara de pau na vida. Ian devia estar se cansando de ver minhas bochechas corarem.

— Olha só que coincidência, eu estava pensando a mesma coisa — ele falou, olhando nos meus olhos e dando um sorriso maior ainda quando eu mordi meu lábio inferior entre um sorriso tímido. — O que você acha se eu fizer um almoço domingo que vem?

— Oh, adorei a ideia! Assim posso saber se você realmente sabe cozinhar ou se era só conversa — falei divertida.

— Você me ofendeu, senhorita Emma Carter — ele falou, soltando uma das minhas mãos e a colocando no peito teatralmente. — Acha mesmo que eu faria aquilo só pra te conquistar?

Assenti com a cabeça sorrindo e ele escancarou a boca em um perfeito O, fazendo-me soltar uma gargalhada e lhe dar um leve tapa no braço. Ian tinha um jeito tão fofo de me fazer rir, e isso era muito encantador. Ele voltou a sorrir, mas era um sorriso malandro e esperto, e então passou os dois braços por minha cintura, me puxando para perto de si e iniciando um beijo calmo e carinhoso entre nós dois.

O beijo estava tão bom e eu estava aproveitando-o mais do que aproveitei os outros daquela noite, estava me entregando verdadeiramente aos poucos, cada beijo um pouco mais. E ele deveria ter durado mais do que míseros cinco ou seis minutos, se não fosse interrompido por uma voz masculina e quase tão educada quando envergonhada:

— Com licença?!

Separei minha boca da de Ian e virei a cabeça para trás, vendo Ethan parado a alguns passos de distância, com as mãos no bolso da calça cinza de moletom, sem camisa, deixando seu peitoral e seus braços definidos e estranhamente bronzeados a vista; e com os cabelos totalmente bagunçados. Ele estava com uma evidente cara de sono.

— Oh, hey, Ethan! — Exclamei surpresa, virando de frente para ele, mas segurando a mão de Ian. — Esse aqui é o Ian...Ian, esse é o Ethan, um superamigo meu.

— Prazer te conhecer — Ian falou, um sorriso sincero nascendo em seus lábios, e se inclinou para frente, esticando a mão para cumprimentar Ethan, que sorriu educadamente e apertou sua mão de volta.

— O prazer é todo meu.

Fez-se um silêncio constrangedor entre nós e eu não sabia muito bem o que fazer, porque não podia simplesmente mandar Ian embora, do mesmo jeito que não poderia ignorar a presença de Ethan e voltar a beija-lo. Eu estava até acostumada com Ethan me pegando nas horas mais inapropriadas, porque ele era cheio de abrir a porta do quarto de Gabriel de surpresa quando nós estávamos nos beijando...mas Gabriel o xingava rapidamente e ele logo saía, ou dava risada das minhas bochechas coradas e fazia alguma piadinha para que eu ficasse ainda mais envergonhada e ele e Ethan rissem disso.

— Acho que eu vou indo, Emma — Ian falou, e eu virei meu rosto para ele, concordando com a cabeça e lhe mostrando um sorriso carinhoso. — Eu te ligo para combinarmos aquele almoço, okay?

— Tá bem — respondi, erguendo minha mão livre para seu pescoço e lhe dando um selinho rápido, mas afetuoso.

— Até mais, Ethan — ele falou, se voltando para Ethan, que assentiu com a cabeça e esticou a mão para que eles se despedissem.

Depois que Ian saiu, eu e Ethan ficamos nos encarando em silêncio por alguns segundos, até que ele começou a abrir um sorriso malicioso e eu senti minhas bochechas queimarem.

— Você é uma tarada, Emma — ele falou rindo e eu revirei os olhos, começando a procurar a chave da porta na minha bolsa. — Se eu não tivesse chegado aqui, vocês dois tinham feito nesse corredor mais do que só se beijado. — Achei a chave na bolsa e destranquei a porta. — Cara, como vocês são tarados...estavam animadinhos, heim?

— Vai caçar uma vida, Ethan — falei, segurando a risada. E abrindo a porta. — Sério, você está precisando.

— Bem, talvez. Mas, sabe, depois o ninfomaníaco sou eu por morar no apartamento 69 — falou e soltou uma gargalhada quando eu lhe mostrei o dedo médio, entrando em casa e fechando a porta em sua cara logo em seguida.

Joguei minha bolsa no balcão da cozinha, larguei minhas sapatilhas no canto da sala e corri para o sofá, me jogando nele e discando o número de Claire no celular rapidamente, mais do que ansiosa para lhe contar os mínimos detalhes de meu encontro com Ian.

(...)

— Não fique parada pensando no seu encontro estilo comédia romântica demais — Claire exclamou ao telefone, enquanto eu procurava meu par de sapatilhas laranjadas embaixo da cama. Não estavam lá. — Porque você se atrasa para seus compromissos, como agora.

— Desculpe, meu amorzinho — pedi, soando docemente ofegante e finalmente achando as malditas sapatilhas depois de vinte minutos procurando. — Eu ignorei o despertador e dormi demais...mas não me culpe por isso, depois que desligamos o telefone eu vi que estava passando uma maratona de House e eu não podia simplesmente desligar a televisão.

— Okay, está perdoada — ela falou depois de um longo período de silêncio na linha. Sorri, eu sabia. Claro que Claire iria me perdoar...se ela não estivesse com Matt, com toda certeza estaria atrás de namorar com o ator principal desse seriado, mesmo que ele não seja como o personagem. Não, nesse caso, a idade dele não importava.

— Estou indo, chego aí em vinte minutos — falei, pegando minha bolsa em cima do balcão apressadamente e correndo em direção a porta. Claire concordou e finalizou a chamada.

A história da maratona de House era mesmo verdade, mas não a história de ter ignorado o despertador, porque eu havia esquecido completamente que Claire iria fazer um almoço em sua casa naquele domingo, pois os pais de Matthew estavam na cidade para vê-los, e sua mãe, Rose, queria ver como estavam os preparativos para o casamento e tudo mais. E, se minha amiga não tivesse me ligado, eu provavelmente ainda estaria dormindo.

Uh, sim, aquela seria mais uma oportunidade para Gabriel me ignorar na cara dura. A diferença era que, dessa vez, eu também estaria ignorando ele.

Cheguei na casa de Claire rapidamente, mas demorei um pouquinho mais do que vinte minutos; estacionei meu carro na frente do de Gabriel, já que era a única vaga próxima da casa de Claire e corri para a porta da casa, sentindo que minha melhor amiga me decaptaria se eu demorasse mais três minutos.

— Emma! — A Sra. Harrison exclamou sorridente, atendendo a porta apenas alguns segundos depois de eu ter tocado a campainha. — Vamos, entre...Claire não para de falar que você já deveria ter chegado.

— Oh, isso é a cara dela — falei sorrindo, passando por ela e entrando na casa.

As duas horas seguintes passaram rápido, embora todos tenham notado que eu estava ignorando Gabriel tanto quanto ele estava me ignorando, e claro, não tentaram disfarçar o quanto isso era engraçado para eles, embora fosse irritante pra mim e visivelmente incômodo e chato pra ele.

Ele me ignorou quando ele estava servindo suco de maracujá para todos na mesa e eu levantei meu copo, me ignorou quando viu que eu ia me sentar ao seu lado no sofá, porque não havia mais espaço sobrando e deitou, me ignorou quando eu pedi para que ele pegasse um detergente na dispensa pra mim enquanto lavava a louça... Passou a ser uma birra infantil e que estava me tirando do sério. Sim, tudo bem, estávamos mesmo ignorando um ao outro, mas ele não precisava ser tão mal-educado. Nas duas semanas que se passaram, apesar de me ignorar, ele ainda tinha educação.

— Sim, eu estou bem — falei para Ian, me jogando na cama do quarto de hóspedes em que eu havia ficado por algumas semanas, com o celular na orelha. — Só estou morrendo de cansaço — menti.

Eu estava sentindo raiva de Gabriel. Por tudo. Por ter levado Hillary para jantar onde eu trabalho na noite passada, por ter desdenhado meus sentimentos, por ser covarde, por me ignorar friamente durante duas semanas e, uma coisa nova à lista, por estar agindo como uma criança de cinco anos de idade. Mas Ian não precisava nem saber da existência de Gabriel, quanto mais disso tudo.

— Bem, eu estou te devendo uma massagem nos pés — ele falou e eu sorri.

— Se eu não estivesse com tanta vontade de deitar na minha cama e dormir até amanhã, com certeza te faria ir para o meu apartamento pagar essa massagem — falei divertida.

— Oh, azar o seu estar cansada — ele falou convencido. — Minha massagem é ótima.

— Não pense que você não vai fazê-la — falei sacana, ouvindo-o soltar um suspiro. — Se não hoje, semana que vem... Pode ser depois do almoço que você vai fazer para nós dois.

— Garota...você é esperta mesmo — falou, soltando outro suspiro. Soltei uma gargalhada. — Linda, eu preciso ir agora. Se você não estiver dormindo, nós nos falamos mais tarde.

— Certo, tchau tchau — falei, finalizando a chamada com um sorriso assim que obtive sua resposta e o barulho de um beijo estalado.

— Oh, que meigo — ouvi alguém dizer, e me sentei na cama bruscamente, vendo Gabriel encostado no batente da porta com os braços cruzados. — Você e seu namoradinho formam um casal tão doce.

Revirei os olhos e me levantei, ignorando-o e andando até a porta. Mas, ao tentar passar, fui impedida por seu corpo alto e forte, que se desencostou do batente e se colocou em minha frente.

— Foi um tanto quanto ridícula a ceninha que você fez ontem, na frente do seu apartamento — ele falou rispidamente, fazendo uma cara de desdém. — Poxa vida, Emma, pensei que você se respeitasse.

— O que quer dizer com isso? — Perguntei entredentes, controlando minha vontade de estapear sua cara e tirar aquela expressão de pouco caso de seu rosto.

— Beijar alguém daquele jeito no meio do corredor?! Nossa, isso é comportamento de uma-

— Ah, não precisa nem terminar — o interrompi, dando um sorriso sarcástico. — Engraçado é que você pode fazer coisas obscenas com mulheres que você nunca viu na vida e não gosta que te chamem de cretino, coisa que você é, mas eu não posso beijar inocentemente um cara encantador, com quem eu estava tendo um encontro, que isso faz de mim uma vadia... Sério, Gabriel, seus conceitos sempre foram uma merda.

Ele abriu um pouco a boca, certamente surpreso pelo modo como eu estava falando com ele. Não surpreso por eu chama-lo de cretino, pois isso eu falava o tempo todo, sem um pingo de arrependimento ao ver sua cara de desgosto quando ouvia, mas porque eu estava falando assim com ele depois de tudo. Depois das duas semana que se passaram, depois que eu voltei para Londres, depois de três anos longe dele.

— Um cara encantador?! — Debochou, mascarando sua surpresa com uma expressão de frieza. — Você é tão meiga.

— Vem cá — falei, perdendo o resto de paciência que eu ainda tinha —, o que isso tem a ver com você? Se eu beijo ou deixo de beijar alguém ou se eu deixo ou não de ter uma relação "meiga", o problema é único e exclusivamente meu. Você tem que calar a boca e ignorar.

— Eu só acho que-

— Você não tem que achar nada — gritei, cortando-o novamente. — Você perdeu o direito de achar coisas sobre mim duas semanas atrás, quando você foi covarde demais para olhar no fundo dos meus olhos e ser sincero, quando você ignorou o fato de que, antes daquela merda que nós criamos há seis anos atrás, nós éramos amigos; quando ignorou meus sentimentos e minha dor e depois começou a ignorar a mim, quando levou aquela Hillary para jantar no meu local de trabalho mesmo sabendo como aquilo me magoaria, Gabriel!

Respirei fundo, sentindo meu peito subir e descer rapidamente.

— Você não foi nem homem o suficiente para ser sincero e pensar em mim por pelo menos um minuto... e ainda pensa que tem direito de "achar" coisas sobra a minha vida? Faça-me o-

— Você é uma droga de uma hipócrita, Emma — gritou, se mostrando mais irado do que eu poderia imaginar que ficaria após ouvir minhas palavras. Apenas esperei que ele ignorasse e fosse embora, ou risse de mim. — Você quer sinceridade? Não acha que é muita ironia você me cobrar sinceridade sendo que não foi nem mulher o suficiente para me olhar nos olhos e dizer que tirou um filho meu?

Notas finais
Então, vocês gostaram??? Por favor, eu estou mais do que ansiosa para saber a opinião de vocês, para ler os comentários de vocês! Leitores fantasmas, não vejo hora melhor para que vocês apareçam!

Juro que vou fazer o possível pra postar na terça-feira...e acho que consigo, PORQUE ESTOU SEM AULA A SEMANA TODA, hahaha.

Até o próximo, cogumelos :3 Beijos ;**

P.S. Não me matem por terminar o capítulo assim!