Not Over You
10 Capítulo 09 - What Hurts The Most
Notas iniciais
Geeeente, mil desculpas pela demora. Sério, não foi minha intenção demorar...eu queria continuar postando toda semana, mas eu tive um bloqueio muito louco esse mês. Vocês não têm ideia de quantos capítulos "09" eu comecei, AUHSUAHSUAHS.
Quero dar um grito ensurdecedor de obrigada para a Balii e a Just Me, que deixaram duas recomendações simplesmente incríveis na história. Olha, as recomendações me deixaram muito muito muito feliz. Por isso, obrigada mesmo! ♥
Bem, só posso dizer uma coisa desse capítulo: eu adorei. Gente, sério, eu adorei o capítulo...e isso acontece muito raramente. Eu realmente espero que vocês gostem tanto quanto eu.
Enjoy :3
P.S.: Gostaram da nova capa? *.*
Abri meus olhos lentamente, sentindo minha cabeça latejar levemente. Meu pescoço estava dolorido por eu ter dormido com a cabeça curvada para cima e para o lado. Permaneci imóvel enquanto minha mente vagava pelo dia anterior. A cena excruciante de Gabriel e Hillary e meus sentimentos ao presencia-la voltaram em minha mente como bombas, explodindo de uma vez só, fazendo-me sentir um aperto no peito.
Ignorando as lembranças, reuni coragem o suficiente para levantar da cama e vestir um cardigã azul marinho. Ignorei as pantufas ao lado da porta e saí pelo corredor praticamente me arrastando; com passos pesados como chumbo entrei no banheiro. Sem sequer fechar a porta escovei os dentes monotonamente, encarando minha mão esquerda que se apoiava na pia de mármore escuro. Joguei água fria no rosto, enxugando-o logo depois com a pequena toalha que ficava pendurada ao lado da pia. Não fiz nenhuma questão de olhar no espelho, eu deveria estar horrível. Eu me sentia assim.
Desci as escadas devagar, me apoiando no corrimão de madeira e escutando pelo menos três minutos da voz de Claire xingando muito alguém no telefone. Dei de encontro com ela quando estava entrando na cozinha e ela saindo. Seu rosto estava corado de, pelo que parecia, raiva; e segurava seu celular com firmeza.
— Emma! — Ela exclamou surpresa. Seus olhos passearam por meu rosto lentamente e suas sobrancelhas se uniram de preocupação, seu rosto adquiriu uma expressão de dó e eu odiei aquilo.
Não queria que sentissem dó de mim. Naquela altura, depois de ter passado quase uma noite inteira em claro lamentando minha vida aos quatro ventos que rodeavam meu quarto, eu só conseguia sentir raiva. Raiva de mim mesma. Então que, em vez de dó, sentissem raiva de mim também.
— Estava com Ethan ao telefone — ela falou, erguendo o aparelho e mexendo-o de um lado para o outro.
— Coitado dele.
Passei por ela e adentrei a cozinha, a fim de procurar alguma coisa para comer, pois minha barriga basicamente gritava e se revirava de fome. Senti que Claire vinha atrás de mim.
— Ah, você ouviu? Eu estava xingando Gabriel, na verdade — ela disse com cautela, sentando-se no banco de frente para mim, que estava apoiada na bancada comendo uma barrinha de cereal. — Ethan me contou de ontem.
Apenas assenti com a cabeça, mostrando que não estava nem um pouco surpresa. E não estava mesmo, eu sabia que Ethan contaria para Claire. Não sabia se dizia ou não que Gabriel não merecia ser xingado de tantos nomes feios como os que ela disse, porque em meu íntimo, eu queria que ele ouvisse isso e muito mais.
Pois é, estava com raiva dele também. E eu nem tinha esse direito.
— Eu sei que você está magoada, Emma — Claire disse. Podia sentir seus olhos em mim, mas deixei os meus focados em sua marquinha de nascença no braço esquerdo. — Você nem consegue disfarçar. Simplesmente fica fria, com raiva de si mesma e fingindo que não está ligando para nada. E seu cabelo não fica nada bonito. — Sorri sem mostrar os dentes. Claire me conhecia muito bem. Ah, e eu sabia que meu cabelo estava horrível.
Continuei sem falar nada, mastigando devagar mais um pedaço da barrinha. Nunca havia demorado tanto para comer uma coisa tão pequena e gostosa em toda minha vida. Mas, por mais que eu estivesse com fome, tinha a sensação de que se eu não mastigasse muito bem antes de engolir qualquer coisa, meu corpo colocaria para a fora em fração de segundos.
— Tem almoço no microondas — ela falou depois de dar um longo suspiro por meu silêncio, desistindo de tentar me fazer falar alguma coisa.
Franzi o cenho.
— Que horas são? — Perguntei.
— Uma e meia da tarde.
Assim que terminei a primeira e a segunda barrinha, o que levou cerca de quatro ou cinco minutos, virei-me de costas para Claire e joguei a embalagem no lixo que ficava entre a pia e a geladeira. Peguei uma lata de Coca-Cola na geladeira e voltei a me virar para minha amiga, que continuava imóvel, calculando milimetricamente cada ação minha.
— Okay, eu estou chateada, Claire — falei, me dando por vencida. — Deus, você sempre faz isso! — Reclamei, dando um gole no refrigerante.
— Disso eu sei, Emma — ela falou devagar, dando ênfase em meu nome. — Eu quero que você fale sobre isso comigo... — tomou fôlego. — Eu sei que você não curte falar sobre o que está sentindo e você sabe que eu não gosto de te pressionar, sabe que eu espero você vir falar comigo...o problema é que eu não tenho certeza de que você virá e não quero que isso te sufoque.
— Claire, não tem o que falar — eu disse com uma voz baixa, fina e rouca, sentindo um bolo se formar em minha garganta. — Eu estou magoada, eu vivo desse jeito. Mas não gosto de falar disso. Não gosto de falar porque eu tento ignorar, entende? Não quero me sentir assim, não quero lembrar dos meus sentimentos por Gabriel, sejam eles bons ou ruins. Os ruins machucam, e os bons corroem cada parte do meu corpo. Então estou tentando esquecer do que vi ontem.
— Se você os ignora, como irá supera-los, Emma? — Ela perguntou calmamente.
— É que eu não tenho certeza se quero, Claire — falei, deixando escapar um soluço alto e sentindo minhas lágrimas saltarem dos meus olhos e rolarem por minhas bochechas. — E isso é o pior de tudo.
Claire rapidamente se levantou do banco e deu a volta na bancada, passando seus braços por meus ombros e me abraçando firme e carinhosamente. Uma de suas mãos acariciava meu cabelo enquanto a outra ficou parada no topo das minhas costas. Senti como se tivesse quinze anos de novo, quando o abraço da sua melhor amiga e as lágrimas derramadas são o suficiente para que a "dor" passe. Mas ela não passou dessa vez, apenas foi descarregada, aliviada. E isso era muito melhor do que nada, era muito melhor do que ficar carregando tudo sozinha, o tempo todo.
— Eu sei, Emma — ela falou baixinho, enquanto meu rosto estava escondido em seu ombro e minhas lágrimas estavam encharcando sua camisa de botões branca. — Pode chorar, eu estou aqui pra te ajudar...nunca se esqueça disso.
Não sei por quanto tempo fiquei ali parada de pé na cozinha chorando no ombro de Claire, mas sei que foi um tempo considerável. Meus olhos estavam ardendo e eu queria fecha-los por horas, meu corpo estava mole, meu rosto quente e dolorido. Claire não me soltou em nenhum momento, nem ao menos afrouxou o abraço. Eu me sentia mais leve, disposta a falar. Pela primeira vez, eu estava disposta a isso.
— Podemos ir para o meu quarto? — Perguntei para Claire, sentindo minha voz sair rouca e frágil, saindo de seus braços e olhando no fundo de seus olhos.
— Claro — respondeu, abraçando meu ombro de lado e me levando até o quarto.
Claire se sentou na minha cama e eu me deitei, encolhendo minhas pernas, deitando minha cabeça nas suas e sentindo suas mãos acariciarem meus cabelos compridos e encaracolados levemente. Estava exausta, com uma vontade imensa de dormir por dias. Mas havia algo que eu queria mais do que isso.
— Quando eu me apaixonei por Gabriel, pensei que nada mudaria — falei, surpreendendo Claire, pois ela parou de acariciar meus cabelos por alguns segundos, mas logo voltou a faze-lo, quase como um incentivo para que eu continuasse. Ou dormisse. — Sabe, foi meio de repente, porque eu não sei ao certo quando foi que aconteceu, nem como. Só sei que um dia eu acordei nos braços dele e não desejei mais nada, sei que seu sorriso começou a iluminar minha visão e seus beijos se tornaram essenciais para minha vida, como água.
"Suas qualidades e seus defeitos começavam a explodir em minha cabeça e eu comecei a ama-los incondicionalmente. O abraço dele era como uma proteção, mesmo que ele não soubesse. Quando estava com ele, me sentia tão viva, tão corajosa...como se eu fosse capaz de fazer qualquer coisa tendo-o ao meu lado. Quando não dormia em seus braços, acordava na minha cama com uma vontade imensa de levantar para encontra-lo e poder olhar para o verde sufocante de seus olhos.
"Meu ciume por ele nasceu e eu não era capaz de disfarçar. Ele se tornou diferente comigo, como se não me quisesse mais...mas continuava me procurando, me tendo intensamente. Comecei a tentar querer outros caras, conhecê-los, principalmente quando o via com alguma outra garota. Mas Gabriel ficava possesso da vida, brigava comigo, jogava na minha cara meu ciume e depois me jogava em sua cama e fazia amor comigo como se nada tivesse acontecido...e eu aceitava aquilo, porque ficar sem ele era pior do que ficar com ele daquela maneira. Pelo menos, no final do dia, eu ainda o tinha.
"Nós mais brigávamos do que qualquer outra coisa. Qualquer pequeno detalhe era motivo para uma discussão sem sentido que ele arrumava. A única coisa que me fazia começar uma discussão era quando ele me tratava como sua posse depois de praticamente comer uma garota qualquer no meio de uma boate. Você sabe disso, ele sempre fazia isso! Mas ele arrumava sempre um motivo para implicar comigo. Fosse o que fosse. Do o vestido 'exageradamente curto' que eu usava para ir em uma boate, até eu não querer tomar anti-concepcional. Tudo era um motivo grande demais para ele. Eram tão raras as vezes em que nós estávamos bem, em que ele me tratava como se fôssemos mais do que sexo."
— Eu me pergunto como vocês conseguiram se afundar desse jeito, Emma — Claire falou sinceramente, dando um suspiro demorado e preocupado logo depois. — Não acredito que entre vocês tenha sido apenas sexo.
— Eu me perguntei a mesma coisa por muito tempo... Demorou para que eu percebesse que nos afundamos assim porque não era pra ser e eu insisti nisso. Insisti em uma coisa que nem em um milhão de anos daria certo. — Falei monotonamente, de maneira fria, seca. Era ainda mais difícil falar aquilo em voz alta, encarar a realidade saindo pela minha boca. — Não acredito que tenha sido mais do que sexo pra ele, Claire...honestamente, não acredito.
"Só sei que doeu. Doeu me sentir tão dele. Gabriel me tratava como sua propriedade porque eu mesma acreditava nisso. Não tens ideia de quantas vezes tentei dormir com outros caras para tentar me sentir livre, Claire. Eu não conseguia. Acredito que deixei a maioria deles acreditando que eu era uma garota virgem e medrosa."
Fiz uma pausa um pouco demorada, enquanto ainda em silêncio Claire acariciava meu cabelo. Estava tentando reunir coragem para continuar falando...com aquela eterna sensação de que por mais que eu tentasse explicar, ninguém jamais entenderia, mesmo que fosse minha melhor amiga ouvindo tudo.
"Doeu e ainda dói. Antes doía porque eu queria estar com ele mesmo que nós dois brigássemos o tempo todo, mesmo que nos ofendêssemos com palavras e xingamentos, mesmo que ele ficasse com outras garotas...mesmo que ele não me amasse. Agora dói por eu não tê-lo mais, por eu não estar mais em seus braços nem poder sentir o conforto que seu abraço me traz, dói não ter seus lábios grudados nos meus, dói não me deitar mais em sua cama como sua mulher...dói saber que não vamos mais ter tudo isso. Porque quando temos, só traz dor pra mim. E dor de cabeça para as outras pessoas. E doeu tanto vê-lo com outra pessoa. E vai doer pro resto da minha vida saber que eu amo alguém que não mais estará ao meu lado, seja me amando ou apenas se satisfazendo.
"É tão difícil, Claire, eu me sinto tão perdida. Não sei o que estou fazendo, porque parece que cada passo é em vão se eu não tenho quem eu mais amo ao meu lado. Eu me sinto...eu não sei como me sinto ao certo. Tenho dúvidas, muitas. A incerteza, o medo e a angústia estão impregnadas em minha mente, não consigo me livrar delas. Sinto-me perdida, a cada dia mais. Fico repetindo a mim mesma o quanto eu sou idiota. Estou me sentindo tão machucada e não deveria. Eu não tenho esse direito. As cenas de Gabriel quase nu em seu apartamento com Hillary não saem da minha cabeça, a dor inacreditavelmente insuportável que eu senti na hora corroeu como nada nunca fez antes. É estranho, porque eu havia visto-o beijando outras garotas outras vezes e, por mais que doesse demais, o sentimento não se parecia em nada com esse. Eu sei que minha esperança foi quebrada ontem. E eu não posso ao menos culpa-lo por isso, porque ele não tinha culpa nenhuma. Nós dois não tínhamos nem temos nada. E isso dói mais ainda. Meus sentimentos são tão contraditórios. Eu queria que nós fôssemos um casal, mas um casal normal, como qualquer outro. Eu ainda o amaria. Se em vez de gritos nós conversássemos aos sussurros na cama, enquanto ele me aperta em seus braços, eu ainda o amaria. Se em vez de fazermos as pazes depois de ver o outro com outra pessoa, nós fizéssemos as pazes por insultos infantis, eu ainda o amaria. Mas nós não somos como eu queria que fôssemos, nós não fomos um casal normal e passamos longe do equilíbrio sentimental. E então eu não confio nele. E então nós não somos nada um do outro. Nem uma diversão para as noites frias. Não mais."
Minha voz falhou por alguns segundos, fazendo-me respirar fundo.
— Eu nunca vou esquecer, Claire, nem se eu quisesse. — Minha voz saiu baixa, um sussurro doloroso de se fazer ser ouvido. — É impossível apagar as lembranças de uma coisa que, mesmo te fazendo tão mal, te fez tão bem. E é doloroso saber que para o resto da minha vida vou deitar a cabeça no travesseiro e me lembrar do que passei com Gabriel, pro resto da minha vida vou me deitar e querê-lo intensamente ao meu lado. Vou morrer querendo uma coisa que nunca vai ser minha. Não completamente, não de alma e coração.
Ouvi Claire fungar e senti suas mãos tremerem quando, sem querer, ela passou uma delas por minha testa. Encolhi mais minhas pernas, sentindo-me mais do que nunca uma criança com medo do escuro e dos monstros escondidos no armário.
— Se eu não tenho o amor na minha vida, Claire, o que eu tenho? — Perguntei com a voz baixa, quase inaudível. Duas lágrimas solitárias rolaram por meu rosto e eu senti minhas costas leves e minha mente muda.
Virei meu rosto, encarando o rosto de Claire e vendo que, assim como eu, duas lágrimas escorriam por suas bochechas. Seus olhos carregavam uma coisa que eu não consegui decifrar, suas sobrancelhas estavam curvadas. Ela não sabia o que me responder, mas eu sabia a resposta.
Com o silêncio que ficou no quarto depois da minha pergunta inocente e retórica, foi quase impossível que o rangido lento da porta não fosse ouvido. Virei o rosto para olhar a porta ao mesmo tempo em que Claire ergueu os olhos.
Enxerguei a silhueta de um homem parado entre a porta e o batente, o que me fez sentar na cama quase que instantaneamente, com os olhos arregalados e a boca seca. Ele usava calça jeans escura, uma camisa branca com uns três ou quatro botões desabotoados, as mangas dobradas até um pouco abaixo do cotovelo, e uma camiseta cavada branca por baixo. Os pés estavam descalços como de costume. Cabelos cor de chocolate bagunçados e molhados, aquela barba por fazer e os olhos verdes apagados.
Gabriel estava me olhando como um desconhecido olharia ao passar ao meu lado na fila do banco. Olhos frios e despreocupados, carregando uma expressão indiferente no rosto.
Senti o ar se esvair ao meu redor. Minha barriga, meu rosto...meu corpo inteiro congelou. Não sabia o que falar, nem o que fazer. Não sabia se deveria falar ou fazer alguma coisa. Mas, mesmo que devesse, não conseguiria, eu sabia.
Não tive sequer um minuto para poder colocar meus sentimentos e pensamentos em ordem, pois assim como entrou quieto, quieto saiu. Saiu. Simplesmente virou as costas como se nada do que tivesse ouvido importasse, como se ele não tivesse ouvido mais do que o tintilar dos gelos em seu copo de Whisky. E aquele simples ato acabou com cada parte do meu corpo, estilhaçou todos os pedaços fracos e remendados do meu coração, deixando-me imovél, surpresa...
E destruída.
Notas finais
Mil beijos com nutella :3 e até o próximo, que eu vou fazer até o impossível para postar no sábado que vem.
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